{"id":8574,"date":"2020-04-05T19:35:32","date_gmt":"2020-04-05T18:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8574"},"modified":"2020-03-10T19:44:30","modified_gmt":"2020-03-10T19:44:30","slug":"pessoa-notavel-raul-duarte-mira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pessoa-notavel-raul-duarte-mira\/","title":{"rendered":"Pessoa Not\u00e1vel | Raul Duarte Mira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Pessoa Not\u00e1vel*<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>RAUL DUARTE MIRA<\/strong><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">O Padre Raul Duarte Mira nasce no Luso, par\u00f3quia da diocese de Coimbra a 3 de Maio de 1908. Ap\u00f3s a escola prim\u00e1ria, faz os estudos eclesi\u00e1sticos no semin\u00e1rio de Coimbra, vindo a ser ordenado sacerdote em 4 de Abril de 1931 na S\u00e9 Nova por D. Manuel Lu\u00eds Coelho da Silva. Exerce o minist\u00e9rio presbiteral em diversas \u00e1reas pastorais e em contextos algo complexos. Vem a falecer a 4 de Novembro na sua erra natal. Contava 80 anos, que lhe permitiram viver acontecimentos not\u00e1veis, em que foi protagonista ou testemunha.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">Igreja Aveirense e a Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura evocam a sua mem\u00f3ria agradecida em que se cruzam alguns desses acontecimentos que configuram uma vida marcada pela bondade inteiramente dedicada ao servi\u00e7o da Igreja situada no tempo. Recorre a testemunhos significativos embora breves.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Ser padre: ambi\u00e7\u00e3o da minha juventude<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA minha consci\u00eancia conta-me da minha ambi\u00e7\u00e3o da juventude: ser padre!\u201d \u2013 confessa Mons Duarte Mira \u00e0 vasta assembleia que no Liceu de Aveiro lhe dedica expressiva homenagem antes de ir para \u00c1frica. \u201cDeus sabe o belo ideal que abra\u00e7ou a minha vida de rapaz. Ele me atirou para um futuro cor do oiro: nessa altura desconhecia as encruzilhadas da vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(O Papa Pio XII, como reconhecimento do trabalho realizado, agraciou-o com a dignidade de Prelado de Honra, podendo usar o t\u00edtulo de Monsenhor em 27 de Fevereiro de 1947).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordo muito bem, orgulhosamente quase, um epis\u00f3dio da minha vida de garoto atrevido. Teria dezassete anos? Mas era j\u00e1 fil\u00f3sofo no Semin\u00e1rio de Coimbra. Numas f\u00e9rias do Natal, \u2026 casualmente me encontrei, certa data, em casa de pessoa amiga, com pessoa cotada na regi\u00e3o: m\u00e9dico por sinal. Prop\u00f4s-me ele, em considera\u00e7\u00e3o da compassiva educa\u00e7\u00e3o, que abandonasse o Semin\u00e1rio. A torre da Universidade significaria mais amplo triunfo na vida. E prodigamente, (meus Pais haviam falecido j\u00e1), se ofereceu a custear as despesas da formatura. E eu, ent\u00e3o, empertigado, cheio de mim, com a pausa e a impon\u00eancia, respondi: \u00abN\u00e3o senhor! Eu quero ser padre, em plena autonomia do meu esp\u00edrito! E esta frase, acentuadamente petulante, desmanchou a discuss\u00e3o e desorientou o advers\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2026E depois fui sacerdote, pela gra\u00e7a de Deus! Tinha aproximadamente vinte e dois anos e meio. O meu Bispo mandou-me para uma Vila de que devia ser Pastor. Ficava distante, nas margens do belo Z\u00eazere. E por l\u00e1 queimei (oxal\u00e1 que para louvor de Deus!) o mais belo tempo da minha mocidade: cinco anos completos. Nova ordem me atirou para Aveiro.(Correio do Vouga 26.01. 1957).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00e1roco da S\u00e9 e Vig\u00e1rio Geral<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A diocese de Aveiro \u00e9 restaurada a 24.08.1938, por Pio XI que nomeia D. Jo\u00e3o Evangelista da Lima Vidal administrador apost\u00f3lico e, a 16.01.1940, bispo residencial. O Padre Raul Mira era o p\u00e1roco da freguesia de Nossa Senhora da Gl\u00f3ria que \u00e9 escolhida para S\u00e9 episcopal. Ao mesmo tempo, D. Jo\u00e3o Evangelista nomeia-o Vig\u00e1rio Geral, ficando a ser como que o seu bra\u00e7o direito para tudo o que a nova diocese exigia. Miss\u00e3o que desempenha com not\u00e1vel esmero, compet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Membro da C\u00e1ritas Diocesana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1956, D. Jo\u00e3o Evangelista constitui a Diocesana da C\u00e1ritas e nomeia a sua direc\u00e7\u00e3o, de que faz parte Mons. Raul Mira. \u00c9 uma delega\u00e7\u00e3o da C\u00e1ritas Nacional e, desde Maio de 1948, vinha a exercer uma ac\u00e7\u00e3o benfazeja que vai ampliando progressivamente: acolher crian\u00e7as refugiadas vindas dos pa\u00edses do centro da Europa \u2013 a segunda guerra mundial havia sido um horror e os seus efeitos prolongavam-se por muitos anos \u2013 e para a distribui\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros aliment\u00edcios e pe\u00e7as de roupa a fam\u00edlia carenciadas oferecidas por cat\u00f3licos dos Estados Unidos da Am\u00e9rica do Norte; mais tarde, a\u00a0 partir de 1961, tamb\u00e9m prestaria apoio \u00e0s fam\u00edlias dos militares e emigrantes, sobretudo clandestinos. (Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar, Diocese de Aveiro, subs\u00eddios para a sua hist\u00f3ria, 2* edi\u00e7\u00e3o\u00a0 revista e actualizada, Aveiro 2014, p\u00e1g. 479).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Reconhecimento do Arcebispo: Alma branca da diocese de Aveiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal dizia: \u201cEle tem sido a luz dos meus olhos cegos, ele tem sido a respira\u00e7\u00e3o do meu peito seco, ele tem sido os bra\u00e7os do meu esqueleto, ele tem sido a vida da minha morte; ele \u00e9 a alma branca da Diocese de Aveiro\u201d. Nada melhor que esta cita\u00e7\u00e3o, com grande sabor po\u00e9tico, para ilustrar o reconhecimento do nosso Arcebispo relativamente a Mons Raul Mira pelo que \u00e9 e realizou como Vig\u00e1rio Geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E noutra passagem que faz mem\u00f3ria, confessa a sua surpresa pelo novo v\u00f4o que ele se sente chamado a fazer. Quando h\u00e1 tr\u00eas ou quatro anos, j\u00e1 me n\u00e3o lembra, Mons. Raul Duarte Mira me falou uma vez nos seus primordiais anseios de apostolado mission\u00e1rio, eu sorri-lhe paternalmente, como quem se compraz em ver nadar uma crian\u00e7a num sonho fant\u00e1stico, e repeti a palavra que disseram a S. Paulo os Ju\u00edzes do Are\u00f3pago: Audiemos te de hoc iterum! Fica a conversa para outra vez!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E pus-me a pensar: o bom homem! \u00c9 l\u00e1 poss\u00edvel que Deus o chame agora para os matos da \u00c1frica, quando a Diocese de Aveiro, ainda a vagir no ber\u00e7o, tanto dele precisa para a embalar? \u2026V\u00e1 pois com Deus, e c\u00e1 fica, \u00e0 nossa mesa, o seu lugar \u00e0 espera. (CV 19. 01. 1957).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gratid\u00e3o incalcul\u00e1vel ao primeiro Reitor do Semin\u00e1rio <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCome\u00e7ando por recordar a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio, as aulas da cadeira de Psicologia, de que foi aluno de Mestre t\u00e3o prestimoso, o trabalho fecundo e persistente de Mons Mira na forma\u00e7\u00e3o dos seminaristas, em que, por semelhan\u00e7a de fun\u00e7\u00f5es, t\u00e3o perto o acompanhou nestes \u00faltimos anos, disse o P. An\u00edbal Ramos, vice-reitor desta institui\u00e7\u00e3o, quanto a Diocese fica a dever ao seu primeiro Vig\u00e1rio Geral, de benemer\u00eancias de valor incalcul\u00e1vel e na obra do enriquecimento moral e cultura do seu clero\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que Deus o acompanhe nessas terras escaldantes da \u00c1frica portuguesa, j\u00e1 que n\u00f3s s\u00f3 podemos guardar-lhe um lugar de honra nas nossas ora\u00e7\u00f5es e no cofre precioso da nossa saudade\u201d. (CV 26. 01. 1957).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aveiro habituara-se a querer-lhe bem<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mons Raul Mira foi Assistente dedicado, amigo e compreensivo , sacerdote exemplar e homem digno, prestimoso e bom, afirma Pedro Grangeon, presidente da Junta da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica da diocese de Aveiro. E, mais adiante, confessa: \u201cAveiro habituara-se a querer-lhe bem. Terra de gente bondosa e simples, tomara-o como um dos seus e sente e chora o seu afastamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta hora amarga mas bela da despedida, \u00e9 bem significativo encontrarmo-nos aqui tantas pessoas das mais variadas condi\u00e7\u00f5es sociais que \u00e0 sua volta se juntaram para lhe manifestarem o seu apre\u00e7o e lhe lembrarem quanto o consideram e estimam nesta terra\u201d. (CV, 26.01, 1957).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mission\u00e1rio diligente em Quelimane <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mons Mira parte para Mo\u00e7ambique a convite do bispo de Quelimane, D. Francisco Nunes Teixeira. E, durante cerca de oito anos, desempenha as fun\u00e7\u00f5es que lhe s\u00e3o confiadas: Na cidade e nas aldeias, nas escolas e nos servi\u00e7os diocesanos. Nesse per\u00edodo, realiza-se o Conc\u00edlio Vaticano II e come\u00e7a a implementar-se a reforma preconizada; v\u00e1rios mission\u00e1rios e suas congrega\u00e7\u00f5es, sobretudo os Padres Brancos e os Combonianos erguem a sua voz em prol de uma missiona\u00e7\u00e3o menos comprometida com a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica portuguesa; surgem e crescem os sinais de revolta armada pela liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique do regime colonial. Estes factos provocam agita\u00e7\u00e3o contestat\u00e1ria, inicialmente nos mission\u00e1rios estrangeiros &#8211; que os v\u00e3o difundindo por jornais e revistas &#8211; e depois nos pr\u00f3prios naturais e residentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De regresso \u00e0 terra natal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mons Raul Mira regressa ao Luso, terra natal, a 1964 e o bispo de Coimbra, D. Jo\u00e3o Alves, confia-lhe diversos servi\u00e7os pastorais: p\u00e1roco de Luso e p\u00e1roco de Vacari\u00e7a, professor no Col\u00e9gio da Mealhada e outros. O seu zelo apost\u00f3lico e a sua bondade irradiante, a par de uma compet\u00eancia comprovada, abrem caminho \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o do m\u00fanus recebido e granjeiam-lhe o carinho e admira\u00e7\u00e3o do povo e dos colegas.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Em parceria com a revista <em>Igreja Aveirense<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoa Not\u00e1vel* RAUL<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8577,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,15],"tags":[],"class_list":["post-8574","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8574","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8574"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8574\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8579,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8574\/revisions\/8579"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8574"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8574"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8574"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}