{"id":8570,"date":"2020-03-10T14:03:08","date_gmt":"2020-03-10T14:03:08","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8570"},"modified":"2020-03-17T13:28:19","modified_gmt":"2020-03-17T13:28:19","slug":"edith-stein-o-pecado-original","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-o-pecado-original\/","title":{"rendered":"Edith Stein | O Pecado original"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\"><em>\u00abO chamamento de Deus ao homem e a voca\u00e7\u00e3o do homem aprecem essencialmente mudadas depois da culpa\u00bb.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em> O pecado original ser\u00e1 a causa de que a perfei\u00e7\u00e3o do primeiro homem se perca. Edith, seguindo a tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, d\u00e1 um lugar central na antropologia ao pecado original. S\u00e3o quatro os aspectos que ela desenvolve e que n\u00f3s apresentamos aqui: o facto do pecado, o sentido, as consequ\u00eancias e a rela\u00e7\u00e3o pecado-reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6740 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein_3.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"245\" \/>O facto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramo-lo bem narrado no cap\u00edtulo terceiro do G\u00e9nesis:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus fizera. \u00c9 verdade que o Senhor Deus vos disse: N\u00e3o comais de todas as \u00e1rvores do jardim? A mulher respondeu \u00e0 serpente: N\u00f3s podemos comer o fruto das \u00e1rvores do jardim. S\u00f3 do fruto da \u00e1rvore que est\u00e1 no meio do jardim nos disse Deus: N\u00e3o comais dele, nem sequer lhe toqueis, de outro modo morrereis. Ent\u00e3o a serpente disse \u00e0 mulher: N\u00e3o, n\u00e3o morrereis! Deus sabe que no momento em que o comerdes se abrir\u00e3o os vossos olhos e sereis como deuses, conhecereis o bem e o mal\u2026 Tomou pois do seu fruto e comeu\u2026\u00bb (Gn 3, 1-6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o facto do pecado Edith interroga-se acerca do seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abO relato da Cria\u00e7\u00e3o e da queda dos homens, est\u00e1 cheio de mist\u00e9rio e n\u00e3o seremos n\u00f3s a resolv\u00ea-lo. Mas n\u00e3o nos enganamos se enunciarmos alguns problemas e tirarmos algumas conclus\u00f5es. Porque raz\u00e3o era proibido comer da \u00e1rvore do conhecimento? Qual era o fruto que a mulher comeu e deu ao homem? Porque \u00e9 que o tentador se aproximou primeiro da mulher? \u00c9 evidente que o homem tinha conhecimento antes do pecado: tinha sido criado \u00e0 imagem de Deus, tinha dado o nome a todos os seres vivos, e tinha sido chamado para que dominasse a terra. Pode dizer-se que tinha um conhecimento maior do que o que possuir\u00e1 depois do pecado. Tem que se tratar pois dum conhecimento muito particular. A serpente fala de facto do conhecimento do bem e do mal; n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel que os homens n\u00e3o tivessem conhecimento do bem antes do pecado. Tinham o mais perfeito conhecimento de Deus, quer dizer, conhecimento do sumo Bem, e por isso mesmo de todos os bens particulares. No entanto, tinham que preservar-se da ci\u00eancia do mal que se adquire cometendo-o\u00bb.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sentido do pecado<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil resumir em poucas palavras o verdadeiro sentido do pecado original, ao menos tal como o encontramos na Escritura. Edith Stein prop\u00f5e diversos sentidos e explica\u00e7\u00f5es. O mais evidente parece ser que, no fundo, o pecado de Ad\u00e3o consistia na pretens\u00e3o de se querer igualar a Deus. Dada a clareza das suas palavras vamos deixar que seja ela mesma que no-lo transmita:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00ab\u2026 a ades\u00e3o dos primeiros homens \u00e0 palavra sereis como deuses (Gn 3,5) da serpente tentadora constituem uma <strong>revolta contra a natureza pr\u00f3pria da criatura<\/strong> e, por conseguinte, contra o Criador. Qual pode ser o sentido e o efeito de tal atitude? O fim que consiste para uma criatura em chegar a ser semelhante a Deus \u00e9 um fim absurdo e imposs\u00edvel \u2026 a recusa por parte da criatura do seu estado de depend\u00eancia e de submiss\u00e3o \u00e0 sua pr\u00f3pria natureza \u2026<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Tal atitude apresenta-se quando <strong>a criatura exige ser igual a Deus<\/strong>. Lucifer conhece a dist\u00e2ncia entre o seu ser e o ser divino, mas n\u00e3o quer reconhec\u00ea-lo. Com isto converte-se no pai da mentira. A mentira n\u00e3o \u00e9 \u2013 como o erro \u2013 um desconhecimento da verdade ou um conhecimento pretendido, mas a <strong>tentativa de aniquilar a verdade<\/strong>\u00bb.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Descobre outro sentido em rela\u00e7\u00e3o com o mesmo acontecimento do pecado e o processo que o G\u00e9nesis narra. Pergunta-se sobre o porqu\u00ea da serpente ter escolhido Eva, e conclui outra hip\u00f3tese sobre o conte\u00fado do pecado:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abA consequ\u00eancia imediata do primeiro pecado oferece-nos um ponto-chave para determinar em que p\u00f4de consistir: a consequ\u00eancia foi que o homem e a mulher passaram a olhar-se de um modo diferente e perderam a inoc\u00eancia no trato m\u00fatuo. \u00c9 poss\u00edvel, por isso, que o primeiro pecado n\u00e3o tenha sido apenas um acto de desobedi\u00eancia formal a Deus: o que lhes foi proibido e que a serpente apresentou com tanta artimanha \u00e0 mulher, e a mulher ao homem, teve que ser algo bem preciso na sua consist\u00eancia, quer dizer,<\/em> <strong><em>um tipo de uni\u00e3o rec\u00edproca que contradissesse a ordem original. <\/em><\/strong><em>O facto de que o tentador se aproximasse primeiro da mulher, poderia significar que este acesso mais f\u00e1cil n\u00e3o se devia a que ela fosse mais suscet\u00edvel ao pecado (de facto os dois estavam livres de inclina\u00e7\u00f5es perversas), mas ao facto de que o que era proposto tinha para a mulher uma maior import\u00e2ncia. Pode-se afirmar que desde ent\u00e3o ela estaria mais fortemente sensibilizada por tudo o que se relaciona com a gera\u00e7\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o dos filhos. A isso mesmo aludir\u00e3o as diversas penas estabelecidas tanto para o homem como para a mulher\u00bb.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo estes textos poder\u00edamos resumir o sentido do pecado original no seguinte: o homem cai na inimizade com Deus desde o momento em que n\u00e3o aceita a verdade do seu ser, e pretende superar a barreira insuper\u00e1vel da sua ess\u00eancia, querendo assim ocupar o lugar de Deus. A ac\u00e7\u00e3o concreta n\u00e3o se especifica claramente, mas teve que ser algo que contradissesse a natureza mesma do ser do homem, isto \u00e9, uma desobedi\u00eancia formal contra a ordem estabelecida por Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As consequ\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira e fundamental consequ\u00eancia do pecado original \u00e9 que em <em>Ad\u00e3o todos pecaram<\/em>. Edith referir-se-\u00e1 repetidas vezes ao texto paulino Rm 5,12:<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0 <em>\u00abPortanto, assim como por um s\u00f3 homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram\u00bb. <\/em>O mist\u00e9rio escondido nele porque todos pecaram, coloca-o a nossa autora com base nas seguintes perguntas e problemas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abMas como compreender que todos pecaram num s\u00f3 homem? No entanto, com toda a evid\u00eancia, esta quest\u00e3o n\u00e3o se reduz ao significado seguinte: todos os que descendemos do primeiro par humano levamos no mundo as consequ\u00eancias da sua queda como mal heredit\u00e1rio inato. Mas o facto de que a ac\u00e7\u00e3o do pai original seja atribu\u00edda a toda a humanidade, visto que \u00e9 a sua cabe\u00e7a, sem que haja uma participa\u00e7\u00e3o pessoal na falta, n\u00e3o se deixa admitir sem dano para a liberdade e a responsabilidade do homem individual ou para a justi\u00e7a coercitiva de Deus\u00bb.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><strong>[6]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreende-se que uma resposta n\u00e3o se torna nada f\u00e1cil. Ficaria comprometida por um lado a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia de Deus, e, do outro, a liberdade e a responsabilidade do homem. Como entender, ent\u00e3o, que as consequ\u00eancias do pecado original tenham passado a todo o homem quando este n\u00e3o \u00e9 necessariamente culp\u00e1vel? E Edith julga ter uma resposta a este mist\u00e9rio:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abParece-me que a solu\u00e7\u00e3o deve ser procurada na seguinte direc\u00e7\u00e3o: Deus previu no primeiro pecado todos os pecados futuros e nos primeiros homens viu-nos a todos, a n\u00f3s que estamos sujeitos ao pecado (Rm 3,9). \u00c0quele de entre n\u00f3s que tivesse a inten\u00e7\u00e3o de acusar os nossos primeiros pais porque teriam atra\u00eddo sobre n\u00f3s o peso do pecado original, o Senhor poderia responder, como respondeu aos acusadores da mulher ad\u00faltera: aquele que de entre v\u00f3s estiver sem pecado, atire a primeira pedra (Jo 8,7)\u2026 quem poder\u00e1 atrever-se a afirmar de si mesmo que teria permanecido firme onde os primeiros homens sucumbiram? Somo obrigados a afirmar que se fomos todos condenados em Ad\u00e3o e Eva, \u00e9 porque o merecemos\u00bb.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a> <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas explica\u00e7\u00f5es de Edith Stein d\u00e3o-nos p\u00e9 para entender porqu\u00ea todas as outras consequ\u00eancias ligadas ao pecado original recaem sobre todo o g\u00e9nero humano. Do texto de G\u00e9nesis deduzem-se as primeiras consequ\u00eancias, em rela\u00e7\u00e3o com o castigo ditado sobre Ad\u00e3o e Eva (Gn 3, 16-19):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abDisse \u00e0 mulher: Multiplicarei os sofrimentos da tua gravidez. Dar\u00e1s \u00e0 luz com dor os filhos e procurar\u00e1s com ardor o teu marido, que te dominar\u00e1. Disse ao homem: Porque ouviste a tua mulher, comendo da \u00e1rvore que te proibi comer, dizendo-te n\u00e3o comas dela: maldita seja a terra por tua causa; com trabalho comer\u00e1s dela todo o tempo da tua vida. Dar-te-\u00e1 espinhos e abrolhos e comer\u00e1s as ervas do campo. Comer\u00e1s o p\u00e3o com o suor do teu rosto at\u00e9 que voltes \u00e0 terra de onde fostes tirado; porque \u00e9s p\u00f3 e em p\u00f3 te h\u00e1s-de tornar\u00bb.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o evidentes as consequ\u00eancias imediatas do pecado: a dor no parto, o esfor\u00e7o n aluta pela vida, a desordem na rela\u00e7\u00e3o entre o homem e a mulher, a morte, <em>a perda do dom\u00ednio f\u00e1cil da terra, a rebeli\u00e3o das criaturas inferiores, a dura luta contra elas para ganhar o p\u00e3o quotidiano, o cansa\u00e7o do trabalho e a pobreza dos seus frutos.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a> <\/em>Em definitivo, quebra-se a harmonia original existente na cria\u00e7\u00e3o nas quatro direc\u00e7\u00f5es poss\u00edveis: no interior do homem; entre o homem e a mulher e entre toda a humanidade, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, e com Deus:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO pecado original foi um afastamento do ser humano de Deus, e a sua consequ\u00eancia foi uma perturba\u00e7\u00e3o da ordem do universo inteiro. O homem pecador est\u00e1 em revolta contra Deus, e o resto da cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 em revolta contra ele, que procura lutar contra ela. Em vez de um temor reverencial pelas criaturas, que as aceita no seu ser e procura preserv\u00e1-las e socorre-las, sucedeu a explora\u00e7\u00e3o em favor da sua cobi\u00e7a, explora\u00e7\u00e3o que se estende tamb\u00e9m aos seus semelhantes, quando tamb\u00e9m a \u201csimpatia\u201d natural n\u00e3o resulte suprimida\u00bb.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pecado e reden\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e0 expuls\u00e3o precede uma frase que inclui uma promessa. No ju\u00edzo de condena\u00e7\u00e3o da serpente diz-se: \u201cFarei reinar a inimizade perp\u00e9tua entre ti e a mulher, e entre a tua descend\u00eancia e a dela; esta esmagar-te-\u00e1 a cabe\u00e7a ao tentares mord\u00ea-la no calcanhar\u201d (Gn 3,15). Este vers\u00edculo do G\u00e9nesis, foi longamente comentado na hist\u00f3ria do cristianismo. Aplicou-se tradicionalmente e devocionalmente \u00e0 imaculada. Edith n\u00e3o nega esta leitura, embora seja partid\u00e1ria de entend\u00ea-la numa chave feminina muito mais ampla, de tal modo que aqui descobrir\u00e1 mais um aspeto da dimens\u00e3o vocacional feminina depois do pecado original.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto em que nos encontramos agora, Edith faz-nos cair na conta de outro significado. Refletindo sobre a natureza origin\u00e1ria (antes do pecado), sublinha que a plenitude da humanidade n\u00e3o se encontrava ainda totalmente realizada. Ad\u00e3o apontava para uma plenitude que se tornar\u00e1 efectiva s\u00f3 em Cristo, na sua encarna\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio de despos\u00f3rio de Deus e do homem. Quando toma o homem consci\u00eancia desta verdade? Muito possivelmente no seu sentido total e absoluto s\u00f3 depois do pecado, onde se lhe revela \u2013 no vers\u00edculo acima citado \u2013 o futuro Redentor. A este respeito escreve Edith:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00abNele (Ad\u00e3o) a divindade e a humanidade n\u00e3o estavam unidas numa s\u00f3 pessoa como em Cristo. Mas estava unido a Cristo pela gra\u00e7a\u2026 e esta gra\u00e7a eleva-o at\u00e9 \u00e0 participa\u00e7\u00e3o da vida divina. Neste v\u00ednculo encontra-se a livre condescend\u00eancia de Deus e o dom livre do homem que se eleva livremente para Ele, pois Ad\u00e3o possu\u00eda um conhecimento de Deus e das suas criaturas mais perfeito que o dos homens depois da queda e uma vontade ainda n\u00e3o debilitada\u2026; Podemos tamb\u00e9m admitir em Ad\u00e3o um conhecimento de Cristo enquanto cabe\u00e7a futura, ao mesmo tempo divina e humana, da ra\u00e7a humana e enquanto Filho de Deus feito carne; podemos supor igualmente a sua ades\u00e3o ao chamamento da gra\u00e7a enquanto uni\u00e3o com o homem-Deus e o seu consentimento espont\u00e2neo \u00e0 sua pr\u00f3pria miss\u00e3o enquanto origem da humanidade que deve ser regenerada por Cristo e em nome de Cristo. Pelo contr\u00e1rio, o conhecimento do Redentor n\u00e3o chega antes que o conhecimento do bem e do mal, que apenas se relacionava com a queda; \u00e9 devido \u00e0 revela\u00e7\u00e3o que est\u00e1 unida \u00e0 condena\u00e7\u00e3o depois da queda (Gn 3,15)\u00bb.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <em>A voca\u00e7\u00e3o do homem e da mulher<\/em>. In Obras, p.123.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ib. 125.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> In Ser Finito e Ser Eterno, pp 415-416.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>A voca\u00e7\u00e3o do homem e da mulher<\/em>. In Obras, p.125 &#8211; 126.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cf. Mensch, p. 76; SFSE, p. 526.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> In Ser Finito e Ser Eterno, p. 532.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> In Ser Finito e Ser Eterno, p. 532-533.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> <em>A voca\u00e7\u00e3o do homem e da mulher<\/em>. In Obras, p.124.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> <em>A Forma\u00e7\u00e3o da juventude.<\/em> In Obras 213-214.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> In Ser Finito e Ser Eterno, p. 540.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">* In Javier Sancho.<em> La Biblia con ojos de mujer. Edith Stein y la Sagrada Escritura. <\/em>Editorial Monte Carmelo, 2001. Pp. 106-113.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem: Fresco de Michelangelo retratando a expuls\u00e3o de Ad\u00e3o e Eva do jardim do \u00c9den<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8572,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,13],"tags":[],"class_list":["post-8570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8570"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8655,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8570\/revisions\/8655"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}