{"id":8487,"date":"2020-02-28T23:51:08","date_gmt":"2020-02-28T23:51:08","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8487"},"modified":"2020-03-20T00:11:02","modified_gmt":"2020-03-20T00:11:02","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva-2\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | O rasg\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>Letra viva | Valores de uma cultura que cuida e n\u00e3o mata<\/strong><br \/>\n<em>Rubrica dedicada \u00e0 reflex\u00e3o sobre o dever de cuidar de todos <\/em><em>e os riscos de legalizar a eutan\u00e1sia<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7998 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"148\" height=\"205\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg 739w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-217x300.jpg 217w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-768x1064.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-600x831.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1109x1536.jpg 1109w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1478x2048.jpg 1478w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1200x1662.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-850x1178.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-480x665.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1320x1829.jpg 1320w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-scaled.jpg 1848w\" sizes=\"auto, (max-width: 148px) 100vw, 148px\" \/>Causa-me perplexidade ver a facilidade com que nos estamos a habituar \u00e0 ideia de que nos \u00e9 leg\u00edtimo destruir os nossos s\u00f3 porque s\u00e3o nossos. Uns, de facto, outros, de direito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">De facto\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 inacredit\u00e1vel como se v\u00eam avolumando as not\u00edcias de que as rela\u00e7\u00f5es que deveriam ser de amor est\u00e3o envolvidas em viol\u00eancia. Porqu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 inacredit\u00e1vel como abandonamos e rejeitamos os mais fr\u00e1geis de entre n\u00f3s, seja na fase do ber\u00e7o, seja j\u00e1 adultos, fazendo desta uma sociedade que se satisfaz em proclamar princ\u00edpios, mas que os contradiz, a cada instante.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mas n\u00e3o deixa de ser igualmente inquietante ver como deix\u00e1mos que se tornasse leg\u00edtimo destruir os nossos, no plano do direito.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">De direito\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Deix\u00e1mos que se instalasse, de direito, a viol\u00eancia de uma m\u00e3e sobre o seu filho ainda n\u00e3o nascido. Deix\u00e1mos, legitimando, aplaudindo e chegando a rejeitar os que ousam retomar a inquietude que nunca nos deveria ter abandonado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Como podemos, depois de legitimar tal viol\u00eancia, ficar surpreendidos que haja outros sinais de viol\u00eancia quando permitimos e acolhemos como boa a viol\u00eancia naquele que \u00e9 o \u00faltimo porto seguro da nossa exist\u00eancia: o do colo da m\u00e3e?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">E, agora, depois de termos legitimado tal viol\u00eancia, propomo-nos dar mais um passo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">J\u00e1 n\u00e3o nos bastava ter legitimado a viol\u00eancia da m\u00e3e sobre o filho. Faltava-nos legitimar a viol\u00eancia do filho sobre a m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O Parlamento parece pretender faz\u00ea-lo, legalizando a eutan\u00e1sia. De mansinho, bem certo. J\u00e1 assim fora, em 1984 e nos referendos de 1998 e 2007. Os mais de 185 mil abortos entretanto realizados demonstram que a exce\u00e7\u00e3o se tornou banalidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Como, depois, poderemos ficar surpreendidos que se agudizem os sinais da viol\u00eancia numa sociedade que a assume como um direito?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">E muitos defendem tal direito em nome de um suposto avan\u00e7o. Como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos, ao longo da hist\u00f3ria, j\u00e1 percorrido tais caminhos que a vit\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o e da humanidade sobre a inciviliza\u00e7\u00e3o e a desumanidade tinha deixado para tr\u00e1s. (N\u00e3o posso deixar de recordar, neste contexto, o que j\u00e1 repetidas vezes fui recuperando, em alguns dos meus textos: o Tribunal Europeu dos Direitos humanos deliberou, sem possibilidade de recurso, em 16 de dezembro de 2010, com 11 votos a favor e 6 contra, que o aborto n\u00e3o \u00e9 um direito humano e, por isso, \u00e9 leg\u00edtimo que os Estados o penalizem.)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O que fazemos, agora, n\u00e3o \u00e9 andar para diante: \u00e9 regressar a lugares onde pens\u00e1vamos j\u00e1 n\u00e3o querer voltar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Tamb\u00e9m os gregos j\u00e1 abandonaram os seus idosos e abortaram e rejeitaram os seus d\u00e9beis (Hip\u00f3crates, que viveu entre 460 e 370 a.C., afirmava, no seu c\u00e9lebre juramento: \u2018n\u00e3o darei a nenhuma mulher uma subst\u00e2ncia abortiva\u2019, o que permite concluir ser uma pr\u00e1tica ent\u00e3o existente que Hip\u00f3crates repudia); o mesmo se passava entre os povos do centro da Europa que venceram os romanos ou no Oriente long\u00ednquo e em tantas e tantas tribos daqui e dali. Mas a civiliza\u00e7\u00e3o marcadamente personalista e humanizada foi vencendo tais pr\u00e1ticas e realizando o ideal do respeito inviol\u00e1vel pela pessoa humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O que se est\u00e1, portanto, a pretender, n\u00e3o \u00e9 avan\u00e7ar, mas retroceder. E se fosse um passo em frente seria semelhante ao de algu\u00e9m que, vestindo um especial fato domingueiro, se apercebesse de que este ficara preso a um pequeno prego. Se der um passo adiante, tal significar\u00e1 abrir um rasg\u00e3o provavelmente irrepar\u00e1vel. Constatando tal obst\u00e1culo, melhor ser\u00e1 dar um passo atr\u00e1s que assegure que se desprendem as vestes de tal entrave. Avan\u00e7ar significar\u00e1 consolidar o rasg\u00e3o e decretar o fim da t\u00e3o amada veste.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Estamos aqui! O rasg\u00e3o est\u00e1 a abrir-se, de forma cada vez mais profunda. Haveria que dar o passo atr\u00e1s (que, como vimos, seria o verdadeiro progresso rumo \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o da sociedade, contrariando o que muitos pretendem dizer, ao rotular de posi\u00e7\u00e3o conservadora ou passadista!) para garantir que n\u00e3o se rompe, em definitivo, a solidez do nosso tecido (social). Mas insiste-se na indiferen\u00e7a para com o risco associado ao prego a que se prendeu o nosso fato.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">At\u00e9 quando continuar\u00e1 a abrir-se o rasg\u00e3o? At\u00e9 quando resistir\u00e1 o tecido t\u00e3o penosamente elaborado em demorado tear?<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura e autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230;&#8217;<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo originalmente publicado em <a href=\"http:\/\/teologicus.blogspot.com\/search?q=eutan%C3%A1sia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.teologicus.blogspot.com<\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/deean-2037042\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1359911\">deean<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1359911\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Letra viva |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8491,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,151,146,55,13],"tags":[],"class_list":["post-8487","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-covid-19","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8487"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8487\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8492,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8487\/revisions\/8492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8491"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}