{"id":8455,"date":"2020-02-25T21:47:54","date_gmt":"2020-02-25T21:47:54","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8455"},"modified":"2020-02-25T21:48:36","modified_gmt":"2020-02-25T21:48:36","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva-convencemo-nos-de-que-liberdade-e-fazer-o-que-se-quer-e-depois-queremos-cidadaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva-convencemo-nos-de-que-liberdade-e-fazer-o-que-se-quer-e-depois-queremos-cidadaos\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | Convencemo-nos de que \u2018liberdade \u00e9 fazer o que se quer\u2019 e, depois, queremos cidad\u00e3os!"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>Letra viva | Valores de uma cultura que cuida e n\u00e3o mata<\/strong><br \/>\n<em>Rubrica dedicada \u00e0 reflex\u00e3o sobre o dever de cuidar de todos <\/em><em>e os riscos de legalizar a eutan\u00e1sia<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/h4>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7998 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"159\" height=\"220\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg 739w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-217x300.jpg 217w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-768x1064.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-600x831.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1109x1536.jpg 1109w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1478x2048.jpg 1478w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1200x1662.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-850x1178.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-480x665.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1320x1829.jpg 1320w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-scaled.jpg 1848w\" sizes=\"auto, (max-width: 159px) 100vw, 159px\" \/>As grandes ideias s\u00e3o concebidas por alguns e, depois, assimiladas, progressivamente, pelos restantes. N\u00e3o ser\u00e1 por acaso, ali\u00e1s, que falamos de \u2018conceber\u2019 para nos referirmos ao processo pelo qual se \u2018gera\u2019 uma ideia. Ela \u00e9, de facto, \u2018gerada\u2019 e, depois, dada \u00e0 luz. Quando v\u00ea a luz, passa a ser recebida por todos e, de algum modo, partilhada entre todos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 importante termos consci\u00eancia disto, pois, na medida em que somos seres racionais, a nossa viv\u00eancia da realidade \u00e9 altamente condicionada pelo modo como a concebemos, como a geramos, no nosso interior, a partir daquilo que recebemos dos outros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Se estivermos conscientes disto, perceberemos que o modo como pensarmos, como concebermos, como \u2018gerarmos\u2019 em n\u00f3s determinada realidade, far-nos-\u00e1 viv\u00ea-la de um modo diferente daquela que seria a nossa viv\u00eancia dessa mesma realidade com outra \u2018conce\u00e7\u00e3o\u2019 da mesma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Um dos maiores fil\u00f3sofos da hist\u00f3ria, Kant, deu-se conta disso e provocou uma revolu\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante que foi equiparada \u00e0 que Cop\u00e9rnico provocou no nosso modo de ver o sistema solar.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A sua descoberta serviu, por\u00e9m, n\u00e3o para que f\u00f4ssemos mais prudentes, ao \u2018gerar\u2019 ideias e partilh\u00e1-las, mas antes tem servido para que se agudize a manipula\u00e7\u00e3o dos que sabem isto em rela\u00e7\u00e3o aos demais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">H\u00e1, por isso, um dever \u00e9tico de tomar consci\u00eancia e partilhar essa consci\u00eancia de que somos vulner\u00e1veis \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o dos que sabem como pensamos e como somos condicionados pelo modo como pensamos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Feito este pre\u00e2mbulo, avancemos para o assunto a que conferimos estatuto de t\u00edtulo deste artigo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">O conceito de liberdade \u00e9, provavelmente, o mais importante para a compreens\u00e3o da nossa sociedade moderna. Ele \u00e9, ali\u00e1s, entendido como a grande marca das sociedades modernas e coloca-o em contraste com outras sociedades ditas \u2018n\u00e3o modernas\u2019. H\u00e1, por\u00e9m, que consciencializar a transforma\u00e7\u00e3o que se tem operado neste conceito e como esta transforma\u00e7\u00e3o nos pode estar a encaminhar para o fim da sociedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A liberdade tem sido definida como a possibilidade de se \u2018fazer o que se quer\u2019.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">H\u00e1, nesta formula\u00e7\u00e3o, dois tra\u00e7os a consciencializar. A liberdade \u00e9 reduzida \u00e0 dimens\u00e3o de \u2018a\u00e7\u00e3o\u2019 (fazer!) e confinada ao \u00e2mbito da vontade (\u2018querer\u2019).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mas, curiosamente, se tal conceito fosse verdadeiro, seria dif\u00edcil n\u00e3o considerar que tamb\u00e9m os animais podem ser livres, o que tem algo de contradit\u00f3rio, pois a liberdade \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, um atributo humano (e divino, na perspetiva crist\u00e3), mas n\u00e3o pode considerar-se em rela\u00e7\u00e3o aos animais e demais entes naturais. Sem mais delongas, \u00e9 f\u00e1cil constatar que tal se deve \u00e0 condi\u00e7\u00e3o racional do ser humano, o que obriga a deslocar o conceito de liberdade do \u00e2mbito da vontade, como se sup\u00f5e na defini\u00e7\u00e3o aqui recordada, para o \u00e2mbito da intelig\u00eancia. \u00c9 por isso que muitos recordam (h\u00e1 uns anos, ouvi-o ao professor Guilherme D\u2019Oliveira Martins) que a liberdade \u00e9 uma palavra que deriva de \u2018libra\u2019, uma esp\u00e9cie de balan\u00e7a, na cultura e l\u00edngua latina, dela derivando, portanto, a ideia de escolha e de discernimento. Ser livre n\u00e3o \u00e9, a esta luz, a simples ades\u00e3o ao que a vontade \u2018quer\u2019, mas a possibilidade de discernir, de escolher o melhor, em cada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Acrescentemos que esta sobrevaloriza\u00e7\u00e3o da vontade tem \u2018pais\u2019, foi gerada na mente de alguns. N\u00e3o \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o para reconhecer, nesta \u2018gesta\u00e7\u00e3o\u2019, o papel de Nietzsche e Schopenhauer, autores que foram consequentes com as suas vis\u00f5es e deram conta de que o processo nos levaria ao \u2018nihilismo\u2019, ao nada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">E \u00e9 esse horizonte que pretendemos?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">N\u00e3o ser\u00e1 de concluir que um tal horizonte denuncia que temos um erro \u2018gen\u00e9tico\u2019 nesta conce\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 urgente submeter a uma terapia? Aparentemente, \u00e9, apenas, um pequeno erro de conce\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 oportuno recordar que a geometria evidencia que um pequenino erro no in\u00edcio de um \u00e2ngulo pode significar um erro de quil\u00f3metros quando se prolonga uma semirreta. E qualquer an\u00e1lise atenta do conceito de liberdade tantas vezes invocado s\u00f3 pode concluir que ele est\u00e1 errado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00c9 que este conceito ainda redunda num outro problema\u2026<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\"><strong>Arbitrariedade n\u00e3o \u00e9 liberdade<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A vontade isola-nos. A vontade \u00e9 algo intrinsecamente individualista. A vontade \u00e9 aleat\u00f3ria e arbitr\u00e1ria. N\u00e3o sabemos porque \u00e9 que a vontade quer o que quer. Quer, simplesmente, porque quer.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">J\u00e1 a intelig\u00eancia escolhe, tendo como horizonte a busca da verdade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Colocar a liberdade no \u00e2mbito da intelig\u00eancia significa estar num caminho que une os demais humanos que est\u00e3o em busca e permite a compreens\u00e3o, com base na argumenta\u00e7\u00e3o e no discernimento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A liberdade, entendida como \u2018possibilidade de fazer o que se quer\u2019 \u00e9 individualista. Some o sentido de dever, tudo colocando ao servi\u00e7o do indiv\u00edduo, da sua vontade que \u00e9 completamente imprevis\u00edvel e insuscet\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">S\u00f3 por imposi\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria \u00e9 que, ap\u00f3s a interioriza\u00e7\u00e3o de um conceito de liberdade t\u00e3o marcadamente individualista e solipsista (cada um fechado sobre si mesmo) \u00e9 que se valoriza a import\u00e2ncia do outro que, de algum modo, aparece sempre como um estorvo. A esta luz, de facto, como concluiu Sartre, \u2018o inferno s\u00e3o os outros\u2019.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Mas, de facto, os outros n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o o inferno como s\u00e3o a nossa condi\u00e7\u00e3o de possibilidade, como demonstra a psicologia dos \u00faltimos 100 anos. O estudo dos meninos-selvagens, assunto envolvido em alguma pol\u00e9mica, permite concluir que, sem a presen\u00e7a e participa\u00e7\u00e3o dos outros humanos, se f\u00f4ssemos abandonados na selva, nos primeiros anos de vida, talvez sobreviv\u00eassemos, biologicamente falando, mas nunca ter\u00edamos consci\u00eancia de n\u00f3s mesmos. Esta consci\u00eancia \u00e9 uma possibilidade que precisa dos outros para despertar. Seguindo a linha do grande pensador Alasdair Macintyre, figura destacada do chamado \u2018comunitarismo\u2019, a base da vida humana n\u00e3o \u00e9 o indiv\u00edduo, fechado sobre si mesmo, mas sim a rela\u00e7\u00e3o entre os humanos. \u00c9 f\u00e1cil perceber o alcance desta constata\u00e7\u00e3o e, com essa perce\u00e7\u00e3o, submeter a profunda cr\u00edtica o tipo de op\u00e7\u00f5es que temos vindo a adotar, em sociedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria, \u00e0 luz desta reflex\u00e3o que aqui partilh\u00e1mos, vincar a ideia de liberdade associada \u00e0 vontade, mas sim, faz\u00ea-la decorrer da busca da verdade, colocando-nos num caminho em que os outros s\u00e3o parceiros de percurso e n\u00e3o o seu impedimento.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Insistir em educar \u00e0 luz de um conceito de liberdade voluntarista e solipsista s\u00f3 pode redundar numa dificuldade cada vez maior e mais vis\u00edvel de gerar \u2018cidad\u00e3os\u2019. S\u00f3 se pode ser cidad\u00e3o se se sentir a perten\u00e7a \u00e0 cidade (\u2018p\u00f3lis\u2019), aqui entendida como sin\u00f3nimo de \u2018sociedade\u2019 (palavra que, atrav\u00e9s da l\u00edngua grega, est\u00e1 na raiz de \u2018pol\u00edtica\u2019). De outro modo, a sociedade n\u00e3o passar\u00e1 de um termo sem conte\u00fado, referindo-se \u00e0 mera soma de indiv\u00edduos sobre um territ\u00f3rio, mas sem identidade nem rela\u00e7\u00e3o. A \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o de cada um dos seus membros ser\u00e1 que os outros n\u00e3o estorvem. N\u00e3o ser\u00e1 isso muito pouco como sonho de sociedade?<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura e autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230;&#8217;<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo originalmente publicado em <a href=\"http:\/\/teologicus.blogspot.com\/search?q=eutan%C3%A1sia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.teologicus.blogspot.com<\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Nietjuh-2218222\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2946957\">Ylanite Koppens<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2946957\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Letra viva |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8456,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,146,55,13],"tags":[],"class_list":["post-8455","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8455","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8455"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8455\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8457,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8455\/revisions\/8457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8455"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8455"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8455"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}