{"id":8156,"date":"2020-02-14T08:00:53","date_gmt":"2020-02-14T08:00:53","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=8156"},"modified":"2020-02-09T13:45:19","modified_gmt":"2020-02-09T13:45:19","slug":"luis-manuel-pereira-da-silva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/luis-manuel-pereira-da-silva\/","title":{"rendered":"Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva | A prop\u00f3sito da eutan\u00e1sia: A raz\u00e3o que se oculta nas raz\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>Letra viva | Valores de uma cultura que cuida e n\u00e3o mata<\/strong><br \/>\n<em>Rubrica dedicada \u00e0 reflex\u00e3o sobre o dever de cuidar de todos <\/em><em>e os riscos de legalizar a eutan\u00e1sia<\/em><\/h6>\n<hr \/>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong>Lu\u00eds Manuel Pereira da Silva*<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-7998 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"153\" height=\"212\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-739x1024.jpg 739w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-217x300.jpg 217w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-768x1064.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-600x831.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1109x1536.jpg 1109w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1478x2048.jpg 1478w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1200x1662.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-850x1178.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-480x665.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-1320x1829.jpg 1320w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/Foto-Lu\u00eds-scaled.jpg 1848w\" sizes=\"auto, (max-width: 153px) 100vw, 153px\" \/>Vou propor uma reflex\u00e3o que tem o seu qu\u00ea de heterodoxa. Pretendo conduzir \u00e0 discuss\u00e3o sobre o que est\u00e1 em causa quando discutimos a eutan\u00e1sia, sem quase falar nela.<br \/>\nE come\u00e7o por fazer uma constata\u00e7\u00e3o que nos abre a porta para a resposta que quero encontrar: por que se re\u00fanem, no mesmo grupo, liberais e as esquerdas mais radicais, quando discutimos a despenaliza\u00e7\u00e3o do aborto ou o eugenismo ou a eutan\u00e1sia? \u00c9 que assim acontece, de facto. E bastar\u00e1 a resposta de que os extremos se tocam? Admitindo a verdade do aforismo, o que significaria isso?<br \/>\n\u00c9 que, com efeito, tem sido assim sempre que estes assuntos, ditos \u2018fracturantes\u2019, aparecem.<br \/>\nAfinal, o que est\u00e1, de facto, em causa?<br \/>\nSimplesmente o desejo de combater a ordem estabelecida? O desejo de afirmar a liberdade individual? Parece-me insuficiente essa resposta simples, pois nenhuma esquerda que se preze prop\u00f5e, por exemplo, a t\u00edtulo do direito ao exerc\u00edcio da liberdade, o fim dos impostos ou a liberdade de escolha nesta mat\u00e9ria. Ent\u00e3o, porqu\u00ea essa posi\u00e7\u00e3o comum em mat\u00e9rias relacionadas com a vida humana?<br \/>\nPois bem, est\u00e1, precisamente, na formula\u00e7\u00e3o da \u00faltima pergunta a resposta. \u00c9, com efeito, perante a vida humana que estas posi\u00e7\u00f5es t\u00e3o d\u00edspares se unem.<br \/>\nMas, em qu\u00ea?<br \/>\nNa considera\u00e7\u00e3o de que a vida humana n\u00e3o se define com os limites. Esse \u00e9, de facto, o dado comum: a recusa da imperfei\u00e7\u00e3o, do limite, que, afinal, deveria ser considerado e aceite como dado inerente \u00e0 vida humana. E vejam que \u00e9 isso, realmente, o que distingue quem defende e quem \u00e9 contra a legitimidade da eutan\u00e1sia: a defini\u00e7\u00e3o e a atitude perante a vida humana e o reconhecimento dos limites da interven\u00e7\u00e3o sobre ela. N\u00e3o \u00e9 um dado marginal quanto \u00e0s concep\u00e7\u00f5es que nos estruturam. \u00c9 essencial. Dele resultam consequ\u00eancias mais ou menos graves conforme a coer\u00eancia de quem as sustenta. Bem certo que, para n\u00e3o exporem facilmente o absurdo da sua posi\u00e7\u00e3o, os defensores da eutan\u00e1sia e afins blindam-se e criam auto-limites, mas que n\u00e3o passam de expedientes e distrac\u00e7\u00f5es. Na realidade, a quest\u00e3o \u00e9 que, para os que, por motivos liberais ou radicais, se situam na defesa da eutan\u00e1sia, do aborto, do eugenismo, o limite, a imperfei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o fazem parte da defini\u00e7\u00e3o da vida humana.<br \/>\nPor isso, a eutan\u00e1sia \u00e9 a sa\u00edda para um vida que se apresenta com limites, por j\u00e1 n\u00e3o se definir como vida humana. Sup\u00f5em um ser humano que, na verdade, n\u00e3o existe e nunca existir\u00e1: um ser humano ilimitado, sem imperfei\u00e7\u00f5es. \u00c9 o mito, feito realidade, do para\u00edso perdido, com o condimento de se tentar mundanizar esse para\u00edso. Assim, liberais e radicais unem-se por recusarem tudo o que significa limitar a vida humana sonhada, mas nunca existente, ainda que tenham a ilus\u00e3o de que quando a vida n\u00e3o d\u00f3i, n\u00e3o est\u00e1 limitada.<br \/>\nAssim, esta discuss\u00e3o deve centrar-nos no que \u00e9 importante: o ser humano deve ser recuperado, voltar a descobrir-se como um ser a caminho, um ser a fazer-se, a progredir e nunca conclu\u00eddo nem definitivamente feito. E \u00e9 isso que une aqueles que, mesmo partindo de convic\u00e7\u00f5es religiosas diversas, est\u00e3o irmanados numa fonte semelhante: a de conceber que cada ser humano deve ser respeitado, mesmo quando extremamente fr\u00e1gil, mesmo quando a sua infelicidade parece pedir o fim. Perante esse sofrimento, a resposta pode ser diversa nas suas concretiza\u00e7\u00f5es, mas semelhante no seu intuito \u2013 conduzir o homem a assumir como sua a limita\u00e7\u00e3o que vive e a fugir de viver sempre uma vida sem limites que n\u00e3o \u00e9, nem nunca foi ou ser\u00e1, a sua.<br \/>\nNo \u00faltimo reduto, a discuss\u00e3o sobre estes assuntos que colocam a sociedade na tens\u00e3o m\u00e1xima resulta da interroga\u00e7\u00e3o radical sobre o que \u00e9, afinal, o Homem; se um ser sem limites ou se um fazer-se na limita\u00e7\u00e3o. \u00c9 esse o drama da liberdade humana: n\u00e3o poder pensar-se sen\u00e3o em determinadas condi\u00e7\u00f5es. Liberdade sem condicionamentos n\u00e3o \u00e9 liberdade de homem. N\u00e3o existe\u2026<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">*Professor, Presidente da Comiss\u00e3o Diocesana da Cultura e autor de &#8216;Bem-nascido&#8230; Mal-nascido&#8230;&#8217;<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Artigo originalmente publicado em <a href=\"http:\/\/teologicus.blogspot.com\/search?q=eutan%C3%A1sia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.teologicus.blogspot.com<\/a> e <em>Correio do Vouga<\/em> (em 10 de maio de 2019)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/qimono-1962238\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1767563\">Arek Socha<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1767563\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Letra viva |<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8159,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,146,55,13],"tags":[],"class_list":["post-8156","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-letra-viva-valores-de-uma-cultura-que-cuida-e-nao-mata","category-luis-manuel-pereira-da-silva","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8156"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8156\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8160,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8156\/revisions\/8160"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}