{"id":7900,"date":"2020-01-24T20:22:53","date_gmt":"2020-01-24T20:22:53","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7900"},"modified":"2020-01-24T20:22:53","modified_gmt":"2020-01-24T20:22:53","slug":"biblia-entre-a-regra-dos-livros-canonicos-e-o-fascinio-dos-apocrifos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/biblia-entre-a-regra-dos-livros-canonicos-e-o-fascinio-dos-apocrifos\/","title":{"rendered":"B\u00edblia: Entre a \u201cregra\u201d dos livros can\u00f3nicos e o fasc\u00ednio dos ap\u00f3crifos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Artigo recolhido do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/biblia_entre_a_regra_dos_livros_canonicos_e_o_fascinio_dos_apocrifos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SNPC<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A &#8220;canonicidade&#8221; da Sagrada Escritura, quest\u00e3o que atormentou a Igreja dos primeiros s\u00e9culos, e que estava ligada \u00e0 necessidade de elaborar uma unidade de medida teol\u00f3gica &#8211; da\u00ed a palavra &#8220;c\u00e2none&#8221;, que remete, em grego, para a r\u00e9gua que permite efetuar medi\u00e7\u00f5es, uma esp\u00e9cie de metro primordial \u2013, visa evidenciar qual \u00e9 a Palavra de Deus aut\u00eantica colocada por escrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta verifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia ser unicamente hist\u00f3rica e liter\u00e1ria, na suposi\u00e7\u00e3o de que certos livros chamados ap\u00f3crifos, ou seja, &#8220;ocultos&#8221;, e por isso relegados para as margens da comunidade eclesial, foram rejeitados porque se apoiavam em lendas e deixavam espa\u00e7o importante \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se, nesse caso, se tratasse de aplicar uma regra, poder-se-ia, com justi\u00e7a, questionar outras p\u00e1ginas tidas por &#8220;can\u00f3nicas&#8221; que comportam elementos m\u00edticos (mesmo se esses elementos foram rearranjados), servindo-se da imagina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de narrativas ou par\u00e1bolas para transmitir a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A medida tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a da espiritualidade: os ap\u00f3crifos judeus e crist\u00e3os comportam p\u00e1ginas de forte conota\u00e7\u00e3o m\u00edstica, com grande moralidade e ascese (como as famosas &#8220;narrativas gn\u00f3sticas&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A historicidade tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 discriminat\u00f3ria em si: os pr\u00f3prios Evangelhos can\u00f3nicos misturam a hist\u00f3ria e a f\u00e9; quanto aos evangelhos ap\u00f3crifos, incluem evoca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas provavelmente aut\u00eanticas sobre Jesus de Nazar\u00e9 (como \u00e9 o caso de algumas palavras de Cristo conservadas no &#8220;Evangelho de Tom\u00e9&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, na realidade, de uma escolha concretizada segundo crit\u00e9rios teol\u00f3gicos e eclesiais rigorosos, com a implica\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es problem\u00e1ticas, como a inspira\u00e7\u00e3o divina das Escrituras, a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, a presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo como int\u00e9rprete vivo da Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observemos, antes de mais, como \u00e9 que a Igreja chegou \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do c\u00e2none b\u00edblico. O problema j\u00e1 se tinha colocado no juda\u00edsmo para as Escrituras hebraicas. A di\u00e1spora judaica tinha acrescentado aos livros b\u00edblicos escritos em hebraico sete outras obras compostas ou vindas at\u00e9 n\u00f3s em l\u00edngua grega (Tobias, Judite, primeiro e segundo livro dos Macabeus, Sabedoria, Sir\u00e1cida [Eclesi\u00e1stico] e Baruc), bem como algumas passagens gregas situadas nos livros hebraicos de Ester e de Daniel. Trata-se do famoso &#8220;c\u00e2none alexandrino&#8221;, adicionado \u00e0 antiga vers\u00e3o grega da B\u00edblia em Alexandria, no Egito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este c\u00e2none alargado foi definitivamente acolhido pela Igreja cat\u00f3lica no Conc\u00edlio de Trento (1546), enquanto as Igrejas protestantes optaram pelo c\u00e2none exclusivamente &#8220;hebraico&#8221;. Algumas d\u00e9cadas depois, um te\u00f3logo, Sisto de Siena, qualificar\u00e1 estes sete livros de &#8220;deuterocan\u00f3nicos&#8221; (segundo c\u00e2none), ao passo que os protestantes os definiriam como &#8220;ap\u00f3crifos&#8221;, relegando-os para uma categoria inferior, extra-can\u00f3nica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surgem duas interroga\u00e7\u00f5es. Em primeiro lugar no plano hist\u00f3rico: que c\u00e2none a Tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 antiga acolheu? Das 350 cita\u00e7\u00f5es veterotestement\u00e1rias [do Antigo Testamento] presentes no Novo Testamento, pelo menos 300 v\u00eam diretamente da vers\u00e3o grega antiga, dita dos &#8220;Setenta&#8221;. Pode deduzir-se que os autores do Novo Testamento consideravam inspirados os sete livros deuterocan\u00f3nicos pertencentes \u00e0 B\u00edblia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta convic\u00e7\u00e3o foi partilhada por toda a Igreja dos tr\u00eas primeiros s\u00e9culos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de um autor do s\u00e9c. II, Milit\u00e3o de Sardes, fiel ao c\u00e2none hebraico. Um autor t\u00e3o importante como Or\u00edgenes, do s\u00e9c. III, afirmava explicitamente a necessidade de utilizar igualmente os livros deuterocan\u00f3nicos como Palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta harmonia foi estilha\u00e7ada no s\u00e9c. IV, quando alguns Padres da Igreja &#8211; Atan\u00e1sio, Cirilo de Jerusal\u00e9m, Hil\u00e1rio de Poitiers, e sobretudo Jer\u00f3nimo, o tradutor latino da B\u00edblia &#8211; regressaram ao c\u00e2none hebraico, \u00e0 &#8220;Hebraica veritas&#8221;, \u00e0s ra\u00edzes hebraicas das Escrituras, como dizia S. Jer\u00f3nimo. Acabou por ser a primeira vers\u00e3o que prevaleceu na Igreja, apesar de algumas tens\u00f5es que foram resolvidas pelo Conc\u00edlio de Trento para a Igreja cat\u00f3lica, e de outra maneira pela Reforma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Daqui surge a segunda interroga\u00e7\u00e3o, decisiva: sobre que fundamento um livro \u00e9 reconhecido como inspirado por Deus, e portanto &#8220;can\u00f3nico&#8221; e fonte da revela\u00e7\u00e3o divina?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na perspetiva cat\u00f3lica, um livro \u00e9 can\u00f3nico quando a Tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, iluminada e guiada pelo Esp\u00edrito Santo para salvaguardar o patrim\u00f3nio da revela\u00e7\u00e3o, acolheu esse livro como inspirado por Deus, e assim se manteve no seu ensinamento, para al\u00e9m de algumas hesita\u00e7\u00f5es temporais. A f\u00e9 eclesial, na sua globalidade e na sua continuidade, com a presen\u00e7a do Esp\u00edrito Santo nela, torna-se a pedra angular teol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A posi\u00e7\u00e3o luterana diverge: a Escritura n\u00e3o pode ser interpretada contra Cristo, mas para Cristo, escrevia Lutero; das duas, uma: ou bem que a Escritura se refere a Cristo, ou bem que n\u00e3o pode ser considerada como verdadeira Escritura. Esta via cristol\u00f3gica \u00e9 importante mas comporta um risco porque tende a colocar de lado a lenta progress\u00e3o hist\u00f3rica das Escrituras, a partir do Antigo Testamento, atrav\u00e9s do longo processo de evolu\u00e7\u00e3o composto por m\u00faltiplas ramifica\u00e7\u00f5es, at\u00e9 \u00e0 tens\u00e3o messi\u00e2nica final e, portanto cristol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por seu lado, Calvino considera como sinal da canonicidade de um livro b\u00edblico o testemunho direto do Esp\u00edrito Santo no interior do crente, explicitado e confirmado pelos frutos espirituais que ele produz. Reconhecendo que o Esp\u00edrito ilumina os fi\u00e9is, esta vis\u00e3o arrisca-se a ser demasiado &#8220;subjetiva&#8221; e reter apenas as p\u00e1ginas &#8220;espirituais&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"it\">Ap\u00f3crifos<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma mulher chamada Ana pretendesse conhecer a passagem exata do Evangelho onde entra em cena a sua hom\u00f3nima, a m\u00e3e de Maria, e talvez descobrir uma passagem que dissesse respeito ao pai da Virgem, Joaquim, percorreria em v\u00e3o todas as p\u00e1ginas de Mateus, Marcos, Lucas e Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se se quisesse demonstrar que Jesus nasceu numa gruta, aquecido pelo bafo de um boi e de um burro, que os magos eram tr\u00eas reis iranianos, que o nome do soldado romano que atingiu o lado de Jesus com uma lan\u00e7a era Longino, que Ver\u00f3nica, uma mulher de Jerusal\u00e9m, limpou o rosto de Jesus na sua marcha para o Calv\u00e1rio, recebendo em troca a imagem do seu rosto no tecido que o enxugou, procurar-se-ia em v\u00e3o nos quatro Evangelhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas estas informa\u00e7\u00f5es foram encontradas nessa vasta literatura dos primeiros s\u00e9culos crist\u00e3os denominada de &#8220;ap\u00f3crifa&#8221;, que a Igreja op\u00f5e aos livros &#8220;can\u00f3nicos&#8221; e &#8220;inspirados&#8221; do Novo Testamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos escritos foram exclu\u00eddos deste cat\u00e1logo, ou deste c\u00e2none, alguns muito antigos (s\u00e9culos I e II): \u00e9 o caso do precioso &#8220;Evangelho de Tom\u00e9&#8221;, que conserva 114 palavras de Jesus (algumas encontram-se nos Evangelhos, outras n\u00e3o, ainda que possuam alguma verosimilhan\u00e7a hist\u00f3rica), o &#8220;Evangelho de Pedro&#8221;, a mais antiga narra\u00e7\u00e3o n\u00e3o can\u00f3nica da paix\u00e3o de Cristo, ou ainda o famoso &#8220;Protoevangelho de Tiago&#8221;, que se interessa pelo nascimento e adolesc\u00eancia de Maria, e pelo seu casamento com Jos\u00e9.<\/p>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>As narra\u00e7\u00f5es dos ap\u00f3crifos s\u00e3o volumosas: compreendem todos os g\u00e9neros do Novo Testamento (atos de diversos ap\u00f3stolos, cartas, apocalipses) e textos mais recentes. Floresceram na terra f\u00e9rtil da piedade popular e s\u00e3o um eco da devo\u00e7\u00e3o, da imagina\u00e7\u00e3o, mas igualmente de desvios doutrinais do mundo eclesial de onde prov\u00eam. Os ap\u00f3crifos s\u00e3o por vezes a express\u00e3o de c\u00edrculos intelectuais mais restritos, como os textos gn\u00f3sticos eg\u00edpcios.<\/p>\n<p>Os ap\u00f3crifos guardaram frequentemente dados, elementos, recorda\u00e7\u00f5es de acontecimentos e de palavras de Cristo provavelmente aut\u00eanticas e n\u00e3o presentes nos Evangelhos can\u00f3nicos. N\u00e3o esque\u00e7amos que os pr\u00f3prios Atos dos Ap\u00f3stolos transmitem uma frase de Jesus citada por S. Paulo e ignorada pelos Evangelhos can\u00f3nicos: \u00abH\u00e1 mais felicidade a dar do que a receber\u00bb (20, 35). E o evangelista Jo\u00e3o sabe bem que \u00abh\u00e1 ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo n\u00e3o teria espa\u00e7o para os livros que se deveriam escrever\u00bb (21, 25).<\/p>\n<p>Com as suas informa\u00e7\u00f5es verdadeiras ou presumidas, os ap\u00f3crifos tiveram grande influ\u00eancia na hist\u00f3ria da arte crist\u00e3, na liturgia (a apresenta\u00e7\u00e3o de Maria no templo, evocada a 21 de novembro, \u00e9 ap\u00f3crifa, encontrando-se no &#8220;Protoevangelho de Tiago&#8221;), e mesmo sobre a teologia. No seio de todas estas narra\u00e7\u00f5es livres e coloridas, os ap\u00f3crifos comportam pepitas de ouro hist\u00f3ricas que nos permitem reconstruir mem\u00f3rias arcaicas sobre Jesus e mesmo do pr\u00f3prio Jesus.<\/p>\n<p>\u00c9 sobretudo a vida da Igreja dos primeiros s\u00e9culos que surge nestas p\u00e1ginas, o seu fervor, a sua tomada de consci\u00eancia da grandeza do acontecimento crist\u00e3o. Num ap\u00f3crifo eg\u00edpcio, o &#8220;Evangelho de Filipe&#8221;, pode ler-se: \u00abSe eu digo que sou judeu, ningu\u00e9m se comove. Se eu digo que sou romano, ningu\u00e9m se impressiona. Se eu digo que sou grego, b\u00e1rbaro, escravo, livre, ningu\u00e9m se agita. Mas se eu digo que sou crist\u00e3o, o mundo treme\u00bb.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<h6 class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"autor\">Card. Gianfranco Ravasi<br \/>\nPresidente do Conselho Pontif\u00edcio da Cultura, biblista<br \/>\nIn &#8220;150 questions \u00e0 la foi, ed. Mame<br \/>\nTrad.: Rui Jorge Martins<\/span><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/StockSnap-894430\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2598752\">StockSnap<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2598752\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo recolhido do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7901,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[91,14],"tags":[],"class_list":["post-7900","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares-ii","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7900","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7900"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7900\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7902,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7900\/revisions\/7902"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7901"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7900"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7900"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7900"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}