{"id":7843,"date":"2020-01-17T23:06:35","date_gmt":"2020-01-17T23:06:35","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7843"},"modified":"2020-01-31T18:29:35","modified_gmt":"2020-01-31T18:29:35","slug":"veneravel-padre-americo-esboco-de-um-retrato-sempre-incompleto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/veneravel-padre-americo-esboco-de-um-retrato-sempre-incompleto\/","title":{"rendered":"Vener\u00e1vel Padre Am\u00e9rico | Esbo\u00e7o de um retrato sempre incompleto"},"content":{"rendered":"<h6 style=\"text-align: right;\">\u201cGosto de pedir por ser das coisas que mais me custa fazer!\u201d<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Padre Am\u00e9rico)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right; padding-left: 120px;\">\u201cN\u00e3o s\u00e3o as coisas que se sabem dos homens de Deus, que os levam \u00e0 gl\u00f3ria dos altares. O melhor n\u00e3o se sabe. Eles n\u00e3o o disseram. Por isso \u00e9 que, por muito que os autores digam, s\u00e3o sempre incompletas as Vidas dos Santos.\u201d<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Padre Am\u00e9rico)<\/h6>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Henrique Manuel Pereira*<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos sabem que Padre Am\u00e9rico, Am\u00e9rico Monteiro de Aguiar (1887-1956), o fundador da Obra da Rua\/Casa do Gaiato, \u00e9 mais do que a soma dos seus escritos e obra edificada. N\u00e3o foi apenas um homem bom, nem sequer um homem muito bom, mas um homem de Deus. H\u00e1 muito santo no cora\u00e7\u00e3o do povo, porventura o lugar mais nobre e dif\u00edcil de conquistar, n\u00e3o \u00e9 exagero afirmar que a Igreja tardou em reconhec\u00ea-lo. Iniciado o seu processo de canoniza\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 1986, s\u00f3 a 12 de dezembro de 2019, o Papa Francisco aprovou a publica\u00e7\u00e3o do decreto que reconhece as suas \u201cvirtudes heroicas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo tal etapa decisiva no processo para a beatifica\u00e7\u00e3o e canoniza\u00e7\u00e3o exigem-se agora outros tr\u00e2mites can\u00f3nicos e a comprova\u00e7\u00e3o de um milagre para que o agora vener\u00e1vel Padre Am\u00e9rico venha a ser considerado santo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Neste ponto, e havendo lugar para tantos outros, evocam-se-me dois nomes: Eurico Dias Nogueira, futuro arcebispo de Braga, ao tempo Promotor da Justi\u00e7a na Diocese de Coimbra e, mais recentemente, D. Ant\u00f3nio Marcelino. O primeiro, com grande antecipa\u00e7\u00e3o, em julho de 1956, afirmou:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; padding-left: 40px; text-align: justify;\">\u201cse ele, depois de quarenta anos de vida agitada e dissipada, conseguiu ser um \u2018homem bom\u2019, foi porque era sacerdote e era santo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por seu lado, o bispo de Aveiro, em\u00e9rito, escreveu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 40px;\">\u201cA Obra da Rua \u00e9, por si mesma, um milagre no tempo e muitos milagres enchem a sua hist\u00f3ria e acontecem nela numa refer\u00eancia direta ao Padre Am\u00e9rico. N\u00e3o sei porque tardam a beatifica\u00e7\u00e3o e a canoniza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gigante e modelo da caridade, recoveiro dos pobres, revolucion\u00e1rio pac\u00edfico, m\u00edstico na a\u00e7\u00e3o, empreendedor social, pedagogo, renovador de mentalidades, educador da liberdade, mestre da palavra, Padre Am\u00e9rico foi um sinal de fogo na noite, antecipando ideias e atitudes que o II Conc\u00edlio do Vaticano revelou serem fecundas. Preferindo os mais fr\u00e1geis, as crian\u00e7as da rua, quando pela Europa se ouviam ainda os canh\u00f5es da 2\u00aa Guerra Mundial, fundou a Casa do Gaiato ou Obra da Rua. Transparente e aberta, sem subs\u00eddios do Estado, condensa e torna vis\u00edvel o melhor da Igreja e da idiossincrasia do povo portugu\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Am\u00e9rico n\u00e3o cabe em nenhum espartilho, tornando incapaz qualquer defini\u00e7\u00e3o ou retrato. Desalinhado com o sistema, em contra corrente, pautado pelo Evangelho, incomodou o poder, o pol\u00edtico e o religioso. Portugal tem com ele uma familiaridade filial. Prova eloquente foi o impacto da not\u00edcia da sua morte e funeral. Sinal expressivo \u00e9 a est\u00e1tua, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, Porto, figurando-o com duas crian\u00e7as, junto \u00e0 qual, todos os dias, a rondar os 60 anos, se veem flores frescas. Ignora-se as m\u00e3os que ali as colocam. Talvez seja caso \u00fanico no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Das notas fundamentais da sua vida \u00e9 um desconcertante sentimento de surpresa. O ponto de exclama\u00e7\u00e3o que, desde a sua ordena\u00e7\u00e3o, aos 41 anos de idade, passou a apor ao nome (Pe. Am\u00e9rico!) documenta o seu pr\u00f3prio espanto. De resto, segundo o seu ju\u00edzo autodefinit\u00f3rio, foi um impelido, nunca escolheu nem recebeu prepara\u00e7\u00e3o para a vida que teve. Toda a sua Obra foi, afinal, \u201cuma rasteira&#8230; divina!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na diversidade da sua for\u00e7a criadora, o fundador desta Obra desassossegou consci\u00eancias e foi um dos maiores revolucion\u00e1rios da hist\u00f3ria portuguesa contempor\u00e2nea. Homens de posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas extremadas, crentes, agn\u00f3sticos e ateus encontram nele o rosto do homem contra todo o determinismo, explora\u00e7\u00e3o e injusti\u00e7a. Uma refer\u00eancia para o melhor da sua humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O frenesim da vida e a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o o roubavam a si pr\u00f3prio. Dir-se-ia que tudo aos olhos de Padre Am\u00e9rico ecoava Evangelho ou que todos os seus gestos dele faziam eco. Onde os olhos do homem n\u00e3o divisavam qualquer rasto, Padre Am\u00e9rico viu a incandesc\u00eancia duma Assinatura que n\u00e3o mais parou de proclamar. Era como se todo ele fosse apenas a voz para uma mensagem que exigia ser pronunciada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portugal inteiro, col\u00f3nias e Brasil acreditaram nele, na sua palavra, na sua obra, na sua simplicidade sem exibicionismo. Amaram-no. Chamaram-lhe <em>Pai Am\u00e9rico<\/em>. Como tal choraram a sua morte. Quis ser sepultado de batina e descal\u00e7o. Dizem os jornais da \u00e9poca que no dia seguinte ao seu vel\u00f3rio tinha ainda o rosto quente dos beijos sucessivos com que o povo, em romagem \u00e0 igreja da Trindade, dele se despediu. Pelos relatos da imprensa e pela como\u00e7\u00e3o oral de quem o presenciou, nunca o Porto ter\u00e1 vivido um funeral t\u00e3o emotivo e com t\u00e3o grande multid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos seus textos, primeiro em <em>O Gaiato,<\/em> depois em livro, n\u00e3o registou apenas factos ou especula\u00e7\u00f5es, mas a alma, a sua e a dos que nela foram tocando. A sua palavra era fulgor de rel\u00e2mpago para quem o escutava, queimando quem hoje o l\u00ea.<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\"><strong>S\u00cdNTESE DE UMA VIDA E OBRA EXTRAORDIN\u00c1RIAS<\/strong><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">Am\u00e9rico Monteiro de Aguiar nasceu em Galegos, Penafiel, a 23 de outubro de 1887 e faleceu no Porto em 16 de julho de 1956, v\u00edtima de acidente de via\u00e7\u00e3o. Fez a prim\u00e1ria na sua terra natal, continuando os estudos no Col\u00e9gio do Carmo (Penafiel) e depois no Col\u00e9gio de Santa Quit\u00e9ria (Felgueiras). Em 1902 mudou-se para o Porto, onde come\u00e7ou a trabalhar numa loja de ferragens. Quatro anos depois foi para Mo\u00e7ambique trabalhar como despachante. Em 1923 inicia a liga\u00e7\u00e3o \u00e0 vida mon\u00e1stica no Convento de Santo Ant\u00f3nio de Vilari\u00f1o em Tui. Com dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o, tenta, em 1925, ingressar no Semin\u00e1rio do Porto, mas o bispo D. Ant\u00f3nio Barbosa Le\u00e3o n\u00e3o acede ao seu pedido. Seria D. Manuel Coelho da Silva, bispo de Coimbra, a acolh\u00ea-lo ainda nesse ano. Ordenado em 1929, Pe. Am\u00e9rico assume a Sopa dos Pobres e, em 1940, em Miranda do Corvo, funda a primeira Casa do Gaiato para crian\u00e7as abandonadas. Come\u00e7a a\u00ed Obra da Rua que se expande por todo o Pa\u00eds. Em 1944, sai o primeiro n\u00famero do jornal <em>O Gaiato<\/em>. Em 1951 inicia as primeiras casas do Patrim\u00f3nio dos Pobres, sob o lema <em>\u201cCada freguesia cuide dos seus Pobres\u201d,<\/em> construindo-se mais de 3500 moradias em Portugal Continental, Madeira, A\u00e7ores, Angola e Mo\u00e7ambique. Em 1954 toma posse da Quinta da Torre, em Beire (Paredes), onde surge o Calv\u00e1rio, casa para doentes incur\u00e1veis e sem apoio familiar. Jaz em campa rasa na capela da Casa do Gaiato de Pa\u00e7o de Sousa. Ap\u00f3s a sua morte, a Obra da Rua fundou as casas de Angola (Malange e Benguela, 1963) e Mo\u00e7ambique (Louren\u00e7o Marques, 1967), configurando uma express\u00e3o objetiva da Cultura Lus\u00f3fona.<\/h6>\n<p>O maior patrim\u00f3nio da Obra da Rua s\u00e3o os milhares de crian\u00e7as a quem ela restituiu a dignidade e ajudou a serem homens.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m contesta que a hist\u00f3ria da Igreja em Portugal \u2013 sobretudo no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o social e do pensamento pedag\u00f3gico (n\u00e3o por acaso, em 2009, a Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian atribuiu-lhe o Pr\u00e9mio Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 pode ser feita \u00e0 margem da Obra da Rua. D. Ant\u00f3nio Marcelino viu nela \u201cdas p\u00e1ginas mais belas do Evangelho vivo e da hist\u00f3ria da Igreja\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cescandalosa\u201d autossufici\u00eancia da Obra da Rua\/Casa do Gaiato contrasta com a falta de pessoas que a ela se entreguem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SUGEST\u00d5ES BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong>:<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Todos os livros de Padre Am\u00e9rico (<a href=\"https:\/\/www.obradarua.pt\/editorial-da-obra-da-rua\/\">https:\/\/www.obradarua.pt\/editorial-da-obra-da-rua\/<\/a>). Depois, cingindo-nos aos mais recentes trabalhos editados em brochura \u2013 e sem esquecer outros mais antigos, nomeadamente os de Ernesto Candeias Martins \u2013 merecem relevo:<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">LEAL, Lu\u00eds, <em>Padre Am\u00e9rico Monteiro de Aguiar e a renova\u00e7\u00e3o do clero portugu\u00eas na primeira metade do s\u00e9c. XX.<\/em> Lisboa: Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa-Centro de Hist\u00f3ria Religiosa, 2016.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">LEAL, Lu\u00eds [Org.], <em>Ecos de Pensamentos de Padre Am\u00e9rico.<\/em> Pa\u00e7o de Sousa: Editorial Casa do Gaiato, 2019.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">MARCELINO, Ant\u00f3nio Baltasar, <em>Padre Am\u00e9rico Precursor do II Conc\u00edlio do Vaticano. <\/em>Coimbra: Tenacitas-Alforria, 2016.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">MENDES, Manuel, <em>Padre Am\u00e9rico: Itiner\u00e1rio vocacional. <\/em>Pa\u00e7o de Sousa: Editorial Casa do Gaiato, 2014.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Henrique Manuel, <em>Ra\u00edzes do Tempo: \u00c0 Volta de Padre Am\u00e9rico.<\/em> Coimbra: Tenacitas-Alforria, 2015.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Henrique Manuel [Org.], <em>Padre Am\u00e9rico: Frei Jun\u00edpero no <\/em>Lume Novo<em>.<\/em> Coimbra: Tenacitas-Alforria, 2015.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Henrique Manuel, <em>Padre Am\u00e9rico: Notas sobre o Artista da Palavra. Das mortes e da Vida. <\/em>Coimbra: Tenacitas, 2016.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">PEREIRA, Henrique Manuel, <em>Patrim\u00f3nio (Cultural) dos Pobres: Monumentos de Piedade na Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em>. Porto: Alforria, 2017.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">SANTOS, Jos\u00e9 da Cruz (coord.), <em>\u00c9 tempo de falar do Padre Am\u00e9rico<\/em>. Porto: Modo de Ler, 2016.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Universidade Cat\u00f3lica do Porto \u2013 Escola das Artes. CITAR<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\"><strong>Imagem:\u00a0 <i>Padre Am\u00e9rico<\/i>, escultura de\u00a0Henrique Moreira\u00a0(1959\/61 &#8211; Bronze) na\u00a0Pra\u00e7a da Rep\u00fablica,\u00a0Porto<\/strong><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cGosto de pedir<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7848,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[90,143],"tags":[],"class_list":["post-7843","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores-ii","category-henrique-manuel-pereira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7843"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7843\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8012,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7843\/revisions\/8012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}