{"id":7787,"date":"2020-01-06T19:18:24","date_gmt":"2020-01-06T19:18:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7787"},"modified":"2020-03-17T13:29:06","modified_gmt":"2020-03-17T13:29:06","slug":"edith-stein-natal-iv-o-raio-de-luz-que-acaricia-os-coracoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-natal-iv-o-raio-de-luz-que-acaricia-os-coracoes\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Natal [IV] &#8211; O Raio de Luz que acaricia os cora\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>[IV parte]<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6740 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein_3.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"245\" \/>Quando a luz suave das velas do Advento \u2013 uma luz misteriosa, no meio de uma obscuridade tamb\u00e9m misteriosa \u2013 ilumina as escuras tardes de Dezembro, despertam em n\u00f3s os pensamentos consoladores de que a Luz divina, o Esp\u00edrito Santo, nunca deixou de iluminar as trevas da humanidade ca\u00edda. O Esp\u00edrito permaneceu fiel \u00e0 cria\u00e7\u00e3o sem levar em conta as suas infidelidades. E mesmo quando as trevas n\u00e3o se queriam deixar penetrar pela luz celestial, houve sempre lugares abertos onde essa luz p\u00f4de ser derramada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um raio dessa luz caiu j\u00e1 sobre os cora\u00e7\u00f5es dos nossos primeiros pais na hora do ju\u00edzo a que tiveram de submeter-se; um raio luminoso, que despertou neles a consci\u00eancia da sua culpa; um raio ardente, que os fez consumir-se na dor do arrependimento; um raio purificador e depurador, que os preparou para receber a luz terna da estrela da esperan\u00e7a, que lhes foi prometida nas palavras do Proto-Evangelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cora\u00e7\u00f5es de todos os homens foram acariciados ao longo dos s\u00e9culos por esse raio de luz divina, tal como o tinham sido j\u00e1 os cora\u00e7\u00f5es dos nossos primeiros pais. A luz divina, escondida aos olhos do mundo, iluminava e purificava esses cora\u00e7\u00f5es, suavizava a sua mat\u00e9ria dura, enquistada e, por vezes, deformada, e dava-lhes nova forma, com m\u00e3o segura de artista, conforme a imagem de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma maneira, escondidas aos olhos dos homens, foram e s\u00e3o formadas as pedras vivas que constituem a Igreja primeiramente invis\u00edvel. Dessa Igreja invis\u00edvel nasce, no entanto, a Igreja vis\u00edvel, que se manifesta sempre de novo com luminosas obras e revela\u00e7\u00f5es divinas, com novas epifanias. A obra silenciosa do Esp\u00edrito Santo no mais \u00edntimo das suas almas fez dos patriarcas amigos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, quando eles alcan\u00e7aram a plenitude necess\u00e1ria para se converterem em seus instrumentos apropriados, f\u00ea-los protagonistas de obras admir\u00e1veis e fundamento da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, de modo que p\u00f4de fazer nascer deles o seu povo eleito. Nem todos aqueles que Deus toma como seus instrumentos t\u00eam que ser preparados dessa maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos homens podem servir a Deus sem o seu conhecimento e at\u00e9, inclusive, contra a sua pr\u00f3pria vontade. Eventualmente tamb\u00e9m, homens que n\u00e3o pertencem, nem exteriormente nem interiormente, \u00e0 Igreja. S\u00e3o movidos como o martelo ou o cinzel do artista, ou as tesouras com que o vinhateiro poda os ramos. Nos que pertencem \u00e0 Igreja pode preceder tamb\u00e9m temporalmente a perten\u00e7a exterior \u00e0 interior, e isto pode chegar a ser muito importante, por exemplo, quando algu\u00e9m \u00e9 baptizado sem ter ainda consci\u00eancia da sua f\u00e9, mas que a alcan\u00e7a da vida exterior da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O fundamento \u00faltimo continua a ser, no entanto, a vida interior; a forma\u00e7\u00e3o do homem vai de dentro para vida escondida e epifania fora. Quanto mais profundamente a alma estiver unida a Deus, e quanto mais desinteressadamente se tiver entregado \u00e0 sua gra\u00e7a, tanto mais forte ser\u00e1 a sua influ\u00eancia na configura\u00e7\u00e3o da Igreja. E vice-versa, quanto mais profundamente uma \u00e9poca estiver submersa na noite do pecado e afastada de Deus, tanto mais necessita de almas que estejam intimamente unidas a Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo nessas situa\u00e7\u00f5es Deus n\u00e3o nos abandona. Da noite mais escura surgem as grandes figuras dos profetas e dos santos, mesmo quando, em grande parte, a corrente vivificante da vida m\u00edstica permanece invis\u00edvel. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma de que as mudan\u00e7as decisivas da hist\u00f3ria do mundo foram essencialmente influenciadas por almas sobre as quais pouco ou nada dizem os livros de hist\u00f3ria. E quais s\u00e3o essas almas, \u00e0s quais havemos de agradecer as transforma\u00e7\u00f5es decisivas da nossa vida pessoal, \u00e9 algo que s\u00f3 experimentaremos no dia em que tudo o que est\u00e1 escondido for revelado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se falamos de uma Igreja invis\u00edvel, \u00e9 porque as almas escondidas n\u00e3o vivem isoladas, mas num contexto vivo e dentro da grande ordem do plano divino. A sua efic\u00e1cia e a sua uni\u00e3o \u00edntima podem permanecer escondidas para elas pr\u00f3prias e para os outros durante toda a sua vida terrena. Contudo, \u00e9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que algo dessa ordem saia \u00e0 luz e se torne vis\u00edvel. \u00c9 essa a situa\u00e7\u00e3o das pessoas e dos acontecimentos que configuram o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o. Maria e Jos\u00e9, Zacarias e Isabel, os pastores e os Magos, Sime\u00e3o e Ana, todos eles viveram na intimidade com Deus e estavam preparados para a tarefa especial que lhes haveria de ser encomendada, ainda antes de terem experimentado o encontro admir\u00e1vel com o Senhor e antes de poderem entender o caminho da sua vida como um caminho para esse ponto culminante. Em todos os hinos que a tradi\u00e7\u00e3o nos legou se expressa a sua admira\u00e7\u00e3o diante das maravilhas de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramos nos homens que se reuniram em volta do pres\u00e9pio uma imagem clara da Igreja e do seu crescimento. Os representantes da antiga dinastia real, \u00e0 qual tinha sido prometido o Salvador do mundo, e os representantes do povo fiel, constituem o tra\u00e7o de uni\u00e3o entre o Antigo e o Novo Testamento. Os Reis do Oriente representam os pag\u00e3os, aos quais desde Jud\u00e1 lhes seria dada a salva\u00e7\u00e3o. Temos assim uma Igreja constitu\u00edda por judeus e pag\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Magos chegaram ainda ao pres\u00e9pio como representantes daqueles que em todos os pa\u00edses e povos procuram a salva\u00e7\u00e3o. A gra\u00e7a conduzira-os ao pres\u00e9pio de Bel\u00e9m, antes de pertencerem \u00e0 Igreja vis\u00edvel. Vivia neles um desejo puro de alcan\u00e7ar a Verdade, que n\u00e3o se deixa conter nas fronteiras das doutrinas e tradi\u00e7\u00f5es particulares. Deus \u00e9 a Verdade e quer manifestar-se a todos aqueles que O procuram com cora\u00e7\u00e3o sincero; por isso, tarde ou cedo, a estrela tinha que aparecer a esses s\u00e1bios, para os conduzir pelo caminho da Verdade. Por isso, apresentam-se diante da Verdade encarnada e, prostrados diante dela, dep\u00f5em as suas coroas a seus p\u00e9s, pois todos os tesouros do mundo n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o p\u00f3 em compara\u00e7\u00e3o com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Magos t\u00eam tamb\u00e9m para n\u00f3s um significado especial. Embora pertencendo j\u00e1 \u00e0 Igreja vis\u00edvel, percebemos muitas vezes a necessidade interior de superar os limites das concep\u00e7\u00f5es e costumes herdados. J\u00e1 conhec\u00edamos a Deus, no entanto sent\u00edamos que Ele queria ser procurado e encontrado de uma maneira nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, busc\u00e1vamos uma estrela que nos indicasse o caminho recto. Essa estrela manifestou-se na gra\u00e7a da nossa voca\u00e7\u00e3o. N\u00f3s seguimo-la e no fim do caminho encontr\u00e1mos o divino Menino. Ele estendeu as suas m\u00e3os para receber os nossos dons e esperava de n\u00f3s o ouro de um cora\u00e7\u00e3o livre dos bens terrenos, a mirra da ren\u00fancia \u00e0 felicidade deste mundo para receber em troca a participa\u00e7\u00e3o na vida e nos sofrimentos de Cristo e, finalmente, o incenso de uma vontade com altas aspira\u00e7\u00f5es, que se entrega totalmente para se submeter \u00e0 vontade divina. Em troca desses dons o divino Menino entrega-nos a sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">*Edith Stein<em>, A Mensagem de Natal. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2013. pp 30-33.<\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem: <em>A adora\u00e7\u00e3o dos Magos<\/em> &#8211; Rembrandt (1606-1669)<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7788,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,13],"tags":[],"class_list":["post-7787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7787","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7787"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7787\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8657,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7787\/revisions\/8657"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7788"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7787"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7787"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7787"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}