{"id":7602,"date":"2020-01-20T15:16:19","date_gmt":"2020-01-20T15:16:19","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7602"},"modified":"2020-01-18T18:22:07","modified_gmt":"2020-01-18T18:22:07","slug":"vestigia-dei-7-5-contextualizacao-historico-cultural-oh-que-dificil-nao-e-criar-um-homem-para-deu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/vestigia-dei-7-5-contextualizacao-historico-cultural-oh-que-dificil-nao-e-criar-um-homem-para-deu\/","title":{"rendered":"Vestigia Dei | 7 &#8211; [5.] CONTEXTUALIZA\u00c7\u00c3O HIST\u00d3RICO-CULTURAL: OH QUE DIF\u00cdCIL N\u00c3O \u00c9 CRIAR UM HOMEM PARA DEUS"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Vestigia Dei<\/em> &#8216;- <em>Rubrica dedicada \u00e0 reflex\u00e3o sobre o lugar de Deus na poesia portuguesa<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o projeto <a href=\"http:\/\/www.teotopias.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Teotopias<\/em><\/a>)<\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\">[5.] CONTEXTUALIZA\u00c7\u00c3O HIST\u00d3RICO-CULTURAL<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">OH QUE DIF\u00cdCIL N\u00c3O \u00c9 CRIAR UM HOMEM PARA DEUS<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jos\u00e9 Rui Teixeira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se assum\u00edssemos a teotopologia liter\u00e1ria como uma ci\u00eancia auxiliar da teologia e da teoria da literatura, o estudo da poesia religiosa no contexto de uma hist\u00f3ria da literatura regional seria um assunto para o ramo da teoetnografia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partimos do bel\u00edssimo poema de Guerra Junqueiro: \u00abAs ermidas\u00bb, oportunamente escolhido por Guilherme de Faria para a sua <em>Antologia de poesia religiosas<\/em> e, depois, por Jos\u00e9 R\u00e9gio e Alberto de Serpa. Termina assim o extenso poema de Junqueiro:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alvas capelinhas, sempre milagrosas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sois nessas alturas para os olhos meus,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como ninhos virgens de ora\u00e7\u00f5es piedosas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Miradouros brancos de luar e rosas,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Donde as almas simples entreveem Deus.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia religiosa em Portugal revela um interessante ressurgimento durante o per\u00edodo que separa o terceiro centen\u00e1rio da morte de Cam\u00f5es (1880) da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica (1910), apesar do agressivo anticlericalismo que se fazia sentir, como nos livros de Miguel Bombarda, que exigia a deporta\u00e7\u00e3o para uma ilha deserta ou o internamento em manic\u00f3mios de todos os jesu\u00edtas, que ele considerava uma ra\u00e7a degenerada<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Com efeito, em Portugal \u2013 apesar dos \u00abbrandos costumes\u00bb \u2013 n\u00e3o era dif\u00edcil mobilizar a popula\u00e7\u00e3o das cidades para a persegui\u00e7\u00e3o dos padres e para o assalto aos conventos, como se viu em outubro de 1910<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que as consequ\u00eancias de um longo processo de seculariza\u00e7\u00e3o, assistia-se em Portugal a um movimento social de \u00abdescristianiza\u00e7\u00e3o\u00bb<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. O m\u00e9todo dos republicanos n\u00e3o era o dos fil\u00f3sofos, mas o dos religiosos, e o seu fim era tamb\u00e9m a funda\u00e7\u00e3o de uma \u00abnova religi\u00e3o\u00bb: a da p\u00e1tria. Isto \u00e9 muito interessante, na medida em que, em Portugal, houve sempre uma esp\u00e9cie de cristianismo nacionalista que, na sua ambiguidade, permitiu que a mundivid\u00eancia, a liturgia, a sem\u00e2ntica ou, simplesmente, um paradigma de inteligibilidade especificamente crist\u00e3o, tenham sido utilizados por todo o tipo de messianismos seculares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, a Monarquia e a Igreja sofriam, no final do s\u00e9culo xix, de uma apatia e de um ensimesmamento que deixaram o v\u00e1cuo onde a Rep\u00fablica procurou criar a sua mitologia, a que n\u00e3o faltou vis\u00e3o prof\u00e9tica nem textos can\u00f3nicos. Assim, desenvolveu uma linguagem pr\u00f3pria, um idioma caracter\u00edstico, e reciclou s\u00edmbolos, ins\u00edgnias, met\u00e1foras e cen\u00e1rios dram\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Rep\u00fablica procurou instituir uma religi\u00e3o patri\u00f3tica dos portugueses. Coube a Ana de Castro Os\u00f3rio a reda\u00e7\u00e3o de um dec\u00e1logo onde, como n\u00e3o poderia deixar de ser, o \u00abprimeiro dever de um portugu\u00eas \u00e9 amar Portugal acima de tudo\u00bb<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A p\u00e1tria esperava devo\u00e7\u00e3o absoluta do novo cidad\u00e3o da Rep\u00fablica portuguesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O patriotismo tornou-se uma forma de governo, enquanto a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria foi a catequese da Rep\u00fablica: eram institu\u00eddos festejos e comemora\u00e7\u00f5es com uma religiosidade fremente, em que o culto da bandeira e do hino puseram D. Afonso Henriques a combater em Ourique sob as cores da Rep\u00fablica e ao som d\u2019<em>A Portuguesa<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ainda relembrar que as tend\u00eancias dominantes do pensamento filos\u00f3fico portugu\u00eas refletiram a dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o entre uma parte significativa da <em>intelligentsia<\/em> portuguesa e a Igreja nas suas est\u00e2ncias clericais. Proposta em filosofias da religi\u00e3o difusas \u2013 que, em Portugal, ao longo da segunda metade do s\u00e9culo xix, tiveram paternidades t\u00e3o diversas como as de Amorim Viana, Cunha Seixas, Te\u00f3filo Braga, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Sampaio Bruno e Bas\u00edlio Teles<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> \u2013, essa esp\u00e9cie de religi\u00e3o secular manifestou-se nas formula\u00e7\u00f5es do messianismo sebastianista, do Quinto Imp\u00e9rio e do Encoberto e esteve presente em todas as propostas de \u00abreaportuguesamento\u00bb de Portugal: do neogarrettismo de Alberto d\u2019Oliveira ao saudosismo de Teixeira de Pascoaes, n\u00e3o esquecendo contributos como os de Afonso Lopes Vieira e Ant\u00f3nio Sardinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ainda referir que, desde final do s\u00e9culo xix, o catolicismo encontrava-se em profunda recomposi\u00e7\u00e3o interna<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. O processo da \u00abquest\u00e3o religiosa\u00bb, antes e durante o per\u00edodo da Primeira Rep\u00fablica, sendo de radicaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre o Estado e a Igreja Cat\u00f3lica, foi simultaneamente um tempo de novos espa\u00e7os e de novos entendimentos de autonomia entre o crente e o cidad\u00e3o, entre o fen\u00f3meno religioso e a organiza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cria\u00e7\u00e3o \u2013 sobretudo a partir de 1912 \u2013 de novas organiza\u00e7\u00f5es orientadas particularmente para jovens e estudantes assinala a necessidade de redefinir o espa\u00e7o cat\u00f3lico. Em 1917, no contexto da Primeira Guerra Mundial e da agita\u00e7\u00e3o social que grassava em Portugal, irrompeu em F\u00e1tima uma mobiliza\u00e7\u00e3o religiosa em torno das apari\u00e7\u00f5es de Nossa Senhora a tr\u00eas crian\u00e7as. Manifestava-se assim uma outra dimens\u00e3o amplamente conjuntural no universo eclesial portugu\u00eas: uma religiosidade marcadamente popular, num per\u00edodo em que a Igreja se sentia coartada na sua a\u00e7\u00e3o e procurava por todos os meios estimular a mobiliza\u00e7\u00e3o desse esp\u00edrito religioso como forma de resist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A din\u00e2mica religiosa em torno do fen\u00f3meno de F\u00e1tima constituiu-se, progressivamente, num epicentro de recomposi\u00e7\u00e3o do catolicismo portugu\u00eas, desenvolvendo um imagin\u00e1rio de des\u00edgnio coletivo concebido como milagre: a salva\u00e7\u00e3o de Portugal. Este fen\u00f3meno e a sua din\u00e2mica revelaram que, para al\u00e9m do confronto entre a Igreja Cat\u00f3lica e o regime republicano, o catolicismo possu\u00eda outras dimens\u00f5es de identifica\u00e7\u00e3o e de mobiliza\u00e7\u00e3o: a devo\u00e7\u00e3o mariana como o lugar de converg\u00eancia da religi\u00e3o \u00aboficial\u00bb e da devo\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a beatifica\u00e7\u00e3o de Nuno \u00c1lvares Pereira (1918) enfatizou, neste contexto, mas de modo diverso, a identifica\u00e7\u00e3o entre a regenera\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica e a salva\u00e7\u00e3o da P\u00e1tria, pela apresenta\u00e7\u00e3o de um modelo de virtudes como meio de forma\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias e como explicita\u00e7\u00e3o de uma imagem e de um ide\u00e1rio cat\u00f3licos de patriotismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1918, Ant\u00f3nio Sardinha perguntava por que motivo a Rep\u00fablica parecia incapaz de estabelecer em torno do regime aquele consenso que a monarquia constitucional usufru\u00edra na segunda metade do s\u00e9culo xix. No seu entendimento, a resposta era simples: em 1852, a monarquia constitucional tinha conseguido captar a \u00abgera\u00e7\u00e3o nova\u00bb. No ano em que Sardinha escrevia, o apoio dos jovens ao sidonismo parecia a prova de que aquela gera\u00e7\u00e3o que atingira a idade adulta por volta de 1910 nunca se entendera com a Rep\u00fablica de Afonso Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abPerceber o que se passou entre o Governo da Rep\u00fablica e a gera\u00e7\u00e3o de intelectuais de 1910 ajudar\u00e1 a compreender muito do que aconteceu em Portugal no s\u00e9culo xx\u00bb<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Afinal, n\u00e3o foi apenas a gera\u00e7\u00e3o de Manuel Gon\u00e7alves Cerejeira e de Ant\u00f3nio Oliveira Salazar, mas tamb\u00e9m de Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, Leonardo Coimbra, Jaime Cortes\u00e3o, Raul Proen\u00e7a, Raul Leal, Ant\u00f3nio Sardinha, Amadeo de Souza-Cardoso e Fernando Pessoa, entre tantos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 desta gera\u00e7\u00e3o \u2013 familiarizada com a filosofia de Nietzsche, William James, Georges Sorel e, sobretudo, Henri Bergson \u2013 que irromper\u00e1 a Renascen\u00e7a Portuguesa, o Integralismo Lusitano, <em>Orpheu<\/em> e, mais tarde, em 1921, a <em>Seara Nova<\/em> (no mesmo ano em que \u00e9 fundado o Partido Comunista Portugu\u00eas). E \u00e9 neste per\u00edodo que se assistir\u00e1 ao regresso ao catolicismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A convers\u00e3o de Paul Claudel, em 1886, na Catedral de Notre-Dame de Paris, inspirou a convers\u00e3o de importantes intelectuais franceses e tornou-se uma \u00abind\u00fastria\u00bb cuidadosamente gerida pela Igreja Cat\u00f3lica<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Um dos mais importantes pensadores tomistas do s\u00e9culo xx, Jacques Maritain, vinha dessa colheita. Em Portugal, as convers\u00f5es come\u00e7aram com a Gera\u00e7\u00e3o de 70:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vers\u00e3o oficial das suas mortes, Oliveira Martins e E\u00e7a de Queir\u00f3s tinham-se reconciliado com a Igreja Cat\u00f3lica. Gomes Leal converteu-se espetacularmente, passou a ir \u00e0 missa todos os dias e renegou toda a sua obra anterior. Junqueiro, o feroz autor d\u2019<em>A velhice do padre eterno<\/em> (1885), era publicamente um m\u00edstico em 1908 [\u2026]. Nas gera\u00e7\u00f5es seguintes, as convers\u00f5es multiplicaram-se em vida: o escritor da Renascen\u00e7a Portuguesa, Antero de Figueiredo ou o escritor anarquista Manuel Ribeiro tornaram-se proselitistas cat\u00f3licos [\u2026]. Estas convers\u00f5es eram favorecidas pelo modo como quer o republicanismo, como quer o sociologismo positivista homenageavam as puls\u00f5es religiosas.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre a proposta de uma \u00abreligi\u00e3o laica\u00bb e um cristianismo patri\u00f3tico, passando por um tolstoiano franciscanismo, encontramos parte significativa da <em>intelligentsia<\/em> portuguesa deste per\u00edodo. E, tal como em Fran\u00e7a, \u00abtamb\u00e9m em Portugal guardas avan\u00e7adas da Igreja espiavam os vacilantes, escrevendo-lhes cartas, proporcionando-lhes encontros, rodeando-os com o conveniente tipo de gente, persistindo\u00bb<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Com efeito, a Igreja dispunha de figuras carism\u00e1ticas, presb\u00edteros e religiosos cuja reputa\u00e7\u00e3o correspondia ao franciscanismo, apreciado por todos. Convers\u00f5es como as de Guerra Junqueiro e de Leonardo Coimbra, devem-se ao padre Cruz, unanimemente reconhecido como santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o caso mais exemplar seja o de Gomes Leal. Esse admir\u00e1vel <em>Claridades do Sul<\/em> foi publicado em 1875, com alguns poemas anticlericais \u2013 como \u00e9 o caso de \u00abAcusa\u00e7\u00e3o a Cristo\u00bb<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> \u2013 e outros em que se afirma o ap\u00f3stata, como em \u00abAcusa\u00e7\u00e3o \u00e0 cruz\u00bb<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> e \u00abVisita\u00bb, que aqui transcrevo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ontem dormia \u00e0 noite \u2013 e, eis que desperto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sacudido dum vento agudo e forte,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um homem tocado pela Morte,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou varrido dum vento do deserto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordei \u2013 era Deus, que de mim perto,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Me dizia: Alma c\u00e9tica e sem norte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que creias e te importe<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adorar o Deus Uno, Eterno e Certo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso que a f\u00e9 cres\u00e7a em tua alma,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como no in\u00fatil saibro a verde palma,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Verme! filho da D\u00favida \u2013 <em>Eis-me aqui!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu sou a Espada, o Antigo, o Omnipotente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00ea, barro vil! \u2013 Mas eu, descortesmente,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltei-me do outro lado e adormeci.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, aquando da segunda edi\u00e7\u00e3o de <em>Claridades do Sul<\/em>, em 1901 \u2013 ainda antes da sua reconvers\u00e3o ao catolicismo, num e no outro poema, Gomes Leal introduz esta nota: \u00abEste soneto publica o autor, para obedecer apenas ao plano de reedi\u00e7\u00e3o integral da primeira edi\u00e7\u00e3o\u00bb<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste contexto, para al\u00e9m das antologias e da consci\u00eancia de que praticamente todos os poetas escreveram pelo menos um poema explicitamente religioso<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, s\u00e3o v\u00e1rios os livros de poesia inteiramente consagrados a esta tem\u00e1tica, dentro e fora do amplexo da ortodoxia cat\u00f3lica. Basta termos em considera\u00e7\u00e3o livros como <em>Jesus e P\u00e3<\/em> (1903) e <em>Regresso ao Para\u00edso<\/em> (1912) de Teixeira de Pascoaes, <em>Auto da Vida Eterna <\/em>(1925) de Angusto de Santa-Rita e <em>Verbo ser e verbo amar<\/em> (1926) e <em>Job<\/em> (1932) de Ant\u00f3nio Correia d\u2019Oliveira, cuja obra po\u00e9tica \u00e9 marcadamente religiosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00e2mbito da poesia de tem\u00e1tica especificamente hagiogr\u00e1fica, destaco<em> O Santo<\/em> (1927) de Manuel da Silva Gaia (livro dedicado a Francisco de Assis), <em>Teresinha<\/em> (1929) de Ant\u00f3nio Correia d\u2019Oliveira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda neste \u00e2mbito, muitos foram os poetas portugueses que escreveram \u2013 embebecidos \u2013 sobre a \u00abm\u00edstica mulher\u00bb<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>, como se l\u00ea num poema de Ant\u00f3nio Nobre. De Antero de Quental \u00e0 vasta fam\u00edlia dos poetas neorrom\u00e2nticos, particularmente os lusitanistas, no contexto hist\u00f3rico-cultural das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo xx, poucos n\u00e3o ter\u00e3o dedicado um poema a Nossa Senhora, entre a visita\u00e7\u00e3o e a natividade, aportando n\u00e3o raras vezes na <em>mater dolorosa<\/em> e na <em>piet\u00e0<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">C\u00e9sar de Frias explicita-o no pref\u00e1cio da sua antologia:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">os poetas t\u00eam continuado a genufletir perante a imagem de Cristo, Salvador do Mundo, e, sobretudo, da imagem de Maria Sant\u00edssima, sua M\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizemos sobretudo perante a imagem da Virgem, porque, se Deus e seu Filho s\u00e3o cantados com enternecimento por muitos poetas portugueses e brasileiros, mesmo modernos, ent\u00e3o a M\u00e3e de Jesus n\u00e3o \u00e9 apenas, por eles, cantada: \u00e9 glorificada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poesia marial, entre os vates lusitanos, \u00e9 simplesmente maravilhosa: maravilhosa em quantidade e qualidade. Afoitamente podemos assegurar que poucas mais literaturas poder\u00e3o competir connosco nesse ponto.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo se n\u00e3o tivermos em considera\u00e7\u00e3o representa\u00e7\u00f5es heterodoxas de Santa Maria<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>, poderemos destacar <em>A Senhora da Melancolia<\/em> (1910) de Gomes Leal e <em>Alba Plena \u2013 Vida de Nossa Senhora<\/em> (1916) de Augusto Gil. Cerca de um ter\u00e7o dos poemas que Guilherme de Faria escolheu para a sua <em>Antologia de poesias religiosas<\/em> s\u00e3o de tem\u00e1tica mariana, um pouco mais do que na antologia de Jos\u00e9 R\u00e9gio e Alberto de Serpa, em cujo pref\u00e1cio se l\u00ea:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a grande maioria dos nossos poetas \u2013 e aqui se aproximam eles do nosso povo \u2013 a m\u00e3o de Deus n\u00e3o \u00e9, muitas vezes, concebida sen\u00e3o atrav\u00e9s das m\u00e3os da Virgem Sant\u00edssima, t\u00e3o M\u00e3e de Deus como maternal advogada nossa.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa ter aqui em considera\u00e7\u00e3o o fen\u00f3meno de F\u00e1tima e a figura de Afonso Lopes Vieira que, segundo Costa Brochado<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>, ter\u00e1 testemunhado o \u00abmilagre do sol\u00bb: estando na sua casa, em S. Pedro de Moel, a cerca de cinquenta quil\u00f3metros de F\u00e1tima, Lopes Vieira ter\u00e1 sido surpreendido com \u00abos espantosos fen\u00f3menos solares\u00bb. Este acontecimento torn\u00e1-lo-\u00e1 profundamente devoto de Nossa Senhora de F\u00e1tima<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m do <em>Poema de F\u00e1tima <\/em>(1928) de Augusto de Santa-Rita, importa destacar <em>F\u00e1tima: poema do mundo<\/em> (1955) de Ant\u00f3nio Botto: tendo sido exonerado em 1942 do Arquivo Geral do Registo Criminal e Policial de Lisboa \u2013 por comportamentos condenados pela moral social<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a> \u2013, Botto partiu em 1947 para o Brasil, onde viveu com muitas dificuldades econ\u00f3micas, tendo procurado por todos os meios regressar a Portugal. \u00c9 nesse contexto que escreve <em>F\u00e1tima: poema do mundo<\/em>, livro em que cede a um anacr\u00f3nico tradicionalismo m\u00e9trico e ao louvor de um Portugal rural e de um povo crente. Nas suas p\u00e1ginas, Nossa Senhora bendiz os feitos dos portugueses,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">essa ra\u00e7a dominadora e sentimental, e a sua hist\u00f3ria, li\u00e7\u00e3o de raro cristianismo. [\u2026] revolta-se contra as promessas n\u00e3o cumpridas dos eleitos pelo povo, refere as saudades de uma vida rural, com as prociss\u00f5es, as feiras, a desfolhada, as romarias\u2026 insurge-se contra as inova\u00e7\u00f5es e as m\u00e1quinas que substituem a beleza do arado. De forma teatral chora a morte do Filho, mas lembra os pastorinhos, na Cova da Iria, que tudo far\u00e1 para manter unidos Portugal e o Brasil. O melhor conselho que Maria d\u00e1 aos meninos \u00e9 lerem os poetas.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>F\u00e1tima: poema do mundo<\/em> lembra, depreciando-se lamentavelmente, a recomenda\u00e7\u00e3o de Alberto d\u2019Oliveira \u2013 em <em>Palavras Loucas<\/em> (1894) \u2013 aos poetas portugueses, para que emigrassem para as aldeias<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>. Ant\u00f3nio Botto garantira na d\u00e9cada de 20 o seu lugar na hist\u00f3ria da literatura portuguesa, ele que fora editado por Fernando Pessoa e admirado pela <em>Presen\u00e7a<\/em>. Mas, em 1955, nem a aprova\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o de <em>F\u00e1tima: poema do mundo<\/em> pelo cardeal Cerejeira lhe facilitou o regresso a Portugal. Continuou a viver com muitas dificuldades no Rio de Janeiro, onde morreu passados quatro anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ruy Belo, <em>Todos os poemas<\/em>, p. 26.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf. Guilherme de Faria (org.), <em>Antologia de poesias religiosas<\/em>, pp. 159-163; Jos\u00e9 R\u00e9gio e Alberto de Serpa (org.), <em>Na m\u00e3o de Deus \u2013 Antologia de poesia religiosa portuguesa<\/em>, pp. 249-254.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cf. Miguel Bombarda, <em>A ci\u00eancia e o jesuitismo<\/em>, Lisboa, Parceria Ant\u00f3nio Maria Pereira, 1900, p. 188.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cf. Rui Ramos, <em>A Segunda Funda\u00e7\u00e3o<\/em>, in<em>\u00a0<\/em>Jos\u00e9 Mattoso (dir.), <em>Hist\u00f3ria de Portugal <\/em>(vol. 6), Lisboa, C\u00edrculo de Leitores, 1994, pp. 404-406.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cf. ibid., pp. 407-409.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ana de Castro Os\u00f3rio, <em>De como Portugal foi chamado \u00e0 Guerra<\/em>, Lisboa, Casa Editora \u00abPara as Crian\u00e7as\u00bb, 1918, p. 98.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Cf. Afonso Rocha, <em>A filosofia da religi\u00e3o em Portugal (1850-1910)<\/em>, Porto, Universidade Cat\u00f3lica Editora, 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Sobre esta quest\u00e3o, sugiro os cap\u00edtulos \u00abO regresso ao catolicismo\u00bb de Rui Ramos \u2013 cf. <em>A Segunda Funda\u00e7\u00e3o<\/em>, pp. 557-561 \u2013 e \u00abA vitalidade religiosa do catolicismo portugu\u00eas do Liberalismo \u00e0 Rep\u00fablica\u00bb de Manuel Clemente \u2013 cf. <em>Hist\u00f3ria Religiosa de Portugal \u2013 Religi\u00e3o e Seculariza\u00e7\u00e3o <\/em>(vol. 3), in Carlos Moreira Azevedo (dir.), Lisboa, C\u00edrculo de Leitores, 2002, pp. 65-127.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Rui Ramos, <em>A Segunda Funda\u00e7\u00e3o<\/em>, p. 529.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Cf. ibid., p. 557.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ibid., pp. 557-558.25<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Ibid., p. 558.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Gomes Leal, <em>Claridades do Sul<\/em>, Lisboa, Braz Pinheiro \u2013 Editor, 1875, p. 63.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Ibid., p. 29.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Ibid., p. 56.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Id., <em>Claridades do Sul<\/em>, Lisboa, Empresa da Hist\u00f3ria de Portugal, 1901, pp. 33 e 60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Seria interessante refletir sobre a religiosidade impl\u00edcita na poesia em torno do tema da morte ou mesmo na l\u00edrica amorosa, na qual \u2013 como repara Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Saraiva \u2013 persiste uma certa espiritualidade: \u00abO amor \u00e9 um tema extraordinariamente obsessivo na literatura portuguesa [\u2026]. \u00c9 um sentimento em que certa sensualidade insatisfeita e uma certa espiritualidade impura se temperam mutuamente [\u2026]. Falou-se de uma certa \u201creligi\u00e3o do amor em Portugal\u201d e pode dizer-se que ele \u00e9 entre n\u00f3s quase uma forma de misticismo, e de um misticismo que n\u00e3o logra despegar-se inteiramente da carne\u00bb \u2013 Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Saraiva, <em>A Cultura em Portugal<\/em>, pp. 84-85.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> No poema \u00abA Nossa Senhora\u00bb: Ant\u00f3nio Nobre, <em>Poesia Completa<\/em>, p. 139.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> C\u00e9sar de Frias \u00abPref\u00e1cio\u00bb, in <em>Cem das melhores poesias religiosas da l\u00edngua portuguesa<\/em>, p. 8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Seria muito interessante refletir sobre a inspira\u00e7\u00e3o mariana das representa\u00e7\u00f5es da saudade de Teixeira de Pascoaes, em livros como <em>Senhora da noite <\/em>(1909) e <em>Mar\u00e2nus<\/em> (1911).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Jos\u00e9 R\u00e9gio e Alberto de Serpa, \u00abPref\u00e1cio\u00bb, in <em>Na m\u00e3o de Deus \u2013 Antologia de poesia religiosa portuguesa<\/em>, pp. 7-9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Cf. Costa Brochado, <em>As Apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima<\/em>, Lisboa, Portug\u00e1lia, 1952, pp. 130-131.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> De tal modo que viria a ser servita na Cova da Iria. Juntamente com Henrique Trindade Coelho, Lopes Vieira prestou cuidados aos doentes e pegou no andor de Nossa Senhora, no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima. Em 1929, na sua casa de S. Pedro de Moel, o poeta consagrou uma pequena capela a Nossa Senhora de F\u00e1tima e concebeu os famosos versos do <em>Av\u00e9 de F\u00e1tima<\/em>, ent\u00e3o musicados por Viana da Mota. Escreveu ainda a orat\u00f3ria <em>F\u00e1tima<\/em>, musicada por Ruy Coelho e estreada no Teatro S\u00e3o Carlos, em 1931. Nesse mesmo ano, Lopes Vieira recebeu uma proposta da Comiss\u00e3o d&#8217;Iniciativa de F\u00e1tima e da Comiss\u00e3o Nacional de Turismo, no sentido de fazer um filme sonoro sobre os acontecimentos da Cova da Iria. Existe na Biblioteca Municipal de Leiria um dactiloscrito intitulado <em>F\u00e1tima<\/em>, gui\u00e3o desse projeto escrito e cinematograficamente coordenado por Afonso Lopes Vieira, com m\u00fasica de Ruy Coelho, posteriormente abandonado, como se l\u00ea numa carta de 31 de janeiro de 1943, dirigida a Antero de Figueiredo (autor do livro <em>F\u00e1tima \u2013 Gra\u00e7as, segredos, mist\u00e9rios<\/em>, Lisboa, Livraria Bertrand, 1936): \u00abTodas estas tristes coisas prov\u00eam de influ\u00eancias med\u00edocres que t\u00eam ganhado poder junto do bispo de Leiria. Foram elas que inutilizaram cruelmente o meu plano de filme de F\u00e1tima, que chegou a ter plena aprova\u00e7\u00e3o episcopal\u00bb \u2013 Cristina Nobre, <em>Afonso Lopes Vieira \u2013 A reescrita de Portugal <\/em>(vol. 1), Lisboa, INCM, 2005, p. 83.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> \u00abEntre outras justifica\u00e7\u00f5es, consta do <em>Di\u00e1rio do Governo<\/em> que n\u00e3o mant\u00e9m \u201cna reparti\u00e7\u00e3o a devida compostura e aprumo, dirigindo galanteios e frases de sentido equ\u00edvoco a um seu colega, denunciando tend\u00eancias condenadas pela moral social\u201d; que faz versos e os recita durante as horas regulamentares do funcionamento da reparti\u00e7\u00e3o; que carece \u201cda necess\u00e1ria idoneidade moral para o exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es\u201d\u00bb \u2013 An\u00edbal Fernandes, \u00abCronologia, ou quase (continua\u00e7\u00e3o)\u00bb, in Raul Leal, <em>Sodoma Divinizada<\/em>, Lisboa, Guimar\u00e3es \/ Babel, 2010, p. 146.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a e Paulo Pires do Vale, \u00abLiteratura religiosa. \u00c9poca contempor\u00e2nea\u00bb, p. 134.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Cf. Alberto d\u2019Oliveira, <em>Palavras Loucas<\/em>, pp. 218-221.<\/p>\n<h6 style=\"padding-left: 200px; text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10.72px;\">Imagem de\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 10.72px;\" href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Himsan-6011594\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2544994\">Himsan<\/a><span style=\"font-size: 10.72px;\">\u00a0por\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 10.72px;\" href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2544994\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Textos recolhidos de TEIXEIRA, Jos\u00e9 Rui &#8211; <em>Vestigia Dei: Uma leitura teotopol\u00f3gica da literatura portuguesa<\/em>. Maia: Cosmorama Edi\u00e7\u00f5es, 2019, 78pp.<\/h6>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cosmorama.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7618 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-714x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-714x1024.jpg 714w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-209x300.jpg 209w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-768x1101.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-600x860.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1071x1536.jpg 1071w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1428x2048.jpg 1428w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1200x1721.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-850x1219.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-480x688.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1320x1893.jpg 1320w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-scaled.jpg 1785w\" sizes=\"auto, (max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Vestigia Dei &#8216;-<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7604,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,139,91,140],"tags":[],"class_list":["post-7602","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-jose-rui-teixeira","category-olhares-ii","category-vestigia-dei"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7602","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7602"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7602\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7850,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7602\/revisions\/7850"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7604"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7602"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7602"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7602"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}