{"id":7596,"date":"2020-01-11T15:10:05","date_gmt":"2020-01-11T15:10:05","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7596"},"modified":"2019-12-16T00:18:42","modified_gmt":"2019-12-16T00:18:42","slug":"vestigia-dei-5-3-a-morte-do-mito-do-poeta-romantico-o-sol-escureceu-e-nao-se-ouvia-a-voz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/vestigia-dei-5-3-a-morte-do-mito-do-poeta-romantico-o-sol-escureceu-e-nao-se-ouvia-a-voz\/","title":{"rendered":"Vestigia Dei | 5 &#8211; [3.] A MORTE DO [MITO DO] POETA ROM\u00c2NTICO: O SOL ESCURECEU E N\u00c3O SE OUVIA A VOZ"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Vestigia Dei<\/em> &#8216;- <em>Rubrica dedicada \u00e0 reflex\u00e3o sobre o lugar de Deus na poesia portuguesa<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o projeto <a href=\"http:\/\/www.teotopias.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Teotopias<\/em><\/a>)<\/h6>\n<p style=\"text-align: center;\">[3.] A MORTE DO [MITO DO] POETA ROM\u00c2NTICO<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">O SOL ESCURECEU E N\u00c3O SE OUVIA A VOZ<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Jos\u00e9 Rui Teixeira<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o creio que Deus \u2013 a ideia de Deus, o mist\u00e9rio de Deus, Deus como interroga\u00e7\u00e3o \u2013 esteja menos presente na poesia deste mundo \u00ablargamente desdivinizado\u00bb em que vivemos, mesmo que a seculariza\u00e7\u00e3o pare\u00e7a ter prescindido da condi\u00e7\u00e3o e do m\u00fanus do mito do poeta rom\u00e2ntico, mesmo que no s\u00e9culo xx a condi\u00e7\u00e3o de poeta e o of\u00edcio da poesia tenham perdido um certo halo hier\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, o processo de seculariza\u00e7\u00e3o, como o entendemos nas suas descri\u00e7\u00f5es mais consensuais, implica que aceitemos que at\u00e9 ao crep\u00fasculo da Idade M\u00e9dia o sagrado se sobrepunha ao profano. Trata-se, com efeito, de uma perspetiva distorcida, sob os escombros de tantos preconceitos, algures entre o fantasma da \u00abidade das trevas\u00bb e as representa\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas do simbolismo neomedievalista do final do s\u00e9culo xix. Se, por um lado, nutrimos cru\u00e9is preconceitos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Idade M\u00e9dia, por outro, mitificamos \u2013 embevecidos \u2013 uma esp\u00e9cie de id\u00edlio mon\u00e1stico, sob a magn\u00edfica ab\u00f3boda de uma est\u00e9tica \u00absacra\u00bb: igrejas e orat\u00f3rios, ed\u00e9nicos claustros, pinturas, vitrais e esculturas, bibliotecas com preciosos c\u00f3dices, mobili\u00e1rio, paramentos e todo o tipo de alfaias lit\u00fargicas, tudo isto envolvido pelo rumor do canto gregoriano ou das prim\u00edcias da polifonia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase nos esquecemos que at\u00e9 o monaquismo mais arreigado \u00e0s \u00abcoisas de Deus\u00bb participa inerente e ativamente das \u00abcoisas do mundo\u00bb. O beneditino <em>ora et labora<\/em> pode bem ter sido um modo de resist\u00eancia \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o manique\u00edsta de separar o sagrado e o profano, mesmo que o monaquismo represente a mais eloquente express\u00e3o dessa separa\u00e7\u00e3o. \u00c9 curioso como parece ter sido t\u00e3o f\u00e1cil domesticar a consci\u00eancia de que a incarna\u00e7\u00e3o de Cristo representa o fim dessa dicotomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, n\u00e3o creio que o sagrado se tenha alguma vez sobreposto ao profano, mesmo em experi\u00eancias teocr\u00e1ticas ou em contextos como a Floren\u00e7a de Savonarola. O ocasional ascendente do sagrado n\u00e3o est\u00e1 nas dimens\u00f5es do fen\u00f3meno, mas nas especificidades conjunturais do seu exerc\u00edcio de influ\u00eancia. Depois de um longo e arrastado processo de seculariza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 tanto a dicotomia que est\u00e1 esbatida, mas os dom\u00ednios do sagrado que s\u00e3o residuais e ainda mais escassa a sua influ\u00eancia, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o aos referenciais sobre os quais se estruturava organicamente a vida das sociedades tradicionais: os ciclos, as refer\u00eancias esp\u00e1cio-temporais, as festividades<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo \u00ablargamente desdivinizado\u00bb, que engendrou a <em>mise en sc\u00e8ne<\/em> da \u00abaldeia global\u00bb, o melhor patrim\u00f3nio arquitet\u00f3nico dos hist\u00f3ricos dom\u00ednios do sagrado \u2013 n\u00e3o apenas do cristianismo medieval \u2013 \u00e9 hoje pouco mais do que atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. E uma boa parte do restante patrim\u00f3nio jaz morto em museus ou em espa\u00e7os requintados, agora \u00abhigienicamente\u00bb laicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o de Jean-Claude Pinson \u2013 \u00abQue rela\u00e7\u00e3o pode ainda estabelecer a poesia moderna com qualquer coisa da ordem do sagrado?\u00bb \u2013 torna-se extremamente pertinente neste contexto. E a sua reformula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ret\u00f3rica. Assumi \u00abpoesia contempor\u00e2nea\u00bb em detrimento de \u00abpoesia moderna\u00bb, por uma quest\u00e3o de desambigua\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 modernidade, e terei de preterir a express\u00e3o \u00abqualquer coisa da ordem do sagrado\u00bb, com o objetivo de possibilitar que as teotopias liter\u00e1rias n\u00e3o coincidam com o sentido dominante de \u00absagrado\u00bb, religiosamente restrito, exclusivo e disjuntivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este n\u00e3o \u00e9 apenas um problema da teotopologia liter\u00e1ria. Do mesmo modo que Deus j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um privil\u00e9gio da \u00abarte sacra\u00bb ou da \u00abarte religiosa\u00bb em <em>lato sensu<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, as teotopias liter\u00e1rias h\u00e1 muito que n\u00e3o s\u00e3o um privil\u00e9gio da \u00abliteratura religiosa\u00bb nem de uma \u00abliteratura sagrada\u00bb \u2013 que remeteria para o texto teopn\u00eaustico e para um outro conceito espec\u00edfico: o de \u00absagrada escritura\u00bb. Para al\u00e9m de hinos e de outras composi\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas com intencionalidade lit\u00fargica ou devocional, a poesia religiosa ocupou-se de representa\u00e7\u00f5es tradicionais, de tem\u00e1tica preferencialmente b\u00edblica e hagiogr\u00e1fica. Com efeito, a poesia religiosa n\u00e3o \u00e9 por iner\u00eancia uma teotopia liter\u00e1ria: s\u00ea-lo-\u00e1 se a\u00ed for poss\u00edvel perscrutar Deus como interroga\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por ser uma express\u00e3o de <em>folk-motives<\/em> religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prefiro, assim, em vez de \u00abqualquer coisa da ordem do sagrado\u00bb, falar de abertura \u00e0 transcend\u00eancia ou, arriscando prescindir da demarca\u00e7\u00e3o \u2013 tamb\u00e9m ela dicot\u00f3mica \u2013 entre \u00abiman\u00eancia\u00bb e \u00abtranscend\u00eancia\u00bb, escolher os dom\u00ednios (bem menos suscet\u00edveis \u00e0 compartimenta\u00e7\u00e3o) da \u00abbanalidade intranscendente\u00bb<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> e da \u00abtransiman\u00eancia\u00bb<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo que legitimamente aceitemos que em certos per\u00edodos hist\u00f3ricos a religi\u00e3o tenha sido um elemento cultural agregador mais influente, \u00e9 necess\u00e1rio desconstruir esse lugar-comum que concebe per\u00edodos em que uma sociedade, sendo teoc\u00eantrica ou tendencialmente teocr\u00e1tica, vive imersa em experi\u00eancias espirituais e at\u00e9 mesmo m\u00edsticas; e outros per\u00edodos em que Deus aparentemente desaparece do mundo dos homens, das suas preocupa\u00e7\u00f5es ontol\u00f3gicas e existenciais \u2013 um \u00abmundo sem Deus\u00bb (conceito que n\u00e3o corresponde a qualquer exemplo hist\u00f3rico de uma sociedade em que o fen\u00f3meno religioso tenha sido mais ou menos reprimido).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, importa perceber que o mito do poeta rom\u00e2ntico n\u00e3o estava isento de limites mesmo quando era predominante. Basta termos em considera\u00e7\u00e3o a rea\u00e7\u00e3o parnasiana, assim como todo o tipo de ocorr\u00eancias de poesia de interven\u00e7\u00e3o social, sat\u00edrica e amorosa<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> (ou mesmo er\u00f3tica) em tom jocoso. Al\u00e9m disso, a tend\u00eancia hier\u00e1tica que vem a encorpar o mito do poeta rom\u00e2ntico n\u00e3o deixou de ser secular, mesmo que tivesse reclamado um m\u00fanus prof\u00e9tico e oracular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante que o mito do poeta rom\u00e2ntico talvez seja apenas o mito rom\u00e2ntico da miss\u00e3o do poeta que, em Fran\u00e7a, entre Nerval e Saint-Pol-Roux, n\u00e3o escapou \u00e0 fulgura\u00e7\u00e3o \u2013 entre o <em>fl\u00e2neur<\/em> e o <em>boulevardier<\/em> \u2013 de \u00abpoetas malditos\u00bb como Baudelaire, Verlaine, Lautr\u00e9amont e Rimbaud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Portugal, n\u00e3o esquecendo, entre outros, poetas como Gomes Leal, Jos\u00e9 Duro e Jo\u00e3o L\u00facio, gostaria de destacar os casos de Antero de Quental, Ant\u00f3nio Nobre e Teixeira de Pascoaes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 Antero que, na sequ\u00eancia dos desgastes e desgostos das suas derivas de \u00abcavaleiro andante\u00bb<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, permite que o fil\u00f3sofo assassine o poeta, como se l\u00ea numa carta de 7 de agosto de 1885, que escreve a Carolina Micha\u00eblis de Vasconcelos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">o fil\u00f3sofo, que por muito tempo s\u00f3 se exprimiu pela boca do poeta, acabou por confiscar, por absorver, por devorar o pobre poeta, e agora que este acabou, imp\u00f5e-se ao fil\u00f3sofo (para n\u00e3o passar por um assassino gratuito e aleivoso) a obriga\u00e7\u00e3o de ser gente por si s\u00f3 e de falar pela pr\u00f3pria boca. A cole\u00e7\u00e3o dos meus Sonetos \u00e9 o testamento do pobre poeta que acabou. Entro agora numa fase nova, e tenho jurado consagrar-me daqui em diante, todo e exclusivamente ao trabalho de coordena\u00e7\u00e3o definitiva das minhas ideias filos\u00f3ficas e, se tanto puder, \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o met\u00f3dica e rigorosa das mesmas.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As cartas deste per\u00edodo testemunham, assim, a op\u00e7\u00e3o definitiva pela filosofia, a consci\u00eancia de que a poesia e, consequentemente, o poeta j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam serventia num mundo velho e obscurecido. L\u00ea-se na mesma carta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, aquilo de que o mundo mais precisa, nesta fase de extraordin\u00e1rio obscurecimento da alma humana, \u00e9 de ideias, \u00e9 de filosofia \u2013 e a Poesia, voltando a adormecer nos recessos mais misteriosos do cora\u00e7\u00e3o do homem, tem de ficar \u00e0 espera at\u00e9 que o novo S\u00edmbolo se desvende e novos Ideiais lhe forne\u00e7am um novo alimento, lhe insuflem nova vida\u2026 e ent\u00e3o voltar\u00e1 a cantar.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num texto de 1881 \u2013 \u00abA poesia na atualidade\u00bb<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> \u2013, encontramos alguns dos argumentos que ter\u00e3o legitimado esta decis\u00e3o e percebemos o quanto poder\u00e3o ter condicionado n\u00e3o apenas o desfecho da sua obra, mas tamb\u00e9m o desfecho da sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final do s\u00e9culo xix e no princ\u00edpio do s\u00e9culo xx, ao contr\u00e1rio do que pode parecer, os poetas rom\u00e2nticos nem sempre gozaram do benepl\u00e1cito dos seus coet\u00e2neos. Os casos de Ant\u00f3nio Nobre e de Teixeira de Pascoaes s\u00e3o um bom exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1982, em Paris, o conceituado livreiro L\u00e9on Vanier \u2013 editor de poetas como Verlaine, Mallarm\u00e9 e Rimbaud \u2013 publica o <em>S\u00f3 <\/em>de Ant\u00f3nio Nobre; nesse mesmo ano, em Coimbra, Sanches da Gama manda imprimir <em>N\u00f3s Todos<\/em>, uma acerba s\u00e1tira \u00e0 poesia de Nobre, assinada com o pseud\u00f3nimo Estephanio Rimb\u00f3, jocosa combina\u00e7\u00e3o dos nomes de St\u00e9phane Mallarm\u00e9 e Arthur Rimbaud.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E nem a morte do poeta, em 1900, nem a admira\u00e7\u00e3o por parte de figuras como Fernando Pessoa<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> e Raul Brand\u00e3o, inibiram ataques como o de Albino Forjaz de Sampaio<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Vale a pena ler o extraordin\u00e1rio apontamento de Brand\u00e3o nas suas <em>Mem\u00f3rias<\/em>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fugiam dele antes de publicar o <em>S\u00f3<\/em>; os poetas do seu tempo odiaram-no depois de publicar o <em>S\u00f3<\/em>. Ser diferente dos outros \u00e9 j\u00e1 uma desgra\u00e7a; ser superior aos outros \u00e9 uma desgra\u00e7a muito maior. Viveu sempre isolado. [\u2026] Entrou na morte como tinha vivido \u2013 s\u00f3. Digamo-lo, digamo-lo\u2026 No fundo detestaram-no, detestaram-no todos. N\u00e3o lhe puderam perdoar a impertinencia, o desd\u00e9m, o g\u00e9nio. Era um ser diferente. [\u2026] Est\u00e1vamos todos mortos por nos desfazermos desse ser \u00e0 parte, desse eterno c\u00f4nsul sem consulado, desse estudante de Coimbra que os lentes reprovavam e que nos fazia sombra. Mas debalde o arred\u00e1mos: houve uma coisa nova que passou pelo mundo e que ficou no mundo \u2013 que nos ficou na alma\u2026 Agora estamos todos apaziguados, todos podemos esquecer a superioridade, a afeta\u00e7\u00e3o e o desd\u00e9m infantil de Ant\u00f3nio Nobre.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso de Teixeira de Pascoaes<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> \u00e9 diferente, mas denuncia a morte do mito ou mesmo do pr\u00f3prio poeta rom\u00e2ntico. Em 1914, Ant\u00f3nio S\u00e9rgio escreve nas p\u00e1ginas d\u2019<em>A \u00c1guia<\/em>, no contexto da pol\u00e9mica<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> que os dividiu:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confesso ser este \u00faltimo car\u00e1cter \u2013 noturnamente sacerdotal \u2013, que na sua pessoa acima de tudo me aterroriza e me conturba; por\u00e9m os seus coment\u00e1rios foram para mim ainda mais transcendentes e incompreens\u00edveis; s\u00e3o de um esp\u00edrito celeste que nada tem de comum com a minha pessoa humana; pareceu-me que o meu amigo me refutava com uma sonata de Beethoven.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu pensar \u00e9 encantador e feiticeiro. As suas palavras t\u00eam a do\u00e7ura e a insubst\u00e2ncia do voo espiritual dum silfo; e se fosse poss\u00edvel conceber a claridade de um raio da lua, numa noite de nevoeiro m\u00edstico, ao beijar o mais fundo do oceano \u2013 eu diria que a sua alma \u00e9 alguma coisa ainda de mais delicado e de mais t\u00e9nue, de mais ultramundano e de mais puro. Com que sentido deslumbrar a subtilidade do seu verbo? Ele \u00e9, para o meu esp\u00edrito, o perfume de uma rosa \u00e0 dist\u00e2ncia de mil sonhos\u2026<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ant\u00f3nio S\u00e9rgio procura isolar Teixeira de Pascoaes na \u00abilha-saudade\u00bb<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> onde a sua obra e o seu pensamento po\u00e9tico, filos\u00f3fico e religioso pudessem alucinar quixotescamente sem perturbar o movimento das engrenagens que, no entendimento de muitos intelectuais, numa perspetiva por vezes eivada de positivismo e utopismo, eram a esplendorosa m\u00e1quina do mundo moderno, esse admir\u00e1vel mundo novo que a Primeira Guerra Mundial logo soterrou entre as trincheiras, sob tantos escombros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mito do poeta rom\u00e2ntico ou o mito rom\u00e2ntico da miss\u00e3o do poeta, na sua condi\u00e7\u00e3o hier\u00e1tica, est\u00e1 em permanente constru\u00e7\u00e3o e desconstru\u00e7\u00e3o, revelem os poetas mais ou menos abertura \u00e0 transcend\u00eancia, mais ou menos familiaridade com a ortodoxia cat\u00f3lica, mais ou menos feridas ontol\u00f3gicas e existenciais. Todas as gera\u00e7\u00f5es t\u00eam os seus poetas tendencialmente m\u00edsticos, antes ou depois das medievais cantigas de esc\u00e1rnio e maldizer, antes ou depois do <em>ready made<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uns vinte anos, poetas nascidos na d\u00e9cada de 70 do s\u00e9culo xx discutiam acesamente, evocando paternidades e filia\u00e7\u00f5es difusas, primogenituras e bastardias, se eram mais poetas os que se deixavam impregnar pela realidade e pelo prosa\u00edsmo, prescindindo praticamente de uma linguagem metaf\u00f3rica, ou se, pelo contr\u00e1rio, eram mais poetas aqueles que se apossavam de uma certa consci\u00eancia de absoluto, com uma escrita tendencialmente mais herm\u00e9tica, abstrata ou on\u00edrica. Tratou-se de uma questi\u00fancula, algures entre as <em>ElegiasHHElegias <\/em>de H\u00f6lderlin e a<em> Fonte<\/em> de Duchamp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ruy Belo, <em>Todos os poemas<\/em>, p. 196.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ocorre-me aqui o importante contributo de Mircea Eliade para esta quest\u00e3o: <em>O sagrado e o profano \u2013 A ess\u00eancia das religi\u00f5es<\/em> (Lisboa, Edi\u00e7\u00e3o \u00abLivros do Brasil\u00bb, 2006) e <em>Tratado de hist\u00f3ria das religi\u00f5es<\/em> (Porto, Edi\u00e7\u00f5es Asa, 1997). Outros contributos: Xabier Pikaza, <em>El fen\u00f3meno religioso<\/em>, Madrid, Editorial Trotta, 1999; Walter Burkert, <em>A cria\u00e7\u00e3o do sagrado<\/em>, Lisboa, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2001; Daniel C. Dennett, <em>Quebrar o feiti\u00e7o \u2013 A religi\u00e3o como fen\u00f3meno natural<\/em>, Lisboa, Esfera do Caos, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Seria muito interessante aprofundar esta quest\u00e3o a partir do trabalho de Juan Plazaola (<em>Historia y sentido del arte cristiano<\/em> e <em>Arte sacro actual<\/em>, Madrid, Biblioteca de Autores Cristianos, 1996 e 2006), em di\u00e1logo com reflex\u00f5es como a Kandinsky (<em>Do espiritual na arte<\/em>, Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1999) e a de Malraux (<em>O museu imagin\u00e1rio<\/em>, Lisboa, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2014), sem esquecer contributos como os de Adorno e Umberto Eco (<em>Teoria est\u00e9tica<\/em> e <em>A defini\u00e7\u00e3o de arte<\/em>, Lisboa, Edi\u00e7\u00f5es 70, 2011).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Conceito de Pedro Castelao \u2013 cf. <em>La visi\u00f3n de lo invisible. <\/em><em>Contra la banalidad intrascendente<\/em>, Molia\u00f1o, Sal Terrae, 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Conceito de Jean-Luc Nancy \u2013 cf. <em>Las Musas<\/em>, Buenos Aires, Amorrortu Editores, 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ocorre-me o improv\u00e1vel \u00abN\u00e3o te amo\u00bb, que J\u00falio Dinis escreveu em 1857, com 17 anos, e que \u00e9 um poema rom\u00e2ntico de desamor e que \u00e9 um chiste, um poema picaresco \u2013 cf. <em>Poesias<\/em>, Lisboa, J. Rodrigues &amp; C.\u00aa, 1924, pp. 248-249.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Antero de Quental, \u00abO pal\u00e1cio da ventura\u00bb, in <em>Poesia Completa<\/em>, p. 248.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Id., <em>Cartas <\/em>(vol. ii), Lisboa, Universidade dos A\u00e7ores \/ Editorial Comunica\u00e7\u00e3o, 1989, p. 748.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Ibid., pp. 748-749.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Id., \u00abA poesia na atualidade\u00bb, in <em>Prosas <\/em>(vol. ii), Lisboa, Couto Martins, s\/d, pp. 310-326.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Em 1915, <em>A Galera<\/em> dedica inteiramente um n\u00famero a Ant\u00f3nio Nobre. A\u00ed, encontramos um comovente texto de Fernando Pessoa, onde se l\u00ea: \u00abQuando ele nasceu, nascemos todos n\u00f3s. A tristeza que cada um de n\u00f3s traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria, \u00e9 ele ainda, e a vida dele, nunca perfeitamente real nem com certeza vivida, \u00e9, afinal, a s\u00famula da vida que vivemos \u2013 \u00f3rf\u00e3os de pai e m\u00e3e, perdidos de Deus no meio da floresta, e chorando, chorando inutilmente, sem outra consola\u00e7\u00e3o do que essa, infantil, de sabermos que \u00e9 inutilmente que choramos\u00bb \u2013 \u00abPara a mem\u00f3ria de Ant\u00f3nio Nobre\u00bb, in <em>A Galera<\/em>, 1.\u00ba ano, n.\u00ba 5-6 (25 de fevereiro de 1915), p. 35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> \u00abAnt\u00f3nio Nobre \u00e9 dos poetas mais queridos do p\u00fablico <em>snob<\/em> que l\u00ea poetas para apenas lhes citar monoss\u00edlabos de admirativo \u00eaxtase. [\u2026] Ant\u00f3nio Nobre \u00e9 moda, as suas edi\u00e7\u00f5es esgotam-se e o poeta tem, hoje ainda, quem lhe pretenda continuar a obra, restaurando o <em>sosismo<\/em> como se ele n\u00e3o fosse coisa que com o seu autor nasceu, morreu e com ele foi definitivamente enterrada\u00bb \u2013 Albino Forjaz de Sampaio, <em>Os B\u00e1rbaros. i. Ant\u00f3nio Nobre<\/em>, Guimar\u00e3es &amp; C.\u00aa, 1920, pp. 11-12.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Raul Brand\u00e3o, <em>Mem\u00f3rias<\/em>, Lisboa, Quetzal, 2017, pp. 59-60.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Acerca da \u00edndole rom\u00e2ntica de Pascoaes, Manuel Antunes escreve: \u00abSe, pelo termo \u201cromantismo\u201d, entendemos, n\u00e3o o culto do folclore nativo, mas o retorno \u00e0s fontes origin\u00e1rias da nossa hist\u00f3ria e do nosso ser de humanos; n\u00e3o o extravasar do sentimentalismo, por\u00e9m um modo de sentir erguido a categoria metaf\u00edsica; se, por esta palavra, entendemos ainda o predom\u00ednio do Mito sobre a Raz\u00e3o, do Sonho sobre a Vig\u00edlia, e da Noite sobre o Dia; a afirma\u00e7\u00e3o, feita com igual energia, da Subjetividade e da Natureza, como sendo o Real e sua Sombra; o potenciamento da Vida como devir, em poderoso e incessante impulso c\u00f3smico e, se, finalmente, tomamos como norma hist\u00f3rica de romantismo n\u00e3o qualquer forma derivada \u2013 a francesa, a inglesa, a italiana, etc. \u2013 mas a forma original \u2013 a alem\u00e3 \u2013 se todas estas hip\u00f3teses se verificam, parece que n\u00e3o haver\u00e1 dificuldade em aceitar que Teixeira de Pascoaes foi, n\u00e3o s\u00f3 o nosso maior rom\u00e2ntico mas, porventura, o nosso \u00fanico rom\u00e2ntico completo\u00bb. E acrescenta: Um rom\u00e2ntico de \u00edndole essencialmente religiosa\u00bb \u2013 cf. \u00abTr\u00eas poetas do sagrado: Pascoaes, Pessoa, R\u00e9gio\u00bb, in <em>Brot\u00e9ria<\/em> 1 (1957), p. 45.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Esta pol\u00e9mica sobre o saudosismo, nas p\u00e1ginas d\u2019<em>A \u00c1guia<\/em>, corresponde a oito textos \u2013 quatro assinados por S\u00e9rgio e outros quatro por Pascoaes \u2013 publicados entre outubro de 1913 e julho de 1914 \u2013 cf. Teixeira de Pascoaes, <em>A Saudade e o Saudosismo<\/em>, p. 97-154<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ant\u00f3nio S\u00e9rgio, \u00abRegenera\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o, moral e economia\u00bb, in Teixeira de Pascoaes, <em>A Saudade e o Saudosismo<\/em>, p. 111.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Express\u00e3o de Eduardo Louren\u00e7o \u2013 cf. <em>Portugal como Destino seguido de Mitologia da Saudade<\/em>, p. 93.<\/p>\n<h6 style=\"padding-left: 200px; text-align: right;\"><span style=\"font-size: 10.72px;\">Imagem de\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 10.72px;\" href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Pexels-2286921\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1867285\">Pexels<\/a><span style=\"font-size: 10.72px;\">\u00a0por\u00a0<\/span><a style=\"font-size: 10.72px;\" href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1867285\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Textos recolhidos de TEIXEIRA, Jos\u00e9 Rui &#8211; <em>Vestigia Dei: Uma leitura teotopol\u00f3gica da literatura portuguesa<\/em>. Maia: Cosmorama Edi\u00e7\u00f5es, 2019, 78pp.<\/h6>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cosmorama.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7618 aligncenter\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-714x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"228\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-714x1024.jpg 714w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-209x300.jpg 209w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-768x1101.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-600x860.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1071x1536.jpg 1071w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1428x2048.jpg 1428w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1200x1721.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-850x1219.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-480x688.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-1320x1893.jpg 1320w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/12\/Vestigia-dei-scaled.jpg 1785w\" sizes=\"auto, (max-width: 228px) 100vw, 228px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Vestigia Dei &#8216;-<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7597,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,139,91,140],"tags":[],"class_list":["post-7596","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-jose-rui-teixeira","category-olhares-ii","category-vestigia-dei"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7596","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7596"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7596\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7623,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7596\/revisions\/7623"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7596"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}