{"id":7561,"date":"2019-12-11T11:01:06","date_gmt":"2019-12-11T11:01:06","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7561"},"modified":"2019-12-11T11:07:03","modified_gmt":"2019-12-11T11:07:03","slug":"advento-domingo-iii-ide-contar-a-joao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/advento-domingo-iii-ide-contar-a-joao\/","title":{"rendered":"ADVENTO,\u00a0DOMINGO III | Ide contar a Jo\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b><i>Pe. Georgino Rocha<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"right\">\u00a0Assim come\u00e7a a resposta que Jesus d\u00e1 aos enviados de Jo\u00e3o. \u201cIde contar o que vedes e ouvis\u201d.<i>Mt 11, 2-11.<\/i>\u00a0Jo\u00e3o estava na cadeia, onde chegam not\u00edcias contrastantes com o que havia anunciado na sua miss\u00e3o prof\u00e9tica. E tem d\u00favidas, como \u00e9 normal. Quer esclarecer e procurar a verdade. N\u00e3o deixa que a cadeia lhe aprisione o esp\u00edrito nem limite a liberdade. Para ele, como para qualquer pessoa, viver na d\u00favida \u00e9 uma esp\u00e9cie de pris\u00e3o que limita a raz\u00e3o e amarra o cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o deixa adormecer a pergunta inquietante nem se inibe face ao preconceito que mina a confian\u00e7a. Fiel a si mesmo, honesto e decidido, quer saber e encarrega os seus disc\u00edpulos de buscarem a resposta desejada. Que belo exemplo nos d\u00e1 e apelo nos faz para sermos peregrinos da verdade!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o anuncia o reino prestes a chegar e urge a convers\u00e3o com palavras duras, met\u00e1foras de amedrontar as \u201cra\u00e7as de v\u00edboras\u201d, invectivas fortes aos palradores que \u201cdizem e n\u00e3o fazem\u201d, amea\u00e7as terr\u00edveis de castigos iminentes, apelos gritantes ao arrependimento e \u00e0 correspondente mudan\u00e7a de atitudes. O \u201cju\u00edzo de Deus\u201d vai iniciar-se. O contraste \u00e9 claro, como veremos a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estilo de Jesus surge como resposta velada \u00e0 pergunta preocupada de Jo\u00e3o. Acolhe os cegos e abre-lhes os olhos. Aproxima-se dos coxos e restitui-lhes a liberdade de movimentos. Escuta a s\u00faplica dos leprosos e estes ficam limpos da doen\u00e7a que marginaliza e r\u00f3i a dignidade humana. Toca os ouvidos dos surdos e estes abrem-se \u00e0 realidade nova da escuta que relaciona e insere no vasto horizonte comunicacional. Visita as fam\u00edlias com defuntos, reza por eles e ordena-lhes que regressem \u00e0 vida terrena, ao conv\u00edvio dos seus. Que desafio nos lan\u00e7a o estilo de Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO argumento chave que Jesus d\u00e1, a prova que ele aporta, n\u00e3o \u00e9 de car\u00e1cter sagrado, nem espiritual, nem sobrenatural, nem religioso, afirma J. M. Castillo. \u00c9 algo humano, muito humano: aliviar penas, dar vida, felicidade e boas not\u00edcias\u201d. E o te\u00f3logo espanhol prossegue: \u201cN\u00e3o nos entra na cabe\u00e7a que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 nos discursos, nos argumentos, nas teorias e nos dogmas. S\u00f3 a vida \u00e9 digna de f\u00e9, como s\u00f3 o amor merece ser crido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o quer saber quem \u00e9 Jesus e manda fazer-lhe uma pergunta. \u201c\u00c9s tu o que est\u00e1 para vir ou temos que esperar outro?\u201d Jesus n\u00e3o responde sim ou n\u00e3o. Mas apresenta as obras que faz como suas credenciais. S\u00f3 estas tornam cred\u00edvel uma pessoa. N\u00e3o s\u00e3o as declara\u00e7\u00f5es, mas os factos, o estilo de vida, a preocupa\u00e7\u00e3o pelos outros, o cuidado da natureza e seu equil\u00edbrio saud\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0O contraste \u00e9 flagrante e desconcertante: Jo\u00e3o amea\u00e7a com a ira divina, com castigos inclementes; Jesus liberta de medos, cura as feridas da vida, estende as m\u00e3os benfazejas aos desconsiderados social e religiosamente. Este seu proceder desvenda um rosto diferente de Deus e da sua rela\u00e7\u00e3o connosco. Quem n\u00e3o se sente atra\u00eddo pelo amor que Deus nos tem e, espontaneamente, deseja corresponder-lhe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A novidade de Jesus n\u00e3o anula a miss\u00e3o de Jo\u00e3o, mas re-situa-a no evoluir hist\u00f3rico do projecto de Deus. \u00c9 um projecto em dinamismo crescente de realiza\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o correspondeu a uma etapa e, nela, \u00e9 o maior dos humanos. Ele \u00e9 mensageiro que prepara, voz que anuncia, pregoeiro que vai \u00e0 frente, profeta de tempos novos que se avizinham. Cumprida a sua miss\u00e3o, cessa fun\u00e7\u00f5es. A promessa faz-se realidade: O anunciado chegou e a palavra tem nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus est\u00e1 a\u00ed. Discreto, mas sol\u00edcito. Silencioso, mas interveniente. \u201cFerido\u201d, mas sanador. Peregrino e companheiro no tempo, mas \u201cdono\u201d da casa de fam\u00edlia onde acolhe, em alegre festim, todos os que souberam caminhar com Ele e aceitar o ritmo do seu amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o Papa Francisco, podemos come\u00e7ar a contemplar esta realidade maravilhosa na gruta de Bel\u00e9m no Natal de Jesus. Diz-nos Ele: \u201cO\u00a0Pres\u00e9pio \u00e9 como um Evangelho vivo que transvaza das p\u00e1ginas da Sagrada Escritura. Ao mesmo tempo que contemplamos a representa\u00e7\u00e3o do Natal, somos convidados a colocarmo-nos espiritualmente a caminho, atra\u00eddos pela humildade daquele que se fez homem, a fim de se encontrar com todo o homem, e a descobrirmos que nos ama tanto, que se uniu a n\u00f3s para podermos, tamb\u00e9m n\u00f3s, unirmo-nos a Ele.\u201d<\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">\u00a0Imagem: <em>O Nascimento de Jo\u00e3o Batista<\/em> &#8211; Tintoretto (c. 1554)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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