{"id":7540,"date":"2019-12-06T12:53:34","date_gmt":"2019-12-06T12:53:34","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7540"},"modified":"2020-03-17T13:29:36","modified_gmt":"2020-03-17T13:29:36","slug":"edith-stein-o-misterio-de-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-o-misterio-de-natal\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Natal [I] &#8211; O Mist\u00e9rio de Natal"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">\u00abEncontramo-nos a meio do ciclo lit\u00fargico do Natal. A grande solenidade que nos precedeu, como estrela brilhando no escuro c\u00e9u nocturno do Advento, passou, para alguns de n\u00f3s talvez muito depressa. N\u00e3o parou, como a estrela sobre a gruta de Bel\u00e9m. Passou adiante, e talvez estejamos atemorizados, porque n\u00e3o pudemos compreender ou penetrar em profundidade o que ela queria e devia trazer-nos. Por isso, \u00e9 consolador que a Santa Igreja, como uma m\u00e3e t\u00e3o s\u00e1bia quanto ben\u00e9vola, tenha em conta a debilidade dos seus filhos, e tenha previsto um bom n\u00famero de semanas para complementar o Nascimento. Podemos assim recuperar alguma coisa do que se tenha perdido; e mesmo para hoje n\u00e3o saberia propor nada melhor do que permanecermos um pouco em recolhimento a contemplar, em retrospectiva, as semanas passadas.\u00bb<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: right;\"><strong>[I parte]<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6743 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"273\" \/>Advento e Natal<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os dias come\u00e7am a ser mais pequenos, quando (num Inverno normal) caem os primeiros flocos de neve, afloram \u00e0 mente, t\u00edmidos e submissos, os primeiros pensamentos sobre o Natal. S\u00f3 do pronunciar desta palavra brota j\u00e1 uma magia, \u00e0 qual quase nenhum cora\u00e7\u00e3o saber\u00e1 furtar-se. Mesmo aqueles que pertencem a outros credos, e aqueles que n\u00e3o t\u00eam f\u00e9, aqueles para quem a velha hist\u00f3ria do Menino de Bel\u00e9m n\u00e3o diz nada, preparam a festa e reflectem como podem aqui e ali acender uma centelha de felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se a terra, desde h\u00e1 semanas e meses atr\u00e1s, tivesse sido percorrida por uma c\u00e1lida onda de amor. Uma festa do amor e da alegria: eis a estrela para a qual todos se encaminham nos primeiros meses de Inverno. Para os crist\u00e3os, e sobretudo para os crist\u00e3os cat\u00f3licos, trata-se de algo ainda mais profundo. A estrela condu-los ao pres\u00e9pio em que est\u00e1 deitado o Menino que traz a paz ao mundo. A arte crist\u00e3 apresenta-O aos nossos olhos em in\u00fameras e bel\u00edssimas imagens; velhas melodias, nas quais ressoa toda a magia da inf\u00e2ncia, nos falam d\u2019Ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No cora\u00e7\u00e3o daquele que vive em Igreja desperta uma santa nostalgia com os toques do \u00abrorate\u00bb e os c\u00e2nticos do Advento; e naquele, em quem penetrou o inesgot\u00e1vel manancial da santa liturgia, palpitam dia a dia as exorta\u00e7\u00f5es e promessas do Profeta da Encarna\u00e7\u00e3o: \u00abRorate, coeli, desuper et nubes pluant justum! Prope est jam Dominus \u2013 Venite adoremus. \u2013 Veni, Domine, et noli tardare. \u2013 Jerusalem, gaude gaudio magno, quia veniet tibi Salvator\u00bb. Desde o dia 17 at\u00e9 ao dia 24 de Dezembro entoam-se as solenes ant\u00edfonas \u00abOh\u00bb do Magnificat (O Sapientia, O Adonai, O Radix Jesse, O Clavis David, O Oriens, O Rex gentium, O Emmanuel), cada vez mais ansiosas e fervorosas: \u00abVeni ad liberandum nos\u00bb. Ressoa cada vez mais prometedora: \u00abEcce completa sunt omnia\u00bb (no \u00faltimo Domingo do Advento); e finalmente: \u00abHodie scietis, quia veniet Dominus et mane videbitis gloriam eius\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamente quando ao entardecer se acendem as luzes da \u00e1rvore e se trocam os presentes, uma nostalgia insaci\u00e1vel nos atira para fora, em direc\u00e7\u00e3o a outra luz, at\u00e9 que os sinos tocam para a Missa do Galo e \u2013 \u00abDum medium silentium teneret omnia\u00bb \u2013 o mist\u00e9rio desta Noite de Natal renova-se nos altares cobertos de flores e de luzes: \u00abEt verbum caro factum est\u00bb. Esta \u00e9 a hora da plenitude: \u00abHodie per totum mundum melliflui facti sunt coeli\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O s<\/strong><strong>\u00e9<\/strong><strong>quito do Filho de Deus feito carne<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 todos fizemos a experi\u00eancia de uma semelhante alegria de Natal. Por\u00e9m, o c\u00e9u e a terra ainda n\u00e3o se uniram. A estrela de Bel\u00e9m \u00e9, ainda hoje, uma estrela que brilha numa noite escura. No dia seguinte ao Natal a Igreja dep\u00f5e os paramentos brancos e reveste-se da cor do sangue; e no quarto dia (se n\u00e3o se trata como este ano, de um domingo) o roxo dos defuntos: Est\u00eav\u00e3o, o proto-m\u00e1rtir, o primeiro a seguir o Senhor at\u00e9 \u00e0 morte, e os Santos Inocentes, os meninos de Bel\u00e9m e de Jud\u00e1, massacrados ferozmente por cru\u00e9is carrascos, constituem o s\u00e9quito do Menino no pres\u00e9pio. Que quer dizer tudo isto? Onde est\u00e1 a exulta\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos celestes? Onde a felicidade da Noite Santa? Onde est\u00e1 a paz na terra? Paz na terra aos homens de boa vontade! Mas nem todos s\u00e3o de boa vontade. Precisamente por isso o Filho do Pai Eterno teve que baixar da gl\u00f3ria dos c\u00e9us, porque o mist\u00e9rio do mal envolveu a terra com as suas trevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As trevas cobriam a terra e Ele veio como luz que brilha nas trevas, mas as trevas n\u00e3o O receberam. \u00c0queles que O receberam trouxe luz e paz: a paz com o Pai celeste, a paz com todos os que, como Ele, s\u00e3o filhos da luz e do Pai celeste, e a paz profunda dos cora\u00e7\u00f5es. O Pr\u00edncipe da paz, por\u00e9m, a esses n\u00e3o traz a paz, mas a espada. Para eles \u00e9 pedra de esc\u00e2ndalo, contra a qual chocam e se despeda\u00e7am. Esta \u00e9 uma verdade dura e s\u00e9ria que n\u00e3o devemos encobrir com o encanto l\u00edrico do Menino de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e o mist\u00e9rio do mal est\u00e3o estreitamente ligados. A luz que desceu do c\u00e9u, contrasta com a noite do pecado t\u00e3o escura como l\u00fagubre. O Menino do pres\u00e9pio estende os bracinhos, e o seu sorriso parece predizer j\u00e1 o que mais tarde os l\u00e1bios do Homem dir\u00e3o: \u00abVinde a Mim todos v\u00f3s que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei\u00bb. E sobre aqueles que escutam o seu chamamento derramou o orvalho da gra\u00e7a pelas m\u00e3os do Menino e \u201cs\u00e3o cumulados de um grande contentamento\u201d: os pobres pastores, aos quais, nos campos de Bel\u00e9m, o esplendor do c\u00e9u e a voz do anjo anunciaram a boa not\u00edcia, e que a ela responderam com o seu \u00abtranseamus usque ad Bethlehem\u00bb, pondo-se a caminho; e os reis, que do long\u00ednquo Oriente seguiram com f\u00e9 simples a maravilhosa estrela. Essas m\u00e3os d\u00e3o e pedem ao mesmo tempo: V\u00f3s, \u00f3 s\u00e1bios, deixai o vosso saber, e tornai-vos simples como as crian\u00e7as; v\u00f3s, \u00f3 reis, desprendei- vos das vossas coroas e dos vossos tesouros, e ajoelhai-vos com humildade diante do Rei dos Reis; assumi, sem hesita\u00e7\u00e3o, as canseiras, as penas e as tribula\u00e7\u00f5es que o seu servi\u00e7o requer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A v\u00f3s, crian\u00e7as, que ainda n\u00e3o podeis dar nada de vossa livre vontade, os carrascos arrancam a vossa tenra vida, antes ainda de ter iniciado verdadeiramente: n\u00e3o podia ser entregue de modo melhor do que este, sacrificada pelo Senhor da Vida. \u00abSegue-me\u00bb, assim falam as m\u00e3os do Menino, como dir\u00e1 mais tarde a boca do Homem. Assim dir\u00e1 ao disc\u00edpulo que o Senhor amava e que agora tamb\u00e9m faz parte do s\u00e9quito do Pres\u00e9pio. E S. Jo\u00e3o, o jovem puro com cora\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, seguiu-O sem perguntar: aonde? porqu\u00ea? Deixou a barca de seu pai e seguiu o Senhor por toda a parte no seu caminho, at\u00e9 ao cimo do G\u00f3lgota. \u00abSegue-me\u00bb \u2013 o mesmo fez o jovem Est\u00eav\u00e3o. Seguiu o Senhor na luta contra o poder das trevas, contra a cegueira obstinada da incredulidade rebelde, dando testemunho d\u2019Ele com as suas palavras e com o seu sangue; seguiu-O tamb\u00e9m no esp\u00edrito, esp\u00edrito de amor que combate o pecado, mas ama o pecador e que, entre as afli\u00e7\u00f5es da morte, intercede ainda junto de Deus pelos seus pr\u00f3prios assassinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o figuras luminosas as que se ajoelham junto do pres\u00e9pio: os ternos meninos inocentes, os pastores fi\u00e9is, os reis humildes, Est\u00eav\u00e3o, o disc\u00edpulo ardente, e Jo\u00e3o, o ap\u00f3stolo amado: todos eles seguiram o chamamento do Senhor. A eles se contrap\u00f5e a noite do incompreens\u00edvel endurecimento dos cora\u00e7\u00f5es, a noite da cegueira: os escribas, que podiam assinalar onde e quando o Salvador deveria vir ao mundo, mas que de tal sabedoria n\u00e3o souberam tirar o seu \u00abtranseamus usque ad Bethlehem\u00bb; o rei Herodes, que quis tirar a vida ao Senhor da Vida. Diante do Menino do pres\u00e9pio, os cora\u00e7\u00f5es dividem-se. Ele \u00e9 o Rei dos Reis e o Senhor da Vida e da morte. Pronuncia o seu \u00abSegue-me\u00bb e quem n\u00e3o \u00e9 por Ele \u00e9 contra Ele. Pronuncia-o tamb\u00e9m para n\u00f3s, e p\u00f5e-nos diante dos olhos a escolha entre a Luz e as trevas.\u00bb<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">*Santa Teresa Benedita da Cruz<em>, A Mensagem de Natal. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2013. pp 2-7.<\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem: A adora\u00e7\u00e3o dos pastores &#8211; Rembrandt (1606-1669)<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7541,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-7540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7540"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7690,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7540\/revisions\/7690"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7541"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}