{"id":7111,"date":"2019-10-09T14:43:06","date_gmt":"2019-10-09T13:43:06","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7111"},"modified":"2020-03-17T13:30:17","modified_gmt":"2020-03-17T13:30:17","slug":"edith-stein-a-porta-para-o-misterio-da-vida-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-a-porta-para-o-misterio-da-vida-interior\/","title":{"rendered":"Edith Stein |  A porta para o mist\u00e9rio da vida interior"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">Como a ora\u00e7\u00e3o de Jesus, assim a ora\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o necessita de um clima de sil\u00eancio e de solid\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus \u00e9 uma das chaves fundamentais para compreender o mist\u00e9rio da vida interior do homem.<\/h5>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">A ora\u00e7\u00e3o, a vida orante ou contemplativa, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Quantos se dedicam \u00e0 vida de ora\u00e7\u00e3o tornam parte da vida \u00edntima que fortalece a ac\u00e7\u00e3o da Igreja. Quantos vivem escondidos com Cristo em Deus colaboram na obra da reden\u00e7\u00e3o iniciada por Cristo. Neste sentido, a ora\u00e7\u00e3o adquire um valor altamente apost\u00f3lico.<\/h5>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6743 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"273\" \/>\u00a0A ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus revela-nos o mist\u00e9rio da <em>vida interior<\/em>: a iman\u00eancia rec\u00edproca das pessoas divinas e a inabita\u00e7\u00e3o de Deus na alma. Nestas secretas profundidades se preparou e realizou oculta e silenciosamente a obra da reden\u00e7\u00e3o; e assim continuar\u00e1 at\u00e9 que no fim dos tempos cheguem todos \u00e0 perfeita unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No sil\u00eancio eterno da vida intradivina decidiu-se a obra da reden\u00e7\u00e3o. No oculto da silenciosa habita\u00e7\u00e3o de Nazar\u00e9 veio a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo sobre a Virgem que orava em soledade, e realizou a encarna\u00e7\u00e3o do Redentor. Reunida \u00e0 volta da Virgem, que orava em sil\u00eancio, esperou a Igreja nascente a nova infus\u00e3o do Esp\u00edrito, que a devia vivificar para uma maior clareza interior e para uma ac\u00e7\u00e3o exterior frutuosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saulo esperou, em ora\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria, na noite da cegueira que Deus impusera aos seus olhos, a resposta do Senhor \u00e0 sua pergunta: Que quereis que fa\u00e7a? (Act 9, 5). S. Pedro tamb\u00e9m se preparou na ora\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria para a miss\u00e3o entre os pag\u00e3os (Act 10). E assim continua a ser ao longo de todos os s\u00e9culos. Os acontecimentos vis\u00edveis da hist\u00f3ria da Igreja que renovam a face da terra prepararam-se no di\u00e1logo silencioso das almas consagradas a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Virgem, que guardava no seu cora\u00e7\u00e3o a palavra de Deus, \u00e9 o modelo daquelas almas atentas nas quais revive continuamente a ora\u00e7\u00e3o sacerdotal de Jesus. O Senhor escolheu com prefer\u00eancia as mulheres que, como ela, se esqueceram completamente de si mesmas para mergulhar na vida e na paix\u00e3o de Cristo, a fim de serem seus instrumentos na realiza\u00e7\u00e3o de grandes obras na Igreja: uma santa Br\u00edgida, uma Catarina de Sena; e quando Santa Teresa, a grande reformadora da sua Ordem no tempo da apostasia, quis ajudar a Igreja, viu o meio na renova\u00e7\u00e3o da verdadeira vida interior. (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem lhe deu a esta freira, que vivia para a ora\u00e7\u00e3o h\u00e1 dezenas de anos num convento, o desejo ardente de realizar algo pela causa da Igreja, e um olhar agudo para ver a mis\u00e9ria e as necessidades de seu tempo? Precisamente o facto de viver em ora\u00e7\u00e3o, de se ter deixado atrair pelo Senhor cada vez mais profundamente ao interior do seu \u201cCastelo interior\u201d. (&#8230;) A historiografia oficial n\u00e3o menciona estas for\u00e7as invis\u00edveis e imposs\u00edveis de medir. Mas a confian\u00e7a do povo crente e o ju\u00edzo da Igreja, que comprova e pondera com prud\u00eancia, conhecem-nas. E o nosso tempo v\u00ea-se obrigado, quando tudo o demais fracassa, a esperar a \u00faltima salva\u00e7\u00e3o destas correntes ocultas\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0Na vida oculta e silenciosa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA obra da reden\u00e7\u00e3o realiza-se na vida oculta e silenciosa. No di\u00e1logo silencioso do cora\u00e7\u00e3o com Deus preparam-se as pedras vivas com as quais vai crescendo o Reino de Deus e se forjam os instrumentos seletos que promovem a sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A corrente m\u00edstica que atravessa os s\u00e9culos n\u00e3o \u00e9 nenhum bra\u00e7o perdido que se separou da ora\u00e7\u00e3o da Igreja, mas \u00e9 a sua vida mais \u00edntima. Quando rompe com as formas tradicionais, f\u00e1-lo porque vive nela o Esp\u00edrito que sopra onde quer. O Esp\u00edrito que criou as formas tradicionais e tem de criar continuamente novas formas. Sem ele n\u00e3o haveria nem liturgia nem Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era a alma do salmista r\u00e9gio uma harpa cujas cordas soavam ao suave sopro do Esp\u00edrito Santo? Do cora\u00e7\u00e3o desbordante da Virgem Maria, cheia de gra\u00e7a, brotou o hino do \u201cMagnificat\u201d. O c\u00e2ntico prof\u00e9tico do \u201cBenedictus\u201d abriu os l\u00e1bios emudecidos do anci\u00e3o sacerdote Zacarias quando a palavra secreta do anjo se converteu em realidade vis\u00edvel. O que subiu do cora\u00e7\u00e3o cheio do Esp\u00edrito e encontrou express\u00e3o numa palavra e numa forma vai-se transmitindo de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, a corrente m\u00edstica forma o canto de louvor polif\u00f3nico e crescente \u00e0 Trindade, ao Criador, ao Redentor e ao Consumador. Portanto, n\u00e3o se pode contrapor a ora\u00e7\u00e3o interior, livre de todas as formas tradicionais, como piedade \u201csubjectiva\u201d, \u00e0 liturgia como ora\u00e7\u00e3o \u201cobjectiva\u201d da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a ora\u00e7\u00e3o aut\u00eantica \u00e9 ora\u00e7\u00e3o da Igreja, e \u00e9 a pr\u00f3pria Igreja que a\u00ed ora, porque \u00e9 o Esp\u00edrito Santo que vive nela e que, em cada alma, \u201cintercede por n\u00f3s com gemidos inef\u00e1veis\u201d (Rom 8, 26). Precisamente isto \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o \u201caut\u00eantica\u201d, pois \u201cningu\u00e9m pode dizer \u2018Senhor Jesus\u2019, sen\u00e3o no Esp\u00edrito Santo\u201d (1 Cor 12, 3). Que seria a ora\u00e7\u00e3o da Igreja, sen\u00e3o fosse a entrega dos grandes amantes a Deus, que \u00e9 Amor? A ilimitada entrega de amor a Deus e a doa\u00e7\u00e3o de Deus a n\u00f3s, a uni\u00e3o completa e duradoura, \u00e9 a suprema eleva\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar, o supremo grau de ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens que o alcan\u00e7aram s\u00e3o verdadeiramente o cora\u00e7\u00e3o da Igreja: neles vive o amor sacerdotal de Jesus. Escondidas com Cristo em Deus, n\u00e3o podem sen\u00e3o irradiar noutros cora\u00e7\u00f5es o amor divino de que est\u00e3o cheios, e assim colaborar em levar \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o a uni\u00e3o de todos em Deus, que foi e \u00e9 o grande desejo de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim compreendeu Maria Antonieta de Geuser a sua voca\u00e7\u00e3o. Teve que cumprir no meio do mundo esta suprema miss\u00e3o do crist\u00e3o; e o seu caminho \u00e9, sem d\u00favida, um exemplo reconfortante para muitos que hoje se sentem impulsionados a comprometer-se com a Igreja atrav\u00e9s de uma seriedade radical na sua vida espiritual e aos quais n\u00e3o se lhes concede seguir essa voca\u00e7\u00e3o no retiro de um convento. A alma que no mais alto grau de ora\u00e7\u00e3o entrou na \u201ctranquila actividade da vida divina\u201d, n\u00e3o pensa noutra coisa sen\u00e3o em entregar-se ao apostolado a que Deus a chamou\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(\u201cA ora\u00e7\u00e3o da Igreja\u201d)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><strong>*Santa Teresa Benedita da Cruz<em>, As mais belas p\u00e1ginas de Edite Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2003. pp 54-57.<\/strong><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/geralt-9301\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3409249\">Gerd Altmann<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3409249\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7112,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-7111","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7111"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7114,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7111\/revisions\/7114"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7112"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7111"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7111"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7111"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}