{"id":7069,"date":"2019-10-03T12:15:35","date_gmt":"2019-10-03T11:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7069"},"modified":"2019-10-03T12:21:19","modified_gmt":"2019-10-03T11:21:19","slug":"feriado-de-05-de-outubro-dupla-comemoracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/feriado-de-05-de-outubro-dupla-comemoracao\/","title":{"rendered":"FERIADO DE 05 DE OUTUBRO &#8211; DUPLA COMEMORA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Mons. Jo\u00e3o Gaspar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Membro da Academia Portuguesa de Hist\u00f3ria<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1143 &#8211; INDEPEND\u00caNCIA <\/strong><strong>DE PORTUGAL<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 05 de outubro de 1143 foi celebrado um tratado na cidade leonesa de Zamora, que constituiu o desfecho da confer\u00eancia de paz organizada pelo arcebispo de Braga D. Jo\u00e3o Peculiar e que teve como intervenientes D. Afonso Henriques e o seu primo D. Afonso VII, rei de Le\u00e3o e Castela, com a presen\u00e7a do delegado papal, o cardeal Guido de Vivo. Com a assinatura deste tratado foi reconhecida a realeza de D. Afonso Henriques e resultou o nascimento e a independ\u00eancia do Reino de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De facto, no tratado de Zamora ficou assente que Afonso VII de Castela e Le\u00e3o concordava com a promo\u00e7\u00e3o do Condado Portucalense em Reino e que D. Afonso Henriques usasse, com toda a propriedade, o t\u00edtulo de \u2018Rex Portucalensis\u2019 &#8211; Rei de Portugal, embora continuasse como vassalo do rei de Le\u00e3o e Castela, que se intitulava como imperador de toda a Hisp\u00e2nia. Por\u00e9m, caso \u00fanico entre todos os reis da Ib\u00e9ria, D. Afonso Henriques nunca prestou essa vassalagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 13 de dezembro do mesmo ano de 1143, o nosso rei, \u2018pela gra\u00e7a de Deus\u2019, enviou ao papa a carta Claves Regni C\u0153lorum, pela qual prestou vassalagem \u00e0 Santa S\u00e9; al\u00e9m disso, declarou-lhe que colocara o Reino sob a prote\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo S. Pedro. Tamb\u00e9m se comprometeu, por si e seus sucessores, a enviar anualmente \u00e0 Santa S\u00e9 a quantia de quatro on\u00e7as de ouro. Em consequ\u00eancia, em 1179, o papa Alexandre III, atrav\u00e9s da Bula Manifestis Probatum, declarou D. Afonso Henriques como Rex, ordenando que ele lhe prestasse vassalagem direta, e confirmou definitivamente a independ\u00eancia do Reino de Portugal. O rei de Portugal ficava livre de prestar vassalagem ao rei de Le\u00e3o e Castela, porque nenhum vassalo podia ter dois senhores diretos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1910 &#8211; IMPLANTA\u00c7\u00c3O <\/strong><strong>DA REP\u00daBLICA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passo a passo, com a degrada\u00e7\u00e3o sucessiva do governo da Monarquia Portuguesa, foi-se aproximando imparavelmente a revolu\u00e7\u00e3o republicana de 05 de outubro de 1910; n\u00e3o se travou uma batalha em que a vit\u00f3ria se decidisse entre duas fa\u00e7\u00f5es, mas deu-se o desfecho natural de um pleito j\u00e1 dirimido ou de um problema j\u00e1 solucionado. Distinguiu-se ent\u00e3o o dr. Ant\u00f3nio Maria de Azevedo Machado dos Santos, militar e pol\u00edtico, que ficou considerado como o fundador da Rep\u00fablica Portuguesa, pelo denodo com que se bateu na revolu\u00e7\u00e3o. Como anotou Ant\u00f3nio Vaz Pinto, \u00aba primeira Rep\u00fablica foi sobretudo resultado da decad\u00eancia pol\u00edtica dos \u00faltimos tempos da Monarquia e do indiferentismo das For\u00e7as Militares pseudo-mon\u00e1rquicas.\u00bb Tudo estava pronto para a mudan\u00e7a; naquela data, pouco foi necess\u00e1rio para que a multissecular Monarquia ru\u00edsse, quando a incipiente Rep\u00fablica chegasse. Foi a realiza\u00e7\u00e3o de uma aspira\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o um projeto governativo programado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nenhum ponto do Pa\u00eds a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica encontrou a m\u00ednima oposi\u00e7\u00e3o; segundo um dito da \u00e9poca, ela foi proclamada na Prov\u00edncia pelo tel\u00e9grafo. Por sua vez, o Rei e a Fam\u00edlia Real, n\u00e3o tendo ningu\u00e9m disposto a correr riscos, decidiram abandonar o Pa\u00eds e embarcar dissimuladamente na Ericeira para o ex\u00edlio. O poder foi assumido por um Governo Provis\u00f3rio, presidido pelo dr. Joaquim Te\u00f3filo Fernandes Braga, que asseguraria a governa\u00e7\u00e3o, enquanto a nova Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse elaborada, aprovada e publicada; como ministro da Justi\u00e7a foi designado o dr. Afonso Augusto da Costa, pol\u00edtico corajoso e destemido que, sem d\u00f3 nem piedade, iria criar as condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para um Estado laico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Aveiro, a Rep\u00fablica foi proclamada no dia 06 de outubro; de imediato, entrou muita gente nos pa\u00e7os do Concelho, sendo quebrada a coroa real por cima do bras\u00e3o da cidade, na fachada do edif\u00edcio, e i\u00e7ada a bandeira verde-rubra. No dia 09, foi constitu\u00edda a \u2018Comiss\u00e3o Municipal Administrativa\u2019, sendo eleito como presidente o dr. Andr\u00e9 Jo\u00e3o dos Reis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, esta \u00e9 a \u00fanica efem\u00e9ride que oficial e festivamente se comemora anualmente no dia 05 de outubro. Desde h\u00e1 muito que me pergunto a mim pr\u00f3prio por que motivo n\u00e3o se relembram as duas: \u2013 A independ\u00eancia de Portugal e a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Talvez isto fosse de pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mons. 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