{"id":7021,"date":"2019-09-29T18:28:49","date_gmt":"2019-09-29T17:28:49","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=7021"},"modified":"2019-09-29T18:37:04","modified_gmt":"2019-09-29T17:37:04","slug":"documentos-cada-familia-uma-historia-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/documentos-cada-familia-uma-historia-de-amor\/","title":{"rendered":"Documentos | Carta Pastoral &#8216;Cada fam\u00edlia, uma hist\u00f3ria de amor&#8217;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Aprender a amar algu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 algo que se improvisa, nem pode ser o objetivo dum breve curso antes da celebra\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio. \u00c9 preciso ajudar os jovens a descobrir o valor e a riqueza do matrim\u00f3nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, mais do que nunca, a prepara\u00e7\u00e3o dos jovens para o matrim\u00f3nio e para a vida familiar \u00e9 necess\u00e1ria. Neste sentido, urge abrir caminhos para que os noivos n\u00e3o considerem o matrim\u00f3nio como o fim do caminho, mas o assumam como uma voca\u00e7\u00e3o que os lan\u00e7a para diante, com a decis\u00e3o firme e realista de atravessarem juntos todas as prova\u00e7\u00f5es e momentos dif\u00edceis, construindo um caminho de amor (cf.\u00a0<em>CV<\/em>\u00a0183).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O matrim\u00f3nio tende a ser visto como mera forma de gratifica\u00e7\u00e3o afetiva, que se pode constituir de qualquer maneira e modificar-se de acordo com a sensibilidade de cada um. Todavia, a Igreja continua a propor o matrim\u00f3nio nos seus elementos essenciais \u2013 prole, bem dos c\u00f4njuges, unidade, indissolubilidade, sacramentalidade \u2013 n\u00e3o como um ideal para poucos, mas como uma realidade que, na gra\u00e7a de Cristo, pode ser vivida por todos os fi\u00e9is batizados. \u00ab\u00c9 preciso encorajar os jovens batizados para n\u00e3o hesitarem perante a riqueza que o sacramento do matrim\u00f3nio oferece aos seus projetos de amor, com a for\u00e7a do apoio que recebem da gra\u00e7a de Cristo e da possibilidade de participar plenamente na vida da Igreja\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a0307).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A evangeliza\u00e7\u00e3o e a catequese de todos os que se preparam para o matrim\u00f3nio crist\u00e3o \u00e9 fundamental, para que o mesmo seja vivido de forma integral. S\u00e3o necess\u00e1rios caminhos pastorais que nos levem a construir fam\u00edlias felizes e fecundas segundo o plano de Deus, a recuperar a identidade crist\u00e3 do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><strong>O Matrim\u00f3nio, um projeto a dois<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">O matrim\u00f3nio \u00e9 um bem que tem a sua origem no Deus Criador:\u00a0<em>Homem e mulher Ele os criou<\/em>\u00a0(<em>Gn<\/em>\u00a01, 27). Segundo a B\u00edblia, o homem criado \u00e0 imagem de Deus \u00e9 homem e mulher: dois indiv\u00edduos chamados \u00e0 unidade que exprime e anuncia a voca\u00e7\u00e3o de unidade e harmonia do pr\u00f3prio cosmos. Esta unidade \u00e9 uma comunh\u00e3o, onde cada um, mantendo a sua individualidade, a reconhece continuamente na rela\u00e7\u00e3o com o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No par humano, o ser humano afirma-se como relacional, isto \u00e9, algu\u00e9m que se descobre e constr\u00f3i na rela\u00e7\u00e3o com o outro. \u00abN\u00e3o lestes que o Criador, desde o princ\u00edpio, os fez macho e f\u00eamea? E disse: Por isso, o homem deixar\u00e1 o pai e a m\u00e3e, unir-se-\u00e1 \u00e0 sua mulher, e ser\u00e3o os dois uma s\u00f3 carne?\u00bb (<em>Mt\u00a0<\/em>19, 4-5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem e a mulher s\u00e3o, pois, chamados, desde a sua origem, a viver na comunh\u00e3o de vida e de amor. O que efetivamente liga o ser humano \u00e9 a densidade do amor \u2013 amor que assume matizes diferentes, segundo o estado de vida a que cada um foi chamado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O matrim\u00f3nio \u00e9 uma quest\u00e3o de amor: s\u00f3 se podem casar aqueles que se escolhem livremente e se amam. O amor, mais que um sentimento, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o. L\u00ea-se no C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos \u00abO meu amado \u00e9 para mim e eu para ele (\u2026). Eu sou para o meu amado e o meu amado \u00e9 para mim\u00bb (2, 16; 6, 3). Daqui sobressai o v\u00ednculo e a reciprocidade que se constr\u00f3i na rela\u00e7\u00e3o a dois. Comunidade natural, a uni\u00e3o do homem e da mulher encontra na Palavra de Deus a luz que a guia pelos caminhos do amor. N\u00e3o h\u00e1 receitas, at\u00e9 porque cada casal vive a sua realidade, mas a\u00a0<em>vida de comunh\u00e3o<\/em>\u00a0torna-se um\u00a0<em>sinal<\/em>\u00a0para o mundo e uma\u00a0<em>for\u00e7a<\/em>\u00a0de atra\u00e7\u00e3o que leva a ser fonte de vida nova. A doa\u00e7\u00e3o rec\u00edproca envolve cada vez mais o interc\u00e2mbio de dons espirituais e apoio moral, para um crescimento no amor e na responsabilidade.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"2\">\n<li><strong>O Matrim\u00f3nio Crist\u00e3o: uma voca\u00e7\u00e3o e um sacramento<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida de cada pessoa s\u00f3 faz sentido se entendida como voca\u00e7\u00e3o. A voca\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio est\u00e1 inscrita na pr\u00f3pria natureza do homem e da mulher conforme sairam da m\u00e3o do Criador. A uni\u00e3o homem-mulher \u00e9 desejada por Deus, \u00e9 conforme \u00e0 sua vontade. Deus, que criou o homem por amor, tamb\u00e9m o chamou para o amor, voca\u00e7\u00e3o fundamental e inata de todo o ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O matrim\u00f3nio \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o, sendo uma resposta ao chamamento espec\u00edfico para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decis\u00e3o de se casar e formar uma fam\u00edlia deve ser fruto dum discernimento vocacional. \u00c9 uma aut\u00eantica voca\u00e7\u00e3o divina e um caminho para a santidade. Os esposos crist\u00e3os encontram na vida matrimonial e familiar a mat\u00e9ria da sua santifica\u00e7\u00e3o pessoal. \u00abO bem-estar da pessoa e da sociedade humana est\u00e1 estreitamente ligado com uma favor\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o da comunidade conjugal e familiar\u00bb (<em>GS\u00a0<\/em>47;\u00a0<em>CCE<\/em>\u00a01603). Tal voca\u00e7\u00e3o, para ser amadurecida, requer uma prepara\u00e7\u00e3o adequada e especial, e \u00e9 um caminho espec\u00edfico de f\u00e9 e de amor, tanto mais que esta voca\u00e7\u00e3o \u00e9 dada ao casal para o bem da Igreja e da sociedade.\u00a0 Deve ficar claro que n\u00e3o h\u00e1 apenas a voca\u00e7\u00e3o para a vida religiosa; h\u00e1 uma voca\u00e7\u00e3o para cada batizado e o matrim\u00f3nio \u00e9 uma delas.\u00a0\u00c9 importante que os esposos adquiram o sentido claro da dignidade da sua voca\u00e7\u00e3o, que saibam que foram chamados por Deus a chegar ao amor divino tamb\u00e9m atrav\u00e9s do amor humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O casamento n\u00e3o \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o simplesmente humana, apesar das in\u00fameras varia\u00e7\u00f5es que sofreu ao longo dos s\u00e9culos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A institui\u00e7\u00e3o do matrim\u00f3nio foi oficialmente reconhecida como um dos Sacramentos da Igreja no IV Conc\u00edlio de Latr\u00e3o (1215). \u00abDo princ\u00edpio ao fim, a Escritura fala do matrim\u00f3nio e do seu \u201cmist\u00e9rio\u201d, da sua institui\u00e7\u00e3o e do sentido que Deus lhe deu, da sua origem e da sua finalidade, das suas diversas realiza\u00e7\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, das suas dificuldades nascidas do pecado e da sua renova\u00e7\u00e3o \u201cno Senhor\u201d, na nova Alian\u00e7a de Cristo e da Igreja\u00bb (<em>CCE\u00a0<\/em>1602).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O matrim\u00f3nio \u00e9 uma realidade natural (o amor de um casal) elevada a sacramento. \u00a0O matrim\u00f3nio realiza-se quando os esposos expressam o seu m\u00fatuo consentimento; consentimento que n\u00e3o \u00e9 apenas um mero contrato, mas uma alian\u00e7a, pois reflete as rela\u00e7\u00f5es de Cristo com a Sua Igreja que, em si mesmas, s\u00e3o uma alian\u00e7a. \u00c9 considerado como sacramento porque \u00e9 a imagem da uni\u00e3o de Cristo com a sua Igreja. \u00abO pacto matrimonial, entre os batizados, pelo qual o homem e a mulher constituem entre si a comunh\u00e3o \u00edntima de toda a vida, ordenado por sua \u00edndole natural ao bem dos c\u00f4njuges e \u00e0 procria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o da prole, foi elevado por Cristo, como Senhor, \u00e0 dignidade de sacramento\u00bb (CCE 1601). Esta total rela\u00e7\u00e3o vincula a doa\u00e7\u00e3o de um esposo ao outro com a finalidade de cada um dar ao outro algo de bom. Esta forma de doa\u00e7\u00e3o requer que os esposos sejam totalmente um do outro, numa fidelidade que se fundamenta numa certa forma de amor chamada\u00a0<em>caridade conjugal<\/em>. \u00abSinal da uni\u00e3o de Cristo e da Igreja. Confere aos esposos a gra\u00e7a de se amarem com o amor com que Cristo amou a sua Igreja; a gra\u00e7a do sacramento aperfei\u00e7oa assim o amor humano dos esposos, d\u00e1 firmeza \u00e0 sua unidade indissol\u00favel e santifica-os no caminho da vida eterna\u00bb (<em>CCE<\/em>\u00a01661).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A uni\u00e3o conjugal, sendo por natureza da ordem da comunh\u00e3o de amor, tornou-se, em Cristo, sinal sacramental da gra\u00e7a eclesial. N\u00e3o \u00e9 um mero compromisso social; \u00e9 compromisso assumido diante de Deus e da comunidade. A Igreja reconhece o facto de que muitos nubentes, fruto de uma sociedade secular e materialista, se apresentam na celebra\u00e7\u00e3o sem acreditarem na sua verdadeira sacramentalidade. Mas, na realidade, o sacramento n\u00e3o \u00e9 apenas um momento que depois passa a fazer parte do passado e das recorda\u00e7\u00f5es. Quando um homem e uma mulher celebram o sacramento do matrim\u00f3nio, Deus, por assim dizer, reflete-se neles: imprime neles os pr\u00f3prios tra\u00e7os e o car\u00e1ter indel\u00e9vel do seu amor. \u00abEsta gra\u00e7a pr\u00f3pria do sacramento do matrim\u00f3nio est\u00e1 destinada a aperfei\u00e7oar o amor dos c\u00f4njuges e a fortalecer a unidade indissol\u00favel. Por meio desta gra\u00e7a, eles auxiliam-se mutuamente para a santidade, pela vida conjugal e pela procria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos\u201d (<em>CCE<\/em>\u00a01641).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o matrimonial \u00e9 o fulcro da estrutura familiar, isto \u00e9, a fam\u00edlia \u00e9 fruto e express\u00e3o do matrim\u00f3nio. O \u201csim\u201d pessoal e rec\u00edproco do homem e da mulher abre o espa\u00e7o para o futuro, para a aut\u00eantica humanidade de cada um, e ao mesmo tempo est\u00e1 destinado \u00e0 doa\u00e7\u00e3o de uma nova vida. Dirigindo-se aos jovens, afirma o Papa Francisco: \u00abH\u00e1 uma beleza extraordin\u00e1ria na comunh\u00e3o da fam\u00edlia \u00e0 volta da mesa e no p\u00e3o partilhado com generosidade, mesmo que a mesa seja muito pobre. H\u00e1 formosura na esposa despenteada e envelhecida, que continua a cuidar do seu esposo doente, sem olhar \u00e0s suas for\u00e7as e \u00e0 sua pr\u00f3pria sa\u00fade. Mesmo tendo passado a primavera do noivado, h\u00e1 formosura na fidelidade dos casais que se amam no outono da vida, nesses velhinhos que caminham de m\u00e3o dada (CV 183).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida em casal \u00e9 uma participa\u00e7\u00e3o na obra fecunda de Deus, e cada um \u00e9 para o outro uma permanente provoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Os dois s\u00e3o entre si reflexos do amor divino, que conforta com a palavra, o olhar, a ajuda, a car\u00edcia, o abra\u00e7o\u2026 Os casais crist\u00e3os s\u00e3o chamados a viver segundo a sua voca\u00e7\u00e3o de imagens de Deus, que \u00e9 um chamamento e um compromisso para toda a vida, atrav\u00e9s da viv\u00eancia do amor m\u00fatuo, da partilha e da comunh\u00e3o entre si, com os irm\u00e3os e com Deus.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"3\">\n<li><strong>Encontrar sentido para a crise matrimonial<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala da crise matrimonial, da fam\u00edlia, entende-se que a fam\u00edlia \u00e9 constantemente tentada a n\u00e3o ser aquilo que \u00e9. N\u00e3o se vive juntos para ser cada vez menos feliz, mas para aprender a ser feliz de maneira nova, a partir das possibilidades que abre uma nova etapa. Amar uma pessoa \u00e9 esperar dela algo indefin\u00edvel e imprevis\u00edvel; e \u00e9, ao mesmo tempo, proporcionar-lhe de alguma forma os meios para corresponder e satisfazer tal expectativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por natureza, o matrim\u00f3nio est\u00e1 ordenado para o bem dos esposos, procria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos filhos, mas, por vezes, estes la\u00e7os enfraquecem ou quebram-se. Entre os pressupostos que enfraquecem e n\u00e3o dignificam a fam\u00edlia tal como Deus a projetou, olhando a realidade circundante, constatamos um aumento de separa\u00e7\u00f5es\/div\u00f3rcios, e cujos c\u00f4njuges contraem nova uni\u00e3o, uni\u00f5es de facto, cat\u00f3licos unidos apenas em casamento civil \u2013 modelos de fam\u00edlias com que nos deparamos e que nos devem levar a pensar e repensar a realidade e formas de atuar, nomeadamente quando h\u00e1 v\u00ednculos que ainda os ligam \u00e0 suposta alegria de ser fam\u00edlia em Igreja: pedido dos sacramentos, envio dos filhos \u00e0 catequese\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 crises e dificuldades na vida matrimonial, mas isso n\u00e3o deve ser motivo de tristeza. \u00abCada crise esconde uma boa not\u00edcia, que \u00e9 preciso saber escutar, afinando os ouvidos do cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a0232). Diz o Papa Francisco, na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica\u00a0<em>Amoris Laetitia<\/em>, \u00abCada matrim\u00f3nio \u00e9 uma \u00abhist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o\u00bb, o que sup\u00f5e partir duma fragilidade que, gra\u00e7as ao dom de Deus e a uma resposta criativa e generosa, pouco a pouco vai dando lugar a uma realidade cada vez mais s\u00f3lida e preciosa. Talvez a maior miss\u00e3o dum homem e duma mulher no amor seja esta: a de se tornarem, um ao outro, mais homem e mais mulher\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a0221).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso olhar para a fam\u00edlia com o mesmo olhar de Cristo, aquele olhar para os noivos na boda de Can\u00e1, para a Samaritana, para a mulher ad\u00faltera ou para Nicodemos \u2013 um olhar novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento publicado na nossa Diocese de Aveiro \u00abAcompanhar, Discernir e Integrar\u00bb, de 26-11-2017, deve ser dado a conhecer a todos os casais que vivem a fragilidade do seu casamento e desejam encontrar o seu lugar na vida da comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\" start=\"4\">\n<li><strong>Perspetivas e desafios ao encontro da realidade matrimonial<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos vindo a assistir a uma nova gera\u00e7\u00e3o em que os v\u00ednculos familiares n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3lidos; vive-se imersos em tens\u00f5es; diminuiu o tempo de contacto dos pais com os filhos; aus\u00eancia de envolvimento dos pais na educa\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o da f\u00e9; estruturas familiares de conviv\u00eancia cada vez mais inst\u00e1veis\u2026 perde-se o sentido profundo do amor esponsal e da fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A complexa realidade social e os desafios que a fam\u00edlia \u00e9 chamada a enfrentar atualmente exigem um empenhamento maior de toda a comunidade crist\u00e3 na prepara\u00e7\u00e3o dos noivos e na vida em casal. Mas \u00abaqueles que se casam s\u00e3o, para as comunidades crist\u00e3s, um recurso precioso, porque, esfor\u00e7ando-se sinceramente por crescer no amor e no dom rec\u00edproco, podem contribuir para renovar o pr\u00f3prio tecido de todo o corpo eclesial: a forma particular de amizade que vivem pode tornar-se contagiosa, fazendo crescer na amizade e na fraternidade a comunidade crist\u00e3 de que fazem parte\u00bb (<em>AL<\/em>\u00a0207).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fundamental procurar que os noivos descubram a import\u00e2ncia duma s\u00e9ria prepara\u00e7\u00e3o para o casamento. A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio \u00e9 mais do que a prepara\u00e7\u00e3o do dia do matrim\u00f3nio, \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para a vida de casados. A este prop\u00f3sito, afirma o Papa francisco: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio prepara-se para o matrim\u00f3nio, e isso requer educar-se a si mesmo, desenvolver as melhores virtudes, sobretudo o amor, a paci\u00eancia, a capacidade de di\u00e1logo e de servi\u00e7o\u00bb (<em>CV<\/em>\u00a0265). Este per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o tem de come\u00e7ar a assumir tra\u00e7os de um verdadeiro itiner\u00e1rio de identifica\u00e7\u00e3o, de redescoberta da f\u00e9 e de inser\u00e7\u00e3o na comunidade eclesial. A forma\u00e7\u00e3o dever\u00e1 conseguir uma mentalidade e uma personalidade capazes de n\u00e3o se deixar arrastar pelas conce\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 unidade e \u00e0 estabilidade do matrim\u00f3nio. Um desafio \u00e9 ajudar a descobrir que o matrim\u00f3nio n\u00e3o se pode entender como algo acabado. O casamento n\u00e3o acontece no dia da cerim\u00f3nia, necessita ser constru\u00eddo diariamente por ambos. Esta prepara\u00e7\u00e3o em tr\u00eas etapas: remota, pr\u00f3xima e imediata, dever\u00e1 levar a descobrir as potencialidades e exig\u00eancias de crescimento humano e crist\u00e3o da sua exist\u00eancia e garantir que os noivos crist\u00e3os tenham ideias exatas, e um sincero \u00absentire cum ecclesia\u00bb, sobre o pr\u00f3prio matrim\u00f3nio, sobre os pap\u00e9is m\u00fatuos da mulher e do homem no casal, na fam\u00edlia e na sociedade, sobre a sexualidade e a abertura aos outros. A publica\u00e7\u00e3o, pela Diocese, do documento\u00a0<em>Catecumenado Matrimonial<\/em>, deve ser um texto de estudo na pastoral familiar diocesana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem que se tornar efetivo um acompanhamento que se traduza em percursos remotos e diferenciados de prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, o acompanhamento dos casais novos e o acompanhamento das fam\u00edlias feridas (separados, divorciados n\u00e3o recasados, divorciados recasados, fam\u00edlias monoparentais). O discernimento deve ajudar a encontrar os caminhos poss\u00edveis de resposta a Deus e de crescimento no meio dos limites. \u00c9 preciso enfrentar todas as situa\u00e7\u00f5es de forma construtiva, procurando transform\u00e1-las em oportunidades de caminho para a plenitude do matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia \u00e0 luz do Evangelho. Trata-se de acolh\u00ea-las e acompanh\u00e1-las com miseric\u00f3rdia, paci\u00eancia e delicadeza \u2013 estar atentos ao modo em que as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condi\u00e7\u00e3o. \u00abNa abordagem pastoral das pessoas que contra\u00edram matrim\u00f3nio civil, que s\u00e3o divorciadas novamente casadas, ou que simplesmente convivem, compete \u00e0 Igreja revelar-lhes a pedagogia divina da gra\u00e7a nas suas vidas e ajud\u00e1-las a alcan\u00e7ar a plenitude do des\u00edgnio que Deus tem para elas\u00bb (<em>AL\u00a0<\/em>297). Ajudar cada um a encontrar a sua pr\u00f3pria maneira de participar na comunidade eclesial. A sua participa\u00e7\u00e3o pode exprimir-se em diferentes servi\u00e7os eclesiais, sendo necess\u00e1rio discernir quais as diferentes formas de inclus\u00e3o e nunca de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A caridade fraterna n\u00e3o pode ser esquecida. \u00abAcima de tudo, mantende entre v\u00f3s uma intensa caridade, porque o amor cobre a multid\u00e3o de pecados\u00bb (<em>1Ped\u00a0<\/em>4,8); \u00abredime o teu pecado pela justi\u00e7a; e as tuas iniquidades, pela piedade para com os infelizes\u00bb (<em>Dn\u00a0<\/em>4,24). Esta \u00e9 a l\u00f3gica que deve prevalecer na Igreja, para fazer a experi\u00eancia de abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0queles que vivem nas mais variadas periferias existenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto implica construir comunidades paroquiais vivas, capazes de acolher os novos esposos e ajudar a inseri-los nas comunidades, oferecendo-lhes espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o e de reflex\u00e3o; organizar equipas de apoio para desencadear um processo pedag\u00f3gico de aproxima\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o dos novos casais com a comunidade eclesial, auxiliando-os nos momentos dif\u00edceis e nas dificuldades dos primeiros anos da vida matrimonial\u2026 ajudar todos os casais a serem Igreja na sua conjugalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estilo de vida crist\u00e3 encontra o seu est\u00edmulo, apoio e consist\u00eancia no exemplo dos pais, que se torna para os nubentes um verdadeiro testemunho. Para iluminar este caminho, seria bom animar as fam\u00edlias a crescerem na f\u00e9, estimul\u00e1-las para a leitura da Palavra de Deus, convid\u00e1-las a criar espa\u00e7os semanais de ora\u00e7\u00e3o familiar, porque \u00aba fam\u00edlia que reza unida permanece unida\u00bb; estimul\u00e1-las a participar na Eucaristia, que \u00e9 for\u00e7a e est\u00edmulo para viver cada dia a alian\u00e7a matrimonial como \u00abigreja dom\u00e9stica; encoraj\u00e1-las a vencer a rotina com a festa, a n\u00e3o perder a capacidade de celebrar em fam\u00edlia, a alegrar-se e festejar as experi\u00eancias belas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 verdade que, em alguns ambientes, se produziu uma\u00a0<em>desertifica\u00e7\u00e3o espiritual<\/em>, fruto do projeto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as ra\u00edzes crist\u00e3s. E a pr\u00f3pria fam\u00edlia pode ser tamb\u00e9m ambiente \u00e1rido, onde h\u00e1 que conservar a f\u00e9 e procurar irradi\u00e1-la. Mas os desafios existem para ser superados. H\u00e1 que seguir em frente, sem perder a alegria, a aud\u00e1cia e a dedica\u00e7\u00e3o cheia de esperan\u00e7a.\u00a0<em>\u00abE \u00e9 isto o que eu pe\u00e7o, que o vosso amor cres\u00e7a cada vez mais em conhecimento e sensibilidade, a fim de poderdes discernir o que mais conv\u00e9m\u00bb<\/em>\u00a0(<em>Fl<\/em>\u00a01,9-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prepara\u00e7\u00e3o para o matrim\u00f3nio, para a vida conjugal e familiar, poder\u00e1 ser a resposta para muitos problemas sociais e eclesiais. O que parece humanamente imposs\u00edvel, torna-se poss\u00edvel com a for\u00e7a de Deus. A todos convido a vivermos e testemunharmos melhor aquilo que nos compete ser e testemunhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprender a amar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7022,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,47,12],"tags":[],"class_list":["post-7021","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-d-antonio-manuel-moiteiro-ramos","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7021","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7021"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7021\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7029,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7021\/revisions\/7029"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7022"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7021"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7021"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7021"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}