{"id":6927,"date":"2019-09-10T12:49:40","date_gmt":"2019-09-10T11:49:40","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6927"},"modified":"2020-03-17T13:30:37","modified_gmt":"2020-03-17T13:30:37","slug":"edith-stein-viver-nas-maos-de-deus-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-viver-nas-maos-de-deus-ii\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Viver nas m\u00e3os de Deus II"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">O primeiro fruto do abandono \u00e9 ir descobrindo que os nossos passos s\u00e3o guiados pela m\u00e3o de Deus, experimentando em n\u00f3s a presen\u00e7a aqui e agora do Reino. Come\u00e7a-se a saborear a vida eterna.<\/h5>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">Viver nas m\u00e3os de Deus, viver abandonados totalmente n\u2019Ele, \u00e9 viver como seus verdadeiros filhos abertos \u00e0 sua vontade. Esta entrega, que se confunde com o \u201ccaminho da inf\u00e2ncia espiritual\u201d de Santa Teresa de Lisieux, realiza-se no dia-a-dia, nas pequenas coisas de cada dia. Esta viv\u00eancia espiritual constitui-se como o fundamento da alegria e da liberdade do crist\u00e3o.<\/h5>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6740 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein_3.jpg\" alt=\"\" width=\"190\" height=\"245\" \/>III. As trevas cobriam a terra<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abAs trevas cobriam a terra, e Ele veio como luz que brilha nas trevas, mas as trevas n\u00e3o O receberam. \u00c0queles que O receberam trouxe luz e paz: a paz com o Pai celeste, a paz com todos os que, como Ele, s\u00e3o filhos da luz e do Pai que est\u00e1 no c\u00e9u, e a paz profunda dos cora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o a paz com os filhos das trevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pr\u00edncipe da paz n\u00e3o lhes traz a eles a paz, mas a espada. Para eles \u00e9 pedra de esc\u00e2ndalo, contra a qual chocam e se despeda\u00e7am. Esta \u00e9 uma verdade dura e s\u00e9ria que n\u00e3o devemos encobrir com o canto po\u00e9tico do Menino de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e o mist\u00e9rio do mal permanecem estreitamente unidos. A Luz que desceu do c\u00e9u contrasta com a noite do pecado t\u00e3o escura e t\u00e3o negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Menino do pres\u00e9pio estende os seus bracinhos, e o seu sorriso parece dizer o que mais tarde pronunciar\u00e3o os l\u00e1bios do homem: Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei. E sobre os que escutam o seu chamamento \u00e9 derramado o orvalho da gra\u00e7a pelas m\u00e3os do Menino e \u201csentiram uma grande alegria\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estas m\u00e3os d\u00e3o e pedem ao mesmo tempo: v\u00f3s, \u00f3 reis, entregai as vossas coroas e os vossos tesouros, e inclinai-vos com humildade diante do Rei dos Reis; carregai sem demora as canseiras, as penas, e os sofrimentos que o seu servi\u00e7o exige. A v\u00f3s, crian\u00e7as, que ainda n\u00e3o podeis dar nada voluntariamente, as m\u00e3os dos carrascos arrancam a terna vida, antes ainda de ter come\u00e7ado verdadeiramente: n\u00e3o podia ser entregue de modo melhor do que em sacrif\u00edcio pelo Senhor da vida. \u201cSegue-me\u201d, assim dizem as m\u00e3os do Menino, assim dir\u00e3o mais tarde os l\u00e1bios do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim falaram ao disc\u00edpulo que o Senhor amava e que agora tamb\u00e9m faz parte do s\u00e9quito do Pres\u00e9pio. E S. Jo\u00e3o, o jovem de cora\u00e7\u00e3o puro, seguiu-O sem perguntar para aonde nem para qu\u00ea. Abandonou a barca de seu pai e seguiu o Senhor em todos os seus caminhos at\u00e9 ao cimo do G\u00f3lgota. \u201cSegue-me\u201d, isto mesmo fez o jovem Estev\u00e3o seguiu o Senhor na luta contra o poder das trevas, contra a cegueira da obstinada incredulidade, deu testemunho d\u2019Ele com a sua palavra e com o seu sangue, seguiu-O tamb\u00e9m no esp\u00edrito, esp\u00edrito de Amor que luta contra o pecado, mas ama o pecador e que, mesmo diante da morte, intercede junto de Deus pelos seus assassinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o imagens da luz os que se ajoelham junto do pres\u00e9pio: os ternos meninos inocentes, os confiados pastores, os humildes reis, S. Estev\u00e3o, o disc\u00edpulo entusiasta, e Jo\u00e3o, o ap\u00f3stolo predilecto. Todos eles seguiram o chamamento do Senhor. Diante deles se levanta a noite da incompreens\u00edvel dureza do cora\u00e7\u00e3o, e da cegueira: os escribas, que podiam assinalar o momento e o lugar onde o Salvador deveria nascer, mas que foram incapazes de deduzir da\u00ed o vamos a Bel\u00e9m; o rei Herodes, que quis tirar a vida ao Senhor da Vida. Diante do Menino no pres\u00e9pio dividem-se os cora\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 o Rei dos Reis e o Senhor da vida e da morte. Pronuncia o seu \u201cSegue-me\u201d, e quem n\u00e3o \u00e9 por Ele \u00e9 contra Ele. Pronuncia-o tamb\u00e9m para n\u00f3s, e obriga-nos a decidir entre a Luz e as trevas. (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o sabemos onde nos conduz o Menino Deus nesta terra e n\u00e3o devemos pergunt\u00e1-lo antes do tempo. Apenas sabemos que tudo concorre para o bem daqueles a quem Deus ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, al\u00e9m disso, que os caminhos pelos quais o Salvador nos guia ultrapassam os limites da terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00d3 admir\u00e1vel com\u00e9rcio! O Criador do g\u00e9nero humano ao assumir corpo e alma, deu-nos a sua Divindade. O Redentor veio ao mundo para realizar esta admir\u00e1vel troca. Deus fez-se Filho do Homem, para que todos os homens chegassem a ser filhos de Deus. Este \u00e9 o princ\u00edpio da vida eterna em n\u00f3s\u00bb. (\u201cO mist\u00e9rio do Natal\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IV. Se Me amais&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abSe Me amais, guardareis os Meus mandamentos\u00bb (Jo 14,15). Ser filho de Deus significa deixar-se guiar pela m\u00e3o de Deus, fazer a sua vontade e n\u00e3o a pr\u00f3pria, p\u00f4r todas as nossas preocupa\u00e7\u00f5es e esperan\u00e7as nas suas m\u00e3os, n\u00e3o nos preocuparmos mais connosco e com o nosso pr\u00f3prio futuro. Nisto fundamentam&#8211;se a liberdade e a alegria dos filhos de Deus. Qu\u00e3o poucos, mesmo entre os homens de aut\u00eantica piedade, e tamb\u00e9m entre aqueles que sabem sacrificar-se heroicamente, possuem este precioso dom! Muitos vivem sempre como que oprimidos pelo peso das suas preocupa\u00e7\u00f5es e deveres. Todos conhecemos a par\u00e1bola das aves do c\u00e9u e dos l\u00edrios do campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, quando se encontra um homem que n\u00e3o tem fortuna, nem pens\u00e3o, nem seguro, e que vive sem se preocupar com o seu futuro, ent\u00e3o meneia-se a cabe\u00e7a como se tratasse de algo de anormal. Engana-se certamente quem pensar que o Pai do C\u00e9u se preocupar\u00e1 continuamente do sal\u00e1rio e do n\u00edvel de vida que o homem considera id\u00f3neo, quem assim o pensar fez um c\u00e1lculo muito errado. Tais condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o se inscrevem num contrato com o C\u00e9u. A confian\u00e7a em Deus ser\u00e1 inquebrant\u00e1vel apenas se se est\u00e1 disposto a aceitar tudo o que venha da m\u00e3o do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 Ele sabe o que nos conv\u00e9m. E se forem mais convenientes a necessidade e a priva\u00e7\u00e3o do que uma renda abastada e segura, ou o fracasso e a humilha\u00e7\u00e3o serem melhores do que a honra e a fama, ent\u00e3o devemos estar prontos para aceitar tamb\u00e9m isso. S\u00f3 assim se pode viver tranquilo no presente e no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8216;Fa\u00e7a-se a tua vontade&#8217; deve ser em toda a sua dimens\u00e3o a norma de uma vida crist\u00e3. Deve regular o curso do dia, da manh\u00e3 \u00e0 noite, durante todo o ano e durante toda a vida. Esta ser\u00e1 ent\u00e3o a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o. Todas as outras entregou-as ao Senhor, e Ele tomou-as sobre si. Aquela, por\u00e9m, pertence-nos a n\u00f3s, enquanto estivermos em statu viae.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Objectivamente falando nunca poderemos estar seguros de permanecer sempre nos caminhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como os primeiros homens ca\u00edram da filia\u00e7\u00e3o divina na dist\u00e2ncia de Deus, do mesmo modo cada um de n\u00f3s est\u00e1 sempre sob o fio da navalha entre o nada e a plenitude da vida divina. E, tarde ou cedo, experimentamo-lo subjectivamente. Na inf\u00e2ncia da vida espiritual, quando come\u00e7amos a abandonar-nos na m\u00e3o de Deus, sentimos a sua m\u00e3o a guiar-nos com for\u00e7a e firmeza, aparece-nos claro como o sol aquilo que devemos fazer ou omitir. Mas isto n\u00e3o dura sempre. Quem pertence a Cristo deve viver toda a vida de Cristo. Deve alcan\u00e7ar a maturidade de Cristo, e percorrer o caminho da Cruz at\u00e9 ao Gets\u00e9mani e ao G\u00f3lgota. E todos os sofrimentos que lhe podem advir do exterior nada s\u00e3o comparados com a noite escura da alma, quando a luz divina j\u00e1 n\u00e3o brilha e a voz do Senhor n\u00e3o mais se ouve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus est\u00e1 ali, mas escondido e calado. Porqu\u00ea? S\u00e3o mist\u00e9rios de Deus, mas que nunca se deixam penetrar at\u00e9 ao fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus fez-se homem para nos fazer participar na sua vida de modo novo. Compreendemos isto como participa\u00e7\u00e3o na vida divina. Esse \u00e9 o come\u00e7o e a meta final.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">* Santa Teresa Benedita da Cruz, As mais belas p\u00e1ginas de Edite Stein. Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2003. pp 41-45.<\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Myriams-Fotos-1627417\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1926414\">Myriam Zilles<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1926414\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6928,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-6927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6927"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6927\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8658,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6927\/revisions\/8658"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6928"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}