{"id":6913,"date":"2019-09-04T22:30:24","date_gmt":"2019-09-04T21:30:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6913"},"modified":"2019-09-04T22:30:24","modified_gmt":"2019-09-04T21:30:24","slug":"dom-jose-tolentino-mendonca-louvor-e-congratulacao-jubilosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/dom-jose-tolentino-mendonca-louvor-e-congratulacao-jubilosa\/","title":{"rendered":"Dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a: Louvor e congratula\u00e7\u00e3o jubilosa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Artigo e foto recolhidos do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/dom_jose_tolentino_mendonca_louvor_e_congratulacao_jubilosa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SNPC<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escolha de Dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a para a dignidade e a responsabilidade cardinal\u00edcias \u00e9 motivo de j\u00fabilo para todos os homens de boa f\u00e9 e de boa vontade. \u00c9 raz\u00e3o de orgulho, de est\u00edmulo e de exig\u00eancia espirituais para todos os crist\u00e3os. Ganha relevante significado c\u00edvico para todos os seus compatriotas. \u00c9 fonte de congratula\u00e7\u00e3o e de incentivante respeito para todos os criadores e interlocutores de Cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quantos partilham a vida da Pastoral da Cultura e, em particular, os que trabalham no Secretariado Nacional que por ela responde no \u00e2mbito da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa, sentem-se movidos a todas essas formas de rece\u00e7\u00e3o da boa nova, que vem fortalecer a rela\u00e7\u00e3o que cedo reconheceram e sempre continuaram a cultivar com a figura inspiradora do seu antigo Diretor e com a exemplaridade da sua po\u00e9tica da Espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, queremos que a nossa congratula\u00e7\u00e3o com a nomea\u00e7\u00e3o papal de Dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a para Cardeal corresponda ao valor projetivo da maneira como, durante anos decisivos da sua exist\u00eancia ao servi\u00e7o da Igreja e da cultura em Portugal, o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (SNPC) foi orientado e movido por Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, que o conduziu com a for\u00e7a tranquila do exerc\u00edcio crist\u00e3o dos seus talentos de intelig\u00eancia e sensibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O rosto e a travessia do SNPC refletiram, pois, o perfil e a atitude de um Diretor n\u00e3o preocupado em ter presen\u00e7a espetacular ou interven\u00e7\u00e3o ostensiva no terreno (ciente, ali\u00e1s, de que \u00abnenhum nome\/ serve jamais para dizer\/ o fogo\u00bb), mas empenhado na efici\u00eancia discreta e no gesto instigante de uma aut\u00eantica po\u00e9tica da Espiritualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as a Tolentino Mendon\u00e7a, o SNPC foi durante anos ajudando a descobrir o sentido nos \u00abintervalos do sil\u00eancio\u00bb, que os atos e as palavras guardam. No confronto com \u00abo assombro e a tens\u00e3o inerentes \u00e0 vida\u00bb foi apontando ou abrindo caminhos de &#8220;via spiritus&#8221; e &#8220;via pulchritudinis&#8221; para o valor divino do humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a conten\u00e7\u00e3o que impera na sua obra l\u00edrica, com a densidade de sugest\u00f5es reflexivas que dela ressalta para as suas cr\u00f3nicas e para as suas homilias, a sua condu\u00e7\u00e3o do SNPC ensinou a ver o impl\u00edcito e a ler o flagrante segundo uma gram\u00e1tica do assentimento, na \u00abpartilha\/ do furtivo\/ lume\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos nossos olhos, entre os outros trechos do trajeto sacerdotal de Tolentino Mendon\u00e7a na atualiza\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica dos seus dotes humanos e das suas virtudes crist\u00e3s, a decis\u00e3o de Sua Santidade o Papa Francisco tamb\u00e9m contempla esses magn\u00edficos anos de doa\u00e7\u00e3o \u00e0 compreens\u00e3o est\u00e9tica e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o axiol\u00f3gica da Cultura e \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o da sociedade por essa Cultura celebrada e vivida ao cimo de um monte que \u00e9 Parnaso e Carmelo, que \u00e9 G\u00f3lgota e Tabor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se cremos, por\u00e9m, que em tal decis\u00e3o contou essa\u00a0<em>fase<\/em>, pensamos que ela corresponde a uma\u00a0<em>face<\/em>\u00a0da personalidade de Dom Tolentino Mendon\u00e7a, da harmonia poli\u00e9drica da sua criatividade e da prism\u00e1tica efici\u00eancia da sua generosidade; e essa face sonda os seus pr\u00f3prios tra\u00e7os, reconhece os seus imperativos, desvela o horizonte dos seus des\u00edgnios e exprime a indetermina\u00e7\u00e3o parcial do seu sentido\u00a0<em>in fieri<\/em>\u00a0atrav\u00e9s de uma obra l\u00edrica gerada no desejo de dar a ver n\u00e3o s\u00f3 o flagrante e o impl\u00edcito, mas tamb\u00e9m, neles e no sil\u00eancio como \u00abavesso\u00bb, \u00abo assombro e a tens\u00e3o inerentes \u00e0 vida\u00bb.<\/p>\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Na viragem do s\u00e9culo e nos alvores do novo mil\u00e9nio, entre mem\u00f3rias da Modernidade tardia, oscila\u00e7\u00f5es da P\u00f3s-Modernidade e tropismos da Globaliza\u00e7\u00e3o com pretens\u00f5es de Hiper-Contempor\u00e2neo, o pr\u00f3ximo Cardeal Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a guinda-se ao cimo da falange dos Nov\u00edssimos, desde\u00a0<em>Longe n\u00e3o sabia<\/em>\u00a0(1997) e\u00a0<em>A que dist\u00e2ncia deixaste o cora\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em>(1998), com sua sageza de entrelinhas leg\u00edvel \u00e0 luz de Zambrano e Levinas (ou levando-nos a melhor entender Levinas e Zambrano), respeitando a proscri\u00e7\u00e3o\u00a0<em>mallarmeana<\/em>\u00a0da &#8220;reportagem\u201d na travessia da paisagem moral em regime\u00a0<em>De igual para igual\u00a0<\/em>(2001), mas empenhada na rela\u00e7\u00e3o viandante, em corpo e alma, com o mundo e na grata descoberta, por\u00a0<em>Baldios<\/em>\u00a0(1999) ou por\u00a0<em>Estrada branca<\/em>\u00a0(2005), de motivos de beleza, porventura de acesso irris\u00f3rio ou agreste, mas n\u00e3o menos com postulante significa\u00e7\u00e3o: \u00abUm amarelo envolto em espinhos: \/ a porta entreaberta \/ da aurora\u00bb.<\/p>\n<p>Tal poeta exerce ent\u00e3o o princ\u00edpio de valoriza\u00e7\u00e3o do acontecimento m\u00ednimo numa arte compositiva que privilegia o fragmento narrativo e o subsequente processo associativo, \u00e0s vezes por via da mem\u00f3ria pessoal e\/ou liter\u00e1ria, em que o irrelevante do quotidiano ganha serventia e valor para o poeta conhecer(-se). Emerge analogamente, a tend\u00eancia para metamorfosear, mas assim mesmo contemplar, um desejo de eleva\u00e7\u00e3o em experi\u00eancia de intensidade(s), que pode relacionar-se com uma inassumida revisita\u00e7\u00e3o do sublime enquanto excesso de sentido que resiste \u00e0 veridi\u00e7\u00e3o e \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o comum.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um caminho de imagina\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e de coragem moral, \u00absalva-vidas para tempos dif\u00edceis\u00bb, que atravessa a \u00abvida pobre\u00bb ou as \u00abmatas ao abandono\u00bb e regressa \u00e0 solid\u00e3o \u00abpelos c\u00e9us movedi\u00e7os\u00bb, mas assumindo que as m\u00e3os, aparentemente vazias, \u00abpreferem enlouquecer a acreditar \/ que a realidade \u00e9 s\u00f3 aquilo que se v\u00ea\u00bb &#8211; como cifra Tolentino Mendon\u00e7a na magn\u00edfica\u00a0<em>Teoria da Fronteira<\/em>\u00a0(2018): \u00abrogamos \u00e0 vida que responda \/ mas a vida s\u00f3 se expressa na agulha dos fogos \/ em l\u00ednguas desconhecidas \/ no soprar long\u00ednquo\u00bb.<\/p>\n<p>Contra a viol\u00eancia da velocidade na \u201csociedade do cansa\u00e7o\u201d, a poesia de Tolentino Mendon\u00e7a preludia a exig\u00eancia atual\u00a0de singulariza\u00e7\u00e3o an\u00f3mala em espa\u00e7os desclassificados, de \u00e9tica do rosto, do olhar e do cuidado. Id\u00eantica representatividade epocal ganham versos de\u00a0<em>O Viajante Sem Sono\u00a0<\/em>(2009): \u00abO poema pode conter: \/\u2026\/ correntes mar\u00edtimas em vez de correntes liter\u00e1rias.\u00bb Compromisso testemunhal? Est\u00e9tica da responsabilidade? Porventura assim \u00e9, como variante tolentiniana do reconhecimento de Ungaretti em que tantos se reviram e rev\u00eaem: \u00abPoeti, poeti &#8211; \/ ci siamo messi tutte le maschere. \/ Ma uno non \u00e8 \/ che la pr\u00f3pria persona\u00bb.<\/p>\n<p>Por tudo isto, enaltecemos Dom Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, exultamos perante a sua nova posi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o na din\u00e2mica universal da Igreja e louvamos a Deus por Sua amorosa solicitude!<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"col-xs-12 col-sm-12 col-md-8 col-lg-8\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"autor\">Jos\u00e9 Carlos Seabra Pereira<br \/>\nDiretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura<br \/>\nImagem: D.R.<br \/>\nPublicado em\u00a004.09.2019<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo e foto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6914,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,10],"tags":[],"class_list":["post-6913","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6913","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6913"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6913\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6915,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6913\/revisions\/6915"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6913"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6913"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6913"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}