{"id":6884,"date":"2019-09-04T11:23:00","date_gmt":"2019-09-04T10:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6884"},"modified":"2019-09-04T11:23:42","modified_gmt":"2019-09-04T10:23:42","slug":"entrevista-monsenhor-joao-gaspar-historiador-da-diocese-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/entrevista-monsenhor-joao-gaspar-historiador-da-diocese-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Entrevista | Monsenhor Jo\u00e3o Gaspar: Historiador da Diocese de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Entrevista conduzida por Cardoso Ferreira | <a href=\"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Correio do Vouga<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">S\u00f3cio da Academia Portuguesa de Hist\u00f3ria, monsenhor Jo\u00e3o Gon\u00e7alves Gaspar \u00e9 o grande investigador e divulgador da hist\u00f3ria e da arte sacra da Diocese de Aveiro, e tamb\u00e9m de Eixo, terra onde nasceu no ano de 1929.<\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CORREIO DO VOUGA &#8211; Como surgiu a voca\u00e7\u00e3o para ser padre?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>JO\u00c3O GON\u00c7ALVES GASPAR<\/strong> &#8211; Ainda n\u00e3o tinha tr\u00eas anos quando, um dia, em casa do meu pai, estava este e um amigo nosso, mais velho do que o meu pai talvez mais de 20 anos, ambos chamados Manuel. Estavam a provar o vinho, cada um com o seu copo. O meu pai disse: \u201cManuel, \u00e0 sua sa\u00fade\u201d, e o amigo respondeu: \u201cManuel, \u00e0 tua sa\u00fade e para que este menino seja padre\u201d. Nunca mais me esqueci. Nunca tive d\u00favidas que era aquilo que eu queria ser, e que essa era a vontade de Deus a meu respeito. Em 1951, quando andava no segundo ano de teologia, o da decis\u00e3o final, mesmo n\u00e3o tendo d\u00favidas, ajudou-me muito a biografia do padre S\u00e3o Maximiniano Kolbe, numa edi\u00e7\u00e3o em franc\u00eas, padre que ofereceu a sua vida em troca da de um outro condenado \u00e0 morte, no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, facto ocorrido em 1941. Confiei na Virgem Maria e, claro, na gra\u00e7a de Deus, e avancei. E c\u00e1 estou. Nunca tive d\u00favidas e posso dizer que sempre fui feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s o curso, de Eixo passou logo para Aveiro, ou paroquiou por outras terras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca paroquiei, apesar de ser isso que eu queria. Queria estar no meio do povo, embora tamb\u00e9m esteja no meio do povo nas fun\u00e7\u00f5es que desempenho. Durante cerca de 10 ou 12 meses tive a orienta\u00e7\u00e3o das freguesias do Pr\u00e9stimo e de Macieira de Alcoba como di\u00e1cono, o que para mim foi uma grande alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se deu a vinda para o pa\u00e7o episcopal?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda eu n\u00e3o estava ordenado, vivia aqui (no pa\u00e7o episcopal) o senhor arcebispo, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, e como os parentes dele, por parte da m\u00e3e, eram todos de Eixo, ele ia l\u00e1 passar f\u00e9rias. Como nessa altura, eu ainda seminarista, j\u00e1 o acompanhava nos passeios que ele fazia a p\u00e9 por Eixo, ele trouxe-me para c\u00e1 mesmo antes de eu estar ordenado. Mais tarde, eu quis sair e ir para uma par\u00f3quia, e fiz duas tentativas. Estava c\u00e1 D. Domingos, ent\u00e3o como bispo auxiliar, e quando eu lhe disse isso, perguntou-me: \u201cN\u00e3o tem pena do senhor arcebispo?\u201d, e eu fique vencido. Depois, quando veio o senhor D. Manuel, voltei a pedir para sair, e ele perguntou: \u201cQuem me h\u00e1 de ensinar os caminhos da Diocese?\u201d. Foi tudo assim. Depois, foram 28 anos de vig\u00e1rio-geral que me deram muito trabalho e cansa\u00e7o, mas andava de terra em terra. Com isso, fiquei a ser mais conhecido do que ser eu a conhecer as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com todo esse servi\u00e7o no pa\u00e7o, ficou a conhecer muito bem todos os bispos da diocese, ap\u00f3s o restauro desta.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheci-os todos. Primeiro, D. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal, que foi bispo da diocese desde 1938 a 1958. Depois, D. Domingos da Apresenta\u00e7\u00e3o Fernandes, que foi bispo da diocese de 1958 a 1962. De seguida, D. Manuel de Almeida Trindade, bispo da diocese de 1962 a 1988, ao qual se seguiu D. Ant\u00f3nio Marcelino, com quem convivi e colaborei como vig\u00e1rio-geral. Depois, da mesma forma, com D. Ant\u00f3nio Francisco, e, finalmente, c\u00e1 estou com D. Ant\u00f3nio Moiteiro. Agora, a minha idade j\u00e1 n\u00e3o permite ocupar tantas fun\u00e7\u00f5es no governo da Diocese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo padre, como surgiu esse seu gosto pela hist\u00f3ria e pela investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi preciso p\u00f4r em ordem o arquivo da Diocese. Ent\u00e3o vi que podia compilar os principais acontecimentos, desde 1938 at\u00e9 \u00e0 altura em que escrevi esse primeiro livro sobre a hist\u00f3ria da Diocese de Aveiro. Depois, pensei em fazer o mesmo sobre a primeira Diocese de Aveiro e, ent\u00e3o, segui diretamente com a hist\u00f3ria da velha diocese, de 1774 a 1882. A seguir, como havia tanta coisa sobre o processo da restaura\u00e7\u00e3o da diocese, achei que devia escrever sobre esse interregno entre 1882 e 1938. Foi assim que surgiu a minha voca\u00e7\u00e3o pela hist\u00f3ria. Como o tinha conhecido bem, resolvi escrever a biografia do primeiro bispo de Aveiro \u2013 \u201cD. Jo\u00e3o Evangelista de Lima Vidal no seu tempo\u201d \u2013 baseando-me no muito que h\u00e1 no seu arquivo pessoal. De seguida, escrevi sobre Santa Joana, que me encanta desde os meus 10 anos de idade, altura em que, vindo de Eixo, numa excurs\u00e3o da escola prim\u00e1ria a Aveiro, visitei o Museu. Quando cheg\u00e1mos ao t\u00famulo de Santa Joana, o nosso professor, Jo\u00e3o de Pinho Brand\u00e3o, pai do Ant\u00f3nio Neto Brand\u00e3o e de outros mais, e av\u00f4 do Carlos Filipe, disse-nos para rezar, porque \u201cest\u00e1 aqui o t\u00famulo de uma santa\u201d. Par\u00e1mos, mas eu se calhar estive mais tempo a olhar para o t\u00famulo do que a rezar, porque o achei maravilhoso e pensei: \u201cAqui deve estar uma pessoa muito importante para ter um t\u00famulo destes\u201d. Com o que investiguei sobre Santa Joana publiquei o livro \u201cA Princesa Santa Joana na sua \u00e9poca\u201d.\u00a0 Depois desses, foram v\u00e1rios os livros que fui escrevendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-6888 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"373\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-300x225.jpg 300w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-768x576.jpg 768w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-600x450.jpg 600w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-1200x900.jpg 1200w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-850x638.jpg 850w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-480x360.jpg 480w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/Monsenhor-2-1320x990.jpg 1320w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/>Entretanto, tamb\u00e9m escreveu um livro sobre a hist\u00f3ria de Eixo, a sua terra natal\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 curioso. Eu tinha escrito o livro \u201cAveiro na Hist\u00f3ria\u201d e ent\u00e3o os meus conterr\u00e2neos diziam que eu s\u00f3 me interessava por Aveiro e nada de Eixo. No ano seguinte, escrevi \u201cEixo na Hist\u00f3ria\u201d. Os dois livros s\u00e3o diferentes no estilo. O \u201cAveiro na Hist\u00f3ria\u201d alude a personalidades e acontecimentos ao longo dos s\u00e9culos, o \u201cEixo na Hist\u00f3ria\u201d \u00e9 como que um calend\u00e1rio, de ano a ano. O Dr. Ant\u00f3nio Cristo tamb\u00e9m tinha publicado o \u201cCalend\u00e1rio Hist\u00f3rico de Aveiro\u201d, s\u00f3 sobre um semestre, livro que depois eu acrescentei muitas coisas a esse escrito original, estando os meus textos e os dele devidamente referenciados, e juntei os acontecimentos referentes ao segundo semestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma dessas personalidades foi Fern\u00e3o de Oliveira, biografia que escreveu e que tamb\u00e9m apresentou na sua terra natal.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Fern\u00e3o de Oliveira \u00e9 tido como sendo natural de Aveiro, o que n\u00e3o \u00e9. Em certa altura, tive conhecimento que na Universidade de Leiden, na Holanda, est\u00e1 um manuscrito de Fern\u00e3o de Oliveira, em latim. Fern\u00e3o de Oliveira exilou-se para Paris, estando na Universidade de Paris o seu esp\u00f3lio, mas h\u00e1 um seu manuscrito que est\u00e1 na biblioteca da Universidade de Leiden, no qual, logo numa das primeiras p\u00e1ginas se pode ler, traduzindo para portugu\u00eas: \u201cAveiro \u00e9 a terra onde me geraram os meus pais, mas os primeiros vagidos foram em Santa Columba\u201d, que \u00e9 a padroeira do Couto do Mosteiro do concelho de Santa Comba D\u00e3o, dizendo ele ainda que nasceu \u201cno lugar da Gestosa\u201d. Pensei que se ele foi gerado em Aveiro e se nasceu na Gestosa, na freguesia de Couto do Mosteiro, seria interessante, e justo, que o meu livro n\u00e3o apenas fosse apresentado em Aveiro, mas tamb\u00e9m em Couto do Mosteiro. A popula\u00e7\u00e3o, e tamb\u00e9m a C\u00e2mara Municipal de Santa Comba D\u00e3o ficaram muito contentes por o primeiro gram\u00e1tico portugu\u00eas ter nascido l\u00e1. \u00c9 preciso pensar que Fern\u00e3o de Oliveira \u00e9 um humanista e para ele, como para n\u00f3s, a vida come\u00e7a no seio materno, como ele reconhece logo no primeiro verso desse manuscrito, que \u00e9 em poesia, ao dizer que a sua vida come\u00e7ou em Aveiro, onde foi gerado, mas nasceu em Gestosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o de latim que teve ajudou-o nessa vertente de hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 documentos antigos em latim, mas aqueles que mais me interessavam para os meus trabalhos eram escritos j\u00e1 em portugu\u00eas. Consultei muitos na Torre do Tombo e no arquivo da Universidade de Coimbra e, tamb\u00e9m, alguma coisa em Aveiro, mas sobretudo naqueles dois primeiros arquivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse seu gosto pela hist\u00f3ria acabou por ser reconhecido a n\u00edvel nacional, ao ser convidado para s\u00f3cio da Academia Portuguesa da Hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fui. Por convite do dr. Ant\u00f3nio Pedro Vicente, senhor que ainda \u00e9 vivo, que \u00e9 filho de Arlindo Vicente, que era do Troviscal e que foi candidato a presidente da Rep\u00fablica contra Am\u00e9rico Tom\u00e1s. Ant\u00f3nio Pedro Vicente vive em Lisboa, mas tinha oferecido o esp\u00f3lio dele, e de Arlindo Vicente, \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Aveiro, que o aceitou, que seria para constituir o Museu da Rep\u00fablica, parte desse esp\u00f3lio j\u00e1 tinha estado exposto em Aveiro. Mais tarde, a C\u00e2mara de Aveiro recusou esse esp\u00f3lio e, numa reuni\u00e3o com o vereador da Cultura, eu defendi a perman\u00eancia desse esp\u00f3lio em Aveiro, porque \u00e9 valioso para a hist\u00f3ria de Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante v\u00e1rios anos esteve ligado a comiss\u00f5es de arte e de cultura da C\u00e2mara Municipal de Aveiro.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era assessor cultural, assessoria que tinha diversas fun\u00e7\u00f5es: Comiss\u00e3o de Arte, Comiss\u00e3o Cultural e o Boletim Municipal de Aveiro, o qual terminou pouco depois de eu ter deixado essas fun\u00e7\u00f5es, revista que tem muita coisa de hist\u00f3ria, porque a usei tamb\u00e9m para isso, com artigos de muita gente. Saiu talvez durante dez anos, e publicava-se duas por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Publicou um livro, chamado \u201cA Igreja e a Arte \u2013 De Roma, pela Europa, at\u00e9 Aveiro\u201d, sobre os conceitos de arquitetura e arte sacra p\u00f3s conc\u00edlio Vaticano II.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda estou na Comiss\u00e3o de Arte e Bens Patrimoniais e Culturais da Diocese. De facto, acompanhei e dei as minhas opini\u00f5es em obras realizadas em muitas igrejas a seguir ao Vaticano II, porque era preciso adaptar algumas coisas. Tive tamb\u00e9m muito preocupa\u00e7\u00e3o com a necessidade de se preservar a arte, nomeadamente o ouro das talhas, que muitas vezes \u00e9 retirado e substitu\u00eddo por purpurina, uma imita\u00e7\u00e3o de ouro. Nesses casos, mais valia que se fizesse s\u00f3 uma opera\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o da talha e n\u00e3o de \u201crestauro\u201d. \u00c9 um \u201ccrime\u201d p\u00f4r-se flores junto da madeira dos altares de talha, porque a humidade das flores vai apodrecendo a madeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muitos v\u00e3o falando na necessidade de se criar um Museu Diocesano de Arte Sacra\u2026\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 muito sens\u00edvel. As par\u00f3quias e as comiss\u00f5es das par\u00f3quias preferem pequenos museus paroquiais, porque as imagens, os objetos e outros utens\u00edlios ficam nas par\u00f3quias e as pessoas podem ver as suas coisas. Pode haver um espa\u00e7o diocesano onde ocorram exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, em que as pe\u00e7as venham das par\u00f3quias e depois regressem. N\u00f3s ouvimos os p\u00e1rocos e outras pessoas, e eles dizem isso mesmo. Por exemplo, em Eixo dizem: \u201cO qu\u00ea? Sa\u00edrem daqui estas coisas em prata ou a imagem de Santo Isidoro, do s\u00e9culo XV? N\u00e3o. Isto \u00e9 nosso\u201d. Isto \u00e9 logo o que ouvimos. Numa das salas laterais da igreja matriz de Eixo h\u00e1 um minimuseu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como j\u00e1 h\u00e1 em algumas par\u00f3quias, nomeadamente em Fermentelos, na igreja de Nossa Senhora da Apresenta\u00e7\u00e3o, aqui em Aveiro, entre outras\u2026<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00e9 tamb\u00e9m pensou isso, mas n\u00e3o se fez quando das obras. Eu acho interessante um \u201cmuseu\u201d com exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, como aquela exposi\u00e7\u00e3o ocorrida h\u00e1 alguns anos, onde estiveram expostas algumas das melhores obras existentes em cada uma das par\u00f3quias. N\u00f3s temos imagens do s\u00e9culo XIII, finais do rom\u00e2nico, temos muitas dos s\u00e9culos XIV e XV, do g\u00f3tico, temos algumas do s\u00e9culo XVII, muitas do s\u00e9culo XVIII. Tudo isso \u00e9 uma riqueza que \u00e9 preciso acautelar. Numa par\u00f3quia que tem coisas do s\u00e9culo XVIII, tem pelo menos uma imagem do s\u00e9culo XVII e, pelo menos uma imagem, em pedra, do s\u00e9culo XV, vi esta imagem em pedra repintada. Estragaram-na. Lembro-me de numa certa capela, dedicada a S. Tom\u00e9, uma imagem do s\u00e9culo XVII, ainda com uns restos de pinturas desse tempo, tamb\u00e9m ter sido repintada, retirando-lhe pelos menos 90% do seu valor hist\u00f3rico. Felizmente, depois da minha visita a essa capela, ainda foi poss\u00edvel retirar essa tinta que lhe tinham aplicado e agora l\u00e1 est\u00e1 a imagem com os restos de tinta antiga e muito limpa. Em vez de restauro, mais valia fazerem trabalhos de conserva\u00e7\u00e3o: limpar do fumo, do p\u00f3 e das marcas do tempo, e p\u00f4r a imagem o mais pr\u00f3ximo do original, mesmo que tenha alguns defeitos, mas estes indicam que tamb\u00e9m tem hist\u00f3ria. O meu interesse pela Hist\u00f3ria tamb\u00e9m est\u00e1 muito ligado ao meu interesse pela Arte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista conduzida por<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6886,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[138,13],"tags":[],"class_list":["post-6884","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6884"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6890,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6884\/revisions\/6890"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6886"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}