{"id":6797,"date":"2019-08-26T13:58:03","date_gmt":"2019-08-26T12:58:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6797"},"modified":"2020-03-17T13:30:48","modified_gmt":"2020-03-17T13:30:48","slug":"edith-stein-viver-nas-maos-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-viver-nas-maos-de-deus\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Viver nas m\u00e3os de Deus"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">O crist\u00e3o sabe que a sua vida est\u00e1 nas m\u00e3os de Deus. Da\u00ed nasce progressivamente a confian\u00e7a que leva a um abandono total, a viver na seguran\u00e7a de se saber sustentado. Isto exige em princ\u00edpio o abandonar-se em f\u00e9.<\/h5>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">Deste modo, v\u00ea-se a vida pelo prisma da f\u00e9: tudo serve para ser bem visto por Deus, no sentido da Provid\u00eancia divina. A vida na sua unidade adquire sentido e coer\u00eancia.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6740 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein_3.jpg\" alt=\"\" width=\"167\" height=\"215\" \/>I. Reconhe\u00e7o que sou fortalecido&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abReconhe\u00e7o que sou fortalecido e esta for\u00e7a d\u00e1-me calma e seguran\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 certamente a confian\u00e7a segura de si mesma do homem que, com sua pr\u00f3pria for\u00e7a, se mant\u00e9m de p\u00e9 sobre um solo firme, mas a seguran\u00e7a suave e alegre da crian\u00e7a que repousa sobre um bra\u00e7o forte, quer dizer, uma seguran\u00e7a que, vista objectivamente, n\u00e3o \u00e9 menos razo\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, a crian\u00e7a que vivesse constantemente na ang\u00fastia de que a sua m\u00e3e a deixasse cair, seria razo\u00e1vel? No meu ser encontro-me ent\u00e3o com outro ser que n\u00e3o \u00e9 o meu, mas que \u00e9 o sustento e o fundamento do meu ser que n\u00e3o possui em si mesmo nem sustento nem fundamento. Posso chegar por duas vias a esse fundamento que encontro dentro de mim pr\u00f3prio, a fim de conhecer o ser eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira \u00e9 a da f\u00e9. Se Deus se revela como o ser, como o criador e o conservador, e se o Salvador diz: \u201c<em>Aquele que cr\u00ea<\/em> <em>no filho tem a vida eterna<\/em>\u201d (Jo 3, 36), estas s\u00e3o respostas \u00e0 quest\u00e3o enigm\u00e1tica que concerne ao meu pr\u00f3prio ser. E se Deus me diz pela boca do profeta que me \u00e9 mais fiel que o meu pai e a minha m\u00e3e e que Ele \u00e9 o pr\u00f3prio amor, reconhe\u00e7o qu\u00e3o \u201crazo\u00e1vel\u201d \u00e9 a minha confian\u00e7a no bra\u00e7o que me sust\u00e9m e como toda a ang\u00fastia de cair no nada \u00e9 insensata, enquanto n\u00e3o me desprender por mim mesmo do bra\u00e7o protector. (&#8230;)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que o meu ser fugaz tenha um sustento nalguma coisa finita. Mas o finito n\u00e3o poderia ser o sustento nem o fundamento \u00faltimos. Toda a coisa temporal, enquanto tal, \u00e9 fugaz. Tem necessidade de um sustento eterno. Se estou unido a outro ser finito com o meu ser, ent\u00e3o conservo-me no ser com ele. A seguran\u00e7a de ser, que sinto em meu ser fugaz, indica uma estabilidade imediata nesse sustento e neste fundamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00faltimo do meu ser (apesar de eventuais apoios indirectos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto significa certamente uma percep\u00e7\u00e3o muito obscura que mal se pode chamar conhecimento. S. Agostinho, que buscou o caminho de Deus sobretudo a partir do ser interior e que indicou em frases sempre novas o impulso do nosso ser mais al\u00e9m de si pr\u00f3prio para o verdadeiro ser, exprime, ao mesmo tempo e de muitas maneiras, a nossa incapacidade para captar o inacess\u00edvel\u00bb. <em>(\u201cSer finito e ser eterno\u201d)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II. A coer\u00eancia da nossa pr\u00f3pria vida<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA coer\u00eancia da nossa pr\u00f3pria vida \u00e9 talvez o que melhor pode ilustrar o nosso pensamento. Na linguagem corrente distingue- se, por um lado, o que segue um plano \u2013 o que equivale tamb\u00e9m ao que tem sentido, ao que \u00e9 intelig\u00edvel \u2013 e, por outro, o que em si, parece desprovido de sentido e incompreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proponho-me fazer uns estudos e com este fim selecciono uma universidade que responda \u00e0 minha especialidade. Isto \u00e9 uma coer\u00eancia cheia de sentido e intelig\u00edvel; o facto de conhecer nesta cidade um homem que ali faz igualmente os seus estudos e estabelecer conversa com ele, sem contar, a prop\u00f3sito de quest\u00f5es sobre a representa\u00e7\u00e3o do mundo, isto n\u00e3o me parece no primeiro caso manifestar uma coer\u00eancia intelig\u00edvel, mas quando eu repenso a minha vida depois de anos, ent\u00e3o compreendo que esta conversa foi de uma import\u00e2ncia capital para mim, talvez mais essencial ainda do que todos os meus estudos, e penso que me era necess\u00e1rio ir talvez expressamente para isso \u00e0quela cidade. O que n\u00e3o estava nos meus projectos, encontrava-se nos projectos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quanto mais a mi\u00fado se me apresentam tais acontecimentos, mais viva se faz em mim a convic\u00e7\u00e3o de f\u00e9 de que n\u00e3o existe o azar \u2013 visto do lado de Deus \u2013, que toda a minha vida, at\u00e9 nos seus mais m\u00ednimos pormenores, est\u00e1 prevista no plano da divina provid\u00eancia, e que ela \u00e9, diante dos olhos de Deus que tudo v\u00ea, uma coer\u00eancia intelig\u00edvel perfeita. Ent\u00e3o come\u00e7o a alegrar-me de antem\u00e3o na luz da gl\u00f3ria na qual me ser\u00e1 descoberta esta coer\u00eancia intelig\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, esta considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o vale somente para a vida humana individual, mas tamb\u00e9m para a vida da humanidade inteira e, ainda mais, para a totalidade de todo ser. A coer\u00eancia no <em>Logos <\/em>(a Palavra criadora de Deus) \u00e9 a de um conjunto intelig\u00edvel, de uma obra de arte perfeita, e cada tra\u00e7o particular enxerta-se por sua vez no seu lugar, na harmonia total do quadro segundo uma lei muito pura e muito estreita\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(\u201cSer finito e ser eterno\u201d)<\/em><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 40px;\">*Santa Teresa Benedita da Cruz<em>, As mais belas p\u00e1ginas de Edite Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2003. pp 37-40.<\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/skalekar1992-7886055\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3120717\">skalekar1992<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=3120717\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6798,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-6797","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6797"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6797\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6800,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6797\/revisions\/6800"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}