{"id":6794,"date":"2019-08-25T22:36:25","date_gmt":"2019-08-25T21:36:25","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6794"},"modified":"2019-08-25T22:36:25","modified_gmt":"2019-08-25T21:36:25","slug":"bioetica-e-sociedade-entre-o-relativismo-etico-e-a-ideologia-de-genero-uma-nova-crenca-moral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/bioetica-e-sociedade-entre-o-relativismo-etico-e-a-ideologia-de-genero-uma-nova-crenca-moral\/","title":{"rendered":"Bio\u00e9tica e sociedade | Entre o relativismo \u00e9tico e a ideologia de g\u00e9nero &#8211; uma nova \u201ccren\u00e7a moral\u201d"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>Bio\u00e9tica e sociedade<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<h4 style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Carlos Costa Gomes<\/strong>*<\/h4>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Vivemos um tempo de relativismo \u00e9tico e do experimentalismo social e de uma nova cren\u00e7a moral. A p\u00f3s-modernidade converteu valores morais universais em valores culturais ideol\u00f3gicos. Tudo \u00e9 permitido porque, em nome da nova \u201ccren\u00e7a moral\u201d, as decis\u00f5es n\u00e3o dependem de uma \u00e9tica fundamental mas, pelo contr\u00e1rio, a \u00e9tica depende t\u00e3o-somente das decis\u00f5es pessoais.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O relativismo \u00e9tico com as suas varia\u00e7\u00f5es tende fragmentar o sentido \u00e9tico da humanidade e o pr\u00f3prio ser humano.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">O que se vive, atualmente em Portugal e a partir do poder pol\u00edtico \u00e9 a presen\u00e7a de uma \u201cpol\u00edtica religiosa\u201d que se baseia mais na cren\u00e7a ideol\u00f3gica neoliberal radical, em vez de se centrar na realidade antropol\u00f3gica do ser humano. A nova pol\u00edtica assume, assim, as suas decis\u00f5es a partir da tal cren\u00e7a quase religiosa e ideol\u00f3gica ao inv\u00e9s de fundamentar as decis\u00f5es com base em evid\u00eancias e em dados cientificamente comprovados.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Assiste-se, de facto, a um \u201cexperimentalismo social\u201d que, ao querer evidenciar a laicidade, acaba por se tornar numa nova teologia moral. A geometria deste experimentalismo social e moral, que muitos creem ser uma <em>evolu\u00e7\u00e3o natural<\/em> da sociedade \u2013 que tem pouco natural e moral e muito ideol\u00f3gico e cultural -, reduz o ser humano, homem e mulher, radicalmente iguais, mas absolutamente distintos e complementares na sua diferencia\u00e7\u00e3o sexual. A nova cren\u00e7a moral e ideol\u00f3gica de g\u00e9nero apresenta apenas o ser humano, descarnado e sexualmente neutro. Isto \u00e9, na ideologia de g\u00e9nero a pessoa possui um objeto corporal, que pode ser masculino ou feminino, mas esse corpo-objeto \u00e9 extr\u00ednseco \u00e0 pessoa.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Para a \u201cideologia de g\u00e9nero\u201d, hoje apregoada em Portugal, a masculinidade e a feminilidade s\u00e3o produtos culturais, sem qualquer suporte na realidade biol\u00f3gica, justificando, esta posi\u00e7\u00e3o, com as fun\u00e7\u00f5es sociais que n\u00e3o se encontram biologicamente determinadas. Desta justifica\u00e7\u00e3o, ou desta cren\u00e7a, podemos constatar que para a masculinidade e a feminilidade n\u00e3o s\u00e3o realidades naturais, mas produto de uma cultura (dominante), que se obt\u00e9m pela supremacia de um grupo social sobre o outro. Na verdade, s\u00e3o estes os sinais que v\u00eam do poder pol\u00edtico.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">A verdade \u00e9 que a relatividade cultural d\u00e1 lugar a relativiza\u00e7\u00e3o da ideol\u00f3gica de g\u00e9nero. Tal relativiza\u00e7\u00e3o cultural, com efeito, muda conforme o tempo, o local e a hist\u00f3ria. Mas, mesmo assim, n\u00e3o tanto como espera neoliberalidade ideol\u00f3gica. O universo representativo do masculino e do feminino, que \u00e9 a realidade antropol\u00f3gica e biol\u00f3gica, mant\u00e9m os seus tra\u00e7os essenciais da humanidade como realidade biol\u00f3gica, independentemente da nova cren\u00e7a (diria quase religiosa) e moralidade imposta pela nova doutrina e linguagem que, mais do que permitir conhecer o sentido profundo do ser humano, que \u00e9 dizer-se enquanto tal, quer autocriar o sujeito, esquecendo-se de que como pessoa, como a algu\u00e9m a quem o \u201cser\u201d foi dado, nunca est\u00e1 na sua disponibilidade deixar de ser.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Os sinais da nova cren\u00e7a moral cultural da masculinidade e feminilidade n\u00e3o s\u00e3o a pr\u00f3pria masculinidade e feminilidade. Tais sinais condicionam ou quer condicionar uma realidade natural e confundir a realidade biol\u00f3gica com a linguagem ideol\u00f3gica. A manipula\u00e7\u00e3o da linguagem ideol\u00f3gica no discurso de g\u00e9nero suprime conceitos estruturantes e introduz novos, promovendo altera\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas da linguagem (Pedro Afonso). Um exemplo \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do conceito de <em>paternidade<\/em> por <em>parentalidade <\/em>(ver. Art. 3.\u00ba da lei n.\u00ba 61\/2008, de 31 de outubro, determinou a substitui\u00e7\u00e3o, em diversos artigos do C\u00f3digo Civil, do conceito de <em>\u201cpoder paternal\u201d<\/em> pela no\u00e7\u00e3o de <em>\u201cresponsabilidade parental\u201d<\/em>), altera\u00e7\u00f5es de foro concetual que demonstra, claramente, a doutrina ideol\u00f3gica do poder pol\u00edtico.<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s1\">*Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica <\/span><\/p>\n<p class=\"p1\" style=\"text-align: right;\"><span class=\"s1\">Professor e investigador do Instituto de Bio\u00e9tica da UCP<\/span><\/p>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Comfreak-51581\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=845847\">Jonny Lindner<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=845847\">Pixabay<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6795,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,72,136,13],"tags":[],"class_list":["post-6794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6794"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6908,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6794\/revisions\/6908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}