{"id":6748,"date":"2019-08-11T19:09:24","date_gmt":"2019-08-11T18:09:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6748"},"modified":"2020-03-17T13:31:01","modified_gmt":"2020-03-17T13:31:01","slug":"edith-stein-viver-como-moradas-onde-deus-habita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-viver-como-moradas-onde-deus-habita\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Viver como moradas onde Deus habita"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">Dar-se por inteiro a Deus, viver como seus filhos, como moradas onde Ele habita, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel na medida em que O vamos descobrindo e conhecendo como amante. Deste modo, o dom da filia\u00e7\u00e3o divina ou da inabita\u00e7\u00e3o trinit\u00e1ria convertem-se numa realidade viva. Esta entrega total a Deus, como fruto da din\u00e2mica do amor, concretiza-se numa entrega generosa \u00e0 cria\u00e7\u00e3o inteira.<\/h5>\n<h5 style=\"padding-left: 80px; text-align: justify;\">Surge, ao mesmo tempo e de um modo natural, o amor ao pr\u00f3ximo, o qual j\u00e1 n\u00e3o se contempla como algu\u00e9m long\u00ednquo, mas como membro do corpo de Cristo.<\/h5>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma aut\u00eantica filia\u00e7\u00e3o divina<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6743 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/id_edith_stein.jpg\" alt=\"\" width=\"162\" height=\"233\" \/>\u00abO dom de si a Deus \u00e9, ao mesmo tempo, dom ao sim de Deus que \u00e9 amado, e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o inteira, quer dizer, a toda a ess\u00eancia espiritual unida a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o homem n\u00e3o \u00e9 capaz por si s\u00f3 e pela sua pr\u00f3pria natureza de semelhante dom de amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o pode chegar ao conhecimento e ao amor efectivamente realizado de outros homens, a n\u00e3o ser que eles pr\u00f3prios se lhe abram amando-o \u2013 porque tudo aquilo a que damos o nome de conhecimento e de amor dos homens n\u00e3o constitui sen\u00e3o caminhos e graus preparat\u00f3rios que levam a isto \u2013, como chegar\u00e1 ao amor de Deus, que n\u00e3o v\u00ea, sem antes ser amado por Ele?&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para se dar a Ele amando-O, devemos aprender a conhec\u00ea-l\u2019O como amante. Somente assim Ele se pode abrir a n\u00f3s. Em certa medida, o Verbo da revela\u00e7\u00e3o chega a este resultado e a uma orienta\u00e7\u00e3o amorosa, se nos atarmos ao seu significado, pertence a aceita\u00e7\u00e3o plena de f\u00e9 da revela\u00e7\u00e3o divina. Mas este conhecimento apenas se aperfei\u00e7oa mais quando Deus se d\u00e1 Ele mesmo \u00e0 alma na vida da gra\u00e7a e da gl\u00f3ria, quando a faz participante da sua pr\u00f3pria vida divina e a faz entrar nela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida divina que se desenvolve na alma amante de Deus n\u00e3o pode ser diferente da vida trinit\u00e1ria da divindade. A alma d\u00e1-se ao ser trinit\u00e1rio. Entrega-se \u00e0 vontade paterna de Deus que, por assim dizer, gera novamente nela o seu Filho. Ela une-se com o Filho e queria perder-se n\u2019Ele a fim de que o Pai j\u00e1 n\u00e3o veja mais nela sen\u00e3o o Filho. A sua vida une-se ao Esp\u00edrito Santo, transforma-se numa <em>efus\u00e3o de amor divino<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 evidente que esta imagem de Deus no esp\u00edrito criado gra\u00e7as \u00e0 uni\u00e3o de amor, fruto da gra\u00e7a e da gl\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9 compar\u00e1vel a nenhuma imagem meramente natural. A palavra imagem j\u00e1 quase que n\u00e3o \u00e9 o termo adequado. Deve ser compreendida no sentido em que se diz que o Filho \u00e9 imagem do Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma aut\u00eantica <em>filia\u00e7\u00e3o divina<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(\u201cSer finito e ser eterno\u201d)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cristo \u00e9 a Cabe\u00e7a&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abCristo \u00e9 a Cabe\u00e7a, n\u00f3s os membros do Corpo M\u00edstico somos membros uns dos outros, e todos os homens somos um em Deus, somos <em>uma <\/em>vida divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Deus \u00e9 Amor e vive em cada um de n\u00f3s, temos de nos amar com amor fraterno. O nosso amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 a medida do nosso amor a Deus. Mas \u00e9 um amor diferente do amor natural aos homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor natural surge entre aqueles que est\u00e3o unidos por la\u00e7os de sangue, ou por afinidade de car\u00e1cter, ou por interesses comuns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os outros s\u00e3o \u201cestranhos\u201d, n\u00e3o nos dizem respeito, e chegamos a dizer que s\u00e3o incompat\u00edveis connosco, e at\u00e9 nos afastamos deles fisicamente. Para os crist\u00e3os n\u00e3o h\u00e1 \u201cpessoas estranhas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nosso pr\u00f3ximo \u00e9 todo aquele que est\u00e1 diante de n\u00f3s e tem necessidade de n\u00f3s; n\u00e3o importa se \u00e9 nosso familiar ou n\u00e3o, se nos \u201cagrada\u201d ou n\u00e3o, se \u00e9 ou n\u00e3o \u201cmoralmente digno\u201d de ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor de Cristo n\u00e3o conhece fronteiras, nunca se cansa, n\u00e3o tem repugn\u00e2ncia da sujidade e da mis\u00e9ria. Cristo veio para os pecadores e n\u00e3o para os justos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E se o amor de Cristo vive em n\u00f3s, ent\u00e3o agiremos como Ele, e iremos \u00e0 procura das ovelhas perdidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor natural procura apoderar-se da pessoa amada. Cristo veio ao mundo a fim de recuperar para o Pai a humanidade perdida; e quem ama com o seu amor, quer os homens para Deus e n\u00e3o para si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9, sem d\u00favida, o caminho mais seguro para os possuir eternamente; pois quando escondemos algu\u00e9m em Deus, somos um com ele em Deus, enquanto a tenta\u00e7\u00e3o de o \u201cconquistar\u201d para n\u00f3s conduz sempre \u2013 mais tarde ou mais cedo \u2013 a perd\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto \u00e9 v\u00e1lido para a nossa alma, a dos outros, e para qualquer outro bem exterior: quem se afadiga por ganh\u00e1-lo e conserv\u00e1-lo, perde-o; quem o entrega a Deus, ganha-o\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>(O mist\u00e9rio do Nat<\/em><em>al)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">*Santa Teresa Benedita da Cruz<em>, As mais belas p\u00e1ginas de Edite Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2003. pp 30-33.<\/h5>\n<h6><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: right;\">Imagem de\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/Myriams-Fotos-1627417\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2890801\">Myriam Zilles<\/a>\u00a0por\u00a0<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2890801\">Pixabay<\/a><\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6749,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-6748","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6748","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6748"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6748\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6753,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6748\/revisions\/6753"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6748"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6748"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6748"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}