{"id":6739,"date":"2019-08-09T15:07:17","date_gmt":"2019-08-09T14:07:17","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6739"},"modified":"2019-08-10T15:21:02","modified_gmt":"2019-08-10T14:21:02","slug":"memoria-9-de-agosto-edith-stein-a-palavra-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/memoria-9-de-agosto-edith-stein-a-palavra-da-cruz\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria | 9 de agosto: Edith Stein: a palavra da Cruz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Artigo e fotos recolhidos do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/id_edith_stein.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SNPC<\/a><\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Duas foram as dimens\u00f5es que animaram a vida desta fil\u00f3sofa, santa e m\u00e1rtir do s\u00e9culo XX: a profunda demanda da verdade e a for\u00e7a da Cruz, ou melhor, a verdade enformada pela radicalidade da cruz, que \u00e9 para uns loucura e para outros sabedoria e poder de Deus.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Nas suas palavras: \u00abUma \u2018Scientia Crucis\u2019 podemos obt\u00ea-la somente quando somos capazes de seguir a Cruz at\u00e9 ao fundo. Disto fui persuadida desde o primeiro momento e disse de cora\u00e7\u00e3o: \u201cAve crux, spes unica\u201d\u00bb.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Edith Stein nasceu de uma fam\u00edlia judaica no dia 12 de Outubro de 1891, em Breslau, Alemanha, sendo a mais nova dos onze filhos de Siegfried com Auguste. Todavia, quatro dos seus irm\u00e3os morreriam ainda na inf\u00e2ncia e o seu pai, Siegfried, falecia quando Edith tinha apenas dois anos, ficando a sua m\u00e3e Auguste a tomar conta da fam\u00edlia.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Embora fosse sempre excelente aluna, aos 14 anos comunicou aos professores, que se lhe opuseram, e \u00e0 fam\u00edlia que iria abandonar os estudos. Foi ent\u00e3o viver para Hamburgo com a irm\u00e3 Else. Durante esse tempo afastou-se cada vez mais do \u201cDeus de Abra\u00e3o, de Isaac e Jacob\u201d. De tal maneira se distanciou que, livre e conscientemente, decidiu n\u00e3o rezar mais, embora a habitasse um desejo profundo pela verdade.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">O seu prop\u00f3sito de deixar de estudar n\u00e3o durou muito e passado um ano voltou para Breslau e para o col\u00e9gio. Simpatizante dos movimentos femininos da \u00e9poca, Edith termina o bacharelato no col\u00e9gio em 1911, tornando-se uma das primeiras universit\u00e1rias da Alemanha.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Considerando-se ateia, que o foi durante dez anos, estudou germ\u00e2nicas, hist\u00f3ria e psicologia. Mas desiludida com esta ci\u00eancia, ruma em 1913 para G\u00f6ttingen, onde ensinava o fundador da fenomenologia, Edmund Husserl, do qual se tornaria disc\u00edpula e depois assistente. A\u00ed conhece Max Scheler e Adolf Reinach, disc\u00edpulos daquele. Neste c\u00edrculo come\u00e7a a estudar filosofia e fica impressionada com a objectividade da fenomenologia e com o seu m\u00e9todo para conhecer a verdade, que a pr\u00f3pria tanto desejava.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Em 1915 Edith conclui a licenciatura, mas a 1.\u00aa Guerra Mundial estava em pleno desenvolvimento, por isso interrompe a sua carreira acad\u00e9mica e oferece-se como volunt\u00e1ria num hospital militar. Encerrado este, acompanha Husserl para a Universidade de Freiburg, onde recebe o doutoramento em 1916 com uma tese sobre a \u201cEmpatia\u201d, sendo-lhe atribu\u00edda a nota de \u201csumma cum laude\u2019\u201d. Torna-se a primeira mulher doutorada em filosofia da Alemanha.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">O tempo da guerra marcar\u00e1 ainda a vida de Edith. Depois da morte em combate do amigo Reinach, vem a conhecer a sua mulher, que a impressiona pela calma e paz, tudo porque a sua for\u00e7a lhe vinha da f\u00e9 em Jesus e da sua cruz, como ela mesma havia confessado a Edith.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Stein come\u00e7a a ler o Novo Testamento e no ano de 1918 separa-se de Husserl por considerar que a sua filosofia se torna mais cada vez mais estreita. Volta a Breslau e sucede a Martin Heidegger na universidade. Edith tenta uma c\u00e1tedra em filosofia mas nunca lhe foi dada; e mesmo Husserl e Heidegger a criticam por tal pretens\u00e3o, pois era mulher.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Em 1920 d\u00e1-se um acontecimento decisivo para a convers\u00e3o de Edith Stein. Ela que se encontrava em crise por n\u00e3o encontrar o sentido \u00faltimo da sua vida, vai passar f\u00e9rias com uma amiga cat\u00f3lica, Hedwig. Estando uma tarde s\u00f3 em casa dela, retirou da estante a biografia de Santa Teresa de Jesus. Leu-a numa noite e no fim concluiu que estava diante da verdade.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Posteriormente comprou um catecismo cat\u00f3lico, o qual estudou com afinco, e ap\u00f3s participar na missa pediu a um padre para receber o baptismo. Alguns meses mais tarde, no dia 1 de Janeiro de 1922, era baptizada Edith Stein.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Deseja entrar no Carmelo mas por conselho de alguns amigos sacerdotes, e por respeito \u00e0 m\u00e3e, n\u00e3o o faria de imediato. Nos anos seguintes tornou-se professora no col\u00e9gio das dominicanas, em Speyer. Nesse tempo traduz as cartas e os di\u00e1rios de Newman, al\u00e9m de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino. Desta maneira, mudava o seu pensamento filos\u00f3fico e aproximava-se cada vez mais e com mais profundidade do cristianismo.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">No ano de 1932 Edith Stein \u00e9 chamada para leccionar no Instituto Alem\u00e3o de Pedagogia Cient\u00edfica, em Munique, mas alguns meses mais tarde, com a subida de Hitler ao poder, foi demitida, pois era p\u00fablico a sua ascend\u00eancia judaica. Edith Stein viu no acontecimento o momento oportuno para entrar finalmente no Carmelo, o que veio acontecer no dia 15 de Outubro de 1933, recebendo o nome Teresa Benedita da Cruz.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">O regime torna-se cada vez mais hostil para com os judeus e emite em 1935 novas leis racistas. A m\u00e3e de Edith, que considerou a sua convers\u00e3o uma trai\u00e7\u00e3o ao povo judeu, morre em 1936, sem que ambas se tivessem reconciliado.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Stein segue os seus estudos no Carmelo, onde l\u00ea Santa Teresa e S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. Em 1936 nasce a sua maior obra filos\u00f3fica: \u201cSer finito e Ser eterno\u201d. Embora desejasse partilhar \u201ca sorte\u201d do seu povo, Edith muda-se do convento de Col\u00f3nia para o de Echt na Holanda em 1938.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Alguns meses mais tarde come\u00e7a a 2.\u00aa Guerra Mundial e no ano de 1940 tamb\u00e9m a Holanda \u00e9 ocupada. Edith, tranquila, escreve, com base na obra de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, o seu \u00faltimo livro, que deixou incompleto: \u201cA ci\u00eancia da Cruz\u201d. Ci\u00eancia que estaria perto de adquirir, pois no dia 2 de Agosto as tropas alem\u00e3s tomam o convento de Echt. Teresa Benedita da Cruz, com a sua irm\u00e3 Rosa, que se havia convertido ao catolicismo, s\u00e3o levadas primeiro para o campo de concentra\u00e7\u00e3o de Westerbork e depois para Auschwitz, na Pol\u00f3nia, onde se sup\u00f5e que tenham morrido nas c\u00e2maras de g\u00e1s no dia 9 de Agosto de 1942.<\/p>\n<p class=\"Texto\" style=\"text-align: justify;\">Edith Stein viria a ser beatificada por Jo\u00e3o Paulo II a 1 de Maio de 1987, e no ano de 1998 foi canonizada pelo mesmo papa, que em 1999 a declarou co-padroeira da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span class=\"Autor\">L. Oliveira Marques<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo e fotos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6740,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[91,14],"tags":[],"class_list":["post-6739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-olhares-ii","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6739"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6747,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6739\/revisions\/6747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}