{"id":6556,"date":"2019-07-26T21:03:57","date_gmt":"2019-07-26T20:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6556"},"modified":"2020-03-17T13:31:20","modified_gmt":"2020-03-17T13:31:20","slug":"edith-stein-o-amor-essencia-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-o-amor-essencia-da-vida\/","title":{"rendered":"Edith Stein | \u201cO Amor &#8211; ess\u00eancia da vida\u201d"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">A perspectiva crist\u00e3 contempla o amor como algo mais do que um simples sentimento natural. Para Edith Stein, o amor n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o melhor na vida do homem, mas define-se a si mesmo como o acto mais livre de que o ser humano \u00e9 capaz. Quando Jesus nos deixa o seu mandamento novo n\u00e3o nos est\u00e1 a pedir nada imposs\u00edvel.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">O amor ao pr\u00f3ximo, ao inimigo, \u00e9 claro sinal da vida de uni\u00e3o com Deus, que transforma o homem ou a mulher em dom, em capacidade de se entregar totalmente ao outro, capacidade que s\u00f3 se realiza no sumo grau de liberdade.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\">Amor e dom fundem-se, e o seu primeiro fruto \u00e9 a harmonia. O amor \u00e9 entrega sem reservas. O \u00fanico limite \u00e9 o mal. Por isso, o amor aut\u00eantico n\u00e3o busca apenas o bem, mas oferece-se totalmente ao bem: ao pr\u00f3prio Deus.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 80px;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/h5>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6043 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Edith_Stein_ca._1938-1939.jpg\" alt=\"\" width=\"127\" height=\"144\" \/>Talvez a proposi\u00e7\u00e3o expressa&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abTalvez a proposi\u00e7\u00e3o expressa mais acima: \u201c<em>o amor \u00e9 o que h\u00e1 de mais livre<\/em>\u201d tenha suscitado a surpresa e uma viva oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor e o \u00f3dio consideram-se naturalmente como poderes elementares que penetram com for\u00e7a na alma sem ela se poder defender. Os homens tiveram j\u00e1 o costume de dizer, quando falam<em> das<\/em> suas inclina\u00e7\u00f5es e das suas antipatias, que perante elas \u201cnada podem fazer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E de facto, a alma <em>responde \u00e0 impress\u00e3o <\/em>que recebe de uma pessoa de modo involunt\u00e1rio \u2013 a mi\u00fado desde o primeiro encontro e se n\u00e3o durante um conhecimento mais longo \u2013, com simpatia ou antipatia, outras vezes talvez com indiferen\u00e7a; sente-se atra\u00edda ou recusada; e pode-se encontrar aqui uma forma de posi\u00e7\u00e3o do seu pr\u00f3prio ser em rela\u00e7\u00e3o ao que lhe \u00e9 estranho; sente-se atra\u00edda para o que lhe promete um enriquecimento ou um desafio, e retrocede cheia de medo diante de algu\u00e9m que signifique um perigo para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, s\u00e3o poss\u00edveis aqui graves ilus\u00f5es: as <em>apar\u00eancias <\/em>podem esconder o ser verdadeiro do homem e, por conseguinte, tamb\u00e9m o significado que se pode ter para os outros homens. Estes movimentos naturais n\u00e3o constituem, em, algo que se poder\u00e1 simplesmente n\u00e3o ter em conta; mas tamb\u00e9m n\u00e3o seria muito <em>racional <\/em>abandonar-se a eles pura e simplesmente. Estes movimentos naturais podem e devem ser objecto de um controlo com a ajuda do entendimento e, gra\u00e7as \u00e0 vontade, n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel, mas necess\u00e1rio exercer sobre eles uma influ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na presen\u00e7a do jogo das inclina\u00e7\u00f5es e antipatias levanta-se o mandamento do Senhor: \u201c<em>amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo como a ti<\/em> <em>mesmo<\/em>\u201d. Tal preceito vale sem condi\u00e7\u00f5es nem restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00f3ximo n\u00e3o \u00e9 aquele que me \u00e9 simp\u00e1tico. \u00c9 todo o homem que se aproxima de mim sem excep\u00e7\u00e3o. E novamente diz-se aqui: tu podes porque deves. \u00c9 o Senhor quem o exige e Ele n\u00e3o exige nada imposs\u00edvel. Ou antes, <em>torna <\/em>poss\u00edvel o que seria naturalmente imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os santos, que confiando na palavra divina, decidiram elev\u00e1-la at\u00e9 ao amor heroico dos seus inimigos, tiveram realmente a experi\u00eancia desta liberdade de amor. Talvez uma avers\u00e3o natural se manifestasse ainda durante certo tempo; mas n\u00e3o tem for\u00e7a e n\u00e3o pode actuar sobre o comportamento que \u00e9 conduzido pelo amor sobrenatural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Na maior parte dos casos, ela cede perante o poder superior da vida divina que enche mais e mais a alma. O amor \u00e9, no seu \u00faltimo sentido, o dom do ser e a uni\u00e3o com o amado. Aquele que cumpre a vontade de Deus aprende a conhecer o esp\u00edrito divino, a vida divina, o amor divino; e tudo isto n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o pr\u00f3prio Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com efeito, ao executar com a mais profunda entrega o que Deus exige dele, a vida divina torna-se a sua <em>pr\u00f3pria vida<\/em> <em>interior<\/em>: encontra a Deus em si mesmo, quando entra em si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a alma est\u00e1 cheia da vida divina, \u00e9 imagem do Deus Trinit\u00e1rio num sentido novo e superior ao que concerne \u00e0s demais criaturas e se refere a ela pr\u00f3pria segundo a sua estrutura natural\u00bb. <em>(\u201cSer finito e ser eterno\u201d)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0O amor \u00e9 dom de si ao bem&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abO dom, no sentido pr\u00f3prio, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sen\u00e3o a uma pessoa. Assim o amor, no sentido pleno e pr\u00f3prio do termo, vai de pessoa a pessoa, embora muitos sentimentos da esp\u00e9cie do amor tenham por objecto algo impessoal. O dom conduz \u00e0 harmonia; n\u00e3o se aperfei\u00e7oa sen\u00e3o pelo acolhimento por parte da pessoa amada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o amor exige, para o seu aperfei\u00e7oamento, o dom rec\u00edproco das pessoas. S\u00f3 assim o amor pode ser ades\u00e3o total, porque uma pessoa n\u00e3o se abre a outra sen\u00e3o no dom. S\u00f3 na harmonia \u00e9 poss\u00edvel um conhecimento propriamente dito das pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor, nesta sua m\u00e1xima realiza\u00e7\u00e3o, abrange, portanto, o conhecimento. \u00c9, ao mesmo tempo, passivo e acto livre. Deste modo, abrange tamb\u00e9m a vontade e constitui a realiza\u00e7\u00e3o do desejo. Mas, o amor, na sua m\u00e1xima perfei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se realiza sen\u00e3o em Deus: no amor rec\u00edproco das pessoas divinas, no ser divino dando-se a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor \u00e9 o ser de Deus, a vida de Deus, a ess\u00eancia de Deus. Corresponde a cada uma das pessoas divinas e \u00e0 sua unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8230; o amor \u00e9 o que h\u00e1 de mais livre, porque n\u00e3o disp\u00f5e apenas de uma emo\u00e7\u00e3o isolada, mas do conjunto do pr\u00f3prio eu, da pr\u00f3pria pessoa. &#8230; o amor deve ser sempre o dom de si, para que seja um amor aut\u00eantico\u00bb. <em>(\u201cSer finito e ser eterno\u201d)<\/em><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\">*Santa Teresa Benedita da Cruz<em>, As mais belas p\u00e1ginas de Edite Stein. <\/em>Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2003. pp 27-29.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6558,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-6556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6556"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6556\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8659,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6556\/revisions\/8659"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}