{"id":6545,"date":"2019-07-27T12:37:50","date_gmt":"2019-07-27T11:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6545"},"modified":"2019-07-28T20:34:52","modified_gmt":"2019-07-28T19:34:52","slug":"um-franciscano-e-os-u2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/um-franciscano-e-os-u2\/","title":{"rendered":"Um franciscano e os U2"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Artigo e foto recolhidos do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/um_franciscano_e_os_u2.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SNPC<\/a><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais te\u00f3logos analisam a m\u00fasica e as artes em geral para explicar o Mist\u00e9rio aos jovens que escutam o rock. Este \u00e9 o princ\u00edpio fundador do livro \u201cOne. Uma maneira para se aproximar de Deus. Os U2 entre rock e B\u00edblia\u201d, composto pelo frade franciscano Federico Russo, e publicado este ano em It\u00e1lia.<\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">O religioso faz uma sinopse entre o texto b\u00edblico e a discografia da banda irlandesa, considerando as letras fruto de inspira\u00e7\u00e3o divina, e assim as toca nas encruzilhadas das estradas para encurtar as dist\u00e2ncias entre Deus e quem est\u00e1 \u00e0 procura da Verdade.<\/h5>\n<h5><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Porque \u00e9 que um frade franciscano decide escrever um livro sobre os U2?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro \u00e9 uma reelabora\u00e7\u00e3o da minha tese de licenciatura em Teologia. A paix\u00e3o pela m\u00fasica rock e pelos U2 em particular remonta \u00e0 minha adolesc\u00eancia, e desde ent\u00e3o n\u00e3o diminuiu. Sabia que os textos de Bono [vocalista] s\u00e3o impregnados de refer\u00eancias \u00e0 B\u00edblia, e ent\u00e3o pensei aprofundar a quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Numa audi\u00eancia o papa Bento XVI citou o pintor russo Marc Chagall, para quem os escritores, durante s\u00e9culos, mergulharam o seu pincel nesse alfabeto colorido que \u00e9 a B\u00edblia. Tamb\u00e9m \u00e9 assim para os autores de m\u00fasica moderna.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Penso que sim. A m\u00fasica moderna, e o rock em particular, inspira-se na B\u00edblia muito mais do que habitualmente se pensa. \u00c9 um aspeto negligenciado durante demasiado tempo. Muitas vezes sublinharam-se apenas, neste fen\u00f3meno cultural, os elementos transgressivos ou de contesta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 (elementos que, indubitavelmente, n\u00e3o faltam), ao passo que n\u00e3o se evidenciou suficientemente como a m\u00fasica popular deu, em muitos casos, tamb\u00e9m voz \u00e0 pergunta religiosa do homem contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Aquilo que \u00e9 belo \u00e9 verdadeiro, e aquilo que \u00e9 verdadeiro equivale ao bem. Qu\u00e3o belas s\u00e3o as can\u00e7\u00f5es dos U2?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando uma banda continua a encher os est\u00e1dios em todo o mundo ap\u00f3s 40 anos de carreira, significa que h\u00e1 uma beleza naquelas can\u00e7\u00f5es \u00e0 qual as pessoas s\u00e3o atra\u00eddas, ao ponto de estarem dispostas a fazer longas viagens e a gastar quantias nada irris\u00f3rias para assistir a um concerto; o ser humano vai em busca da beleza, move-se quando h\u00e1 alguma coisa pela qual se sente profundamente tocado. Sem d\u00favida que existe tamb\u00e9m uma componente subjetiva nos gostos musicais. Tenho, no entanto, um epis\u00f3dio interessante para contar: ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro, fiz escutar o \u00e1lbum \u201cThe Joshua tree\u201d a um frade idoso da minha comunidade, grande amante de Bach e da m\u00fasica sacra; nunca tinha ouvido um disco rock, mas foi favoravelmente tocado. Pessoalmente, gosto sobretudo dos U2 dos anos 80 e 90. Nos discos mais recentes, penso que h\u00e1 algumas coisas seguramente apraz\u00edveis e outras menos convincentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A denominada \u201cteologia pop\u201d legitima uma nova forma de pastoral, porque poderia n\u00e3o bastar a aprova\u00e7\u00e3o dos superiores maiores para percorrer novos caminhos de evangeliza\u00e7\u00e3o e ser cred\u00edvel. Quem \u00e9 preciso convencer tratando-se de m\u00fasica rock e espiritualidade?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o saberei como responder. Talvez em alguns contextos existam ainda preconceitos em rela\u00e7\u00e3o a determinadas express\u00f5es da cultura contempor\u00e2nea. No que diz respeito \u00e0 pastoral juvenil, creio que o di\u00e1logo com um certo tipo de linguagem, como pode ser a das can\u00e7\u00f5es modernas, \u00e9 desde h\u00e1 muito amplamente utilizado por muitos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Quando te exibes sobre um palco com a guitarra e o h\u00e1bito, fazes isso por puro divertimento, porque queres ser um bobo de Deus, ou porque \u00e9s inconscientemente louco?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o \u201cbobo de Deus\u201d vem de S. Francisco de Assis, que no seu tempo conhecia e gostava das can\u00e7\u00f5es dos trovadores franceses, comp\u00f4s o \u201cC\u00e2ntico das criaturas\u201d e enviou um certo frade, Pacifico, chamado \u201co rei dos versos\u201d pela sua habilidade em compor e executar can\u00e7\u00f5es, para cantar por v\u00e1rios locais os louvores de Deus, juntamente com outros frades m\u00fasicos. A minha atividade de cantautor procura repropor, atualizando-a, essa intui\u00e7\u00e3o do nosso santo fundador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Na discografia dos U2 h\u00e1 can\u00e7\u00f5es sobre o ate\u00edsmo, como \u201cDrowning man\u201d e \u201cExit\u201d, na qual toma vida o protagonista do conto \u201cSangue s\u00e1bio\u201d, de Flannery O\u2019Connor. Hazel Motes \u00e9 um jovem que prega a \u00abIgreja da Verdade sem Jesus Cristo crucificado\u00bb. Em s\u00edntese\u2026 percursos de f\u00e9 nem sempre realizados nas can\u00e7\u00f5es dos U2.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo o bom escritor, Bono n\u00e3o apresenta a realidade a partir de um \u00fanico ponto de vista, mas \u00e9 capaz de p\u00f4r \u00e0 luz muitas cambiantes diferentes. Isto vale tamb\u00e9m para aquilo que se refere ao tema da f\u00e9: nas can\u00e7\u00f5es dos U2 h\u00e1 espa\u00e7o para o crente e para o n\u00e3o crente, para a luz e para a treva, para a certeza e para a d\u00favida. A linguagem po\u00e9tica, por outro lado, nunca deve ser excessivamente did\u00e1tica, n\u00e3o pode ser como a do catecismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Que versos escritos por Bono Vox poderia dirigir um jovem para a religi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poderiam ser muitos. Tendo de fazer uma cita\u00e7\u00e3o, digo esta: \u00abHear me coming, Lord\/ Hear me cal\/ Hear me knocking, knocking at your door\u00bb. Trata-se de uma estrofe que Bono acrescentava, nas interpreta\u00e7\u00f5es ao vivo dos anos 90, \u00e0 parte final da can\u00e7\u00e3o \u201cOne\u201d. A can\u00e7\u00e3o fala de uma crise na rela\u00e7\u00e3o de um casal, mas, com este acrescento, resultava numa ora\u00e7\u00e3o, numa evoca\u00e7\u00e3o a Deus. Poderia ser o est\u00edmulo para erguer o olhar, no meio das complexas vicissitudes da vida, e descobrir que n\u00e3o somos \u00f3rf\u00e3os, abandonados a n\u00f3s pr\u00f3prios, mas temos um Pai que escuta o nosso grito.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span class=\"autor\">Massimo Granieri<br \/>\nIn:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.osservatoreromano.va\/it\/news\/un-francescano-e-gli-u2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">L&#8217;Osservatore Romano<\/a><br \/>\nImagem: D.R.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo e foto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6546,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,10],"tags":[],"class_list":["post-6545","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6545"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6545\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6638,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6545\/revisions\/6638"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6546"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}