{"id":6502,"date":"2019-07-18T13:13:23","date_gmt":"2019-07-18T12:13:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6502"},"modified":"2019-07-18T13:13:23","modified_gmt":"2019-07-18T12:13:23","slug":"o-catecismo-de-s-frei-bartolomeu-dos-martires-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/o-catecismo-de-s-frei-bartolomeu-dos-martires-i\/","title":{"rendered":"O Catecismo de S. Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires (I)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">D. Ant\u00f3nio Moiteiro, Bispo de Aveiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prop\u00f3sito da not\u00edcia da canoniza\u00e7\u00e3o equipolente de S. Bartolomeu dos M\u00e1rtires, no dia 5 de julho, por decreto do Papa Francisco, estendendo a toda a Igreja o culto lit\u00fargico deste Servo de Deus e inscrevendo-o no cat\u00e1logo dos santos, desejo, em dois artigos, apresentar o seu contributo para a reforma da igreja no conturbado s\u00e9culo XVI e que em muitos aspetos \u00e9 semelhante ao nosso tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O conc\u00edlio de Trento e a reforma da Igreja<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conc\u00edlio de Trento (s\u00e9c. XVI) ao propor a reforma da Igreja, f\u00e1-lo tendo em conta tr\u00eas pilares fundamentais dessa mesma reforma: a forma\u00e7\u00e3o dos pastores, o incremento da Palavra de Deus na vida da Igreja e a organiza\u00e7\u00e3o da catequese paroquial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das op\u00e7\u00f5es mais original e duradoira para os s\u00e9culos futuros foi a institui\u00e7\u00e3o da catequese dirigida \u00e0s crian\u00e7as. Na sess\u00e3o XXIV, de 11 de Novembro de 1562, o conc\u00edlio decreta:\u00a0<em>\u201cos bispos dispor\u00e3o de modo que, ao menos aos domingos e nos outros dias festivos, em todas as par\u00f3quias, as crian\u00e7as sejam diligentemente instru\u00eddas por aqueles que tenham compet\u00eancia, sobre os rudimentos da f\u00e9 e da obedi\u00eancia a Deus e aos pais; se for necess\u00e1rio tornaremos isso obrigat\u00f3rio, mesmo com censuras eclesi\u00e1sticas apesar dos privil\u00e9gios e costumes diferentes\u201d (Sess\u00e3o XXIV, 11\/11\/1562).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mais grave, no aspeto da ignor\u00e2ncia religiosa, \u00e9 que n\u00e3o se tratava apenas de uma ignor\u00e2ncia religiosa dos fi\u00e9is, mas, sobretudo, daqueles que tinham a miss\u00e3o de os ensinar nos mist\u00e9rios da f\u00e9, os pastores. Esta \u00e9 a raz\u00e3o por que a maior parte dos catecismos est\u00e1 dirigida aos p\u00e1rocos, incluindo o catecismo romano \u00abAd parochus\u00bb, publicado em 1566, dois anos depois do catecismo de S. Bartolomeu dos M\u00e1rtires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ignor\u00e2ncia religiosa<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pensemos que a ignor\u00e2ncia religiosa era apenas de Portugal. Na It\u00e1lia, o bispo dominicano Leonardo de Marinis queixava-se a S. Carlos Borromeu, arcebispo de Mil\u00e3o, das dificuldades que passava a ensinar os sacerdotes da sua diocese porque entre eles \u00abn\u00e3o encontrava um s\u00f3 cooperador\u00bb. E o bispo Hom\u00e9rio de Bonis teve de suspender um sacerdote de celebrar missa, porque n\u00e3o foi capaz de aprender a f\u00f3rmula da consagra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Alemanha e no norte da Europa, o panorama n\u00e3o era melhor. O pr\u00f3prio Lutero chega a dizer: \u00abQue coisas t\u00e3o tristes vi! O homem comum n\u00e3o sabe nada da doutrina crist\u00e3, especialmente nas aldeias. E, infelizmente, muitos p\u00e1rocos s\u00e3o incapazes de o ensinar. E todos se dizem crist\u00e3os, est\u00e3o batizados e recebem os santos sacramentos; mas n\u00e3o conhecem nem o Pai Nosso, nem a f\u00e9, nem os dez mandamentos e vivem, por isso, como pobres animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Portugal a vida religiosa n\u00e3o era melhor. Na Vida de D. Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires, o consagrado escritor Frei Lu\u00eds de Sousa descreve assim o que se passava nas terras do Barroso, na diocese de Braga, e que pode dar uma imagem do que se passava em todo o pa\u00eds: \u00abpodemos dizer que n\u00e3o havia cristandade mais que no nome (\u2026) e dos males que havia, os mais procediam de falta de mestres e alguns, que se conservavam no meio do povo, eram t\u00e3o rudes como seus fregueses\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S.\u00a0<\/strong><strong>Bartolomeu dos M\u00e1rtires<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante este panorama t\u00e3o desolador, o santo arcebispo vai assentar a sua vida de pastor sobre dois pilares: a instru\u00e7\u00e3o ao do povo e a reforma do clero. Entre os meios a utilizar est\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio diocesano, as visitas pastorais a todas as par\u00f3quias e a publica\u00e7\u00e3o do Catecismo ou Doutrina Crist\u00e3 e Pr\u00e1ticas Espirituais, em 4 de Novembro de 1564.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei Bartolomeu dos M\u00e1rtires nasceu em Lisboa, em Maio de 1514, e professou no mosteiro dominicano de Lisboa, a 20 de novembro de 1529. Ali fez o curso de artes e teologia nos conventos dominicanos de Lisboa e Batalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1551, no mosteiro de Santo Est\u00eav\u00e3o, em Salamanca, devido \u00e0 sua ci\u00eancia, o geral da ordem, Frei Francisco Romeu, conferiu-lhe o grau de mestre. Em junho desse, foi eleito definidor da sua ordem. Eleito prior da comunidade do convento de Benfica \u2013 Lisboa, foi nomeado arcebispo de Braga em 1559, tendo entrado na diocese a 4 de Outubro do mesmo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 24 de Marco de 1560, parte o arcebispo de Braga para o conc\u00edlio de Trento, onde chega a 17 de Maio. Terminado o conc\u00edlio, e j\u00e1 em Braga, come\u00e7a por reformar a diocese segundo os decretos do conc\u00edlio de Trento: constr\u00f3i o semin\u00e1rio diocesano, visita as igrejas da sua diocese, publica o seu catecismo em 1564 e, dois anos mais tarde, em 8 de Setembro de 1566, re\u00fane um conc\u00edlio provincial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renuncia ao arcebispado, a 6 de Novembro de 1581, e retira- se para o mosteiro de Santa Cruz, em Viana do Castelo, onde passou o resto da sua vida com grandes mortifica\u00e7\u00f5es. Faleceu, com fama de santidade, no dia 16 de Julho de 1590, sendo considerado um dos maiores bispos portugueses. No passado 5 de julho foi inscrito no cat\u00e1logo dos santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">+ Ant\u00f3nio Moiteiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. 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