{"id":6492,"date":"2019-07-17T15:59:41","date_gmt":"2019-07-17T14:59:41","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6492"},"modified":"2019-07-17T16:08:34","modified_gmt":"2019-07-17T15:08:34","slug":"domingo-xvi-receber-jesus-em-sua-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/domingo-xvi-receber-jesus-em-sua-casa\/","title":{"rendered":"DOMINGO XVI | RECEBER JESUS EM SUA CASA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b><i>Pe. Georgino Rocha<\/i><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus continua a sua caminhada para Jerusal\u00e9m e aproveita para fazer os seus ensinamentos, ora por gestos e palavras, ora por atitudes e par\u00e1bolas. Acompanha-o o grupo dos disc\u00edpulos. Avan\u00e7a por cidades e aldeias. Escolhe o ritmo da viagem. Atende a quem o procura e lhe manifesta um desejo. Toma, tamb\u00e9m, a iniciativa de ir ao encontro de quem quer. Para visitar amigos e fazer confid\u00eancias. Para descansar e revigorar for\u00e7as. Seja qual for a raz\u00e3o, Jesus faz, de cada passo, uma ocasi\u00e3o para dar a conhecer algum detalhe da sua mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas \u2013 o evangelista m\u00e9dico que narra a visita de Jesus a Marta e a Maria \u2013 coloca este epis\u00f3dio ap\u00f3s a par\u00e1bola do bom samaritano e antes da ora\u00e7\u00e3o do \u201cPai Nosso\u201d.\u00a0<i>Lc 10, 38-42.<\/i>\u00a0Parece atribuir-lhe uma for\u00e7a emblem\u00e1tica: a situa\u00e7\u00e3o marginalizada da mulher entre os judeus e a igualdade radical de todos os humanos, a urg\u00eancia de caminhar para uma sociedade inclusiva que seja espelho do \u201cnosso Pai\u201d, da comum humanidade de todos. E define a correspondente regra de ouro: abrir a porta e saber acolher; escutar e entrar em sintonia, facilitar. Esta regra mant\u00e9m um valor acrescido na cultura hegem\u00f3nica de exclus\u00e3o e abandono, de preconceitos e muros erguidos, que nos envolve. O Papa Francisco, por gestos e palavras n\u00e3o cessa de chamar a aten\u00e7\u00e3o para este drama da humanidade, que tem o rosto dos refugiados abandonados, dos migrantes rejeitados, de multid\u00f5es esfomeadas, de cad\u00e1veres a boiar com o ritmo das onda, enquanto n\u00e3o s\u00e3o recolhidos por algum \u201csalva-vidas\u201d de solidariedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcolher o estrangeiro significa abrir-se \u00e0 revela\u00e7\u00e3o de que ele \u00e9 portador, afirma Manicardi. Hospedar \u00e9 criar um espa\u00e7o para o outro e dar do seu tempo ao outro. \u00c9 compartilhar a sua casa e o seu alimento. Em mais prtofundidade hospedar significa fazer de si um espa\u00e7o para o outro atrav\u00e9s da escuta. Maria, que escuta a palavra de Jesus, \u00e9 imagem de uma hospitalidade que n\u00e3o se limita a acolher sob o teto da casa, mas faz da pr\u00f3pria pessoa uma morada para o outro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrir a porta da casa, constru\u00e7\u00e3o material e lar familiar, espa\u00e7o da consci\u00eancia pessoal e da dignidade comum, \u00e2mbito do di\u00e1logo na verdade que liberta e faz crescer. A abertura desta porta pode estar condicionada por factores externos, mas \u00e9 feita, sempre, a partir de dentro. A chave, por excel\u00eancia, \u00e9 a f\u00e9 de ades\u00e3o cordial e inteligente a Jesus Cristo, fruto da Palavra de Deus. Diz o Senhor: \u201cJ\u00e1 estou \u00e0 porta e bato. Quem ouvir a minha voz e abrir a porta, entro em sua casa e janto com ele e ele comigo\u201d (Ap 3, 20). N\u00e3o for\u00e7a. Aguarda uma decis\u00e3o livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saber acolher como Abra\u00e3o que interrompe o seu descanso e se p\u00f5e ao servi\u00e7o de desconhecidos, prestando-lhes generosamente os cuidados usuais. Como Marta, a incans\u00e1vel dona de casa, que se esmera na pr\u00e1tica das regras da boa hospitalidade. Como Maria, a ouvinte d\u00f3cil e atenta, que se senta aos p\u00e9s de Jesus, qual disc\u00edpula fiel. O acolhimento \u00e9 fonte de enriquecimento m\u00fatuo. Como recorda o Papa Francisco na\u00a0enc\u00edclica: \u201cA f\u00e9 ensina-nos a ver que, em cada homem, h\u00e1 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina atrav\u00e9s do rosto do irm\u00e3o (LF 42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutar e entrar em sintonia constitui a terceira fase daquela regra de ouro. Assim o mostram os modelos referidos. Escutar e decifrar as mensagens que s\u00e3o transmitidas por palavras e sil\u00eancios, por gestos e atitudes. E descobrir neles a pessoa e seu estado an\u00edmico e espiritual, o seu drama, a sua aspira\u00e7\u00e3o silenciada, o seu sonho adormecido. Entrar em sintonia para reagir positivamente e dar o passo poss\u00edvel. Caminhando juntos, nascemos para novas realidades, abrimo-nos ao horizonte de Deus. \u201cA f\u00e9 nasce no encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor: um amor que nos precede e sobre o qual podemos apoiar-nos para construir solidamente a vida\u201d (LF 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marta acolhe e serve. Afadiga-se com os afazeres necess\u00e1rios para o Amigo que as visita. Talvez a hora da refei\u00e7\u00e3o esteja a chegar. E a irm\u00e3 n\u00e3o reagia; continua a ouvi-Lo atentamente; faz-Lhe companhia; sintonia afectivamente, admira, contempla. O que Marta faz pela ac\u00e7\u00e3o, faz Maria pela contempla\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o ambas ao servi\u00e7o do mesmo Amigo e Mestre. Como veio a fixar a regra de S\u00e3o Bento: \u201cOra e trabalha\u201d, regra que veio a influenciar e a humanizar a Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marta e Maria, duas faces do mesmo rosto. Ambas indispens\u00e1veis. Em todos os \u00e2mbitos: no casal humano que dialoga, na fam\u00edlia que partilha, na comunidade crist\u00e3 que reparte dons e servi\u00e7os, na sociedade que edifica o bem comum, na Igreja que vive da riqueza dos dos do Esp\u00edrito e os expressa em gestos de miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus \u00e9 recebido numa aldeia por Marta e Maria, s\u00edmbolos da nossa humanidade. Durante a conversa e refei\u00e7\u00e3o, a atitude interior muda. \u00c9 Ele que acolhe as duas irm\u00e3s na sua singularidade, sinal antecipado da realidade futura de todos os convidados para a ceia do Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Construir solidamente a vida, eis a mensagem que nos \u00e9 proposta ao recebermos Jesus na nossa pr\u00f3pria casa, de portas abertas para acolher quem chega e para sair \u00e0 procura dos n\u00e1ufragos de todas as esperan\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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