{"id":6484,"date":"2019-07-15T17:50:00","date_gmt":"2019-07-15T16:50:00","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6484"},"modified":"2019-07-16T10:27:26","modified_gmt":"2019-07-16T09:27:26","slug":"etica-e-cuidados-paliativos-ou-de-acompanhamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/etica-e-cuidados-paliativos-ou-de-acompanhamento\/","title":{"rendered":"\u00c9tica e cuidados paliativos ou de \u201cacompanhamento\u201d"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>Bio\u00e9tica e sociedade<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Centro de Estudos de Bio\u00e9tica)<\/h6>\n<h4 style=\"font-weight: 400; text-align: center;\"><strong>Carlos Costa Gomes<\/strong>*<\/h4>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Os \u201ccuidados paliativos\u201d ou cuidados de acompanhamento, na express\u00e3o de Daniel Serr\u00e3o, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es realizadas em diversos planos de interven\u00e7\u00e3o (cl\u00ednica, psicol\u00f3gica, social e espiritual) junto da pessoa doente quando lhe \u00e9 diagnosticada uma doen\u00e7a incur\u00e1vel, normalmente, em estado terminal. S\u00e3o, neste sentido, essencialmente cuidados de conforto e acompanhamento que apelam a meios proporcionais face \u00e0 doen\u00e7a de que a pessoa sofre.<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de sa\u00fade (OMS), os cuidados paliativos ou de acompanhamento afirmam a vida e consideram a morte um processo natural; n\u00e3o apressam nem retardam a morte da pessoa. Tais cuidados fornecem o al\u00edvio da dor e de outros sintomas que provocam desconforto e ang\u00fastia; integram tamb\u00e9m os aspetos psicol\u00f3gicos e espirituais nos cuidados com a pessoa doente; oferecem ainda inquestion\u00e1vel apoio, quer a pessoa que est\u00e1 doente, quer \u00e0 fam\u00edlia para viverem quanto poss\u00edvel o momento dif\u00edcil e \u00fanico do seu familiar (e a preparar o luto); ajuda a pessoa doente, quando poss\u00edvel, e fam\u00edlia a viver e perceber melhor os aspetos que se relacionam com a doen\u00e7a. A radioterapia, a quimioterapia e a cirurgia t\u00eam lugar nos cuidados paliativos e de acompanhamento, quando os benef\u00edcios superam os malef\u00edcios no que se refere \u00e0 pessoa doente. Por\u00e9m, o processo desta decis\u00e3o est\u00e1 no centro dos dilemas \u00e9ticos, na medida em que a rela\u00e7\u00e3o entre quem trata e quem \u00e9 tratado \u00e9 moldada pelos princ\u00edpios \u00e9ticos ou bio\u00e9ticos de benefic\u00eancia, de autonomia, do respeito pela vida e da qualidade de vida da pessoa doente.<\/li>\n<li style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">A decis\u00e3o de promover os cuidados paliativos ou de acompanhamento baseia-se quando estamos perante um diagn\u00f3stico e progn\u00f3stico fechados, e \u00e9 sempre numa fase terminal. O mesmo n\u00e3o acontece quando estamos perante doen\u00e7as em que a incerteza m\u00e9dica, no caso de doen\u00e7a de Alzheimer num estadio avan\u00e7ado, num rec\u00e9m-nascido com defici\u00eancia grave ou ainda num idoso que recusa em alimentar-se. Nesta situa\u00e7\u00e3o, claro, podemos falar de doen\u00e7a incur\u00e1vel, mas n\u00e3o de doen\u00e7a incuid\u00e1vel, uma vez que temos um diagn\u00f3stico mas o progn\u00f3stico ainda \u00e9 incerto. Prestar cuidados paliativos sem fazer devidamente um diagn\u00f3stico ou n\u00e3o estabelecer um progn\u00f3stico adequado pode conduzir \u00e0 absten\u00e7\u00e3o terap\u00eautica injustificada e \u00e0 obstina\u00e7\u00e3o terap\u00eautica desadequada. Do ponto de vista \u00e9tico, as duas a\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas resvalam para uma m\u00e1 pr\u00e1tica m\u00e9dica.<\/li>\n<\/ol>\n<h5 style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">*Professor e Investigador do Instituto de Bio\u00e9tica da UCP<\/h5>\n<h5 style=\"font-weight: 400; text-align: right;\">Presidente do Centro de Estudos de Bio\u00e9tica<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bio\u00e9tica e sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6486,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,72,136,13],"tags":[],"class_list":["post-6484","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-bioetica-e-sociedade","category-carlos-costa-gomes","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6484"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6491,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6484\/revisions\/6491"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}