{"id":6185,"date":"2019-06-14T17:12:08","date_gmt":"2019-06-14T16:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6185"},"modified":"2020-03-17T13:32:02","modified_gmt":"2020-03-17T13:32:02","slug":"edith-stein-viver-eucaristicamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/edith-stein-viver-eucaristicamente\/","title":{"rendered":"Edith Stein | Viver eucaristicamente"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h5><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify; padding-left: 120px;\">A Eucaristia \u00e9 o centro da vida da Igreja. Assim o entendeu e viveu Edith Stein. A aut\u00eantica comunh\u00e3o com Deus realiza- se como mist\u00e9rio de encarna\u00e7\u00e3o. O caminho \u00e9 progressivo: \u00e9 um caminho de humildade, virtude imprescind\u00edvel para se poder adentrar na vida de Cristo, atrav\u00e9s de uma rela\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com Ele, uma rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o. Este \u00e9 o sentido do texto de Edith Stein \u00a0que apresentamos.<\/h5>\n<h4><\/h4>\n<hr \/>\n<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-6043 alignleft\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Edith_Stein_ca._1938-1939.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"227\" \/>Quem come a minha carne&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab\u201c<em>Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna<\/em>\u201d (Jo 6, 54). O Salvador, que sabe que somos seres humanos e que como tal permanecemos, que cada dia<em>\u00a0 <\/em>devemos lutar com as debilidades humanas, vem em ajuda da nossa humanidade de modo verdadeiramente divino. Assim como o nosso corpo de carne necessita do p\u00e3o quotidiano, do mesmo modo tamb\u00e9m o corpo divino em n\u00f3s necessita incessantemente de se alimentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<em>Este \u00e9 o p\u00e3o descido do c\u00e9u<\/em>\u201d (Jo 6, 58). Naquele que verdadeiramente faz deste p\u00e3o o seu p\u00e3o quotidiano, cumpre-se cada dia o mist\u00e9rio do Natal, a Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo. Este \u00e9 o caminho seguro para alcan\u00e7ar o \u201c<em>ser um com Deus<\/em>\u201d, e para crescer cada dia com maior for\u00e7a e profundidade no Corpo M\u00edstico de Cristo. Sei muito bem que para muitos este desejo pode parecer demasiado radical. Na pr\u00e1tica, significa para a maior parte dos que se convertem, uma mudan\u00e7a total da vida interior e exterior. E assim tem de ser!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos dar lugar na nossa vida ao Salvador eucar\u00edstico, de modo que possa transformar a nossa vida na sua: \u00e9 pedir muito? Temos sempre tanto tempo para tantas coisas in\u00fateis, para lermos toda a esp\u00e9cie de not\u00edcias in\u00fateis em livros, revistas,\u00a0 jornais, para estarmos sentados ociosamente em qualquer caf\u00e9, para conversarmos na rua durante um quarto de hora ou meia hora: tudo \u201cdissipa\u00e7\u00f5es\u201d, nas quais gastamos o pr\u00f3prio tempo e as pr\u00f3prias energias de modo fragmentado. N\u00e3o seria verdadeiramente poss\u00edvel arranjarmos uma hora pela manh\u00e3 na qual n\u00e3o nos dispersemos, mas nos recolha- mos, em que n\u00e3o malgastemos, mas antes acumulemos energias para sustentar todo o dia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, \u00e9 certamente necess\u00e1rio mais do que uma hora. Devemos viver as outras horas na base daquela, de modo que a ela possamos retornar. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201cdeixarmo-nos distrair\u201d, nem mesmo temporariamente. N\u00e3o podemos escapar ao ju\u00edzo daqueles com quem nos relacionamos diariamente. Mesmo que n\u00e3o nos digam explicitamente uma palavra, percebemos qual a atitude dos outros em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s. Procuraremos adaptar-nos ao ambiente e, se n\u00e3o for poss\u00edvel, a vida em comum tornar-se-\u00e1 num tormento. O mesmo acontece tamb\u00e9m na rela\u00e7\u00e3o quotidiana com o Salvador. Tornamo-nos sempre mais sens\u00edveis ao que lhe agrada e ao que lhe desagrada. Se anteriormente est\u00e1vamos de um modo geral satisfeitos connosco, agora tudo ser\u00e1 diverso. Descobriremos muitas coisas em que mudar, e mudar-se-\u00e1 o que se pode. E descobriremos algumas coisas que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apropriadas e positivas, e que todavia n\u00e3o mais se podem mudar. Seremos ent\u00e3o mais pequenos, mais humildes; seremos mais pacientes e indulgentes com a palha nos olhos dos outros, porque se conseguir\u00e1 ver a trave nos nossos; finalmente aprenderemos a suportar-nos a n\u00f3s \u00e0 luz inexor\u00e1vel da divina Presen\u00e7a, e a abandonarmo-nos \u00e0 miseric\u00f3rdia divina, que pode libertar-nos de tudo o que rouba as nossas energias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um outro modo diverso de estarmos satisfeitos connosco, passar de ser um \u201cbom cat\u00f3lico\u201d que \u201ccumpre o seu dever\u201d, l\u00ea um \u201cbom jornal\u201d, \u201c vota como se deve\u201d, e para o resto faz o que lhe parece e apraz, a uma vida vivida m\u00e3o na m\u00e3o de Deus, e recebida da m\u00e3o de Deus, com a simplicidade da crian\u00e7a e a humildade do publicano. Contudo, quem nela avan\u00e7a uma vez, j\u00e1 n\u00e3o voltar\u00e1 para tr\u00e1s. Isto \u00e9 o que significa ser filhos de Deus: tornar-nos pequenos. Mas, significa, ao mesmo tempo, tornarmo-nos grandes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viver eucaristicamente significa sair das ang\u00fastias da pr\u00f3pria vida e inserir-se no horizonte infinito da vida de Cristo. Quem procura o Senhor na sua Casa, n\u00e3o querer\u00e1 t\u00ea-l\u2019O sempre ocupado falando-Lhe de si mesmo e das suas preocupa\u00e7\u00f5es. Come\u00e7ar\u00e1 a interessar-se pelas preocupa\u00e7\u00f5es do Senhor. A participa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria no Sacrif\u00edcio eucar\u00edstico arrasta-nos, sem nos darmos conta, na grande corrente da vida lit\u00fargica. As ora\u00e7\u00f5es e os gestos da celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica tornam a representar na nossa alma, no decorrer do ano lit\u00fargico, a hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, e fazem-nos penetrar sempre mais profundamente no seu sentido. E o pr\u00f3prio Sacrif\u00edcio imprime em n\u00f3s sempre mais o mist\u00e9rio central da nossa f\u00e9, ponto cardeal da Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o; o mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o e da Reden\u00e7\u00e3o. Quem poder\u00e1 participar com empatia de esp\u00edrito e de cora\u00e7\u00e3o na Eucaristia sem ser ele pr\u00f3prio tocado pelo esp\u00edrito de sacrif\u00edcio, sem ser tomado pelo desejo de ser ele pr\u00f3prio e a sua pequena exist\u00eancia pessoal, colaborador na grande obra de reden\u00e7\u00e3o do Salvador?\u00bb.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><em>*Santa Teresa Benedita da Cruz, As mais belas p\u00e1ginas de Edite Stein. Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, Avessadas 2003. pp 74-76.<\/em><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6187,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,133,150,91],"tags":[],"class_list":["post-6185","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-duas-asas","category-edith-stein","category-olhares-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6185"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6185\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6190,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6185\/revisions\/6190"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6187"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}