{"id":6166,"date":"2019-06-12T20:23:59","date_gmt":"2019-06-12T19:23:59","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6166"},"modified":"2019-06-12T21:27:17","modified_gmt":"2019-06-12T20:27:17","slug":"santissima-trindade-a-festa-de-deus-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/santissima-trindade-a-festa-de-deus-familia\/","title":{"rendered":"SANT\u00cdSSIMA TRINDADE | A FESTA DE DEUS FAM\u00cdLIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, na ceia de despedida, fala abundantemente do Esp\u00edrito Santo. Atribui-lhe fun\u00e7\u00f5es de companhia amiga, mestre que faz mem\u00f3ria do sucedido e ajuda \u00e0 sua compreens\u00e3o, conforto dos disc\u00edpulos e testemunha qualificada, perante o mundo adverso, luz do cora\u00e7\u00e3o que discerne a maldade do pecado e a bondade da gra\u00e7a, presentes nas situa\u00e7\u00f5es de vida, guia seguro para a verdade plena. \u00c9 sobretudo esta fun\u00e7\u00e3o que mais se destaca na festa da Sant\u00edssima Trindade.\u00a0<em>Jo 16, 12-15.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pintor crente Rublev faz uma expressiva visualiza\u00e7\u00e3o desta realidade inabarc\u00e1vel pelas capacidades humanas: Um \u00edcone de tr\u00eas pessoas que se entreolham e, no modo como se olham, fazem brilhar o amor de cada uma pelas outras. Traduz, assim, a rela\u00e7\u00e3o que existe entre o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito. S\u00e3o um s\u00f3 na comunh\u00e3o e tr\u00eas pessoas na pluralidade das fun\u00e7\u00f5es que manifestam ao longo da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Todas est\u00e3o presentes no agir de cada uma que assume o protagonismo. \u00c9 pelo seu agir em nosso benef\u00edcio que temos acesso ao mist\u00e9rio insond\u00e1vel da sua exist\u00eancia. \u00c9 pelo que Jesus promete aos disc\u00edpulos que podemos sentir a \u201cm\u00e3o\u201d segura do Esp\u00edrito Santo a conduzir-nos para esta verdade admir\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-Sinodal sobre os Jovens, afirma: \u201cDeus ama-te. Nunca duvides disto na tua vida, aconte\u00e7a o que acontecer. Em toda e qualquer circunst\u00e2ncia, \u00e9s infinitamente amado. Talvez a experi\u00eancia de paternidade que tiveste n\u00e3o seja a melhor: o teu pai terreno talvez se tenha mostrado distante e ausente ou, pelo contr\u00e1rio, dominador e possessivo; ou simplesmente n\u00e3o foi o pai que precisavas. N\u00e3o sei! Mas o que posso dizer-te com certeza \u00e9 que podes lan\u00e7ar-te, com seguran\u00e7a, nos bra\u00e7os do teu Pai divino, do Deus que te deu a vida e continua a d\u00e1-la a cada momento. Sustentar-te-\u00e1 com firmeza e, ao mesmo tempo, sentir\u00e1s que Ele respeita completamente a tua liberdade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este modo de ser de Deus constitui a fonte original da fam\u00edlia humana, quer na sua globalidade, quer na sua configura\u00e7\u00e3o por la\u00e7os de sangue. Por isso, desta fonte \u201cbebe\u201d o calor e a profundidade da comunh\u00e3o, o amor da doa\u00e7\u00e3o, o respeito pela diversidade de fun\u00e7\u00f5es, o dinamismo da fecundidade, o servi\u00e7o \u00e0 humanidade, a ternura na rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade, a fidelidade consumada na op\u00e7\u00e3o, a sinceridade na comunica\u00e7\u00e3o do que cada um \u00e9 e faz como riqueza de todos. A fam\u00edlia humana de sangue cont\u00e9m, em si mesma, ainda que de modo muito (anal\u00f3gico) parcelar, os tra\u00e7os emergentes desta matriz criadora. Conhec\u00ea-la, apreciar e viver os seus valores, testemunhar a sua for\u00e7a de modelo de vida plena \u00e9 aspira\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o e apelo da consci\u00eancia que evidenciam a dignidade a que estamos chamados cada vez mais. \u00c9 ela que oferece uma refer\u00eancia humana assertiva para as fam\u00edlias de sangue \u201cem desagrega\u00e7\u00e3o\u201d e a viver um amor de \u201cbaixa intensidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo conduz os disc\u00edpulos\/crist\u00e3os para a verdade plena, pois eles ainda n\u00e3o haviam compreendido o sentido da paix\u00e3o gloriosa de Jesus, como express\u00e3o do amor de Deus Pai \u00e0 humanidade. Paix\u00e3o sofrida que continua, hoje, em todas as v\u00edtimas inocentes de verdugos impiedosos, designadamente no tr\u00e1fico de seres humanos escravizados ou trucidados pela viol\u00eancia. Paix\u00e3o feliz que brilha no amor de doa\u00e7\u00e3o de tantos volunt\u00e1rios que deixam tudo e a tudo se arriscam para valer a quem est\u00e1 nas \u201cperiferias\u201d do indispens\u00e1vel para viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo percorre, com a comunidade crist\u00e3, os caminhos da hist\u00f3ria e vai ajudando-a a compreender o que acontece e a intervir, dentro do poss\u00edvel, para desvendar a presen\u00e7a e o sentido profundo do amor de Deus. A matriz do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 naturalmente rela\u00e7\u00e3o e alimenta sementes de comunh\u00e3o. O individualismo e a soledade (tristeza amarga e solit\u00e1ria), bem como impulsos de \u00f3dio e viol\u00eancia, de destrui\u00e7\u00e3o do outro e da natureza, constituem a nega\u00e7\u00e3o do que de melhor no seu humano enquanto templo da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sinal da cruz recorda e testemunha a realidade maravilhosa de Deus trindade. Sempre que o fazemos, de modo consciente, atestamos que Ele marca toda a nossa exist\u00eancia, que o Seu amor circula em nossos cora\u00e7\u00f5es por for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo que nos foi dado. A festa da Sant\u00edssima Trindade \u00e9 a nossa festa de fam\u00edlia, a festa da Igreja por excel\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6167,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-6166","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6166","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6166"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6166\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6170,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6166\/revisions\/6170"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6167"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}