{"id":6095,"date":"2019-05-31T16:14:30","date_gmt":"2019-05-31T15:14:30","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=6095"},"modified":"2020-03-17T13:32:15","modified_gmt":"2020-03-17T13:32:15","slug":"os-esplendores-da-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/os-esplendores-da-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Os esplendores da Ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right;\"><em>&#8216;Duas Asas&#8217; &#8211; rubrica dedicada ao pensamento e escritos de Edith Stein<\/em><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: right;\">(Parceria com o Carmelo de Cristo Redentor &#8211; Aveiro)<\/h6>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abN\u00e3o h\u00e1 nada em Cristo que, por Sua natureza e por livre decis\u00e3o da Sua vontade, se opusesse ao amor. Ele viveu cada instante da Sua exist\u00eancia terrestre num abandono sem reservas ao amor divino. Mas Ele tomou sobre Si, na Sua encarna\u00e7\u00e3o, todo o fardo dos pecados dos homens; o Seu amor misericordioso tomou-os e assumiu-os na Sua alma quando disse Ecce venio [Eis que Eu venho] pelo qual come\u00e7ou a Sua vida terrestre. Renovou esse gesto de forma expressa aquando do Seu Batismo, assim como ao pronunciar o Seu fiat [seja feita a Tua vontade] no Gets\u00e9mani. Foi assim que se consomou, no Seu interior, o fogo da expia\u00e7\u00e3o. Por isso as chamas expiadoras foram os sofrimentos que O acompanharam ao longo de toda a Sua vida. Estas reavivaram-se com uma intensidade acrescida no Jardim das Oliveiras e na Cruz. Nesse momento, a pr\u00f3pria felicidade que Lhe causava na alma a uni\u00e3o indissol\u00favel com o Pai acabou, para O abandonar inteiramente \u00e0 Sua dor, para O deixar experimentar o \u00faltimo abandono de Deus. O Consummatum est [Tudo est\u00e1 consumado] anuncia que o fogo da expia\u00e7\u00e3o toca o seu termo. O Seu In manus tuas commendo spiritum meum [Nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito] significa o regresso definitivo \u00e0 uni\u00e3o de Amor eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi pela Paix\u00e3o e Morte de Cristo que os nossos pecados foram consumidos. Quando aceitamos esta verdade com f\u00e9 e no abandono que a mesma f\u00e9 nos inspira, aceitamos tamb\u00e9m Cristo inteiro, quer dizer que escolhemos imitar a Cristo, ent\u00e3o Ele conduz-nos \u00abpela Sua Paix\u00e3o e pela Sua Cruz, \u00e0 gl\u00f3ria da Ressurrei\u00e7\u00e3o.\u00bb \u00c9 exatamente o que n\u00f3s experimentamos na contempla\u00e7\u00e3o. A\u00ed atravessamos o fogo da expia\u00e7\u00e3o para atingir a bem-aventuran\u00e7a da uni\u00e3o de amor. Esta \u00e9 ao mesmo tempo morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Depois da noite escura \u00e9 ent\u00e3o que a chama de amor viva irradia com todo o seu fulgor\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alma sente como se, do centro mais interior, jorrassem rios de \u00e1gua viva. Parece-lhe que se transforma em Deus e que, possu\u00edda por Ele com tanta for\u00e7a, recebe dons e virtudes t\u00e3o grandes que nada a separa da felicidade, a n\u00e3o ser um v\u00e9u fin\u00edssimo\u2026 Esta chama de amor viva n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o Esp\u00edrito Santo\u2026 nesta transforma\u00e7\u00e3o da alma em chama de amor, o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo comunicam-Se-lhe. Ela chega t\u00e3o perto de Deus que sente como que um raio de luz da vida eterna. \u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Ci\u00eancia da Cruz, Edi\u00e7\u00f5es Carmelo, 2017, p. 208-212.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\">Sete chamas de uma novena de Pentecostes<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify;\">Convidamo-lo a rezar em cada dia \u2013 quando lhe for mais conveniente \u2013 esta magn\u00edfica poesia oferecida no Pentecostes de 1942 \u00e0 prioresa do Carmelo de Echt que tinha acolhido na sua comunidade a Irm\u00e3 Benedita da Cruz e tamb\u00e9m \u00e0 sua Irm\u00e3 Rosa como Irm\u00e3 externa. A poesia foi composta para o Pentecostes de 17 de Maio de 1937, dia em que Rosa recebeu a sua Confirma\u00e7\u00e3o em Berslau.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\">Edith Stein\/ Teresa Benedita da Cruz<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Quem \u00e9s tu, doce luz, que me preenche<\/em><\/p>\n<p><em>E ilumina a treva do meu cora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>Como a m\u00e3o de uma m\u00e3e conduzes-me<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0E, se me deixasses,<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o saberia dar nem mais um passo.<\/em><\/p>\n<p><em>Tu \u00e9s o espa\u00e7o que envolve o meu ser<\/em><\/p>\n<p><em>Abrigando-o em Ti.<\/em><\/p>\n<p><em>Se Tu o rejeitasses,<\/em><\/p>\n<p><em>Escorreria a pique para o abismo do nada<\/em><\/p>\n<p><em>De onde o tiraste para o levantar para a luz.<\/em><\/p>\n<p><em>Tu, que me \u00e9s mais pr\u00f3ximo que eu de mim mesma,<\/em><\/p>\n<p><em>Que me \u00e9s mais interior que o meu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o,<\/em><\/p>\n<p><em>E, no entanto, \u00e9s esquivo, inconceb\u00edvel,<\/em><\/p>\n<p><em>Para al\u00e9m de todo o nome,<\/em><\/p>\n<p><em>Esp\u00edrito Santo, Amor eterno!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00e3o \u00e9s tu o man\u00e1 t\u00e3o doce ao meu palato,<\/em><\/p>\n<p><em>Que do Cora\u00e7\u00e3o do Filho transborda para o meu,<\/em><\/p>\n<p><em>Alimento dos anjos e dos bem-aventurados?<\/em><\/p>\n<p><em>Ele, que Se ergueu da morte para a vida,<\/em><\/p>\n<p><em>Soube despertar-me do sono da morte<\/em><\/p>\n<p><em>Para uma vida nova.<\/em><\/p>\n<p><em>Vida nova que me d\u00e1 a cada dia<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0E cuja plenitude um dia me inundar\u00e1,<\/em><\/p>\n<p><em>Vida da tua pr\u00f3pria vida,<\/em><\/p>\n<p><em>Tu mesmo, em verdade, Esp\u00edrito Santo, vida eterna!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1s Tu o raio de luz brilhando como o rel\u00e2mpago<\/em><\/p>\n<p><em>Diante do trono alt\u00edssimo do Juiz eterno,<\/em><\/p>\n<p><em>Penetrando como um ladr\u00e3o na noite da alma<\/em><\/p>\n<p><em>Que se ignorava a si mesma?<\/em><\/p>\n<p><em>Misericordioso, implac\u00e1vel tamb\u00e9m,<\/em><\/p>\n<p><em>Penetras at\u00e9 \u00e0s suas profundidades ocultas.<\/em><\/p>\n<p><em>A alma assusta-se com o que v\u00ea de si pr\u00f3pria<\/em><\/p>\n<p><em>E assim se guarda num temor sagrado<\/em><\/p>\n<p><em>Diante do princ\u00edpio de toda a Sabedoria<\/em><\/p>\n<p><em>Que vem do alto<\/em><\/p>\n<p><em>E nos prende a Si com uma \u00e2ncora s\u00f3lida,<\/em><\/p>\n<p><em>Diante da Tua a\u00e7\u00e3o que nos criou de novo,<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0Esp\u00edrito Santo, rel\u00e2mpago que nada p\u00e1ra!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1s Tu a plenitude do Esp\u00edrito e do poder<\/em><\/p>\n<p><em>Que permite ao Cordeiro quebrar os selos<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0Do decreto eterno da divindade?<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0 Tua ordem os mensageiros do julgamento<\/em><\/p>\n<p><em>Cavalgam pelo mundo inteiro e separam,<\/em><\/p>\n<p><em>Ao fio da espada, o Reino da luz<\/em><\/p>\n<p><em>Do reino da noite.<\/em><\/p>\n<p><em>Os c\u00e9us ser\u00e3o novos e a terra renovada,<\/em><\/p>\n<p><em>E tudo encontrar\u00e1 ent\u00e3o o seu justo lugar<\/em><\/p>\n<p><em>Pelo Teu sopro ligeiro: Esp\u00edrito Santo, poder vitorioso!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1s Tu o Mestre-de-obras,<\/em><\/p>\n<p><em>O construtor da catedral eterna<\/em><\/p>\n<p><em>Que da terra se eleva ao c\u00e9u?<\/em><\/p>\n<p><em>D\u00e1s vida \u00e0s suas colunas que se levantam,<\/em><\/p>\n<p><em>Altas e direitas, s\u00f3lidas e imut\u00e1veis.<\/em><\/p>\n<p><em>Marcadas pelo sinal do eterno Nome divino,<\/em><\/p>\n<p><em>Elas lan\u00e7am-se para a luz e sustentam a c\u00fapula<\/em><\/p>\n<p><em>Que remata e coroa a santa catedral,<\/em><\/p>\n<p><em>Obra Tua que abra\u00e7a o universo inteiro: Esp\u00edrito Santo,<\/em><\/p>\n<p><em>M\u00e3o de Deus criadora!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1s Tu quem cria o espelho l\u00edmpido<\/em><\/p>\n<p><em>Muito pr\u00f3ximo do trono de Senhor, o Alt\u00edssimo,<\/em><\/p>\n<p><em>Semelhante a um mar de cristal onde se contempla<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0A divindade numa troca de amor?<\/em><\/p>\n<p><em>Debru\u00e7as-Te sobre a obra mais bela de toda a Tua cria\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0E o Teu pr\u00f3prio esplendor de luz deslumbrante Te reenvia o seu reflexo,<\/em><\/p>\n<p><em>Que une a beleza pura de todos os seres<\/em><\/p>\n<p><em>Na figura cheia de gra\u00e7a da Virgem,<\/em><\/p>\n<p><em>Tua Esposa Imaculada:<\/em><\/p>\n<p><em>Esp\u00edrito Santo, Criador de tudo o que \u00e9!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ser\u00e1s tu o doce c\u00e2ntico de amor<\/em><\/p>\n<p><em>E de respeito sagrado que ecoa sem fim<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c0 volta do trono da Trindade Santa,<\/em><\/p>\n<p><em>Sinfonia em que ressoa<\/em><\/p>\n<p><em>A nota pura dada por cada criatura?<\/em><\/p>\n<p><em>O som harmonioso,<\/em><\/p>\n<p><em>A concord\u00e2ncia un\u00e2nime dos membros e da Cabe\u00e7a,<\/em><\/p>\n<p><em>Pela qual cada um, no auge da alegria,<\/em><\/p>\n<p><em>Descobre o sentido misterioso do seu ser<\/em><\/p>\n<p><em>E o deixa jorrar num grito de j\u00fabilo,<\/em><\/p>\n<p><em>libertado ao participar da Tua pr\u00f3pria efus\u00e3o:<\/em><\/p>\n<p><em>Esp\u00edrito Santo, j\u00fabilo eterno!<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Duas Asas&#8217; 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