{"id":5890,"date":"2019-05-08T14:53:07","date_gmt":"2019-05-08T13:53:07","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5890"},"modified":"2019-05-08T14:53:25","modified_gmt":"2019-05-08T13:53:25","slug":"dez-regras-para-a-vida-de-jean-vanier","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/dez-regras-para-a-vida-de-jean-vanier\/","title":{"rendered":"Dez regras para a vida, de Jean Vanier"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Artigo recolhido do <a href=\"https:\/\/www.snpcultura.org\/dez_regras_para_a_vida_de_jean_vanier.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SNPC<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Aceita a realidade do teu corpo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que um homem se torne homem, deve estar confort\u00e1vel com o seu corpo. Um corpo \u00e9 fr\u00e1gil, como todos os corpos. Nascemos na fragilidade, como beb\u00e9s, morremos na fragilidade. E quando se chega a uma certa idade\u2026 90 anos! [estas palavras foram proferidas por ocasi\u00e3o desse anivers\u00e1rio], come\u00e7amos a tornar-nos mais fr\u00e1geis; esquecemo-nos do que queremos dizer, esque\u00e7o as palavras; estou mais fr\u00e1gil, tenho de fazer uma sesta ap\u00f3s o almo\u00e7o, tenho de ir andar, porque se n\u00e3o ando, dizem-me: \u00abSe n\u00e3o os utilizas, perde-los. Tenho de aceitar que tenho 90 anos, j\u00e1 n\u00e3o tenho 50 ou 40 ou 30. N\u00e3o posso fazer tudo aquilo que gostaria de fazer. Mas descubro que \u00e9 bom ser eu mesmo, hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Fala das tuas emo\u00e7\u00f5es e dificuldades<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens t\u00eam dificuldade em exprimir as suas emo\u00e7\u00f5es. A maior dificuldade com os homens \u00e9 que quando est\u00e3o contrariados, depressa se encolerizam, e a c\u00f3lera depressa pode tornar-se viol\u00eancia. Se t\u00eam per\u00edodos de solid\u00e3o, ou sentimentos de n\u00e3o ter sucesso, os homens podem rapidamente compensar isso com um pouco mais de \u00e1lcool, um pouco de droga, porque a realidade \u00e9 dif\u00edcil. Os homens t\u00eam dificuldades com a realidade. Os homens s\u00e3o maravilhosos na ideologia, na ideologia da normalidade. Podem desligar-se da realidade. E \u201cser humano\u201d \u00e9 \u201camar a realidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. N\u00e3o tenhas medo de n\u00e3o ter sucesso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens t\u00eam muito rapidamente a tend\u00eancia para julgar, porque a necessidade de ganhar \u00e9 muito profunda. N\u00e3o digo que as mulheres n\u00e3o tenham necessidade de ter sucesso, mas h\u00e1 esta inclina\u00e7\u00e3o. Nos homens \u00e9 uma quest\u00e3o de poder, de sucesso, e um grande medo, um dos maiores medos \u00e9 o de n\u00e3o ter sucesso. E, portanto, o medo da doen\u00e7a, medo da fragilidade, medo de n\u00e3o ter sucesso, porque h\u00e1 esta equa\u00e7\u00e3o: \u00abSerei amado se tiver sucesso\u00bb. Mas eles t\u00eam de descobrir: \u00abTu \u00e9s belo como \u00e9s\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Numa rela\u00e7\u00e3o, reserva tempo para perguntar: \u00abComo est\u00e1s?\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor est\u00e1 ligado \u00e0 fragilidade. Muitas vezes, os homens n\u00e3o veem a tirania da normalidade, enquanto que a mulher tem uma intelig\u00eancia maior e v\u00ea as coisas, mas os homens podem ser apanhados\u2026 Eis um dos maiores problemas do homem: ser\u00e1 que ele se casou com o seu sucesso no trabalho, ou casou-se com a sua mulher? O que \u00e9 mais importante: subir a escala das promo\u00e7\u00f5es? &#8211; \u00abv\u00ea, acabei de ter um aumento de sal\u00e1rio! Tenho de viajar mais\u00bb. Mas ele nem sempre reserva tempo para perguntar \u00abcomo est\u00e1s?\u00bb; \u00abde que \u00e9 que precisas?\u00bb. Ele tem de amar a sua mulher na sua diferen\u00e7a: a sua afetividade, a sua sexualidade\u2026 Ela \u00e9 diferente. Aceitar as pessoas como s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5. Para de olhar para o teu telem\u00f3vel. S\u00ea presente!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos num mundo onde as ideias flutuam, e em que estamos mais controlados pela televis\u00e3o e internet, e mais controlados pelo telem\u00f3vel. Por exemplo, eu recebi aqui [casa de repouso] cinco jovens, e todos tinham os seus telem\u00f3veis no bolso. E eu disse-lhes: \u00abV\u00f3s sois pessoas de comunica\u00e7\u00e3o. Sois pessoas presentes? Sois capazes de escutar? Sois capazes \u201cde estar com\u201d?\u00bb. H\u00e1 toda uma vis\u00e3o com as novidades tecnol\u00f3gicas \u2013 que s\u00e3o fant\u00e1sticas! \u2013, mas como todas as tecnologias podem-nos conduzir ao extraordin\u00e1rio. E a interioridade, a reflex\u00e3o, a presen\u00e7a aos outros, diminui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">6. Pergunta \u00e0s pessoas: \u00abQual \u00e9 a tua hist\u00f3ria?\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser humano \u00e9 saber como estar em rela\u00e7\u00e3o. E estar em rela\u00e7\u00e3o \u00e9: \u00abConta-me a tua hist\u00f3ria\u00bb. Vou contar-vos a hist\u00f3ria de uma respons\u00e1vel na Austr\u00e1lia que trabalhava junto de pessoas no meio da prostitui\u00e7\u00e3o, para as ajudar a sair dela. Um dia ela estava num parque, em Sydney, e havia um jovem prestes a morrer de overdose. E as suas \u00faltimas palavras foram: \u00abTu quiseste sempre mudar-me, nunca me quiseste encontrar\u00bb. Porque encontrar \u00e9 escutar. \u00abConta-me a tua hist\u00f3ria, diz-me onde est\u00e1 a tua ferida, diz-me onde est\u00e1 o teu cora\u00e7\u00e3o, as coisas que desejas\u00bb. Por isso, quem \u00e9 humano \u00e9 algu\u00e9m que sabe como encontrar-se com os outros, como trabalhar com os outros, como amar os outros, como ver que tu tens dons que eu n\u00e3o tenho! Eu tenho dons, claro, claro! Tenho dons. Sei coisas, tenho experi\u00eancia, tenho 90 anos de experi\u00eancia. Mas tu tamb\u00e9m. Tu viveste experi\u00eancias. Tu tens diferen\u00e7as. Por isso preciso de te escutar. Porque a tua hist\u00f3ria \u00e9 diferente da minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">7. S\u00ea consciente da tua pr\u00f3pria hist\u00f3ria<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tu \u00e9s tu! E eu sou eu. Tu \u00e9s precioso. Tens as tuas ideias, pol\u00edticas, religiosas, n\u00e3o religiosas\u2026 Tens a tua vis\u00e3o do mundo, ou s\u00f3 a tua vis\u00e3o para ti mesmo. Mas eu tamb\u00e9m. A minha educa\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 que eu de repente me zango t\u00e3o depressa por algu\u00e9m me contradizer? Temos um temperamento, temos mesmo algo mais profundo do que isso, que \u00e9 o inconsciente. Por isso, quando falo da necessidade de ser mais humilde, estar mais \u00e0 escuta, isso deve-se \u00e0 minha hist\u00f3ria. Os primeiros anos da inf\u00e2ncia marcam-nos. Por isso tenho de compreender o meu temperamento. Isso pode ajudar-me a compreender por que \u00e9 tu est\u00e1s sempre a falar, enquanto que eu permane\u00e7o em sil\u00eancio. Porque \u00e9 que alguns est\u00e3o sempre prestes a escapar-se na sua cabe\u00e7a e n\u00e3o se ligam facilmente \u00e0 realidade; gostam de pensar em coisas, mais do que estar em contacto com a realidade. N\u00e3o \u00e9 apenas algo que controlemos pela nossa vontade. H\u00e1 o nosso inconsciente que devemos aprender a conhecer. Temos de descobrir onde est\u00e3o os nossos medos, qual \u00e9 o nosso maior medo. Porque esse \u00e9 o problema fundamental. Talvez na tua hist\u00f3ria haja uma hist\u00f3ria de medo\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">8. Det\u00e9m os preconceitos: encontra-te com as pessoas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s somos apanhados na tirania da cultura, que \u00e9 a minha cultura, o meu grupo, a minha religi\u00e3o, o meu partido pol\u00edtico, meu isto, meu aquilo, porque isso d\u00e1-me seguran\u00e7a. Mas \u00abser humano\u00bb \u00e9 \u00abtornar-se livre\u00bb. Livre de ser eu mesmo. Livre de me tornar um membro da humanidade. Vou contar-vos uma hist\u00f3ria de quando estava no Chile. Fui acolhido no aeroporto por Denis, para me conduzir a Santiago. E no caminho ele abrandou e disse: \u00ab\u00c0 esquerda, todas as casas ricas s\u00e3o defendidas e protegidas pela pol\u00edcia e pelos militares. Do outro lado est\u00e3o as barracas\u00bb. E depois disse: \u00abNingu\u00e9m atravessa esta estrada. Toda a gente tem medo\u00bb. Portanto, o grande truque para ser humano \u00e9 encontrar as pessoas. Encontrar pessoas que s\u00e3o diferentes. E isto n\u00e3o s\u00e3o apenas grandes ideias! O grande truque \u00e9 a experi\u00eancia. As pessoas precisam de viver uma experi\u00eancia, n\u00e3o de viver ideias. Como, por exemplo, ir do bairro rico para as barracas daquela cidade. Tu precisas de encontrar as pessoas, e descobrir que a outra pessoa \u00e9 magn\u00edfica. Ent\u00e3o, como criar encontros? \u00c9 a grande quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">9. Ouve o teu desejo mais profundo e segue-o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s somos diferentes, muito diferentes, dos p\u00e1ssaros e dos c\u00e3es. H\u00e1 hoje uma tend\u00eancia que diz que os homens s\u00e3o como os animais. Claro que s\u00e3o! Mas os animais s\u00e3o muito diferentes. N\u00f3s, os seres humanos, n\u00e3o nos contentamos por comer e ter beb\u00e9s. H\u00e1 algo mais. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de infinito no nosso interior. N\u00e3o ficamos satisfeitos com o que \u00e9 finito. Queremos quebrar os muros das pris\u00f5es. Chamo a isso a busca espiritual, a busca do infinito. Toda a gente quer isso! Quando se est\u00e1 sentado no alto da montanha a contemplar o mundo, o mar, o sol, a contemplar as flores! Contemplar de onde vem tudo isso? O universo come\u00e7ou, o universo terminar\u00e1. Onde? Porque \u00e9 que come\u00e7ou? E onde terminar\u00e1? Eu tive a oportunidade, quando tive um grande desejo, aos 13 anos, de me juntar \u00e0 Marinha de Guerra brit\u00e2nica em plena guerra; era perigoso, mas o meu pai escutou, e disse: \u00abSe \u00e9 o que tu queres, deves faz\u00ea-lo\u00bb. Ele deve ter percebido que n\u00e3o era apenas um desejo v\u00e3o. Era um desejo aut\u00eantico. E \u00e9 o que eu chamaria hoje \u201ca voz interior\u201d. Qual \u00e9 o teu maior desejo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">10. Lembra-te de que um dias morrer\u00e1s<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o sou o rei do mundo, e seguramente n\u00e3o sou Deus! Sou apenas algu\u00e9m que nasceu h\u00e1 90 anos e que vai morrer daqui a poucos anos\u2026 e depois toda a gente me esquecer\u00e1. \u00c9 a realidade. Estamos todos aqui, mas somos apenas pessoas de passagem, em viagem. Entramos no comboio, sa\u00edmos do comboio, o comboio continua. A humanidade existe h\u00e1 milh\u00f5es de anos, e aqui estamos n\u00f3s hoje, qualquer que seja o ano, 2000 e qualquer coisa. E o mundo vai continuar quando eu j\u00e1 n\u00e3o estiver nele.<\/p>\n<div class=\"col-xs-12\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"video-container\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wtyX_nXbTx4?rel=0\" width=\"1180\" height=\"664\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p style=\"text-align: right;\"><span class=\"autor\">Jean Vanier<br \/>\nTrad.: Rui Jorge Martins<br \/>\nPublicado em\u00a007.05.2019<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo recolhido do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5894,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,10],"tags":[],"class_list":["post-5890","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-acontece","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5890"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5890\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5896,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5890\/revisions\/5896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}