{"id":5848,"date":"2019-05-02T18:18:02","date_gmt":"2019-05-02T17:18:02","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5848"},"modified":"2019-05-02T18:18:02","modified_gmt":"2019-05-02T17:18:02","slug":"refeicao-de-jesus-na-praia-com-os-discipulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/refeicao-de-jesus-na-praia-com-os-discipulos\/","title":{"rendered":"REFEI\u00c7\u00c3O DE JESUS NA PRAIA COM OS\u00a0DISC\u00cdPULOS"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus ressuscitado surpreende os disc\u00edpulos em diversos locais e fases do dia. E tamb\u00e9m de ocupa\u00e7\u00f5es. Prossegue as iniciativas para os reagrupar e comprovar a realiza\u00e7\u00e3o da promessa que lhes havia feito de ressuscitar ap\u00f3s a morte de que iria ser v\u00edtima. \u00c9 a Maria Madalena, a Cl\u00e9ofas e sua companhia, aos disc\u00edpulos fechados em casa e aos que estavam na margem do mar de Tiber\u00edades, ap\u00f3s a faina da pesca. E a muitos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor do relato, que leva o nome de Jo\u00e3o, faz uma bela composi\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica, lan\u00e7ando m\u00e3o a elementos hist\u00f3ricos de grande alcance simb\u00f3lico. E redige o cap\u00edtulo final em que, ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o na praia, real\u00e7a o \u201cpapel\u201d de Pedro como pastor que segue o Bom Pastor, a miss\u00e3o que \u00e9 confiada a todos os disc\u00edpulos a ser sempre realizada. E hoje com coragem redobrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco ao dirigir-se especialmente aos Jovens, ap\u00f3s o S\u00ednodo que lhes foi dedicado, afirma: \u201c\u00c9 verdade que n\u00f3s, membros da Igreja, n\u00e3o devemos ser \u2018bichos estranhos\u2019. Todos se devem sentir como irm\u00e3os e pr\u00f3ximos, como os ap\u00f3stolos, que \u2018tinham a simpatia de todo o povo\u2019. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, devemos atrever-nos a ser diferentes, a mostrar outros sonhos que este mundo n\u00e3o oferece, a dar testemunho da beleza, da generosidade, do servi\u00e7o, da pureza, da fortaleza, do perd\u00e3o, da fidelidade \u00e0 pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o, da ora\u00e7\u00e3o, da luta pela justi\u00e7a e pelo bem comum, do amor aos pobres e da amizade social\u201d (Cristo Vive, n. 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato de Jo\u00e3o, hoje meditado em 21, 1-19, centra-se na refei\u00e7\u00e3o da praia, que segue de perto a narra\u00e7\u00e3o do \u201cpic-nic\u201d, ap\u00f3s a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes. (Mt 15, 29-39). Vamos deter-nos em alguns pontos significativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Ressuscitado aparece na margem do mar e ningu\u00e9m adverte nem o reconhece. N\u00e3o faz, nem veste, nem diz nada de estranho. Mas normal. Parece alheio a tudo. Os disc\u00edpulos continuam preocupados em retomar o trabalho que tinham antes de andarem com Ele e correspondem \u00e0 decis\u00e3o de Pedro de ir pescar. Fazem-se ao mar, labutam o tempo todo e regressam sem nada. Novo fracasso, pesado, para quem ainda digeria a desilus\u00e3o da morte do Mestre. Fracasso que lhes causa preocupa\u00e7\u00e3o e amargura, pois o dia est\u00e1 a nascer, a hora da pesca havia passado, a comida faltava e os encargos oficiais mantinham-se. Que situa\u00e7\u00e3o aflitiva! Antecipa, ainda que em g\u00e9rmen, os efeitos das crises laborais de toda a esp\u00e9cie que, sobretudo ap\u00f3s o in\u00edcio da era industrial, atormentam o mundo do trabalho. (As manifesta\u00e7\u00f5es\u00a0\u00a0do 1\u00bade Maio fazem-se eco desta realidade). E deixa a descoberto a necessidade de organiza\u00e7\u00f5es sindicais e outras que promovam a dignidade das pessoas que trabalham, dos seus direitos e deveres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRapazes, tendes alguma coisa que comer?\u201d pergunta de mendigo que se solidariza com o infort\u00fanio da noite. Pergunta de pessoa estranha a denotar interesse em ajudar. Pergunta de algu\u00e9m desconhecido que quer fazer-se pr\u00f3ximo. \u201cLan\u00e7ai a rede para a direita do barco e encontrareis\u201d prossegue face \u00e0 resposta negativa. E assim aconteceu. A pesca foi t\u00e3o abundante que tiveram grande dificuldade em regressar \u00e0 margem, arrastando a rede. Jo\u00e3o, o disc\u00edpulo amado, reconhece e identifica o estranho e vai diz\u00ea-lo a Pedro: \u201c\u00c9 o Senhor\u201d. (O cora\u00e7\u00e3o antecipa-se e abre caminho \u00e0 raz\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao chegarem \u00e0 praia, ocorre nova surpresa: brasas acesas, com peixe a assar e p\u00e3o. Jesus pede-lhes que tragam alguns peixes dos que tinham apanhado. E assim fizeram. A ementa estava pronta e a refei\u00e7\u00e3o preparada. \u201cVinde comer\u201d, diz-lhes em am\u00e1vel convite, rapidamente aceite pois todos sabiam que era o Senhor. \u201cJesus aproximou-se, tomou o p\u00e3o e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes\u201d. Que maravilha! O Ressuscitado n\u00e3o apenas aparece, mas oferece-se em refei\u00e7\u00e3o. O ressuscitado faz-se comunh\u00e3o com os disc\u00edpulos. O Ressuscitado introduz uma seiva nova na realidade quotidiana e opera uma transforma\u00e7\u00e3o radical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele, o estranho desconhecido, passa a ser o Senhor. A noite e as trevas d\u00e3o lugar \u00e0 luz. O fracasso da pesca passa a abund\u00e2ncia de peixes. A fome \u00e9 saciada na refei\u00e7\u00e3o abundante de Jesus. \u201cA presen\u00e7a do Ressuscitado, afirma Manicardi, produz estas mudan\u00e7as e recria a comunidade, que estava reduzida a um grupo diminuto de gente desorientada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor da narrativa anota um pormenor precioso e significativo. Pedro, ao ouvir que era o Senhor, atira-se \u00e0 \u00e1gua e vai ao Seu encontro. Sem medos nem demoras. Que impulso o moveria? O cora\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o totalmente sanado e recuperado tem o seu ritmo e quer mostrar-se penitente e reconhecido. E deixa-nos o apelo a encurtar dist\u00e2ncias, a enfrentar perigos, a viver a paix\u00e3o do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO desejo de Deus, afirma o Papa Francisco na mensagem para o 56\u00ba Dia Mundial de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, intitulada \u00abA coragem de arriscar pela promessa de Deus\u00bb e que neste domingo se inicia\u00a0\u00a0\u00e9 que a nossa vida n\u00e3o se torne prisioneira do banal, n\u00e3o se deixe arrastar por in\u00e9rcia nos h\u00e1bitos de todos os dias, nem permane\u00e7a inerte perante aquelas op\u00e7\u00f5es que lhe poderiam dar significado. O Senhor n\u00e3o quer que nos resignemos a viver o dia a dia, pensando que afinal de contas n\u00e3o h\u00e1 nada por que valha a pena comprometer-se apaixonadamente e apagando a inquieta\u00e7\u00e3o interior de procurar novas rotas para a nossa navega\u00e7\u00e3o. Se \u00e0s vezes nos faz experimentar uma \u00abpesca miraculosa\u00bb, \u00e9 porque nos quer fazer descobrir que cada um de n\u00f3s \u00e9 chamado \u2013 de diferentes modos \u2013 para algo de grande, e que a vida n\u00e3o deve ficar presa nas redes do sem-sentido e daquilo que anestesia o cora\u00e7\u00e3o. Em suma, a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 um convite a n\u00e3o ficar parado na praia com as redes na m\u00e3o, mas seguir Jesus pelo caminho que Ele pensou para n\u00f3s, para a nossa felicidade e para o bem daqueles que nos rodeiam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A refei\u00e7\u00e3o na praia \u2013 que \u00e9 simbolo da Eucaristia \u2013 celebra o Senhor ressuscitado que acompanha, anima e guia os disc\u00edpulos na miss\u00e3o nas encruzilhadas da vida. \u00c2nimo! Ele est\u00e1 e convive connosco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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