{"id":5816,"date":"2019-04-25T15:01:25","date_gmt":"2019-04-25T14:01:25","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5816"},"modified":"2019-04-25T15:01:25","modified_gmt":"2019-04-25T14:01:25","slug":"domingo-da-misericordia-2019-o-ressuscitado-convive-connosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/domingo-da-misericordia-2019-o-ressuscitado-convive-connosco\/","title":{"rendered":"Domingo da Miseric\u00f3rdia 2019 | O RESSUSCITADO CONVIVE CONNOSCO"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 ao cair da tarde. Em Jerusal\u00e9m, cidade onde h\u00e1 dias havia ocorrido a morte por crucifix\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9. A noitinha est\u00e1 prestes a chegar. Come\u00e7am a rarear os \u00faltimos clar\u00f5es de luz. A hora do tempo marca o ritmo do cora\u00e7\u00e3o e indicia o estado de \u00e2nimo dos disc\u00edpulos: Esperan\u00e7a muito em baixo. Refugiados em casa, est\u00e3o cheios de medo e com as portas trancadas. Sobretudo as do esp\u00edrito encerrado no futuro imediato. O desfecho dos seus sonhos, que duraram quase tr\u00eas anos, deixou-os em estado de choque. O Rabi, o Mestre em quem haviam depositado total confian\u00e7a, teve morte tr\u00e1gica.\u00a0\u00a0E agora, que vai ser de n\u00f3s? Ser\u00e1 conhecido o nosso ref\u00fagio e esconderijo? Vir\u00e3o \u00e0 nossa procura? Que nos far\u00e3o? E muitas outras d\u00favidas e perguntas enchiam a sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus apresenta-se no meio deles. De modo simples. Sempre Ele a tomar a iniciativa, a surpreender. E sa\u00fada-os amigavelmente: \u201cA paz esteja convosco\u201d. Jo\u00e3o, o narrador do epis\u00f3dio (Jo 20, 19-31), n\u00e3o faz alus\u00e3o a qualquer censura pelo passado recente. Apenas refere que lhes mostra as m\u00e3os e o lado, com as cicatrizes da paix\u00e3o, sinais da sua identidade de crucificado. N\u00e3o haja d\u00favidas. \u00c9 Ele mesmo. \u00c9st\u00e1 \u00e0 vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma nova aurora come\u00e7a a despontar: O esp\u00edrito desanuvia-se, a esperan\u00e7a renasce e o cora\u00e7\u00e3o enche-se de alegria. Este movimento interior \u00e9 estimulado por Jesus ressuscitado que prossegue: \u201cA paz esteja convosco. Assim como o Pai Me enviou, tamb\u00e9m Eu vos envio a v\u00f3s\u201d. E para os guiar na miss\u00e3o e garantir a fidelidade na comunica\u00e7\u00e3o da mensagem, acrescenta: \u201cRecebei o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-\u00e3o perdoados; e \u00e0queles a quem os retiverdes, ser-lhes-\u00e3o retidos\u201d. Que contraste de atitudes! Que confian\u00e7a acrescida e credenciada! Que tesouro lhes deixa em \u201cm\u00e3os de barro\u201d t\u00e3o pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a miss\u00e3o come\u00e7a pelos de casa. Tom\u00e9, o ausente, recebe a boa not\u00edcia: \u201cVimos o Senhor!\u201d. (Os sentidos humanos constituem \u201cvias de acesso\u201d \u00e0s realidades divinas). Reage com prud\u00eancia. O an\u00fancio vinha de quem se tinha \u201cportado mal\u201d, negando-o e fugindo. A novidade ultrapassa a imagina\u00e7\u00e3o, o que a raz\u00e3o humana pode alcan\u00e7ar. \u00c9 arriscado aceitar, sem provas, o testemunho dado. A cautela \u00e9 a melhor conselheira, reconhece o disc\u00edpulo prudente. Por isso quer ver o sinal dos cravos, quer meter a m\u00e3o no peito aberto pela lan\u00e7a, quer fazer a experi\u00eancia dos sentidos, tocando as cicatrizes das chagas. E este desejo, vai ser satisfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passados oito dias, Jesus mostra-se de novo. Agora, Tom\u00e9 est\u00e1 no grupo, na comunidade reunida. Faz a sauda\u00e7\u00e3o da paz e dirige-se a ele, dizendo: \u201cP\u00f4e aqui o teu dedo e v\u00ea as minhas m\u00e3os; aproxima a tua m\u00e3o e mete-a no meu lado e n\u00e3o sejas incr\u00e9dulo, mas crente\u201d. A oferta supera a exig\u00eancia, o amor aproxima a dist\u00e2ncia e a miseric\u00f3rdia faz-se compaix\u00e3o. E Tom\u00e9 nem precisa de tanta solicitude. A exclama\u00e7\u00e3o sai-lhe espont\u00e2nea e convicta: \u201cMeu Senhor e meu Deus!\u201d. \u00c9 a f\u00e9 de aceita\u00e7\u00e3o incondicional, superadas as d\u00favidas leg\u00edtimas. \u00c9 a resposta humana razo\u00e1vel tocada pela luz divina. \u00c9 o encontro pessoal de quem faz uma experi\u00eancia marcante geradora de novos dinamismos de rela\u00e7\u00e3o filial e de adora\u00e7\u00e3o contemplativa. Esta \u00e9 a not\u00edcia que enche o nosso cora\u00e7\u00e3o de alegria e confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 um Homem, na hist\u00f3ria, confessa Tolentino de Mendon\u00e7a, arcebispo, que ressuscita, e que Deus constitui como princ\u00edpio de um novo destino para a nossa humanidade. Verdadeiramente Aquele que contemplaste na cruz est\u00e1 vivo e caminha \u00e0 frente dos seus, Aquele que viste esmagado pelo sofrimento testemunha um amor capaz de vencer a morte Aquele que viste ser deposto no sepulcro deixou vazio o seu sepulcro. Esta \u00e9 a not\u00edcia que o teu cora\u00e7\u00e3o esperava como nenhuma outra, mas na qual nem sequer ousavas pensar. Este \u00e9 o dia, o primeiro dia da tua re-cria\u00e7\u00e3o em Cristo. Alegra-te, por isso. Que tu possas rejubilar imensamente. Reveste o teu cora\u00e7\u00e3o de festa. Compreende que na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e1 toda a vida que se amplifica, se ilumina\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Evangelho de Jo\u00e3o \u00e9 escrito para os crist\u00e3os que n\u00e3o viram Jesus, mas est\u00e3o chamados a ser disc\u00edpulos, a viver a alegria da f\u00e9. \u201cFelizes os que acreditam sem terem visto\u201d, afirma Jesus abrindo horizontes de bem-aventuran\u00e7a a todas as gera\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is seguidores, a n\u00f3s portanto. Que maravilha! Vale a pena meditar esta verdade interpelante e consoladora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o conclui a narra\u00e7\u00e3o dando a garantia de que Jesus fez muitas outras coisas que n\u00e3o est\u00e3o escritas no seu livro, mas estas ficam como registo de factos ao servi\u00e7o da f\u00e9 em Jesus, o Filho de Deus, o Messias que d\u00e1 a vida a quem acredita em seu nome. E desde ent\u00e3o, a hist\u00f3ria mostra tantas maravilhas que o Senhor Jesus realiza por meio de quem O segue com fidelidade criativa. E tamb\u00e9m muitas omiss\u00f5es e desvios que, no dizer do Papa Francisco, nos devem causar vergonha e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final da Via Sacra, no Coliseu em Roma, a 30 de Mar\u00e7o de 2018, reza dirigindo-se a Jesus Crucificado: \u201cSenhor Jesus, a v\u00f3s dirigimos o nosso olhar cheio de vergonha, de arrependimento e de esperan\u00e7a&#8230; Vergonha, por deixarmos aos jovens um mundo dilacerado e dividido, devorado pelas guerras, pelo ego\u00edsmo, pela marginaliza\u00e7\u00e3o. Enfim, vergonha por termos perdido a vergonha. Senhor, dai-nos sempre a gra\u00e7a da santa vergonha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nova presen\u00e7a de Jesus acontece, segundo Jo\u00e3o, nos sinais que narra, nas cicatrizes do mundo que aponta. No texto de hoje, destaca a passagem do medo \u00e0 paz do esp\u00edrito, a comunidade reunida e aberta \u00e0 novidade do perd\u00e3o, a escuta da Palavra testemunhada, a reconcilia\u00e7\u00e3o fraterna, fruto da penit\u00eancia sacramental dos pecados, a celebra\u00e7\u00e3o da eucaristia e o amor ao domingo, dia escolhido por Ele para se manifestar aos seus amigos, o envio do Esp\u00edrito, garante da miss\u00e3o confiada \u00e0 sua Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, o Senhor, est\u00e1 ao alcance do nosso olhar; procura v\u00ea-lo nos sinais que nos deixa e corresponder-Lhe na ora\u00e7\u00e3o e no servi\u00e7o; est\u00e1 no meio de n\u00f3s, sempre que nos reunimos em seu nome; est\u00e1 e convive connosco nos esfor\u00e7os de cada um\/a por uma vida digna de todos\/as, na alegria dos que irradiam o amor com que Deus Pai nos ama. Aleluia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. Georgino Rocha<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5817,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-5816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5816"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5816\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5818,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5816\/revisions\/5818"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}