{"id":575,"date":"2017-04-30T18:08:03","date_gmt":"2017-04-30T18:08:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=575"},"modified":"2017-05-19T13:58:41","modified_gmt":"2017-05-19T13:58:41","slug":"o-ressuscitado-caminha-connosco-ao-ritmo-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/o-ressuscitado-caminha-connosco-ao-ritmo-da-vida\/","title":{"rendered":"O Ressuscitado caminha connosco ao ritmo da vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\">Georgino Rocha<\/p>\n<p><strong>Jesus persiste em recorrer a media\u00e7\u00f5es humanas para mostrar a novidade da sua vida de ressuscitado, ap\u00f3s a morte. Lucas, o narrador do epis\u00f3dio de Ema\u00fas, apresenta-o como caminhante junto de dois disc\u00edpulos que rumavam \u00e0quela povoa\u00e7\u00e3o. Esmorecidos e frustrados. Ao cair da tarde. Ao terminar do dia. Ao chegar a noite. S\u00edmbolos expressivos da agonia da esperan\u00e7a que lhes ia roendo o cora\u00e7\u00e3o. S\u00edmbolos da disposi\u00e7\u00e3o de tantos cora\u00e7\u00f5es surpreendidos perante o insucesso provis\u00f3rio das suas op\u00e7\u00f5es de vida.<\/strong>\u00a0<strong><em>Lc 24, 13-35.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0O Papa Francisco, na audi\u00eancia geral do passado dia 26, reconhece-o e afirma que:<\/strong>\u00a0<strong>\u201cA nossa exist\u00eancia \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o, temos uma alma migrante. Somos um povo de caminhantes, tendo Jesus por companheiro de viagem: \u00abEu estarei sempre convosco at\u00e9 ao fim dos tempos\u00bb. Assim quis Ele assegurar-nos de que n\u00e3o Se limita a esperar-nos l\u00e1 no fim da nossa viagem, mas j\u00e1 nos acompanha em cada um dos nossos dias\u201d. Grande certeza que nos consola.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica de Jerusal\u00e9m a Ema\u00fas \u00e9 relativamente curta, mas simboliza um itiner\u00e1rio enorme de inicia\u00e7\u00e3o que, normalmente, os candidatos \u00e0 vida crist\u00e3 e inser\u00e7\u00e3o eclesial est\u00e3o chamados a percorrer. Outrora, os disc\u00edpulos eram Cl\u00e9ofas (que significa celebra\u00e7\u00e3o) e o seu inominado companheiro (talvez para sermos n\u00f3s a dar-lhe nome). Regressam \u00e0 aldeia, ap\u00f3s o fracasso das suas expectativas provocado pelo desfecho tr\u00e1gico da vida do seu mestre, Jesus de Nazar\u00e9. D\u00e3o largas a este estado de esp\u00edrito, lamentam o sucedido e \u201csonham\u201d retomar um passado que n\u00e3o volta. Alimentam e ampliam a amargura da frustra\u00e7\u00e3o, \u201ccurtida\u201d em conversas e atitudes. Sem horizontes de futuro onde brilhe qualquer \u201csem\u00e1foro\u201d de esperan\u00e7a. Amarrados a um presente marcado pelas chagas ainda em ferida viva e sangrante, carregam as gratas recorda\u00e7\u00f5es de um tempo feliz e vivem \u00e0 procura de sentido para a etapa que se avizinha.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O di\u00e1logo com o desconhecido, que se faz companheiro, mostra a dolorosa situa\u00e7\u00e3o em que se encontram e a novidade de rumores incr\u00edveis que come\u00e7avam a surgir. Constitui uma excelente amostra do sentir de tantos contempor\u00e2neos, uma boa refer\u00eancia para lan\u00e7ar pontes de contacto e iniciar uma viagem comum, com o ritmo cadenciado dos passos de cada um e com a franqueza do cora\u00e7\u00e3o aberto de todos. Agora somos n\u00f3s os peregrinos de Ema\u00fas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O novo companheiro escuta, com delicada aten\u00e7\u00e3o, a resposta \u00e0 pergunta que lhes fizera. E ap\u00f3s uma breve censura, toma\u00a0 a\u00a0 palavra\u00a0 e faz-lhes a explica\u00e7\u00e3o do sucedido, situando-o no contexto das Escrituras. \u00c0 medida que fala, o cora\u00e7\u00e3o dos caminhantes vibra com novos ritmos que surgem progressivamente: cora\u00e7\u00e3o sem esperan\u00e7a e incapaz de ver as luzes que come\u00e7am a despontar; cora\u00e7\u00e3o acolhedor do estranho que se faz companheiro e dialoga, sem reservas; cora\u00e7\u00e3o aberto \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Jesus que narra tudo o que nas Escrituras lhe diz respeito; cora\u00e7\u00e3o transformado que deseja permanecer com o desconhecido a quem oferece hospedagem e convida para uma refei\u00e7\u00e3o; cora\u00e7\u00e3o agradecido que reconhece a nova forma de presen\u00e7a de Jesus nos sinais do p\u00e3o e do vinho (eucaristia); cora\u00e7\u00e3o entusiasmado no amor e pressionado pela novidade da experi\u00eancia feita que quer contar aos disc\u00edpulos; cora\u00e7\u00e3o enternecido que recebe a alegre not\u00edcia dada pela comunidade reunida: \u201cO Senhor ressuscitou e apareceu a Sim\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Santo Padre na mensagem para a 54\u00aa semana de Ora\u00e7\u00e3o pelas Voca\u00e7\u00f5es, que hoje come\u00e7a, faz-se eco desta novidade e diz-nos: \u201cAmados irma\u0303os e irma\u0303s, e\u0301 possi\u0301vel ainda hoje voltar a encontrar o ardor do anu\u0301ncio e propor, sobretudo aos jovens, o seguimento de Cristo. Face a\u0300 generalizada sensac\u0327a\u0303o duma fe\u0301 cansada ou reduzida a meros \u00abdeveres a cumprir\u00bb, os nossos jovens te\u0302m o desejo de descobrir o fasci\u0301nio sempre atual da figura de Jesus, de deixar-se interpelar e provocar pelas suas palavras e gestos e, enfim, sonhar \u2013 grac\u0327as a Ele \u2013 com uma vida plenamente humana, feliz de gastar-se no amor\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Ressuscitado vive connosco e marca o ritmo que o cora\u00e7\u00e3o humano deseja e procura assumir. Felizmente!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Georgino Rocha Jesus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":576,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,14],"tags":[],"class_list":["post-575","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=575"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":577,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575\/revisions\/577"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/576"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}