{"id":5591,"date":"2019-03-16T21:54:08","date_gmt":"2019-03-16T21:54:08","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5591"},"modified":"2019-03-16T21:54:08","modified_gmt":"2019-03-16T21:54:08","slug":"carta-pastoral-o-sentido-cristao-do-sofrimento-humano-d-antonio-moiteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/carta-pastoral-o-sentido-cristao-do-sofrimento-humano-d-antonio-moiteiro\/","title":{"rendered":"Carta Pastoral &#8216;O sentido crist\u00e3o do sofrimento humano&#8217; | D. Ant\u00f3nio Moiteiro"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00abN\u00e3o te deixes vencer pelo mal (sofrimento),<\/strong><br \/>\n<strong>mas vence o mal com o bem (Jesus ressuscitado)\u00bb (Rm 12, 21)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Dedico esta medita\u00e7\u00e3o pessoal<\/strong><br \/>\n<strong>\u00e0 mem\u00f3ria do meu pai e a todos os que sofrem.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">__________________________________<\/p>\n<p><strong>\u00cdNDICE<\/strong><\/p>\n<p>O SENTIDO CRIST\u00c3O DO SOFRIMENTO HUMANO<br \/>\nO mist\u00e9rio do sofrimento<br \/>\nO sofrimento tem muitos rostos<\/p>\n<p>I. O SOFRIMENTO NA SAGRADA ESCRITURA<\/p>\n<p>II. A NOVIDADE DE JESUS NO CONTEXTO DA DOR E SOFRIMENTO<br \/>\nO mist\u00e9rio do sofrimento em Cristo<br \/>\nJesus ensina a amar a cruz<br \/>\nJesus, plenitude da compaix\u00e3o<\/p>\n<p>III. OS CRIST\u00c3OS PERANTE O SOFRIMENTO<br \/>\nComo respondem os crist\u00e3os ao sofrimento<br \/>\nO sofrimento, um desafio \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 solidariedade<\/p>\n<p>IV. A IGREJA RESPONDE AO SOFRIMENTO COM A ALEGRIA DO EVANGELHO<\/p>\n<p>Ora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__________________________________<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O SENTIDO CRIST\u00c3O DO SOFRIMENTO HUMANO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mist\u00e9rio do sofrimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na condi\u00e7\u00e3o de criatura, que traz em si algo do Criador, o homem busca ser feliz; mas a felicidade, por vezes, escapa-lhe. Esta contradi\u00e7\u00e3o de ser criado para a felicidade, por um lado, e condenado ao sofrimento, por outro, suscita quest\u00f5es e respostas inquietantes, que merecem uma reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos confrontados, continuamente, com quest\u00f5es que nos atingem em todas as dimens\u00f5es da vida humana, e a dor e o sofrimento s\u00e3o uma delas. Porqu\u00ea o sofrimento? Que sentido t\u00eam o sofrimento e a dor que acompanham a vida do ser humano? Qual a posi\u00e7\u00e3o de Deus face ao sofrimento humano? S\u00e3o quest\u00f5es com que frequentemente nos confrontamos. E, quando n\u00e3o se consegue ver sentido para o sofrimento, questiona-se Deus, e muitas vezes desanima-se e abandona-se a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que \u00e9, afinal, o sofrimento? A quest\u00e3o mais dif\u00edcil de compreender \u00e9 certamente a causa do sofrimento humano que, em certos casos, \u00e9 levado e vivido ao extremo e, em outros, tido como injusto ou incompreens\u00edvel. \u00c9 dif\u00edcil compreender a doen\u00e7a incur\u00e1vel, a incapacita\u00e7\u00e3o f\u00edsica, uma pessoa com alzheimer ou parkinson, a perda de um ente querido, as cat\u00e1strofes, as esperan\u00e7as frustradas, a solid\u00e3o\u2026 Apesar da avers\u00e3o que todos lhe t\u00eam, o sofrimento faz parte da condi\u00e7\u00e3o humana, sujeita \u00e0 dor e \u00e0 morte; faz parte do mist\u00e9rio do homem. O homem no seu sofrimento permanece um mist\u00e9rio intang\u00edvel; somos mist\u00e9rio at\u00e9 para n\u00f3s mesmos. E carregamos a solu\u00e7\u00e3o de muitos dos problemas e nem sempre temos consci\u00eancia disso. No fundo de cada sofrimento experimentado, aparece inevitavelmente a pergunta: porqu\u00ea? E, humanamente, agudiza-se ainda mais, se n\u00e3o encontra uma resposta satisfat\u00f3ria. Com efeito, o homem n\u00e3o coloca as suas quest\u00f5es ao mundo, ainda que muitas vezes o sofrimento provenha do mundo, mas p\u00f5e-nas a Deus, como Criador e Senhor do mundo. Se Deus fosse compreendido como um justiceiro mal\u00e9fico que castiga as suas criaturas, seria mais f\u00e1cil entender o sofrimento. Seria consequ\u00eancia do castigo e da ira de Deus. N\u00e3o pode, efetivamente, ser um castigo de Deus, porque Deus \u00e9 amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prevalece a impress\u00e3o de que n\u00e3o estamos devidamente preparados para o encontro vital com o sofrimento. O sofrimento humaniza-se no seio da vida de cada um de n\u00f3s. Deus \u00e9 ainda o sempre estranho a este mundo que dizemos humano. Num mundo que n\u00e3o consegue ver no sofrimento sen\u00e3o um mal e um absurdo sem qualquer integra\u00e7\u00e3o na vida, este n\u00e3o \u00e9 a palavra definitiva, mas uma via que se abre para que Deus aja em n\u00f3s e no mundo por meio da dor e sofrimento. Muitas pessoas se questionam acerca do sentido da sua vida e certamente n\u00e3o encontram sentido para o sofrimento porque tamb\u00e9m ainda n\u00e3o encontraram uma resposta convincente \u00e0 pergunta: como viver? E talvez n\u00e3o encontrem resposta porque, em vez de se deixarem transformar, se conformam com este mundo. \u00c9 na viv\u00eancia da autenticidade do que somos que resplandece a autenticidade de Deus com toda a sua magnific\u00eancia. Estar\u00e1 Deus assim t\u00e3o longe de n\u00f3s?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sofrimento tem muitos rostos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor f\u00edsica custa a suportar, mas n\u00e3o menos atroz \u00e9 o sofrimento espiritual. Quantas pessoas sofrem sem terem dor f\u00edsica: pais que perdem um filho, pessoas surpreendidas por uma doen\u00e7a incur\u00e1vel, idosos deixados na solid\u00e3o, jovens que n\u00e3o conseguem emprego, fam\u00edlias que foram obrigadas a deixar as sua casas, pessoas que sobrevivem apenas com o sal\u00e1rio m\u00ednimo\u2026 E h\u00e1 lamenta\u00e7\u00f5es que ningu\u00e9m ouve. \u00c9 o sil\u00eancio da dor, o mesmo sil\u00eancio que rasgou o v\u00e9u do Templo, quando da cruz se ouviu: \u201cPai, nas tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito\u201d (Lc 23,46). S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II na sua carta apost\u00f3lica sobre o Sentido Crist\u00e3o do Sofrimento sublinha que o \u201csofrimento \u00e9 algo mais amplo e mais complexo do que a doen\u00e7a\u201d. Lembra que a ci\u00eancia e as suas terapias n\u00e3o conseguem compreender e tratar todas as dores, que formam uma dimens\u00e3o \u201cenraizada na pr\u00f3pria humanidade\u201d. Alerta que a dor espiritual acompanha sempre os problemas f\u00edsicos e morais: \u201cA amplid\u00e3o do sofrimento moral e a multiplicidade das suas formas n\u00e3o s\u00e3o menores do que as do sofrimento f\u00edsico; mas, ao mesmo tempo, o primeiro apresenta-se como algo mais dif\u00edcil de identificar e de ser atingido pela terapia\u201d(SD 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fundo de cada experi\u00eancia de sofrimento surge a pergunta: porqu\u00ea eu? Ser\u00e1 que Deus escuta as minhas ora\u00e7\u00f5es? As palavras de Cristo \u00abPai, se \u00e9 poss\u00edvel afasta de mim este c\u00e1lice!\u00bb atestam a verdade humana deste sofrimento. Sofrer \u00e9 inerente \u00e0 condi\u00e7\u00e3o terrena do homem, mas \u00e9 importante compreender que o projeto de Deus para o homem n\u00e3o \u00e9 um projeto de morte, mas um projeto de vida verdadeira, de felicidade sem fim. \u00c9 no sofrimento que o homem toma conhecimento do que Deus \u00e9 e do que ele pr\u00f3prio \u00e9 chamado a ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o sofrimento para uns provoca abandono da f\u00e9, pela dor incompreens\u00edvel causada pela sensa\u00e7\u00e3o de abandono e desespero, tamb\u00e9m h\u00e1 sinais evidentes de que persistem nos cora\u00e7\u00f5es humanos anseios pela comunh\u00e3o com o mist\u00e9rio divino. Muitas vezes, Jesus entra na vida das pessoas pela porta da fragilidade e da sensibilidade. Jesus ao receber a not\u00edcia de que o seu amigo L\u00e1zaro estava doente, respondeu com serenidade \u00abEsta doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 de morte\u00bb (Jo 11,4). E L\u00e1zaro morreu. Isto significa que os sofrimentos que nos atingem a n\u00f3s ou aos que amamos n\u00e3o s\u00e3o doen\u00e7as mortais, mas para que se manifeste a gl\u00f3ria de Deus. Jesus deixa morrer o seu amigo para poder traz\u00ea-lo \u00e0 vida. \u00abOs sofrimentos do tempo presente nada s\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com a gl\u00f3ria que h\u00e1 de revelar-se em n\u00f3s\u00bb (Rm 8,18). Se sofrermos com Ele, tamb\u00e9m com Ele seremos glorificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o sofrimento nos interpela. Que resposta lhe damos? Por vezes, a rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea \u00e9 a revolta, a ang\u00fastia, a tristeza e o des\u00e2nimo. H\u00e1 cora\u00e7\u00f5es que ficam perdidos diante dos sofrimentos, quando Deus lhos envia como asas para voar. Mais do que um problema, os sofrimentos s\u00e3o sobretudo uma oportunidade, para se ter confian\u00e7a filial em Deus, que \u00e9 amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I. O SOFRIMENTO NA SAGRADA ESCRITURA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra de Deus faz-nos mergulhar no mist\u00e9rio de Deus, no mist\u00e9rio da vida, da hist\u00f3ria e de n\u00f3s mesmos. A nossa finitude, as nossas limita\u00e7\u00f5es, os nossos medos e mis\u00e9rias n\u00e3o s\u00e3o a \u00faltima palavra da nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Sagrada Escritura encontramos um vasto elenco de situa\u00e7\u00f5es dolorosas: o perigo de morte; a morte dos pr\u00f3prios filhos e especialmente a morte do filho primog\u00e9nito e \u00fanico; a falta de descend\u00eancia; a saudade da p\u00e1tria; a persegui\u00e7\u00e3o e a hostilidade do meio ambiente; o esc\u00e1rnio em rela\u00e7\u00e3o a quem sofre; a solid\u00e3o e o abandono; os remorsos de consci\u00eancia; a dificuldade em compreender a raz\u00e3o por que os maus prosperam e os justos sofrem; a infidelidade e a ingratid\u00e3o da parte dos amigos e vizinhos; as desventuras da pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento n\u00e3o estava nos planos de Deus criador. No Antigo Testamento, o sofrimento \u00e9 conotado com o mal; \u00e9 visto como fruto do pecado e como castigo de Deus pelo bem n\u00e3o realizado. As consequ\u00eancias do pecado s\u00e3o devastadoras: inveja, sofrimento, dor, penas, tristeza, corrup\u00e7\u00e3o, cegueira, frialdade de cora\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro do G\u00e9nesis, a narra\u00e7\u00e3o da primeira queda indica os fatores constitutivos da culpabilidade originada pelo pecado. Acentua-se o surgir do mal no ser humano e o sofrimento como consequ\u00eancia do incumprimento da lei. Ad\u00e3o e Eva foram expulsos do para\u00edso por causa da sua desobedi\u00eancia \u00e0 ordem divina (Gn 3,16-22); Caim foi amaldi\u00e7oado por ter assassinado o seu irm\u00e3o Abel (Gn 4,11-15); Sodoma foi destru\u00edda por causa da sua iniquidade (Gn 18,22-25). O sofrimento \u00e9, pois, a indica\u00e7\u00e3o clara e expl\u00edcita das op\u00e7\u00f5es erradas que se fazem e constitui uma ocasi\u00e3o para que se reconhe\u00e7a o mau proceder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Novo Testamento, o sofrimento n\u00e3o se identifica diretamente com o mal, mas aquele que o sente expressa o sofrimento. Diante da presen\u00e7a de um cego de nascen\u00e7a, os disc\u00edpulos de Jesus perguntaram: \u00abSenhor, quem pecou, ele ou os seus pais?\u00bb E Jesus respondeu: \u00abNem ele nem os seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus\u00bb (Jo 9,3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o incont\u00e1veis as hist\u00f3rias de homens e de mulheres que, provados pelo sofrimento, adquiriram uma nova vis\u00e3o da vida e perceberam que o que vale a pena de verdade na vida \u00e9 Deus, que nunca est\u00e1 alheio ao sofrimento, ainda que por vezes assim pare\u00e7a; descobriram que em Deus se encontra o verdadeiro amor pelo qual todos ansiamos e que nada nem ningu\u00e9m conseguem satisfazer; entenderam que o que importa s\u00e3o os tesouros no C\u00e9u, que nem a tra\u00e7a e a ferrugem corroem nem os ladr\u00f5es arrombam nem furtam (cf. Mt 6,20); e perceberam que os outros tamb\u00e9m sofrem, e por isso decidiram esquecer-se de si mesmos e dedicar-se a alivi\u00e1-los e ajud\u00e1-los a bem sofrer. \u00c9 no momento em que constata a sua finitude e a sua fragilidade que a pessoa se descobre claramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num mundo que presta t\u00e3o pouca aten\u00e7\u00e3o ao sofrimento, \u00e0 dor, ao fracasso; que tem medo de pensar na morte; que se confronta com o sofrimento, com a doen\u00e7a, com a decad\u00eancia f\u00edsica\u2026 as palavras de Job, homem justo e piedoso, que possu\u00eda muitos bens e uma fam\u00edlia numerosa e, de repente, se viu privado de todos os seus bens, perdeu a fam\u00edlia e foi atingido por uma doen\u00e7a grave, convidam-nos a enfrentar a realidade numa atitude de aceita\u00e7\u00e3o, e ao mesmo tempo numa atitude contemplativa. Os gritos de Job mostram que a justi\u00e7a de Deus, \u00e0s vezes, envereda por caminhos incompreens\u00edveis. Com amargura e desilus\u00e3o, lamenta a sua condi\u00e7\u00e3o de sofredor e de Deus parecer ausente e indiferente face ao desespero em que vive, mas, apesar disso, \u00e9 a Deus que se dirige, pois sabe que Deus \u00e9 a sua \u00fanica esperan\u00e7a e que fora dele n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de salva\u00e7\u00e3o. \u00abN\u00e3o vive o homem sobre a terra como um soldado? N\u00e3o s\u00e3o os seus dias como os de um mercen\u00e1rio? E o trabalhador que espera pelo seu sal\u00e1rio, e couberam-me em sorte noites de amargura. Se me deito, digo: \u2018Quando \u00e9 que me levanto?\u2019 Se me levanto: \u2018Quando chegar\u00e1 a noite?\u2019\u2026 Os meus dias passam mais velozes que uma lan\u00e7adeira de tear e desvanecem-se sem esperan\u00e7a. Recordai-Vos que a minha vida n\u00e3o passa de um sopro e que os meus olhos nunca mais ver\u00e3o a felicidade\u00bb (Job 7, 1-7). As palavras de Job n\u00e3o s\u00e3o palavras de desespero, mas uma reflex\u00e3o realista sobre o mist\u00e9rio da vida humana, uma reflex\u00e3o cheia de esperan\u00e7a, porque feita \u00e0 luz de Deus. Job percebeu o sentido e o valor do sofrimento e como Deus, mesmo em sil\u00eancio, se mantivera atento. No sil\u00eancio de Deus est\u00e1 a nossa oportunidade do encontro com Ele. Uma coisa \u00e9 pensar nas realidades negativas da nossa exist\u00eancia contando apenas com as nossas for\u00e7as, outra \u00e9 encarar a vida tamb\u00e9m com as suas trevas, \u00e0 luz do amor de Deus. Para Job o sofrimento tornou-se caminho de encontro profundo com Deus. Onde Deus \u00e9 sil\u00eancio torna-se necess\u00e1ria a f\u00e9. S\u00e3o muitos os que apesar do sofrimento t\u00eam sempre um sorriso nos l\u00e1bios, com palavras de alento para os outros: \u201cOs meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora veem-te os meus pr\u00f3prios olhos\u201d (Job 42, 5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vida de S\u00e3o Paulo, as tribula\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m eram muitas, mas nunca o abateram porque n\u00e3o as via como um obst\u00e1culo, mas como gra\u00e7as de Deus e garantia de fecundidade: \u00abTrazemos sempre no nosso corpo a morte de Jesus, para que tamb\u00e9m a vida de Jesus seja manifesta no nosso corpo\u00bb (2Cor 4,10). E ainda: \u00abPor isso me comprazo nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas persegui\u00e7\u00f5es e nas ang\u00fastias, por Cristo. Pois quando sou fraco, ent\u00e3o \u00e9 que sou forte\u00bb (2Cor 12,10). E at\u00e9 mesmo, com entusiasmo: \u00abGloriamo-nos tamb\u00e9m das tribula\u00e7\u00f5es, sabemos que a tribula\u00e7\u00e3o produz a paci\u00eancia, a paci\u00eancia a firmeza, e a firmeza a esperan\u00e7a. Ora a esperan\u00e7a n\u00e3o engana, porque o amor de Deus foi derramado nos nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u00bb (Rm 5,3-5). \u00c9 a imagem perfeita do ser humano que se engrandece no sofrimento, que se deixa aben\u00e7oar pela Cruz. S\u00e3o Paulo, escrevendo aos crist\u00e3os de \u00c9feso (Ef 1,17-23), quer que eles compreendam a esperan\u00e7a a que foram chamados. O fundamento est\u00e1 na poderosa for\u00e7a que Deus exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou acima de tudo, como cabe\u00e7a de toda a Igreja que \u00e9 o seu Corpo, a plenitude daquele que preenche tudo em todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento n\u00e3o \u00e9 um ap\u00eandice do Evangelho, mas p\u00e1gina central, sempre aberta diante de n\u00f3s. H\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o entendemos, mas sabemos, pela f\u00e9, que Deus \u00e9 Pai, que Deus \u00e9 amor (1Jo 4,8) e, portanto, como diz S\u00e3o Paulo, n\u00f3s sabemos que Deus faz concorrer todas as coisas para o bem daqueles que o amam (Rm 8,28). O sofrimento e a dor\u2026 \u00e9 preciso preveni-los, poss\u00edvel aceit\u00e1-los e sublime saber oferec\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>II. A NOVIDADE DE JESUS NO CONTEXTO DA DOR E SOFRIMENTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O mist\u00e9rio do sofrimento em Cristo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como olhar o sofrimento redentor de Jesus Cristo, levado ao extremo do esc\u00e1rnio e humilha\u00e7\u00e3o, perante o Pai, um Deus de amor?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida do homem atinge a sua plenitude por Cristo e em Cristo. Cristo introduz-nos no mist\u00e9rio e ajuda-nos a descobrir o \u2018porqu\u00ea\u2019 do sofrimento, na medida em que n\u00f3s formos capazes de compreender a sublimidade do amor divino. Deus, ao enviar o Seu Filho ao mundo para libertar o homem do mal, traz em Si a definitiva e absoluta perspetiva do sofrimento e do amor salv\u00edfico. \u00abO sofrimento humano atingiu o seu v\u00e9rtice na paix\u00e3o de Cristo; e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimens\u00e3o completamente nova e entrou numa ordem nova: ele foi associado ao amor, \u00e0quele amor de que Cristo falava a Nicodemos, \u00e0quele amor que cria o bem, tirando-o mesmo do mal, tirando-o por meio do sofrimento, tal como o bem supremo da Reden\u00e7\u00e3o do mundo foi tirado da cruz de Cristo e nela encontra perenemente o seu princ\u00edpio\u00bb (SD 18). Pela paix\u00e3o de Cristo na cruz, o Salvador realizou a reden\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Jesus recebemos extraordin\u00e1rias li\u00e7\u00f5es de sofrimento. Tamb\u00e9m Ele experimentou o sofrimento da solid\u00e3o, da persegui\u00e7\u00e3o, da crucifix\u00e3o, o abandono dos disc\u00edpulos e at\u00e9 o aparente abandono do Pai quando, citando um salmo, rezou: \u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d (Sl 21). Cristo vive profundamente a experi\u00eancia do abandono\u2026 D\u00e1 um grito de abandono, mas n\u00e3o de desespero. Neste clamor de Jesus estavam condensados todos os sentimentos dos cora\u00e7\u00f5es humanos, que experimentam o sil\u00eancio aparente de Deus\u2026 Diz-nos o Papa Francisco: \u201cSem cruz nunca encontrareis o verdadeiro Jesus; e uma Cruz sem Jesus n\u00e3o tem sentido\u201d. Deus manifesta preocupa\u00e7\u00e3o com a felicidade dos seus filhos. Ele salva e redime a quem est\u00e1 prostrado, a quem vive desanimado, a quem n\u00e3o consegue encontrar caminho e sentido para a sua vida. Deus encontra-se n\u00e3o na sua omnipot\u00eancia, mas na sua debilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Reden\u00e7\u00e3o realizou-se mediante a cruz de Cristo, ou seja, pelo seu sofrimento. Cristo aproximou-se do mundo do sofrimento humano, assumindo Ele pr\u00f3prio este sofrimento. \u00abEle tomou sobre si as nossas doen\u00e7as, carregou as nossas dores (\u2026), foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre Ele, fomos curados pelas suas chagas\u00bb (Is 53,4-5). Cada um de n\u00f3s foi englobado no mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o e Cristo uniu-se com cada um para sempre, atrav\u00e9s deste mist\u00e9rio. Gra\u00e7as ao valor redentor e purificador da Cruz de Cristo, a dor e o sofrimento converteram-se num grande valor de purifica\u00e7\u00e3o, expia\u00e7\u00e3o e reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo encontra-se a verdadeira vida do mundo. S\u00e3o Paulo expressa: \u00abQuem poder\u00e1 separar-nos do amor de Cristo? A tribula\u00e7\u00e3o, a ang\u00fastia, a persegui\u00e7\u00e3o, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores, gra\u00e7as \u00c0quele que nos amou\u00bb (Rom 8,35-37). Na a\u00e7\u00e3o libertadora de Jesus em favor dos homens come\u00e7a a manifestar-se um mundo novo sem sofrimento, sem opress\u00e3o, sem exclus\u00e3o \u2013 o mundo que Deus sonhou para o ser humano. A este prop\u00f3sito, a carta apost\u00f3lica Salvifici Doloris, de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, d\u00e1-nos luzes para, pela f\u00e9, n\u00e3o s\u00f3 compreendermos o nosso sofrimento, como o da humanidade, unindo o nosso sofrimento ao corpo da Igreja, que \u00e9 Corpo de Cristo, completando o valor salv\u00edfico da Paix\u00e3o e Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor. \u00abRealizando a Reden\u00e7\u00e3o mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao n\u00edvel da Reden\u00e7\u00e3o. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, podem tornar-se participantes do sofrimento redentor de Cristo\u00bb (SD 19). Na medida em que o homem se torna participante dos sofrimentos de Cristo, tanto mais ele completa, a seu modo, aquele sofrimento mediante o qual Cristo operou a Reden\u00e7\u00e3o do mundo. \u00abSe com ele sofremos, com ele reinaremos\u00bb, como diz S\u00e3o Paulo (2Tm 2,12).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo, o pr\u00f3prio Deus quis partilhar connosco este caminho e oferecer-nos o seu olhar para nele vermos a luz. Cristo \u00e9 aquele que, tendo suportado a dor, se tornou \u201cautor e consumador da f\u00e9\u201d (Heb 12,2). \u00ab\u00c0 medida que o homem toma a sua cruz, unindo-se espiritualmente \u00e0 Cruz de Cristo, vai-se-lhe manifestando mais o sentido salv\u00edfico do sofrimento. O homem n\u00e3o descobre este sentido ao seu n\u00edvel humano, mas ao n\u00edvel do sofrimento de Cristo. Ao mesmo tempo, por\u00e9m, deste plano em que Cristo se situa, este sentido salv\u00edfico do sofrimento desce ao n\u00edvel do homem e torna-se, de algum modo, a sua resposta pessoal. E \u00e9 ent\u00e3o que o homem encontra no seu sofrimento a paz interior e mesmo a alegria espiritual\u00bb (SD 26). Esta descoberta constitui uma confirma\u00e7\u00e3o particular da grandeza espiritual que, no homem, supera o corpo de uma maneira totalmente incompar\u00e1vel: Agora o combate, depois a vit\u00f3ria; agora as duras lutas da vida, sustentando o nome de Jesus, depois, a palma da vit\u00f3ria, a gra\u00e7a de ser eternamente abrigado na tenda do cora\u00e7\u00e3o do Pai e a\u00ed, consolados pelo Esp\u00edrito que Jesus nos deu e que nos glorificar\u00e1 para sempre, nunca mais ter fome ou sede, nunca mais chorar, nunca mais sentir o calor ardente! \u00c9 esta for\u00e7a, a for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o, que proporciona o vigor necess\u00e1rio para lidar com o sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus marca a vit\u00f3ria definitiva sobre a dor e a morte e abre caminho \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o de toda a humanidade. Falta ainda que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus transforme o olhar que os homens projetam \u00e0 sua pr\u00f3pria vida. \u00abEle morreu por todos a fim de que, os que vivem, n\u00e3o vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou\u00bb (Cor 5,15). \u00abFalar da f\u00e9 comporta frequentemente falar tamb\u00e9m de provas dolorosas, mas \u00e9 precisamente nelas que S\u00e3o Paulo v\u00ea o an\u00fancio mais convincente do Evangelho, porque \u00e9 na fraqueza e no sofrimento que sobressai e se descobre o poder de Deus que supera a nossa fraqueza e o nosso sofrimento\u00bb (LF 56). N\u00e3o fiquemos, pois, \u00e0 margem deste caminho de esperan\u00e7a viva. Nada entristece mais que viver sem sentido! \u00abCristo introduziu-nos neste reino pelo seu sofrimento. E \u00e9 tamb\u00e9m mediante o sofrimento que amadurecem para ele os homens envolvidos pelo mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o de Cristo\u00bb (SD 21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A nossa alegria consiste na certeza de que a ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o se restringe a Cristo, porque nele descobrimos que a vida humana \u00e9 tamb\u00e9m chamada a participar na sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Sabemos que nele tudo se enche de novo sentido\u2026 por isso, o relacionamento com Ele permanece essencial; sem um di\u00e1logo permanente perde-se o amigo. Aquele que passou da morte \u00e0 vida d\u00e1-nos a possibilidade de perseverar, sem perder o ardor da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus ensina a amar a cruz<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta mais completa ao sentido e valor do sofrimento foi dada \u00e0 humanidade por Deus, em Cristo. Jesus revela-nos um Deus que \u00e9 Pai, mas que n\u00e3o impede o seu nem o nosso sofrimento. Jesus n\u00e3o s\u00f3 o venceu como lhe d\u00e1 um novo sentido, assume a dor com a alegria interior de quem realiza na fidelidade a vontade do Pai. Este sentido n\u00e3o est\u00e1 dado \u00e0 partida; \u00e9 necess\u00e1rio descobri-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto trazido por Jesus Cristo \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o do homem, e para isso viveu e indicou o caminho da cruz. Tamb\u00e9m Ele foi interpelado, na cruz, por todo o tipo de sofrimento com que o feriram os nossos pecados. E como respondeu? S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel entender a cruz na dimens\u00e3o do amor. As palavras da ora\u00e7\u00e3o no Gets\u00e9mani \u00abAbb\u00e1, Pai, tudo te \u00e9 poss\u00edvel; afasta de mim este c\u00e1lice\u00bb (Mc 14,36) atestam a verdade do sofrimento e provam a verdade do amor que, com a sua obedi\u00eancia, o Filho demonstra para com o Pai. Este \u00e9 o exemplo para o qual devemos olhar. Na cruz, junto de Jesus crucificado, o mau ladr\u00e3o deixou-se arrastar pelo \u00f3dio \u00e0 cruz. Pelo contr\u00e1rio, o bom ladr\u00e3o soube descobrir na sua cruz uma escada que lhe serviu para chegar a Cristo e subir ao c\u00e9u (cf. Lc 23,39-43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia da uni\u00e3o com Cristo faz com que todos os sofrimentos possam ser penetrados pela mesma for\u00e7a de Deus que se manifestou na cruz. Mais do que debru\u00e7armo-nos sobre o inv\u00f3lucro da dor, urge adentrar no mist\u00e9rio da cruz. Assim como Cristo nos salvou pela cruz, assim tamb\u00e9m nos aperfei\u00e7oa e nos santifica por meio da cruz. O sofrimento faz-nos ascender para horizontes maiores; ajuda-nos a escalar os caminhos do amor a Deus e do amor ao pr\u00f3ximo. Abra\u00e7ar a cruz significa viver o mandamento novo, porque \u201cningu\u00e9m tem mais amor do que quem d\u00e1 a vida pelos seus amigos\u201d (Jo 15,13).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qual \u00e9 a nossa atitude nos momentos de tristeza e solid\u00e3o? Ser\u00e1 que Deus realmente nos abandonou ou se esqueceu de n\u00f3s? No decorrer da hist\u00f3ria tem-se comprovado que no sofrimento se esconde uma for\u00e7a peculiar que aproxima interiormente o homem a Cristo. Na hora da prova\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 ilumina-nos; e \u00e9 precisamente no sofrimento e na fraqueza que se torna claro como \u201cn\u00e3o nos pregamos a n\u00f3s mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor\u201d (2Cor 4,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os que se entregam nas m\u00e3os de Deus Pai sentem que a cruz \u00e9 suave; escutam silenciosamente as palavras de Cristo que, na hora da dor, diz: \u00abVinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o e encontrareis descanso para o vosso esp\u00edrito. Pois o meu jugo \u00e9 suave e o meu fardo \u00e9 leve\u00bb (Mt 11,28-30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele que confia em Deus n\u00e3o se deixa abater nem pelos sofrimentos, nem pelas ang\u00fastias, nem pela morte; acredita que Ele n\u00e3o abandona nenhum ser humano. Tudo ser\u00e1 restaurado em Cristo. Sabemos o quanto \u00e9 dif\u00edcil o luto pela perda dos que nos s\u00e3o queridos, mas n\u00e3o se pode estar preso a um passado que j\u00e1 n\u00e3o existe. A sua presen\u00e7a f\u00edsica j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. \u00abPara os que creem em V\u00f3s, Senhor, a vida n\u00e3o acaba, apenas se transforma\u00bb. Com efeito, \u00abos nossos entes queridos n\u00e3o desapareceram nas trevas do nada: a esperan\u00e7a assegura-nos que eles est\u00e3o nas m\u00e3os bondosas e vigorosas de Deus\u00bb (AL 256). Mas disto s\u00f3 o crente tem consci\u00eancia, pelo que deve viver como testemunha desta verdade. Para aquele que cr\u00ea e ama tudo se pode converter em sacramento de encontro com o Senhor, mas isto implica viver em atento acolhimento e procurar a sua presen\u00e7a em tudo, mesmo naquilo que faz sofrer. Embora com a dolorosa consci\u00eancia das pr\u00f3prias fraquezas, h\u00e1 que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que o Senhor disse a S\u00e3o Paulo: \u00abBasta-te a minha gra\u00e7a, porque a for\u00e7a manifesta-se na fraqueza\u00bb (2Cor 12,9). \u00abO triunfo crist\u00e3o \u00e9 sempre uma cruz, mas cruz que \u00e9, simultaneamente, estandarte de vit\u00f3ria\u00bb (EG 85). Jesus n\u00e3o permite que nos aconte\u00e7a nada que n\u00e3o possamos suportar. \u00abTudo posso naquele que me conforta\u00bb (Flp 4,13). Tudo est\u00e1 em conformidade com as nossas for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cruz \u00e9 a presen\u00e7a incontest\u00e1vel do amor. Ent\u00e3o \u00e9 hora de perguntar a mim mesmo: como aceito eu o sofrimento? Que tipo de consolador(a) sou eu? Vivo na minha vida a bem-aventuran\u00e7a dos que choram \u201cporque ser\u00e3o consolados\u201d (Mt 5,4)? Ponho-me no lugar do outro para o compreender e lhe servir de b\u00e1lsamo apaziguador da sua tristeza?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jesus, a plenitude da compaix\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pessoa de Jesus Cristo a vontade de Deus aparece expressa no desejo de que as pessoas tenham vida e vida em abund\u00e2ncia (cf. Jo 10,10). Cristo n\u00e3o veio ao nosso encontro para nos fazer sofrer, mas sim dar um novo sentido ao sofrimento. Em toda a sua vida, Jesus identificou-se com aquelas pessoas cuja dignidade estava, por vezes, diminu\u00edda ou fragilizada. Ele, que se humilhou at\u00e9 \u00e0 morte na cruz, coloca-se na condi\u00e7\u00e3o do outro e atua em nome da reciprocidade: \u00abO que quereis que os homens vos fa\u00e7am, fazei-lho v\u00f3s primeiro\u00bb (cf. Mt 7,12). No seu tempo, a maioria dos doentes era abandonada \u00e0 sua sorte. Segundo a mentalidade da \u00e9poca, a enfermidade devia-se ao terem sido abandonados por Deus e deviam ser tamb\u00e9m exclu\u00eddos do conv\u00edvio social e religioso. Os cegos, por exemplo, n\u00e3o podiam entrar no Templo de Jerusal\u00e9m e por vezes tamb\u00e9m ficavam fora da cidade; os leprosos eram afastados de toda a conviv\u00eancia, n\u00e3o tanto por medo do cont\u00e1gio, mas principalmente por serem considerados \u2018impuros\u2019 e poderem transmitir essa \u2018impureza\u2019 aos que eram tidos como justos e fi\u00e9is cumpridores da lei (cf. Lv 13,45-46). Estes eram as pessoas mais marginalizadas pela sociedade. Jesus veio para mostrar que eles n\u00e3o foram abandonados por Deus, mas t\u00eam um lugar privilegiado no seu cora\u00e7\u00e3o e assim se dedicou a cur\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A compaix\u00e3o \u00e9 al\u00edvio para qualquer doen\u00e7a f\u00edsica e espiritual. Jesus toma todos os que sofrem pela m\u00e3o; tocava os doentes para expressar a sua proximidade e acolhimento \u2013 atitude que deixava a assist\u00eancia umas vezes escandalizada, outras emocionada e cheia de esperan\u00e7a num mundo novo que come\u00e7ava a surgir. Tomou pela m\u00e3o a sogra de Pedro, erguendo-a do leito. Com este gesto revela que est\u00e1 com todos os feridos e doentes por tantas doen\u00e7as, insatisfa\u00e7\u00f5es, fraquezas e medos. Este \u00e9 o Evangelho, a boa not\u00edcia: em Jesus, Deus revela o sentido da nossa exist\u00eancia porque se revela como Deus pr\u00f3ximo, Deus de compaix\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 sintom\u00e1tica a manifesta\u00e7\u00e3o da compaix\u00e3o de Jesus para com a vi\u00fava de Naim, que perdeu o seu \u00fanico filho, a quem Jesus ressuscitou. \u00abVendo-a, o Senhor compadeceu-se dela e disse-lhe: N\u00e3o chores\u00bb (Lc 7,13). Ao exortar os seus ouvintes a imitarem o Pai na maneira de ser misericordioso (cf. Lc 6,36), Jesus mostrou que o ser humano n\u00e3o fica abandonado a si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus mostra-nos, com exemplos e palavras, que servir os outros de forma altru\u00edsta \u00e9 a maior revela\u00e7\u00e3o de amor de Deus, a melhor das terapias. Na comunh\u00e3o com Cristo, a dor torna-se plena de significado, e todos n\u00f3s podemos dizer como S\u00e3o Paulo: \u00abAgora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por v\u00f3s e completo na minha carne o que falta \u00e0s tribula\u00e7\u00f5es de Cristo, pelo seu corpo, que \u00e9 a Igreja\u00bb (Cl 1,24). A vida vai al\u00e9m da nossa exist\u00eancia biol\u00f3gica. Onde n\u00e3o h\u00e1 motivo pelo qual vale a pena morrer, tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 motivo que fa\u00e7a valer a pena viver. Para isso Jesus veio ao mundo, para anunciar o Reino e expulsar tudo aquilo que acorrenta a nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>III. OS CRIST\u00c3OS PERANTE O SOFRIMENTO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo facto de sermos crentes, poder\u00edamos ser levados a pensar que Deus nos pouparia a certos sofrimentos, porque somos seus filhos prediletos e procuramos observar a sua Lei, mas muitas vezes at\u00e9 parece ser o contr\u00e1rio. Quanto mais crente, mais Deus se sente \u00e0 vontade para pedir sacrif\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo de hoje tem muita dificuldade em aceitar o sofrimento, mas nem sempre o sofrimento e a dor s\u00e3o negativos. A m\u00e3e que espera um filho, depois da dor do parto sente uma alegria imensa. O desportista para vencer precisa de sofrer a exig\u00eancia dos treinos. O mesmo acontece com todos os que querem vencer e chegar \u00e0 gl\u00f3ria. Tudo isto acontece porque a dor e o sofrimento abrem a porta \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab\u00c0s vezes sentimos a tenta\u00e7\u00e3o de ser crist\u00e3os, mantendo uma prudente dist\u00e2ncia das chagas do Senhor. Mas Jesus quer que toquemos a mis\u00e9ria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros\u00bb (EG 270). Aqueles que sobre a dor n\u00e3o t\u00eam nada mais a dizer, a n\u00e3o ser que se deve domin\u00e1-la, t\u00eam um caminho a percorrer. O sofrimento do outro \u00e9 tamb\u00e9m o meu, \u00e9 semelhante ao meu. As ofensas \u00e0 humanidade s\u00e3o ofensas dirigidas a Deus. Os sinais dos tempos s\u00e3o tamb\u00e9m a linguagem de Deus, mas o seu discernimento exige sil\u00eancio interior, uma f\u00e9 esclarecida e capacidade de interpreta\u00e7\u00e3o dos acontecimentos \u00e0 luz de Deus, \u00e0 luz da f\u00e9, porque as respostas n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie, mas mais fundo. Quando n\u00e3o mergulhamos a fundo, \u00e0 mais simples contrariedade, vem a revolta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o tipo de sofrimento pode ser uma excelente ocasi\u00e3o para crescermos interiormente e um singular apelo para uma mudan\u00e7a na forma de ser e estar na vida. Por vezes, passamos a valorizar aspetos que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o d\u00e1vamos import\u00e2ncia e a desvalorizar outros que pareciam pertinentes. O sofrimento constitui tamb\u00e9m um chamamento a manifestar a grandeza moral do homem, a sua maturidade espiritual. Disto deram e continuam a dar prova os m\u00e1rtires. \u00abSe algu\u00e9m sofre por ser crist\u00e3o, n\u00e3o se envergonhe, mas d\u00ea gl\u00f3ria a Deus por este t\u00edtulo\u00bb (cf. 1Ped 4,16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo, s\u00e3o muitos os que sentindo-se fr\u00e1geis, abandonados, soltam gritos de desespero, mas tamb\u00e9m n\u00e3o faltam sinais de esperan\u00e7a. Na verdade, as l\u00e1grimas rolam e a dor consome quando tudo parece estar acabado e a pedra do t\u00famulo fechada para sempre. Contudo, por vezes \u00e9 necess\u00e1rio tempo para que a resposta comece a ser percebida interiormente. Tempo para que o gr\u00e3o de trigo lan\u00e7ado \u00e0 terra comece a germinar (cf. Jo 12,24). Nesta situa\u00e7\u00e3o estava Maria Madalena que foi ao sepulcro e n\u00e3o encontrou Jesus. \u00abMulher, porque choras?\u00bb Ela respondeu: \u00abPorque levaram o meu Senhor e n\u00e3o sei onde o puseram\u00bb (Jo 20,13). Ela amava Jesus que tinha visto morrer crucificado, mas apenas acreditava naquilo que podia ver e experimentar. Acreditava firmemente na morte, na dor, no luto, na perda. Acreditava tamb\u00e9m nos perfumes\u2026 nas lembran\u00e7as doces e amargas. Acreditava nos guardas postos como sentinelas para p\u00f4r fim \u00e0 hist\u00f3ria do Nazareno. Acreditava, finalmente, na pedra que fechava a entrada do sepulcro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descren\u00e7a de Madalena \u00e9 a descren\u00e7a de todo o ser humano. As l\u00e1grimas secam e o cora\u00e7\u00e3o acalma-se somente quando se ouve a voz do Amado a chamar pelo nome: \u201cMaria!\u201d Jesus saiu ao seu encontro e disse: \u00abN\u00e3o temais. Ide anunciar aos meus irm\u00e3os que partam para a Galileia; l\u00e1 me ver\u00e3o\u00bb (Mt 28,10). Maria Madalena e as outras mulheres procuravam um cad\u00e1ver e encontraram uma surpresa, isto \u00e9, um mensageiro que lhes revelou uma boa nova: Jesus de Nazar\u00e9, o crucificado, ressuscitou! Verdadeiramente experimentaram uma alegria inef\u00e1vel ao ver novamente o Senhor e, cheias de entusiasmo, correram para comunicar a not\u00edcia aos disc\u00edpulos. Elas que tinham vindo para dar um final definitivo \u00e0 hist\u00f3ria de Jesus, encontraram Aquele que inverte os seus projetos humanos e transforma em in\u00edcio o que elas pensavam ter sido o fim. A certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser, apenas, uma realidade que esperamos, mas uma realidade que influencia, desde j\u00e1, a nossa exist\u00eancia terrena. Tamb\u00e9m a Marta, que chorou a morte do irm\u00e3o L\u00e1zaro, Jesus revelou que a verdadeira vida come\u00e7ava \u2018a partir de agora\u2019. \u00c9, pois, preciso que a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus transforme o olhar que os homens projetam \u00e0 sua pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como respondem os crist\u00e3os ao sofrimento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia quotidiana dificilmente d\u00e1 conta de Deus no sofrimento. Perante a realidade cruel da cruz, mesmo n\u00f3s crist\u00e3os, ficamos desconcertados, mas por detr\u00e1s das vicissitudes que nos afetam n\u00e3o atuam simplesmente a lei natural, a casualidade, a sorte ou a desgra\u00e7a. O crist\u00e3o sabe que o sofrimento n\u00e3o pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se entrega nas m\u00e3os de Deus, e deste modo ser uma etapa de crescimento na f\u00e9 e no amor. \u00abA f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 luz que dissipa todas as nossas trevas, mas l\u00e2mpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho\u00bb (LF 57). A luz da f\u00e9 n\u00e3o nos faz esquecer os sofrimentos do mundo. A f\u00e9 tem sempre de nos incomodar e nunca acomodar. Na hora da prova\u00e7\u00e3o, a f\u00e9 ilumina-nos. Os que sofrem foram, e continuam a ser, mediadores de luz para tantos homens e mulheres de f\u00e9. Assim, a f\u00e9, ao dar-nos a certeza do amor que Deus nos tem, d\u00e1-nos tamb\u00e9m uma grande esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como pode um crist\u00e3o lidar com o sofrimento, mantendo-se firme na sua f\u00e9 e no chamamento que recebeu? Jesus n\u00e3o prometeu uma vida sem dores, mas deu-nos a confian\u00e7a que o nosso sofrimento, unido a Ele, ser\u00e1 uma vit\u00f3ria: \u00abAnunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis tribula\u00e7\u00f5es; mas tende confian\u00e7a: Eu j\u00e1 venci o mundo!\u00bb (Jo 16,33). Ser crist\u00e3o \u00e9 enfrentar a dor e o sofrimento na certeza de que a ressurrei\u00e7\u00e3o chegar\u00e1. \u00abTanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho unig\u00e9nito, a fim de que todo o que cr\u00ea nele n\u00e3o se perca, mas tenha a vida eterna\u00bb (Jo 3,16). S\u00f3 \u00e0 luz da f\u00e9 em Cristo, e sob a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, podemos progredir na maturidade espiritual que nos configura interiormente com Jesus, de maneira que alcancemos a sabedoria e a sensibilidade para procurar e viver segundo o plano de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crist\u00e3os, temos de nos convencer que a voca\u00e7\u00e3o de sermos crist\u00e3os \u00e9 exigente. Qual o santo que n\u00e3o sofreu? H\u00e1 dores que precisam de ser enfrentadas, porque n\u00e3o existe anestesia para elas. \u00abO mist\u00e9rio do homem s\u00f3 no mist\u00e9rio do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente [\u2026] Cristo, novo Ad\u00e3o, na pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua voca\u00e7\u00e3o sublime\u00bb (GS 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus afirma que h\u00e1 um \u00abReino preparado desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo\u00bb (Mt 25,34) para aqueles que amam o irm\u00e3o que sofre. Diante da evid\u00eancia que os crist\u00e3os tamb\u00e9m tinham de passar pela morte, S\u00e3o Paulo acalentava a esperan\u00e7a dos outros membros da comunidade com estas palavras: \u00abIrm\u00e3os, n\u00e3o queremos deixar-vos na ignor\u00e2ncia a respeito dos que faleceram, para n\u00e3o andardes tristes como os outros que n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7a. Se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim tamb\u00e9m Deus reunir\u00e1 com Jesus os que em Jesus adormeceram\u00bb (1Tes 4,13-18). Realidade desanimadora, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 n\u00e3o haver quem console. \u00abCristo ensinou o homem a fazer bem com o sofrimento e, ao mesmo tempo, a fazer bem a quem sofre\u00bb (SD 30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vida, todos passamos prova\u00e7\u00f5es e sofrimentos, umas vezes em consequ\u00eancia dos nossos pr\u00f3prios atos, outras, causadas por outros motivos. Nesses momentos precisamos de consola\u00e7\u00e3o. Da parte de Deus ela vem com certeza, pois consolar \u00e9 atributo de Deus. \u00abComo a m\u00e3e consola o seu filho, assim Eu vos consolarei\u00bb (Is 66,13). Mas aliviar a dor ou o sofrimento moral e espiritual deve acontecer tamb\u00e9m da parte dos irm\u00e3os, como recomenda S\u00e3o Paulo: \u00abConsolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente\u00bb (1Tes 5,11). Confortar n\u00e3o significa apenas dar o que \u00e9 material, ou simplesmente tentar fazer esquecer o motivo do des\u00e2nimo, mas estar ao lado, tornando esses momentos mais amenos, revigorando-os na f\u00e9. \u00abAssim, o dinamismo de f\u00e9, esperan\u00e7a e caridade (cf. 1Ts 1,3; 1Cor 13,13) faz-nos abra\u00e7ar as preocupa\u00e7\u00f5es de todos os homens, no nosso caminho rumo \u00e0quela cidade, \u2018cujo arquiteto e construtor \u00e9 o pr\u00f3prio Deus\u2019 (Heb 11,10), porque \u2018a esperan\u00e7a n\u00e3o engana\u2019(Rm 5,5)\u00bb (LF 57). Os santos, perante as adversidades mais extremas, n\u00e3o deixam de invocar Deus para que se possam ver livres delas, mas sobretudo para que se cumpra o des\u00edgnio amoroso de Deus. Por isso, n\u00e3o t\u00eam temor perante a dor, nem perante a morte, porque as adversidades da terra n\u00e3o podem sen\u00e3o uni-los ao corpo sofredor do Senhor. Seguir Jesus n\u00e3o \u00e9 simplesmente imit\u00e1-lo, mas assumir existencialmente as suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O sofrimento, um desafio \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 solidariedade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento comporta um desafio \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e0 solidariedade. Diante de todo o sofrimento, e no combate ao mal que o causa, a solidariedade \u00e9 a din\u00e2mica indispens\u00e1vel para construir um caminho humanitariamente poss\u00edvel e justo. Perante a situa\u00e7\u00e3o dos sofredores, mais do que agudizar a dor causada pelo sofrimento, \u00e9 necess\u00e1rio enfrentar os problemas com serenidade, buscando sa\u00eddas para as dificuldades, lembrados de que nunca estamos s\u00f3s. Enquanto crentes, temos de compartilhar as perplexidades da vida, contrapor alternativas, contribuir para que, no meio de aparentes fracassos, demos conta de que Deus nos surpreende. \u00abTrazemos este tesouro em vasos de barro\u00bb (2Cor 4,7). A a\u00e7\u00e3o de Jesus tem de ser continuada pelos seus disc\u00edpulos, mas estes n\u00e3o se podem guiar por interesses pessoais, mas sim pelo amor a Deus e aos irm\u00e3os. O sofrimento est\u00e1 presente no mundo para desencadear o amor. O fruto da convers\u00e3o \u00e9 n\u00e3o apenas o facto de que o homem descobre o sentido salv\u00edfico do sofrimento, mas, sobretudo, que no sofrimento ele encontra como que uma maneira nova para avaliar toda a sua vida e a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 necess\u00e1rio fazer tudo para aliviar a dor e limitar o sofrimento, mas se a dor f\u00edsica se recupera com medicamentos, h\u00e1 outros sofrimentos que s\u00f3 s\u00e3o atenuados pela presen\u00e7a, pelo carinho que recebemos nos momentos de prova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o bastam apenas cuidados paliativos, s\u00e3o urgentes os cuidados espirituais. Muitas vezes o sofrimento instala-se por falta de interioriza\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o sobre o sentido da vida pessoal. Chega at\u00e9 a existir um menosprezo por tudo o que tenha a ver com o cultivo do esp\u00edrito. Diz-nos o Papa Francisco: \u201cO homem deixado \u00e0s suas for\u00e7as n\u00e3o compreende as coisas do Esp\u00edrito\u201d. A resist\u00eancia, na forma de preocupa\u00e7\u00e3o, costuma impedir-nos de ver a verdade das nossas vidas, de ouvir a voz de Deus e de viver uma vida espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abA experi\u00eancia pessoal de nos deixarmos acompanhar e curar, conseguindo exprimir com plena sinceridade a nossa vida a quem nos acompanha, ensina-nos a ser pacientes e compreensivos com os outros e habilita-nos a encontrar as formas para despertar neles a confian\u00e7a, a abertura e a vontade de crescer\u00bb (EG 172). Quando as dores f\u00edsicas ou morais, os desgostos, os fracassos, a solid\u00e3o, a depress\u00e3o\u2026 nos deprimem, Cristo crucificado convida-nos a crescer na mansid\u00e3o, na paci\u00eancia, na bondade e na grandeza de alma; a aumentar a confian\u00e7a em Deus; a ser mais desprendidos de \u00eaxitos e bens materiais; sobretudo a deixar-nos abrasar pelo seu amor, a imit\u00e1-lo, unindo-nos assim ao seu sacrif\u00edcio redentor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um grande cap\u00edtulo do Evangelho do sofrimento escrevem-no todos aqueles que sofrem com Cristo. Partilhando as nossas alegrias e sofrimentos, Cristo identificou-se com os pequenos e com os pobres, aos quais anunciou a Boa Nova. No serm\u00e3o da montanha, conforta todos os que o amam e unem o seu sofrimento ao sofrimento dele: \u00abFelizes os que choram, porque ser\u00e3o consolados. Felizes os puros de cora\u00e7\u00e3o, porque ver\u00e3o a Deus. Felizes os que sofrem persegui\u00e7\u00e3o por causa da justi\u00e7a, porque deles \u00e9 o Reino do C\u00e9u\u00bb (Mt 5,1-10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>IV. A IGREJA RESPONDE AO SOFRIMENTO COM A ALEGRIA DO EVANGELHO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja sente ser seu dever estar pr\u00f3xima de todos os que sofrem. N\u00e3o pode ficar indiferente nem ausente de nenhum ambiente da vida das pessoas. Ela \u00e9 vista na vi\u00fava que chora e a quem o Senhor diz: N\u00e3o chores! \u00abAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos disc\u00edpulos de Cristo. E n\u00e3o h\u00e1 realidade alguma verdadeiramente humana que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o\u00bb (GS 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perante o sofrimento, a Igreja responde em conformidade com o Evangelho. Sentimo-nos envolvidos como destinat\u00e1rios e como participantes, convidados \u201ca ter em n\u00f3s os mesmos sentimentos de Cristo Jesus\u201d (Fil 2,5). A f\u00e9 crist\u00e3 sup\u00f5e a aten\u00e7\u00e3o ao outro. \u00abOs males do nosso mundo \u2013 e os da Igreja \u2013 n\u00e3o deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso amor. Vejamo-los como desafio para crescer\u00bb (EG 84). O Samaritano aceita ver e ouvir a dor do outro, at\u00e9 fazer ressoar em si a voz do sofrimento do outro. Este \u00e9 o modo de ouvir de Deus, e esta deve ser tamb\u00e9m a maneira de sentir da Igreja diante dos sofrimentos humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja \u00e9 chamada a cuidar destas feridas, alivi\u00e1-las com o \u00f3leo da consola\u00e7\u00e3o, enfaix\u00e1-las com a miseric\u00f3rdia e trat\u00e1-las com a solidariedade e a aten\u00e7\u00e3o devidas. \u00abH\u00e1 que evitar ju\u00edzos que n\u00e3o tenham em conta a complexidade das diferentes situa\u00e7\u00f5es, e \u00e9 preciso estar atentos ao modo como as pessoas vivem e sofrem por causa da sua condi\u00e7\u00e3o\u00bb (AL 79). O crist\u00e3o tem de compreender que o seu modo de estar na vida deve ser o discernimento: um discernimento crist\u00e3o, que amadurece na reflex\u00e3o, no compromisso ativo e na ora\u00e7\u00e3o, e que deve ajudar a encontrar caminhos poss\u00edveis de resposta a Deus e de crescimento no meio das fragilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos dif\u00edceis, de fortes contradi\u00e7\u00f5es e grandes esperan\u00e7as, urge apreender um novo impulso de humanidade, para n\u00e3o permitir que a mentira, a hipocrisia, a corrup\u00e7\u00e3o, a avidez do poder, a barb\u00e1rie e a indiferen\u00e7a prevale\u00e7am neste mundo que deveria ser de proximidade e de harmonia. Diante do sofrimento de tanta gente exaurida pela mis\u00e9ria, pela viol\u00eancia e pelas injusti\u00e7as, n\u00e3o podemos permanecer indiferentes. \u00c9 determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu an\u00fancio que viva e testemunhe a compaix\u00e3o. Sabemos quanto \u00aba credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso e compassivo\u00bb (MV 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o amor que nos permite vislumbrar e penetrar no mist\u00e9rio da pessoa \u2013 este \u00e9 a base significativa para uma melhor qualidade de vida para todos. Mais ainda, temos de conhecer os verdadeiros fundamentos da nossa f\u00e9 e esperan\u00e7a, e sobre eles construir os alicerces da nossa exist\u00eancia. N\u00e3o sejamos como Caim, que pretende nada ter a ver com a morte de seu irm\u00e3o Abel: \u00abSerei eu guarda do meu irm\u00e3o?\u00bb (Gn 4,9). O estarmos despertos para a felicidade pr\u00f3pria e alheia comporta exig\u00eancias de evangeliza\u00e7\u00e3o e um esfor\u00e7o de purifica\u00e7\u00e3o, para que todo o tipo de sofrimento seja um verdadeiro caminho de acesso \u00e0 experi\u00eancia da proximidade e da beleza do rosto de Deus, revelado em Jesus Cristo. S\u00f3 a partir de uma Igreja presente como fermento de esperan\u00e7a ativa no meio do mundo, onde se constr\u00f3i o Reino de Deus, do qual cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 sinal vis\u00edvel, comprometida na transforma\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, dando as m\u00e3os a todos os que vivem enfermidades, se pode transformar o sofrimento em alegrias. Uma Igreja \u00abonde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida feliz do Evangelho\u00bb (EG 114). Vendo que a multid\u00e3o de pessoas que O seguia estava cansada e abatida, Jesus sentiu, no fundo do cora\u00e7\u00e3o, uma intensa compaix\u00e3o por tais pessoas (cf. Mt 9,36). Em virtude deste amor compassivo, curou os enfermos que Lhe foram apresentados (cf. Mt 14,14) e, com poucos p\u00e3es e peixes, saciou grandes multid\u00f5es (cf. Mt 15,37). Em todas as circunst\u00e2ncias, o que movia Jesus era apenas a miseric\u00f3rdia, com a qual dava resposta \u00e0s necessidades que tinham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cora\u00e7\u00f5es feridos que esperam por algu\u00e9m que suavize as suas feridas. \u00c9 urgente despertar e recuperar a dimens\u00e3o da f\u00e9 e do encontro com Cristo. S\u00f3 um encontro pessoal com a Pessoa de Cristo crucificado, morto e ressuscitado traz a realiza\u00e7\u00e3o plena para as nossas vidas. Cristo n\u00e3o pode ficar na dimens\u00e3o do conhecimento, sob pena de os olhos humanos se fecharem pela dece\u00e7\u00e3o e falta de esperan\u00e7a, quando as coisas n\u00e3o correm bem, quando a cren\u00e7a em Deus se defronta com a realidade do sofrimento e da morte. A Marta, em l\u00e1grimas pela morte do irm\u00e3o L\u00e1zaro, Jesus diz-lhe: \u00abEu n\u00e3o te disse que, se acreditares, ver\u00e1s a gl\u00f3ria de Deus?\u00bb (Jo 11,40).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem anuncia a esperan\u00e7a de Jesus \u00e9 portador de alegria e v\u00ea longe, porque sabe olhar para al\u00e9m dos problemas. Fortalecidos pela esperan\u00e7a alicer\u00e7ada na f\u00e9, respondamos ao desafio que se nos coloca, abrindo horizontes de esperan\u00e7a na esfera do amor e do servi\u00e7o. Com esta esperan\u00e7a, procuremos, pela palavra que escutamos ou dizemos, pelo abra\u00e7o, pelo afeto que sentimos e fazemos sentir, abrir o cora\u00e7\u00e3o \u00e0queles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, estar atentos e sol\u00edcitos para com todos aqueles que, no clamor ou no sil\u00eancio, esperam por uma palavra, que as nossas m\u00e3os apertem as suas e sintam o calor da nossa presen\u00e7a. Mesmo n\u00e3o podendo curar, devemos sempre cuidar. Cuidar dos enfermos, visitando-os e apoiando-os nos problemas concretos \u00e9 uma das miss\u00f5es nobres da a\u00e7\u00e3o pastoral das comunidades. Um dos problemas que deve interpelar as nossas comunidades \u00e9 o das pessoas que pela idade ou doen\u00e7a vivem sozinhas em casa. Neste sentido, \u00e9 fundamental a rela\u00e7\u00e3o entre as unidades de sa\u00fade e as comunidades crist\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pode faltar ao nosso dia-a-dia a escuta da Palavra de Deus e a solicitude para quem est\u00e1 em necessidade, a ora\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, a partilha espiritual e o testemunho, o trabalho ass\u00edduo e s\u00e9rio. Para tal, \u00e9 necess\u00e1rio: 1\u00ba Fortalecer a nossa identidade e crescer na liberdade criativa para obedecer \u00e0quilo que Deus nos chama a ser; 2\u00ba Manter-nos atentos e abertos \u00e0s comunidades; 3\u00ba Desenvolver as nossas capacidades para um exerc\u00edcio inteligente da caridade em favor dos que sofrem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pastoral n\u00e3o pode deixar de incorporar esta realidade do sofrimento. \u00abOs pastores, que prop\u00f5em aos fi\u00e9is o ideal pleno do Evangelho e a doutrina da Igreja, devem ajud\u00e1-los tamb\u00e9m a assumir a l\u00f3gica da compaix\u00e3o pelas pessoas fr\u00e1geis e evitar persegui\u00e7\u00f5es ou ju\u00edzos demasiado duros e impacientes. O pr\u00f3prio Evangelho exige que n\u00e3o julguemos nem condenemos. Jesus \u00abespera que renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunit\u00e1rios que permitem manter-nos \u00e0 dist\u00e2ncia do n\u00f3 do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contacto com a vida concreta dos outros e conhecermos a for\u00e7a da ternura. Quando o fazemos, a vida complica-se sempre maravilhosamente\u00bb (AL 308).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fazermos emergir Jesus como o rosto misericordioso de Deus Pai, temos de, sem ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o do sucesso, mas seguindo o mesmo m\u00e9todo, o da humildade, deixar-nos imbuir da sua palavra e agir em conformidade com ela. O disc\u00edpulo de Jesus tem de ser um agente de miseric\u00f3rdia \u00abVai e faz tu tamb\u00e9m o mesmo\u00bb (Lc 10,37). Paulo alimenta a ideia da alegria aliada \u00e0 pr\u00e1tica da miseric\u00f3rdia e na carta aos Romanos convida a praticar a miseric\u00f3rdia com alegria (cf. Rm 12,8), pois \u201cDeus ama quem d\u00e1 com alegria\u201d (2Cor 9,7). O mundo de hoje precisa deste testemunho contagiante da alegria, da esperan\u00e7a e da miseric\u00f3rdia. Que cada um de n\u00f3s seja capaz de \u201clevar a boa nova aos humildes, curar as feridas da alma, pregar a reden\u00e7\u00e3o para os cativos e a liberdade para os que est\u00e3o presos; consolar os que choram; proclamar o tempo da gra\u00e7a\u201d (Is 61,1-3). No fundo, criar uma comunidade apaixonada pelo seguimento de Jesus, que seja disc\u00edpula nos caminhos da hist\u00f3ria, vivendo sempre atenta \u00e0 voz do Esp\u00edrito que clama no cora\u00e7\u00e3o de cada homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao p\u00e9 da cruz, Cristo conduz-nos a Maria, aquela que tem o cora\u00e7\u00e3o trespassado pela espada, que compreende todos os sofrimentos. Maria ensina-nos a meditar para encontrar solu\u00e7\u00e3o. \u00c0 semelhan\u00e7a de Cristo, sejamos, atrav\u00e9s de um cora\u00e7\u00e3o terno e humilde, capaz de escutar, oferecer alegria e esperan\u00e7a, rasgar horizontes, de sentir e aliviar o sofrimento dos irm\u00e3os que encontramos no caminho da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembrados de que a ora\u00e7\u00e3o nos pode iluminar o sentido da dor, com Maria, M\u00e3e de Cristo, que subiu ao Calv\u00e1rio e permaneceu firme diante da Cruz, pe\u00e7amos a sua intercess\u00e3o para nos ajudar a suportar todos os sofrimentos e a estarmos atentos ao sofrimento dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que nesta Quaresma, possamos refletir e experimentar esta via criada por Deus para a nossa Reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus Pai, rico em miseric\u00f3rdia<br \/>\nque eu una as minhas dores<br \/>\naos sofrimentos do teu Filho Jesus,<br \/>\nque, por amor aos homens,<br \/>\nofereceu a Sua vida no alto da cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senhor Jesus,<br \/>\na ti ofere\u00e7o todas as minhas preocupa\u00e7\u00f5es,<br \/>\nang\u00fastias e sofrimentos,<br \/>\npara que eu seja mais digno de ti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que o sofrimento,<br \/>\nunido \u00e0 cruz de Jesus,<br \/>\nn\u00e3o tenha a \u00faltima palavra,<br \/>\nporque Tu, Jesus, \u00e9s a minha esperan\u00e7a<br \/>\ne a salva\u00e7\u00e3o dos meus irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria, M\u00e3e de Cristo, junto \u00e0 Cruz,<br \/>\najuda-me a levar a minha cruz e a dos meus irm\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c1men.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">____________<br \/>\nQuaresma, 2019<br \/>\n\u2020 Ant\u00f3nio Manuel Moiteiro Ramos,<br \/>\nBispo de Aveiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; \u00abN\u00e3o te<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5592,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,47,12],"tags":[],"class_list":["post-5591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-d-antonio-manuel-moiteiro-ramos","category-documentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5591"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5595,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5591\/revisions\/5595"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}