{"id":5434,"date":"2019-03-08T12:46:54","date_gmt":"2019-03-08T12:46:54","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5434"},"modified":"2019-02-24T18:54:01","modified_gmt":"2019-02-24T18:54:01","slug":"a-volta-do-novo-testamento-qumran-1-essenios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/a-volta-do-novo-testamento-qumran-1-essenios\/","title":{"rendered":"\u00c0 VOLTA DO NOVO TESTAMENTO &#8211; QUMRAN 1 | ESS\u00c9NIOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>\u00c0 VOLTA DO NOVO TESTAMENTO<\/strong><\/em><\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>QUMRAN 1 | ESS\u00c9NIOS<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\">Pe. J\u00falio Franclim do Couto e Pacheco<\/p>\n<p>Leia aqui <a href=\"https:\/\/pt.calameo.com\/read\/00550561524b8ef3bf239\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Qumran 1 | Ess\u00e9nios<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>I N T R O D U \u00c7 \u00c3 O<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta dos primeiros manuscritos na zona de Qumran, junto ao Mar Morto, foi feita por casualidade em 1946-1947, quando tr\u00eas pastores bedu\u00ednos, n\u00f3madas do deserto, estavam por ali com o rebanho de cabras, e um deles, ao procurar algumas cabras, v\u00ea duas aberturas na rocha. Atirando pedras pela abertura da rocha, ouve barulho de cer\u00e2mica a quebrar. Dois dias ap\u00f3s entrou na caverna, encontrando uma s\u00e9rie de jarros, contendo manuscritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Ao todos foram encontradas e examinadas onze grutas com manuscritos. J\u00e1 se conhecia um primeiro manuscrito encontrado no Cairo, Egipto, recuperado em 1897 numa guenizah, local em uma sinagoga onde se guardam c\u00f3pias de textos sagrados em desuso, conhecido como Documento de Damasco, escrito por volta de 10 a.C.. A descoberta posterior de manuscritos em Qumran veio trazer luz para a compreens\u00e3o deste manuscrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Os manuscritos b\u00edblicos encontrados em Qumran abrangem toda a B\u00edblia hebraica, excepto o livro de Ester e s\u00e3o aproximadamente mil anos mais antigos do que o mais velho c\u00f3dice. Um dos primeiros manuscritos retirados das grutas pr\u00f3ximas ao s\u00edtio de Qumran foi a Regra da Comunidade. Este documento de onze colunas apresenta poucas lacunas e est\u00e1 em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o. Na gruta 4 foram descobertos tamb\u00e9m outros manuscritos fragment\u00e1rios da mesma regra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A comunidade do Mar Morto (ou Qumran) foi estabelecida ali no s\u00e9culo II a.C., que sobreviveu por cerca de dois s\u00e9culos ou mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A maioria dos manuscritos est\u00e1 em pergaminho, o restante em papiro. Al\u00e9m dos manuscritos hebraicos, foram encontrados gregos e aramaicos. Os gregos s\u00e3o fragmentos de \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros e Deuteron\u00f3mio. H\u00e1 fragmentos dos Targumim do Lev\u00edtico e Job. Os manuscritos concordam com o texto massor\u00e9tico e, indicam a exist\u00eancia de <em>protomassor\u00e9ticos <\/em>entre os s\u00e9culos I-III a.C..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho seguinte foi escavar e identificar algumas ru\u00ednas que se encontravam na zona. Identificam uma constru\u00e7\u00e3o rectangular de 37 metros de comprimento por 30 metros de largura \u00e0 qual se ligam outros edif\u00edcios e um aqueduto que serve para recolher as \u00e1guas do Wadi Qumran no Inverno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cer\u00e2mica encontrada \u00e9 id\u00eantica \u00e0 de 1Q: isto relaciona os manuscritos com o grupo que vivia em Qumran. O cemit\u00e9rio, com mais de mil t\u00famulos, rigorosamente organizado, tamb\u00e9m \u00e9 investigado e nove esqueletos s\u00e3o enviados a Paris para exames t\u00e9cnicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As moedas encontradas permitem a data\u00e7\u00e3o do assentamento humano de Qumran. As dez moedas identificadas inicialmente v\u00e3o da \u00e9poca de Herodes Magno (37-4 a.C.) \u00e0 segunda guerra judaica contra Roma (132-135 d.C.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algumas grutas desta regi\u00e3o s\u00e3o encontrados importantes documentos em hebraico, aramaico, grego e latim relacionados, em sua maioria, com a segunda guerra judaica contra Roma (132-135 d.C.). Fica estabelecido que Murabba&#8217;at servia de ref\u00fagio aos soldados de Sim\u00e3o bar Kokbah, l\u00edder da rebeli\u00e3o, de quem s\u00e3o recuperadas at\u00e9 cartas assinadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Khirbet Qumran os arque\u00f3logos identificam um conjunto de constru\u00e7\u00f5es bastante interessante: oficinas, olaria, despensas, refeit\u00f3rio, cisternas, um \u00abscriptorium\u00bb, etc. Nenhum fragmento de manuscrito \u00e9 encontrado nas constru\u00e7\u00f5es, mas apenas alguns <em>\u00f3straca<\/em>. E a sua grafia \u00e9 a mesma dos manuscritos encontrados nas grutas. Tamb\u00e9m s\u00e3o recolhidas cer\u00e2micas, moedas e outros objectos. O curioso \u00e9 que o edif\u00edcio n\u00e3o tem dormit\u00f3rios. Ou se dormia em tendas ou nas grutas das redondezas. O estabelecimento agr\u00edcola de Ain Feshka, ao sul de Qumran, tamb\u00e9m \u00e9 explorado. Ali os ess\u00e9nios manufacturavam a palmeira, juncos, sal, betume e cereais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Manuscritos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No total, s\u00e3o recuperados, em 11 grutas de Qumran, 11 manuscritos mais ou menos completos e milhares de fragmentos de mais de 800 manuscritos em pergaminho e papiro. Escritos em hebraico, aramaico e grego, cerca de 225 manuscritos s\u00e3o c\u00f3pias de livros b\u00edblicos, sendo o restante livros ap\u00f3crifos, trabalhos exeg\u00e9ticos e escritos da comunidade que vive em Qumran.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os manuscritos s\u00e3o anteriores ao ano 68 d.C., quando Qumran \u00e9 destru\u00eddo. Os mais antigos s\u00e3o anteriores \u00e0 instala\u00e7\u00e3o da comunidade que vive em Qumran e remontam ao s\u00e9culo III a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Regras da Comunidade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De extrema import\u00e2ncia s\u00e3o os livros que trazem as normas de constitui\u00e7\u00e3o e actividades da comunidade de Qumran.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Regra da Comunidade<\/strong> ou <strong>Manual de Disciplina<\/strong>, em hebraico, <em>Serek hayahad<\/em> (1QS), \u00e9 o principal livro da comunidade de Qumran. \u00c9 o manuscrito que cont\u00e9m as normas que governam a comunidade. Provavelmente seu autor \u00e9 o pr\u00f3prio fundador da comunidade, conhecido nos textos como o <em>Mestre da Justi\u00e7a<\/em>. Sua composi\u00e7\u00e3o pode ser situada entre 150 e 125 a.C., enquanto que o manuscrito completo \u00e9 dos anos 100-75 a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da c\u00f3pia completa encontrada em 1Q, fragmentos de outras 11 c\u00f3pias es\u00adt\u00e3o entre os textos de 4Q e 5Q.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Regra da Congrega\u00e7\u00e3o<\/strong>, em hebraico, <em>Serek ha&#8217;edat<\/em> (1Q Sa), tamb\u00e9m dito Preceito do Messianismo e a <strong>Colec\u00e7\u00e3o de B\u00ean\u00e7\u00e3os<\/strong> (1Q Sb) s\u00e3o dois anexos \u00e0 Regra da Comunidade. A primeira \u00e9 da metade do s\u00e9c. I a.C. e a segunda pode ser datada por volta de 100 a.C.. A Regra da Congrega\u00e7\u00e3o \u00e9 um escrito de tipo escatol\u00f3gico que descreve a vida e o banquete da comunidade no fim dos tempos. A Colec\u00e7\u00e3o de B\u00ean\u00e7\u00e3os \u00e9 uma antologia de f\u00f3rmulas para aben\u00e7oar os membros da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <strong>C\u00e2nticos de Louvor<\/strong>, em hebraico, <em>H\u00f4day\u00f4t<\/em> (1QH), s\u00e3o c\u00e2nticos de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as ou hinos de louvor, parecidos com o Magnificat e o Benedictus de Lucas. Inspiram-se principalmente nos Salmos e em Isa\u00edas. Devem ter sido compostos entre 150 e 125 a.C., e, pelo menos em parte, pelo <em>Mestre da Justi\u00e7a<\/em>. O manuscrito de 1Q prov\u00e9m dos anos 1 a 50 d.C. Em 4Q s\u00e3o encontrados fragmentos de mais 6 c\u00f3pias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A <strong>Regra da Guerra<\/strong>, em hebraico, <em>Serek hamilhamah<\/em>, tamb\u00e9m conhecida como \u00abA guerra dos filhos da luz contra os filhos das trevas\u00bb, compreende uma esp\u00e9cie de comp\u00eandio da ci\u00eancia b\u00e9lica e das celebra\u00e7\u00f5es cultuais que deveriam ser observadas por ocasi\u00e3o de uma guerra com vistas \u00e0 luta final que precederia a era da salva\u00e7\u00e3o. O original \u00e9 composto entre os anos 50 a.C. e 25 d.C., enquanto o manuscrito encontrado em 1Q \u00e9 do s\u00e9c. I d.C. Em 4Q s\u00e3o encontrados fragmentos de mais cinco c\u00f3pias deste livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Documento de Damasco<\/strong> (CD) \u00e9 uma obra conhecida desde 1896-97, quando dois manuscritos s\u00e3o encontrados num dep\u00f3sito de rolos velhos (<em>genizah<\/em>) de uma antiga sinagoga do Cairo. Um dos manuscritos \u00e9 do s\u00e9culo X d.C. e o outro do s\u00e9c. XII d.C. Publicados em 1910, continuam, ent\u00e3o, um enigma: n\u00e3o se sabe a que grupo judeu o texto se refere e que certamente comp\u00f4s a obra. Mas acontece que fragmentos de nove c\u00f3pias do Documento de Damasco s\u00e3o encontrados nas grutas de Qumran: sem d\u00favida \u00e9 uma obra criada na comunidade ess\u00e9nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Rolo do Templo<\/strong>, encontrado na gruta 11, (11QT), s\u00f3 aparece em Junho de 1967, durante a \u00abGuerra dos Seis Dias\u00bb, quando o Estado de Israel o retira das m\u00e3os de um antiqu\u00e1rio da parte \u00e1rabe de Jerusal\u00e9m, a quem os ta&#8217;amireh o vendera. \u00c9 o maior dos manuscritos de Qumran, com mais de oito metros e meio de comprimento e 66 colunas. Trata do Templo e do culto, e embora se trate de uma reinterpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o b\u00edblica do \u00caxodo, Lev\u00edtico e Deuteron\u00f3mio, o autor apresenta sua mensagem como fruto de revela\u00e7\u00e3o divina directa. O Rolo do Templo \u00e9 do s\u00e9c. II a.C. S\u00e3o encontrados fragmentos deste livro nas grutas 4Q e 11Q.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes rolos, de idades diferentes, cuidadosamente guardados em vasilhas da mesma \u00e9poca, n\u00e3o s\u00e3o pe\u00e7as abandonadas por acaso, mas um arquivo ou biblioteca escondida num momento de perigo. Nenhum documento \u00e9 posterior aos come\u00e7os do s\u00e9culo I a.C. e alguns deles podem ser mais antigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Manuscritos B\u00edblicos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o recuperados manuscritos e fragmentos de quase todos os livros b\u00edblicos judaicos, pois s\u00f3 falta Ester. O Pentateuco est\u00e1 muito bem representado em Qumran, pois h\u00e1 15 manuscritos fragmentados do G\u00e9nesis, 15 do \u00caxodo, 9 do Lev\u00edtico, 6 de N\u00fameros e 25 do Deuteron\u00f3mio. S\u00e3o 70 manuscritos. Estes manuscritos ligam-se a tr\u00eas tradi\u00e7\u00f5es textuais:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li>a) \u00e0 do texto massor\u00e9tico (TM)<\/li>\n<li>b) \u00e0 do original hebraico a partir do qual \u00e9 traduzida a LXX<\/li>\n<li>c) \u00e0 do Pentateuco samaritano. O Pentateuco samaritano, pertencente \u00e0 comunidade separada de Samaria, come\u00e7a a ter sua hist\u00f3ria independente no final do s\u00e9c. II a.C.. Os arque\u00f3logos recuperam apenas fragmentos de 2 manuscritos de Josu\u00e9, 3 de Ju\u00edzes, 3 de Samuel e 4 de Reis. O grande interesse desses manuscritos para os estudiosos \u00e9 que eles est\u00e3o bem mais pr\u00f3ximos do texto hebraico usado para a tradu\u00e7\u00e3o da LXX do que do texto massor\u00e9tico.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos profetas s\u00e3o encontrados 18 manuscritos: 2 de Isa\u00edas &#8211; um quase completo (1QIs<sup>a<\/sup>) e outro com uma parte apenas (1Q Is<sup>b<\/sup>) &#8211; 4 de Jeremias, 6 de Ezequiel e 8 dos doze profetas menores. Os textos de Isa\u00edas s\u00e3o pr\u00f3ximos ao TM, assim como os de Ezequiel e dos profetas menores, mas um manuscrito de Jeremias, 1Q Jr<sup>b<\/sup>, traz o mesmo texto da LXX. E isso \u00e9 importante, pois o Jeremias da LXX \u00e9 bem mais curto do que o do TM. Este \u00e9 resultado de uma amplia\u00e7\u00e3o posterior, enquanto o que serve de base para a LXX \u00e9 mais s\u00f3brio. 1Q Is<sup>a<\/sup> \u00e9 um rolo quase completo de Isa\u00edas, datando da primeira metade do s\u00e9c. I a.C. 1Q Is<sup>b<\/sup> est\u00e1 mal conservado e cont\u00e9m apenas Is 38-66 e trechos de outros cap\u00edtulos. \u00c9 da \u00faltima metade do s\u00e9c. I a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0 \u00faltima parte da B\u00edblia Hebraica, os Escritos, s\u00e3o recuperados em Qumran restos de cerca de 66 manuscritos. Os Salmos est\u00e3o bem representados com 30 manuscritos, Daniel est\u00e1 em 8 e assim por diante. Na gruta 4 s\u00e3o recuperados fragmentos do original aramaico de Tobias, at\u00e9 ent\u00e3o perdido, e textos muito pr\u00f3ximos \u00e0 \u00e9poca de composi\u00e7\u00e3o dos originais como 4Q Ecl<sup>a<\/sup> e 4Q Dn<sup>a<\/sup>, respectivamente, cerca de cem e cinquenta anos ap\u00f3s a escrita dos livros do Eclesiastes e de Daniel. Ester n\u00e3o \u00e9 encontrado. Como esse livro \u00e9 muito bem aceite pelos Macabeus, isto deve ter provocado sua rejei\u00e7\u00e3o pela comunidade de Qumran, inimiga daqueles governantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No conjunto, s\u00e3o cerca de 225 manuscritos ou fragmentos de livros b\u00edblicos. Sua import\u00e2ncia para a hist\u00f3ria do texto do AT \u00e9 grande, j\u00e1 que testemunham as v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es existentes antes da unifica\u00e7\u00e3o feita pelos rabinos de J\u00e2mnia nos anos 90 da era crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Livros Ap\u00f3crifos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra \u00e1rea bastante interessante dos manuscritos de Qumran \u00e9 a dos livros ap\u00f3crifos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na gruta 1 s\u00e3o encontradas 22 colunas de um G\u00e9nesis Ap\u00f3crifo (1Q apGn), em aramaico, que narra a hist\u00f3ria de Gn 5,28-15,4, isto \u00e9, de Lamec a Abra\u00e3o, com embelezamentos midrashicos. Pode ser datado entre o II e o I s\u00e9culos a.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V\u00e1rios fragmentos da gruta 1 testemunham a exist\u00eancia dum Livro de No\u00e9. Na gruta 4 h\u00e1 fragmentos de 5 manuscritos dum Testamento de Amram (Amram \u00e9 neto de Levi, segundo a B\u00edblia), sete fragmentos dum Samuel Ap\u00f3crifo (4Q 160) etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Coment\u00e1rios B\u00edblicos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os coment\u00e1rios b\u00edblicos de Qumran s\u00e3o do g\u00e9nero <strong><em>pesher<\/em><\/strong>, palavra hebraica que quer dizer \u00abexplica\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00absignificado\u00bb. O m\u00e9todo <em>pesher<\/em> consiste em comentar o texto b\u00edblico vers\u00edculo por vers\u00edculo, procurando aplic\u00e1-lo \u00e0s circunst\u00e2ncias vividas pela comunidade, como se os textos b\u00edblicos, especialmente os prof\u00e9ticos, estivessem falando directamente da realidade atual. Os livros resultantes s\u00e3o conhecidos como <em>pesharim<\/em>, \u00abcoment\u00e1rios\u00bb. Ap\u00f3s citar um vers\u00edculo ou mesmo trechos menores, o comentarista diz: \u00abA explica\u00e7\u00e3o (<em>pesher<\/em>) disto diz respeito a&#8230;\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes livros s\u00e3o classificados como 1Q pHab, 1Q pMq, 4Q pOs etc, respectivamente, Coment\u00e1rio (= <em>pesher<\/em>) de Habacuc, Coment\u00e1rio de Miqueias, Coment\u00e1rio de Oseias e assim por diante. Est\u00e3o identificados cerca de uma d\u00fazia destes coment\u00e1rios entre os manuscritos de Qumran.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <em>pesharim<\/em>, al\u00e9m de exemplificarem um m\u00e9todo exeg\u00e9tico s\u00f3 usado pela comunidade de Qumran e pelos crist\u00e3os, s\u00e3o importantes igualmente como testemunhos hist\u00f3ricos da organiza\u00e7\u00e3o e vicissitudes da comunidade. O <em>pesher<\/em> mais importante de Qumran \u00e9 o 1QpHab, Coment\u00e1rio de Habacuc, escrito provavelmente no come\u00e7o do s\u00e9c. I a.C., por suas constantes refer\u00eancias \u00e0 hist\u00f3ria da comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tipo de trabalho exeg\u00e9tico encontrado em Qumran \u00e9 o <strong><em>targum<\/em><\/strong>. <em>Targum<\/em> significa \u00abtradu\u00e7\u00e3o\u00bb e indica as tradu\u00e7\u00f5es aramaicas dos livros b\u00edblicos (= <em>targumim<\/em>) que se fazem nas sinagogas da \u00e9poca. S\u00f3 que o targum n\u00e3o \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o literal, mas uma par\u00e1frase explicativa e actualizada do texto hebraico. \u00c9 \u00f3ptimo para se saber como os judeus interpretam o texto b\u00edblico. Na gruta n\u00famero 11 de Qumran os arque\u00f3logos encontram v\u00e1rios fragmentos de origem targ\u00famica, entre eles um Targum de Job. \u00c9 o mais antigo dos targumim conhecidos, sendo do final do s\u00e9c. II a.C..<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro tipo de exegese \u00e9 o que os editores dos manuscritos chamam <strong>Floril\u00e9gio<\/strong>: consiste em agrupar v\u00e1rios trechos b\u00edblicos, que possuam alguma homogeneidade, para que ese completem e sejam explicados. O fragmento 4Q 174, por exemplo, re\u00fane trechos de 2Sm 7 com Sl 1 e 2 que s\u00e3o interpretados, em seguida, segundo o padr\u00e3o do <em>pesher<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 VOLTA DO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5435,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[112,90,91,54],"tags":[],"class_list":["post-5434","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-a-volta-do-novo-testamento","category-autores-ii","category-olhares-ii","category-pe-julio-franclim-do-couto-e-pacheco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5434"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5436,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5434\/revisions\/5436"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5435"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}