{"id":540,"date":"2017-04-26T10:27:03","date_gmt":"2017-04-26T10:27:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=540"},"modified":"2017-05-19T13:57:15","modified_gmt":"2017-05-19T13:57:15","slug":"iii-domingo-da-pascoa-ano-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/iii-domingo-da-pascoa-ano-a\/","title":{"rendered":"III Domingo da P\u00e1scoa &#8211; Ano A"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>III Domingo da P\u00e1scoa &#8211; Ano A<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-541\" src=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/III-Domingo-da-P\u00e1scoa-Ano-A.png\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/III-Domingo-da-P\u00e1scoa-Ano-A.png 337w, https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/III-Domingo-da-P\u00e1scoa-Ano-A-212x300.png 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Franclim Pacheco (texto)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Breve coment\u00e1rio<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O III Domingo da P\u00e1scoa apresenta-nos um texto pr\u00f3prio de Lucas, contendo dados tradicionais reelaborados de modo pessoal pelo evangelista para ilustrar a sua doutrina, os seus elementos caracter\u00edsticos, a come\u00e7ar pela centralidade de Jerusal\u00e9m. Trata-se duma per\u00edcopa muito significativa para compreender o sentido da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e as modalidades da f\u00e9 pascal para os crentes de todos os tempos.<\/p>\n<p><strong><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/strong>Lucas coloca no dia de P\u00e1scoa o encontro do ressuscitado com dois dos seus disc\u00edpulos que est\u00e3o a <em>caminho<\/em>, tema tamb\u00e9m central na segunda parte do evangelho, num esquema liter\u00e1rio que encontramos tamb\u00e9m em Act 8,26-39, no encontro de Filipe com o eunuco et\u00edope.<\/p>\n<p>O grupo daqueles que acompanhavam habitualmente Jesus, denominado vagamente por <em>disc\u00edpulos<\/em>, \u00e9 mais amplo que os Doze, ou Onze com a morte de Judas. Os dois que v\u00e3o para Ema\u00fas pertencem ao grupo mais alargado e \u00e9 dito o nome dum deles: Cl\u00e9ofas. V\u00e3o embora desanimados, afastando-se do grupo a que pertencem, e v\u00e3o conversando sobre \u00abas coisas que aconteceram\u00bb, \u00e0s quais n\u00e3o conseguem dar resposta.<\/p>\n<p>Jesus aproxima-se e caminha com eles: uma nota muito simples mas cheia de significado para o caminho de f\u00e9 dos disc\u00edpulos de ontem e hoje. O primeiro passo \u00e9 dado sempre por Jesus que vem ao nosso encontro no caminho que percorremos, em qualquer lugar em que nos encontremos. Com uma atitude simples, Jesus insere-se no discurso. Para os dois disc\u00edpulos, trata-se dum peregrino (forasteiro) que est\u00e1 a deixar Jerusal\u00e9m depois das festas da P\u00e1scoa, espantando-se pelo facto de ele n\u00e3o estar a par de algo que abalou toda a gente.<\/p>\n<p>O que explicam ao peregrino tem a ver com Jesus, o nazareno, profeta poderoso em palavras e obras, que devia libertar Israel. A chama do nacionalismo, da revolta e do messianismo est\u00e3o latentes na resposta. Mas tudo acabou: os chefes religiosos e autoridades pol\u00edticas crucificaram Jesus h\u00e1 tr\u00eas dias. \u00c9 bom recordar que, segundo a cren\u00e7a hebraica, o esp\u00edrito do defunto ficava perto do cad\u00e1ver at\u00e9 ao terceiro dia a partir do qual a morte era definitiva. Alguns factos os perturbaram: algumas mulheres e disc\u00edpulos encontraram o t\u00famulo vazio e uns anjos disseram que Ele estava vivo, mas a Ele n\u00e3o O viram.<\/p>\n<p>A ideia que t\u00eam sobre a pessoa e vida de Jesus impede-os de O reconhecer, pois Ele nada tem a ver com gl\u00f3ria terrena, messias pol\u00edtico e nacionalismos. Lucas mant\u00e9m vivo o \u00absuspense\u00bb e abre novos horizontes. \u00c0 d\u00favida dos dois, ele contrap\u00f5e uma ci\u00eancia segura e sagrada. O viajante, com grande capacidade pedag\u00f3gica guia os seus companheiros de caminhada atrav\u00e9s da leitura das Escrituras para a compreens\u00e3o da sua vida. Ao messianismo triunfalista, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o terrena de Israel, contrap\u00f5e o plano de Deus, revelado pela Escritura, que previa a <em>necessidade<\/em> (\u00abn\u00e3o devia&#8230;?\u00bb) da paix\u00e3o de Cristo para entrar na sua gl\u00f3ria. Por detr\u00e1s do texto transparece a pr\u00e1tica habitual da leitura dos textos do Antigo Testamento nas assembleias lit\u00fargicas.<\/p>\n<p>A caminhada est\u00e1 quase a acabar para os dois disc\u00edpulos que, segundo as regras da hospitalidade palestinenses, insistem com o desconhecido para ficar com eles.<\/p>\n<p>Quando se sentam \u00e0 mesa, Jesus \u00abparte o p\u00e3o\u00bb e neste gesto faz-se reconhecer. Depois da leitura da Escritura,\u00a0 Lucas sugere aos seus ouvintes a \u00abfrac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o\u00bb, termo t\u00e9cnico para indicar a Eucaristia (cf. <em>Act <\/em>2,42.46; 20,7.11; 27,35): \u00e9 aqui que agora os disc\u00edpulos podem sempre encontrar o seu Senhor ressuscitado.<\/p>\n<p>Com o partir do p\u00e3o, sem uma palavra, os seus olhos abrem-se: afinal o viajante \u00e9 Jesus, que desaparece. O Senhor desaparece, mas fica a alegria do encontro. O resto \u00e9 simples conclus\u00e3o: reflex\u00e3o sobre a luz das Escrituras, regresso a Jerusal\u00e9m, para junto do grupo, onde ficam a saber que Sim\u00e3o viu o Ressuscitado, e contam a sua experi\u00eancia ao longo do caminho e o instante da frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o.<\/p>\n<p>O texto belo e bem estruturado que Lucas nos apresenta, mais do que um relato duma viagem com as suas perip\u00e9cias, apresenta-se como uma catequese para os crist\u00e3os dos anos 80, a cinquenta anos de dist\u00e2ncia da vida, paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, que se interrogavam, tal como os crist\u00e3os de todos os tempos: se Cristo ressuscitou e est\u00e1 vivo, como podemos encontr\u00e1-l\u2019O e reconhec\u00ea-l\u2019O; se Cristo est\u00e1 vivo, porque n\u00e3o toma uma atitude e triunfa definitivamente sobre o mal e sobre todos os poderes deste mundo?<\/p>\n<p>Na base na narra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica est\u00e1 o esquema duma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica: a liturgia da Palavra e o \u00abpartir do p\u00e3o\u00bb. Os crist\u00e3os, \u00e0 luz das Escrituras, v\u00e3o percebendo o plano de Deus no que respeita a Jesus e \u00e0queles que percorrem o mesmo caminho, seguindo-O. Ele faz-se companheiro (com+p\u00e3o \u2013 o que partilha o mesmo p\u00e3o), sentando-se \u00e0 mesma, para que os seus entrem em comunh\u00e3o com Ele e o reconhe\u00e7am neste gesto, sinal da sua entrega aos homens. Para quem faz esta experi\u00eancia s\u00f3 h\u00e1 um atitude a tomar: testemunhar que Jesus est\u00e1 vivo e presente na vida dos homens.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>III Domingo da<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":542,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,18,54],"tags":[],"class_list":["post-540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhar-sobre-os-evangelhos","category-pe-julio-franclim-do-couto-e-pacheco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=540"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/540\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":545,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/540\/revisions\/545"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}