{"id":5359,"date":"2019-02-06T18:45:27","date_gmt":"2019-02-06T18:45:27","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5359"},"modified":"2019-02-06T20:51:28","modified_gmt":"2019-02-06T20:51:28","slug":"deixando-tudo-seguiram-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/deixando-tudo-seguiram-jesus\/","title":{"rendered":"Deixando tudo, seguiram Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\">Pe. Georgino Rocha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 na margem do lago de Tiber\u00edades. Numerosa multid\u00e3o o acompanha e aperta para ouvir os seus ensinamentos. Vinha das popula\u00e7\u00f5es vizinhas e tamb\u00e9m da Judeia onde ele havia pregado. Move-a a novidade da mensagem e o estilo de vida de Jesus, que atra\u00eda e irradiava. Move-a o sentido de confian\u00e7a crescente que se ir\u00e1 confirmar com o epis\u00f3dio da pesca abundante. Move-a a \u00e2nsia profunda de ouvir a palavra de Jesus, mesmo depois de o ver afastar-se na barca de Pedro. Lucas, o autor da narra\u00e7\u00e3o, faz um relato simb\u00f3lico, que d\u00e1 rosto ao agir hist\u00f3rico de Jesus na sua rela\u00e7\u00e3o com os disc\u00edpulos; portanto connosco. Vamos deter-nos em alguns passos. (Lc 5, 1-11).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus viu duas barcas paradas na margem do lago\u201d. Quer dizer o seu olhar desloca-se, deixa a multid\u00e3o e procura um meio de ajuda. Precisa de outro espa\u00e7o. Quer libertar-se do aperto em que se encontrava, procurar dist\u00e2ncia para se fazer ouvir, at\u00e9 porque as \u00e1guas transmitem mais facilmente os sons e as palavras, iniciar um processo de envolvimento pessoal de Sim\u00e3o, Tiago e Jo\u00e3o, pescadores chegados da faina malograda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m, hoje, quantas barcas paradas nas margens da vida ap\u00f3s noites de labuta intensa e sem resultado. Quantos sonhos desfeitos em cora\u00e7\u00f5es jovens que alimentavam novas ousadias! Quantas amarras \u00e0 liberdade a quem sente os impulsos do amor e deseja a verdade! S\u00e3o milh\u00f5es os que, ap\u00f3s um desaire, ficam nas margens da vida, sem terem quem se lembre deles e lhes d\u00ea a m\u00e3o, pedindo um servi\u00e7o. Ex-presos, drogados, sem tecto, indocumentados e tantos outros a\u00ed est\u00e3o a dar rosto a esta tremenda realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3ximo dia 11, celebra-se o 27\u00ba Dia Mundial do Doente, proposto pela Igreja Cat\u00f3lica. O Papa Francisco dedica-lhe uma excelente mensagem, da qual extra\u00edmos dois breves par\u00e1grafos. \u201cO cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma car\u00edcia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos \u00e9 \u00abquerido\u201d. E \u201csabemos que a sa\u00fade \u00e9 relacional, depende da intera\u00e7\u00e3o com os outros e precisa de confian\u00e7a, amizade e solidariedade; \u00e9 um bem que s\u00f3 se pode gozar \u00abplenamente\u00bb, se for partilhado. A alegria do dom gratuito \u00e9 o indicador de sa\u00fade do crist\u00e3o\u201d. E o Papa destaca, de modo especial, a miss\u00e3o dos volunt\u00e1rios, pois a mensagem tem por t\u00edtulo: \u201cRecebestes de gra\u00e7a, dai de gra\u00e7a\u201d. E \u00e9 um hino ao dom, \u00e0 gratuidade, ao servi\u00e7o ao d\u00e9bil e fr\u00e1gil, ao doente e idoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim\u00e3o, o dono de uma das barcas, acolhe o pedido de Jesus e afasta-se um pouco da margem. E Jesus, a partir de agora, toma a iniciativa e n\u00e3o a deixa mais. Dir-se-\u00e1 que tem um projecto pessoal a realizar: senta-se, posi\u00e7\u00e3o dos mestres que ensinam, e come\u00e7a a falar. Lucas n\u00e3o refere a mensagem do discurso; prefere centrar a aten\u00e7\u00e3o no epis\u00f3dio da pesca abundante, do seu simbolismo eclesial e da voca\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos s\u00f3cios da companha. Prefere que o leitor se fa\u00e7a peregrino e mergulhe na trama do relato, a fim de captar o seu alcance real e o projecte na actualidade: Estar com Jesus no mesmo barco, remar na mesma cad\u00eancia, familiarizar-se com Ele e ser enviado em miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAvan\u00e7a para \u00e1guas mais profundas e lan\u00e7a as redes para a pesca\u201d, diz Jesus a Pedro, homem experiente e, por isso, lhe d\u00e1 as \u00faltimas informa\u00e7\u00f5es sobre o in\u00fatil trabalho da noite. Depois, resoluto, afirma: \u201cEm aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Tua palavra, lan\u00e7arei as redes\u201d. A brevidade do di\u00e1logo d\u00e1 mais realce \u00e0 atitude dos interlocutores. Jesus pede obedi\u00eancia a quem est\u00e1 cheio de experi\u00eancia, pede energias revigoradas a quem se sente esgotado, pede mudan\u00e7a de rumo a quem estava seguro dos locais de pesca e das mar\u00e9s favor\u00e1veis. Pedro entrega-se e lan\u00e7a-se na aventura. Confiante, arrisca. Com a valentia de quem come\u00e7a. E a surpresa acontece: \u201cApanharam tamanha quantidade de peixe que as redes se rompiam\u201d. Lucas regista com pormenor o resultado da pesca, a abund\u00e2ncia, fruto da coopera\u00e7\u00e3o humana com o agir divino. Abund\u00e2ncia que refor\u00e7a a pr\u00e1tica da solidariedade activa. Abund\u00e2ncia que gera um novo dinamismo relacional entre os pescadores, embri\u00e3o do que vir\u00e1 a ser a comunidade dos disc\u00edpulos de Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio da pesca no lago de Tiber\u00edades tem ainda outros detalhes que lhe fazem linda moldura e esbo\u00e7am rico simbolismo. Vamos fixar-nos no acto final da narra\u00e7\u00e3o: \u201cLevaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus\u201d. O que fica descrito antes converge para a atitude de seguimento dos disc\u00edpulos. Por Aquele que se mostrara de modo t\u00e3o assombroso, est\u00e3o dispostos a deixar barcos e redes, horas felizes de conv\u00edvio e pescaria, de brisa e maresia. Come\u00e7am a sonhar com outros mares e a afei\u00e7oar-se a ser pescadores de homens, como o Mestre lhes anuncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA cena \u00e9 simb\u00f3lica&#8221;, afirma a B\u00edblia Pastoral. Jesus chama os seus primeiros disc\u00edpulos, mostrando-lhes qual a miss\u00e3o que lhes est\u00e1 reservada: fazer que os homens participem da liberta\u00e7\u00e3o trazida por Jesus e que s\u00f3 pode realizar-se no seguimento d\u2019Ele, mediante a uni\u00e3o com Ele e a Sua miss\u00e3o. O convite ao seguimento \u00e9 exigente e precisa \u00abdeixar tudo\u00bb para que nada impe\u00e7a o disc\u00edpulo de anunciar a Boa Nova do Reino\u201d. Ser livre de todas as amarras!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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