{"id":5241,"date":"2019-01-04T12:05:24","date_gmt":"2019-01-04T12:05:24","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5241"},"modified":"2019-01-04T12:12:03","modified_gmt":"2019-01-04T12:12:03","slug":"sobre-a-virgindade-de-maria-espiritual-e-fisica-sem-confusao-e-sem-separacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sobre-a-virgindade-de-maria-espiritual-e-fisica-sem-confusao-e-sem-separacao\/","title":{"rendered":"Sobre a Virgindade de Maria: espiritual e f\u00edsica, sem confus\u00e3o e sem separa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: center;\">\u00c1lvaro Balsas*<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ventos actuais n\u00e3o s\u00e3o prop\u00edcios \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o da virgindade f\u00edsica de Maria. V\u00e1rios s\u00e3o os te\u00f3logos que at\u00e9 afirmam a sua virgindade espiritual, mas vacilam quando se trata de afirmar a virgindade f\u00edsica da M\u00e3e de Deus. O que estar\u00e1 na base desta dicot\u00f3mica separa\u00e7\u00e3o? Em primeiro lugar cabe dizer que na cultura actual, onde a sexualidade biol\u00f3gica \u00e9 exaltada at\u00e9 \u00e0 sua m\u00e1xima pot\u00eancia,\u00a0 a virgindade humana n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o colhe boa imprensa, como at\u00e9 aparece como uma categoria pr\u00f3pria de atrasados mentais, que acreditam em mitologias conotadas com a \u201cidade das trevas\u201d. Nesta cultura, portanto, parecer\u00e1 pouco ilustrado, e at\u00e9 anticient\u00edfico, defender a virgindade f\u00edsica de Maria, raz\u00e3o pela qual a quem pretenda afirmar-se como detentor de um pensamento progressista n\u00e3o lhe restar outra alternativa cred\u00edvel sen\u00e3o a de negar, velada ou explicitamente, essa virgindade f\u00edsica, remetendo-a para o ba\u00fa das velharias a descartar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da virgindade f\u00edsica, juntamente com a virgindade espiritual, de Maria constituir uma parte integrante da dogm\u00e1tica crist\u00e3, n\u00e3o \u00e9 novidade exclusiva do nosso tempo a tentativa da sua nega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ela foi surgindo ao longo dos s\u00e9culos e, na Modernidade, ganhou ra\u00edzes na chamada teologia liberal do s\u00e9culo XIX, a qual pretendia ajustar a teologia ao positivismo exacerbado desse tempo. J\u00e1 no s\u00e9culo passado, Eduard Norden e Matin Dibelius procuraram derivar a narra\u00e7\u00e3o do nascimento virginal de Jesus a partir das narrativas da hist\u00f3ria das religi\u00f5es, nomeadamente do nascimento dos fara\u00f3s eg\u00edpcios. Por outro lado, na senda do programa teol\u00f3gico de desmitologiza\u00e7\u00e3o de Rudolf Bultmann, algumas teologias feministas recentes puseram tamb\u00e9m em causa a virgindade f\u00edsica de Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a Igreja ensina reiteradamente a virgindade de Maria, como sendo <em>simultaneamente<\/em> espiritual <em>e<\/em> f\u00edsica. E n\u00e3o poderia ser de outro modo. Na sua sabedoria milenar, a Igreja teceu v\u00e1rias f\u00f3rmulas dogm\u00e1ticas de grande calibre racional, nomeadamente a equilibrada f\u00f3rmula do Conc\u00edlio de Calced\u00f3nia, do ano 451, que afirma a completa <em>unidade<\/em> da dupla natureza de Cristo, humana e divina, \u201csem confus\u00e3o e sem separa\u00e7\u00e3o\u201d. A mesma f\u00f3rmula pode perfeitamente ser utilizada para outros bin\u00f3mios em que a Igreja \u00e9 confrontada com a possibilidade de escolha entre duas alternativas, optando ela, clara e decididamente, pela manuten\u00e7\u00e3o da <em>conjun\u00e7\u00e3o<\/em> dessas duas alternativas e n\u00e3o pela sua disjun\u00e7\u00e3o, como, por exemplo, entre a f\u00e9 <em>e<\/em> a raz\u00e3o, Deus <em>e<\/em> o ser humano, \u00a0o natural <em>e<\/em> o sobrenatural, o espiritual e o carnal, a virgindade espiritual e a virgindade f\u00edsica, etc., embora mantendo tamb\u00e9m uma clara assimetria entre os dois polos de cada um desses bin\u00f3mios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dado que a virgindade de Maria \u00e9 afirmada claramente nos escritos evang\u00e9licos, n\u00e3o \u00e9 de estranhar que j\u00e1 os Padres apost\u00f3licos, como Santo In\u00e1cio de Antioquia, os apologistas, como S\u00e3o Justino, o fil\u00f3sofo, e os controversistas, como Santo Ireneu, tenham sublinhado que esta verdade pertence \u00e0 f\u00e9 da Igreja. Os documentos dogm\u00e1ticos do magist\u00e9rio da Igreja atestam tamb\u00e9m, desde muito cedo, essa mesma verdade de f\u00e9. No chamado S\u00edmbolo Apost\u00f3lico, dos come\u00e7os do s\u00e9culo III (215?), mas que depende de uma fonte anterior, j\u00e1 se distingue entre a <em>concep\u00e7\u00e3o virginal<\/em> de Jesus (com origem na obra do Esp\u00edrito Santo), concep\u00e7\u00e3o essa afirmada ser \u201csem s\u00e9men masculino\u201d e o <em>parto virginal<\/em> (o seu nascimento da Virgem Maria). A explicita\u00e7\u00e3o do dogma da virgindade de Maria foi crescendo \u00e0 medida que surgiram as controv\u00e9rsias. No s\u00e9culo IV surge a express\u00e3o \u201csempre virgem\u201d, adoptada pelo II Conc\u00edlio de Constantinopla (553), aparecendo tamb\u00e9m a f\u00f3rmula tern\u00e1ria \u201c<em>antes<\/em> do parto, <em>no<\/em> parto e <em>depois<\/em> do parto\u201d, para responder a algumas heresias que negavam este \u00faltimo, f\u00f3rmula que ser\u00e1 vertida nas actas do III Conc\u00edlio de Constantinopla (680). Na Idade M\u00e9dia reafirma-se a virgindade perp\u00e9tua de Maria, nomeadamente com Agostinho e Tom\u00e1s de Aquino, o mesmo fazendo os grande te\u00f3logos do s\u00e9culo XX, como o jesu\u00edta Karl Rahner e o Papa Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que pretende a Igreja afirmar com o dogma da virgindade de Maria? (e tamb\u00e9m com os outros tr\u00eas dogmas marianos: Maternidade divina, Imaculada Concei\u00e7\u00e3o e Assun\u00e7\u00e3o ao C\u00e9u de Maria) Na verdade, trata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o sobre Cristo e sobre a Igreja, ligada \u00e0 maternidade divina. Ao afirmar que a M\u00e3e de Deus \u00e9 sempre virgem, concebendo sem o concurso de var\u00e3o, est\u00e1 afirmar a divindade de Cristo e que Deus \u00e9 o seu Pai e, simultaneamente, que Cristo \u00e9 verdadeiramente homem da nossa ra\u00e7a. P\u00f5e tamb\u00e9m de manifesto o dogma que a entrada de Deus no mundo n\u00e3o depende da vontade da carne, nem das for\u00e7as humanas, mas da interven\u00e7\u00e3o directa de Deus, sem concurso de var\u00e3o, e com a colabora\u00e7\u00e3o da entrega total, livre e fiel \u00e0 vontade amorosa de Deus, que torna Maria virgem, isto \u00e9, terreno plenamente disposto para a actua\u00e7\u00e3o plena da gra\u00e7a de Deus, que fecunda e gera Cristo incarnado. P\u00f5e ainda de manifesto o dogma \u201ca disposi\u00e7\u00e3o da Virgem a manter-se aberta, sem reserva, nem condi\u00e7\u00e3o alguma, em tudo e sempre, \u00e0 santa vontade de Deus\u2026 quando diz: \u2018eis a escrava do Senhor\u2019\u201d (K. Rahner, <em>Maria, M\u00e3e do Senhor<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, Maria, Virgem e M\u00e3e, \u00e9 a Nova Eva, atrav\u00e9s da qual Deus d\u00e1 in\u00edcio a uma Humanidade Nova, nascida n\u00e3o da carne, mas da f\u00e9 na vontade de Deus. Maria \u00e9, assim, tamb\u00e9m, figura da Igreja (e de todos os crentes), que na f\u00e9 em Cristo, Palavra eterna de Deus, gera os filhos de Deus. Por outras palavras, na maternidade virginal de Maria ressoa a maternidade da Igreja, que tamb\u00e9m gera filhos (<em>Lumen Gentium<\/em>, 64) em Cristo pelo poder do Esp\u00edrito Santo. A afirma\u00e7\u00e3o da virgindade perp\u00e9tua de Maria inclui os sentidos teol\u00f3gico e biol\u00f3gico, que se devem, portanto, manter \u201cunidos, sem confus\u00e3o e sem separa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agostinho lembra (em <em>De Sancta Virginitate<\/em>) que Maria \u00e9 virgem porque concebeu primeiro no seu cora\u00e7\u00e3o, pela f\u00e9, em total abertura e entrega \u00e0 gra\u00e7a divina, concebendo s\u00f3 depois no seu seio. Ou seja, a virgindade em Maria \u00e9 <em>primariamente<\/em> uma disposi\u00e7\u00e3o livre e \u00edntegra do seu cora\u00e7\u00e3o imaculado, que respondendo na f\u00e9 ao amor gratuito e misericordioso de Deus, n\u00e3o colocou a mais leve sombra de resist\u00eancia ao des\u00edgnio divino, para ser, <em>derivadamente<\/em>, uma ades\u00e3o do corpo, o qual receptivo tamb\u00e9m \u00e0 gra\u00e7a, acompanhou o cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 que em Maria, a \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d, tudo, no seu acto de resposta livre \u00e0 gra\u00e7a divina, aparece perfeitamente em <em>estreita sintonia e unidade<\/em>: esp\u00edrito, alma e corpo, sem esquizofrenias de esp\u00e9cie alguma. Em Maria concretiza-se, pois, a resposta plena e total da humanidade \u00e0 gra\u00e7a de Deus, que \u00e9 recebido totalmente, no cora\u00e7\u00e3o e no seio da \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d. A virgem Maria tem, por isso, um lugar especial na hist\u00f3ria da humanidade e da Igreja, pois Ela \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 a resposta humana mais completa\u00a0 \u00e0 iniciativa de Deus de desposar a humanidade, inaugurando o in\u00edcio de uma Nova Humanidade redimida por Cristo, como \u00e9 tamb\u00e9m o modelo daquilo que a Igreja e toda a humanidade est\u00e1 chamada a ser e a viver, enquanto resposta a Deus pela livre ades\u00e3o a Ele, atrav\u00e9s da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender, at\u00e9 humanamente, o alcance da entrega de Maria a Deus, isto \u00e9, da sua virgindade, simultaneamente espiritual e corporal. Na verdade, o exemplo do amor humano j\u00e1 exige que a entrega e o acolhimento amoroso exclusivo, ou seja, virginal, entre, por exemplo, marido e esposa, sejam tamb\u00e9m uma entrega e acolhimento amoroso total, isto \u00e9, de \u201ccorpo e alma\u201d, j\u00e1 que a entrega em esp\u00edrito arrasta tamb\u00e9m a entrega corporal; e quando o esp\u00edrito de um dos elementos do casal n\u00e3o se entrega totalmente ao outro, o corpo tamb\u00e9m n\u00e3o se entrega. Exemplo an\u00e1logo poderia ser retirado da vida sacerdotal e religiosa, pois quando algu\u00e9m decide livremente entregar-se religiosamente a Deus, essa entrega \u00e9 tamb\u00e9m total, simultaneamente espiritual e corporal, sem esquizofrenias entre o esp\u00edrito, o corpo e a alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa mesma forma argumenta o jesu\u00edta Karl Rahner, um dos maiores \u00a0te\u00f3logo do s\u00e9culo XX:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">Como perfeita redimida, Maria \u00e9 absoluta unidade \u2013 n\u00e3o identidade! \u2013 de esp\u00edrito, corpo e alma. Nela, tudo \u00e9 resumido no acto da sua entrega pessoal a Deus. Nela, encontramos a perfeita integra\u00e7\u00e3o de todo o momento da sua exist\u00eancia. O acto do amor de Deus \u00e9 completamente bem sucedido em Maria. Nela, elei\u00e7\u00e3o pela gra\u00e7a e abertura \u00e0 gra\u00e7a s\u00e3o uma s\u00f3 unidade. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">Portanto, Maria \u00e9 tanto a M\u00e3e de Deus que concebeu a gra\u00e7a incarnada de Deus corporalmente no seu seio como, simultaneamente \u2013 porque na sua concep\u00e7\u00e3o e acto pessoal, esp\u00edrito e corpo, pertencem juntos a uma insepar\u00e1vel unidade \u2013 \u00e9 Aquela que (\u2026) respondeu a Deus com o seu <em>fiat<\/em> (\u2026). Ela concebe a Palavra \u2026 simultaneamente na f\u00e9, no cora\u00e7\u00e3o e no seio. (<em>Spiritual Exercises<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E noutro texto, advoga o mesmo te\u00f3logo que se o Filho incarnado n\u00e3o quis ter pai terreno foi para que aparecesse claramente que Ele procede por completo da disposi\u00e7\u00e3o de Deus e n\u00e3o do mundo,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">n\u00e3o porque o mundo seja mau ou porque o matrim\u00f3nio n\u00e3o seja uma institui\u00e7\u00e3o estabelecida por Deus (\u2026), mas para que se manifestasse que n\u2019Ele se interrompe o curso terreno do mundo (\u2026). \u00c9 do alto que cai imprevisivelmente a miseric\u00f3rdia de Deus: o nascimento do Filho, (\u2026) puro efeito da livre ac\u00e7\u00e3o de Deus\u2026 Maria p\u00f5e-se \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o desta ac\u00e7\u00e3o de Deus. E entrega-se de tal maneira que (\u2026) \u00e9 a Virgem, porque Ele n\u00e3o \u00e9 deste mundo, mas do alto. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">A virgindade de Maria e o nascimento sem coopera\u00e7\u00e3o paterna s\u00e3o a mesma coisa (\u2026). Deus n\u00e3o pode ser for\u00e7ado a descer at\u00e9 n\u00f3s \u2026, mas s\u00f3 O podemos receber como gra\u00e7a, que se oferece a si mesma de um modo inexpressavelmente livre. Uma realidade semelhante devia imprimir-se n\u00e3o somente na mente e no cora\u00e7\u00e3o de Maria, mas tamb\u00e9m em todo o seu ser e corporeidade. Tinha que aparecer na sua exist\u00eancia f\u00edsica como fen\u00f3meno e representa\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, Ela \u00e9 virgem de esp\u00edrito e corpo, excepcional em todo o plano de Deus. Pelo facto de que em toda a sua exist\u00eancia \u2026, desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 sua morte, Ela se encontra inserida na sua miss\u00e3o de ser M\u00e3e do Senhor, consagrada a este \u00fanico destino, por isso mesmo Ela permanece virgem \u2026 enquanto recep\u00e7\u00e3o obediente da gra\u00e7a. E n\u00e3o s\u00f3 o \u00e9 antes da concep\u00e7\u00e3o do seu divino Filho, mas tamb\u00e9m depois, pois Maria \u00e9 e permanece a mesma coisa: a pura receptividade \u00e0 livre gra\u00e7a do alto, pela qual devia representar a virgindade n\u00e3o s\u00f3 como a sua forma de ser pessoal, mas como imagem exemplar e fecunda da Igreja, estabelecendo um novo estado no seio dela. (\u2026) Maria converteu-se no prot\u00f3tipo da virgindade crist\u00e3 \u2026, a virgindade consagrada a Deus, que segue os passos de Maria, a virgem santa. (\u2026)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify; padding-left: 60px;\">A virgindade de Maria diz algo muito importante a todos os crist\u00e3os. Antes de tudo como espera, disponibilidade e receptividade \u00e0 gra\u00e7a do alto, como consci\u00eancia de que o definitivo \u00e9 gra\u00e7a e s\u00f3 gra\u00e7a, que cada crist\u00e3o deve viver como uma disposi\u00e7\u00e3o interior (\u2026). Pois, no fim de contas, n\u00f3s n\u00e3o realizamos a nossa salva\u00e7\u00e3o pelas nossas pr\u00f3prias for\u00e7as (\u2026). S\u00f3 quando nos colocamos diante de Deus com esta disposi\u00e7\u00e3o de virgindade, qui\u00e7\u00e1 est\u00e9ril aos olhos do mundo, somos verdadeiramente crist\u00e3os. (<em>Maria, M\u00e3e do Senhor<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compreendemos, assim, que a entrega de Maria a Deus tenha igualmente sido total e \u00edntegra, em uni\u00e3o total de esp\u00edrito, corpo e alma, sem esquizofrenias nem ego\u00edsmos de esp\u00e9cie alguma. E assim, Maria concebe o Verbo Incarnado, simultaneamente na f\u00e9, no cora\u00e7\u00e3o e no seio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A virgindade de Maria, espiritual e f\u00edsica, n\u00e3o se op\u00f5e \u00e0 racionalidade humana, mas faz parte da interven\u00e7\u00e3o directa de Deus no Cosmos e na hist\u00f3ria humana, pela sua incarna\u00e7\u00e3o. Sendo um \u201cfen\u00f3meno\u201d irrepet\u00edvel, n\u00e3o entra no conjunto de fen\u00f3menos que podem ser estudados pelas ci\u00eancias naturais, esses sim, repet\u00edveis e quantific\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Jesu\u00edta e Professor da Universidade Cat\u00f3lica Portuguesa, Braga<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1lvaro Balsas* Os<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5242,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[111,46,91,14],"tags":[],"class_list":["post-5241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alvaro-balsas","category-autores","category-olhares-ii","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5241"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5246,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5241\/revisions\/5246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}