{"id":5217,"date":"2018-12-27T00:05:14","date_gmt":"2018-12-27T00:05:14","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=5217"},"modified":"2018-12-27T00:05:14","modified_gmt":"2018-12-27T00:05:14","slug":"jesus-adolescente-em-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jesus-adolescente-em-familia\/","title":{"rendered":"JESUS ADOLESCENTE EM FAM\u00cdLIA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, ao nascer, beneficia de um ambiente familiar confort\u00e1vel. Em Nazar\u00e9, cresce em humanidade com o amor da M\u00e3e e o cuidado sol\u00edcito de Jos\u00e9. Aprende o valor das pequenas coisas, dos gestos de ternura, da aten\u00e7\u00e3o m\u00fatua, da confian\u00e7a rec\u00edproca, do reconhecimento, da ora\u00e7\u00e3o em comum. Aprende a alimentar-se, a cuidar da higiene, a trabalhar, a ter amigos e vizinhos; enfim a ser humano. O exemplo dos pais \u00e9 a sua escola natural, de educa\u00e7\u00e3o e relacionamento, de afirma\u00e7\u00e3o de capacidades e aceita\u00e7\u00e3o de limita\u00e7\u00f5es, de modos de falar e reagir, de ser soci\u00e1vel. Como os pais. Aprende a respeitar as tradi\u00e7\u00f5es religiosas, a ir rezar \u00e0 sinagoga, a peregrinar ao Templo de Jerusal\u00e9m por ocasi\u00e3o das festas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Lucas (Lc 2, 41-52), a partir de refer\u00eancias b\u00edblicas, de poss\u00edveis informa\u00e7\u00f5es de Maria, e da sua f\u00e9rtil imagina\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, faz uma narra\u00e7\u00e3o detalhada, memor\u00e1vel, do que aconteceu com a primeira ida de Jesus \u00e0 festa da P\u00e1scoa. Narra\u00e7\u00e3o detalhada, cheia de ensinamentos e interpela\u00e7\u00f5es. Vamos seguir alguns dos seus passos que nos ajudam a ver com s\u00e3o realismo a beleza da fam\u00edlia, fonte de inspira\u00e7\u00e3o para valores que as fam\u00edlias de hoje est\u00e3o chamados a cultivar e de desafios a assumir. Podemos assim reviver a experi\u00eancia de tantos pais\/m\u00e3es na sua rela\u00e7\u00e3o com os filhos, sobretudo adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de mais, conv\u00e9m advertir que o texto n\u00e3o \u00e9 uma reportagem, nem parte de uma biografia, nem os dados apresentados pretendem ser hist\u00f3ricos ao pormenor. S\u00e3o antes, uma leitura profunda de um epis\u00f3dio que quer ajudar-nos a conhecer mais e melhor a Jesus, o Filho de Deus. \u201cPor isso, todo o relato se centra em torno \u00e0 figura de Jesus e \u00e0s palavras que pronuncia: (s\u00e3o) as suas primeiras palavras no evangelho\u201d. (Homil\u00e9tica, 190). No templo, Jesus reivindica a sua rela\u00e7\u00e3o com Deus Pai; em casa, obedecendo aos pais legais, cresce em idade, sabedoria e gra\u00e7a. O relato de Lucas faz-nos aproximar desta realidade encantadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A peregrina\u00e7\u00e3o fazia-se em grupos, tipo caravanas. As pessoas, embora caminhassem juntas aos seus, podiam aproximar-se de outras. Assim, aproveitavam para conversar e fazer amizades, recordar mem\u00f3rias e acalentar sonhos, rezar e cantar salmos. Assim, mostravam uma dimens\u00e3o do ser humano: ser peregrino no tempo, ser que faz de cada momento da vida um passo para um futuro j\u00e1 vivido em desejo: o de chegar. Assim, revigoravam for\u00e7as an\u00edmicas e espirituais estimuladas pela seiva da esperan\u00e7a, motor de todas as realiza\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem doze anos. Est\u00e1 prestes a entrar numa fase nova da vida com o reconhecimento legal do seu estatuto que, entre os judeus, ocorre aos treze anos. Por isso, vai com os pais e familiares. Est\u00e1 a desabrochar para uma fase exuberante de crescimento, de afirma\u00e7\u00e3o e de prova de compet\u00eancias adquiridas; de autonomia. E vai comprov\u00e1-lo no di\u00e1logo com a m\u00e3e, ap\u00f3s a festa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lucas refere que a peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 feita aquando da festa da P\u00e1scoa. Pormenor cheio de alcance. J\u00e1 se vislumbra a outra P\u00e1scoa: a da paix\u00e3o e da ressurrei\u00e7\u00e3o que d\u00e1 sentido \u00e0 vida de Jesus, desde a inf\u00e2ncia. Por isso, \u00e9 igualmente significativa a refer\u00eancia aos tr\u00eas dias de perman\u00eancia na cidade, que se projecta nos tr\u00eas dias de sepultura, antec\u00e2mera da manh\u00e3 pascal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade de Jerusalem, por esta ocasi\u00e3o, aumentava muito a sua popula\u00e7\u00e3o, convertia-se em grande centro comercial com mercados a abarrotar de produtos e com incont\u00e1vel n\u00famero de forasteiros: peregrinos e comerciantes \u00e0 mistura com os residentes. O Templo, p\u00f3lo da peregrina\u00e7\u00e3o, vivia uma az\u00e1fama constante: visitas, cultos, ofertas, com destaque para as aves e os animais. Por isso, se fazia o abate de tantas rezes e se movimentava tanto dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente neste rodopio que entra Jesus e seus pais. Cumpridos os ritos prescritos, d\u00e1-se o desencontro. Ele fica, enquanto os pais iniciam a viagem de regresso, pensando que o seu Menino vinha com outros peregrinos de Nazar\u00e9. Ao darem conta da sua falta na caravana, enchem-se de preocupa\u00e7\u00f5es e v\u00e3o \u00e0 sua procura. Que situa\u00e7\u00e3o dolorosa! Quantas perguntas lhe ter\u00e3o ocorrido: rapto, morte, desorienta\u00e7\u00e3o, fuga? E quantos problemas de consci\u00eancia, pois sabiam que aquela crian\u00e7a lhes fora confiada por interven\u00e7\u00e3o divina! Horas amargas que, mais tarde, Maria ir\u00e1 viver em outras situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de um dia inteiro de buscas, a quantos locais n\u00e3o ter\u00e3o ido!, chegam ao Templo e d\u00e3o com ele entre os mestres da lei em di\u00e1logo de perguntas e respostas, di\u00e1logo que deixa os ouvintes maravilhados. Ao v\u00ea-Lo, refere o texto de Lucas, ficam emocionados. Esperam que acabe e aproximam-se. A M\u00e3e, em tom queixoso, diz-lhe:\u00a0\u00a0\u201cMeu filho, porque fizeste isto connosco? Olha que teu pai e eu and\u00e1vamos angustiados, \u00e0 Tua procura\u201d. \u00c9 queixa que se prolonga no tempo e encontra eco no cora\u00e7\u00e3o de tantos pais e os faz sofrer horas de amargura e de ins\u00f3nias. \u00c9 queixa desabafo que leva Jesus a reagir de modo estranho, pr\u00f3prio de quem fica mal disposto. \u201cE porque Me procur\u00e1veis? N\u00e3o sab\u00edeis que Eu devo estar na casa de Meu Pai?\u201d. S\u00e3o estas as primeiras palavras de Jesus que o Evangelho regista. Tal a sua import\u00e2ncia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tem doze anos. \u00c9 adolescente. Querer\u00e1 fazer a sua afirma\u00e7\u00e3o pessoal ou desvendar outra dimens\u00e3o do seu ser e da sua miss\u00e3o? Querer\u00e1 chamar a aten\u00e7\u00e3o para o que se passa na religi\u00e3o do Templo ou abrir horizontes de vida a quem pratica o culto e l\u00ea as Escrituras? Querer\u00e1 distanciar-se da fam\u00edlia de sangue ou esbo\u00e7ar o an\u00fancio da nova fam\u00edlia de op\u00e7\u00e3o que inicia com as pessoas que O vierem a seguir? A resposta pode conter estes elementos e outros. Por isso, Maria e Jos\u00e9 \u201cn\u00e3o compreenderam o que o Menino acabava de lhes dizer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de n\u00e3o compreenderem, n\u00e3o desanimam na sua miss\u00e3o comum de acompanhar e educar. Apoiam-se mutuamente. Maria quer dar o melhor de si, qualificar a sua capacidade de ser m\u00e3e. Jos\u00e9 d\u00e1-lhe o apoio indispens\u00e1vel: apoio de proximidade e harmonia no lar, de garantia de protec\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, de sustento e responsabilidade legal. Manifestam uma dimens\u00e3o nova do amor conjugal: ambos ao servi\u00e7o do seu Menino, em cumplicidade total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este amor d\u00e1 coragem nas crises familiares que os surpreendem. \u201c\u00c9 impressionante notar, afirma Manicardi, como na rela\u00e7\u00e3o com o jovem Jesus e os seus pais tinham encontrado espa\u00e7o incompreens\u00f5es, censuras, ang\u00fastia e m\u00e1goa provocadas pelo filho aos pais\u201d. E prossegue garantindo que o texto \u201cpermite entrever como deve ter sido o verdadeiro crescimento humano do pequeno Jesus no seu modesto ambiente familiar: mesmo o crescimento de Jesus ter\u00e1 cconhecido tens\u00f5es e conflitos, diferen\u00e7as de vis\u00e3o e de atitudes\u201d. E o autor exorta o leitor a que n\u00e3o tenha \u201cuma vis\u00e3o id\u00edlica da fam\u00edlia de Nazar\u00e9, mas a consci\u00eancia de que atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria human\u00edssima, marcada tamb\u00e9m por sofrimentos e fadigas, p\u00f4de desenvolver-se a humanidade livre e capaz de amor do Jesus adulto e p\u00f4de crescer plenamente a sua voca\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por ser t\u00e3o humana, a fam\u00edlia de Jesus espelha, de modo singular, a sua fonte divina. E projecta luz sobre todas as fam\u00edlias crist\u00e3s e do mundo. Ousa pensar nesta realidade com olhos de ver, os do cora\u00e7\u00e3o iluminado pela f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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