{"id":4880,"date":"2018-11-21T09:50:03","date_gmt":"2018-11-21T09:50:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4880"},"modified":"2018-11-21T09:50:03","modified_gmt":"2018-11-21T09:50:03","slug":"festa-de-cristo-rei-seguir-jesus-o-senhor-da-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/festa-de-cristo-rei-seguir-jesus-o-senhor-da-verdade\/","title":{"rendered":"Festa de Cristo Rei | Seguir Jesus, o Senhor da Verdade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Festa de Cristo Rei<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>SEGUIR JESUS, O SENHOR DA VERDADE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus, preso e amarrado, \u00e9 levado a Pilatos por uma delega\u00e7\u00e3o das autoridades judaicas. Era de manh\u00e3 e estava pr\u00f3xima a P\u00e1scoa. O epis\u00f3dio abre a narra\u00e7\u00e3o que S\u00e3o Jo\u00e3o faz do desfecho do processo de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Jesus \u00e9 entregue como malfeitor e vai passar a ser um criminoso pol\u00edtico. A sequ\u00eancia da acusa\u00e7\u00e3o torna-se esclarecedora de tantas situa\u00e7\u00f5es em que a verdade \u00e9 sacrificada porque o interesse, a conveni\u00eancia e o preconceito falam mais alto. Vamos deter-nos nos di\u00e1logos de Pilatos com Jesus e procurar penetrar nos sentimentos de cada um. Vamos ver pontos concretos que, \u00e0 maneira de projectores, iluminam a consci\u00eancia de quem quer agir livremente e tem regras para cumprir. Vamos acolher a novidade que Jesus nos transmite com a sua atitude, seu sil\u00eancio e sua palavra. (Jo 18, 33b-37).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilatos entra e sai do pal\u00e1cio algumas vezes: ora para atender os judeus e receber Jesus, ora para dar uma satisfa\u00e7\u00e3o a quem estava na esplanada \u00e0-espera da senten\u00e7a de morte, ora para encontrar uma sa\u00edda airosa que o liberte da responsabilidade do desfecho da caso. Para isso, baseado num costume incontestado, recorre a um expediente com aspectos de plebiscito: \u201cQuereis que vos solte o rei dos Judeus?\u201d A resposta surge em coro: \u201cEle n\u00e3o. Solta Barrab\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Barrab\u00e1s, o salteador, \u201c\u00e9 o s\u00edmbolo da viol\u00eancia que busca o poder, que perpetua o modo de ser dos reinos deste mundo, afirma o coment\u00e1rio da B\u00edblia Pastoral. As autoridades preferem Barrab\u00e1s porque a pessoa de Jesus p\u00f5e em risco os reinos deste mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No interior do pal\u00e1cio, na sala das audi\u00eancias, Pilatos est\u00e1 sentado e Jesus de p\u00e9.\u00a0\u00a0Est\u00e3o s\u00f3s. Momento decisivo e solene. E o di\u00e1logo de inquiri\u00e7\u00e3o come\u00e7a a um n\u00edvel inesperado: \u201cTu \u00e9s o rei dos judeus?\u201d. A pergunta manifesta uma preocupa\u00e7\u00e3o claramente pol\u00edtica. O argumento das autoridades judaicas era outro. Jesus vinha acusado de malfeitor. E diga-se de passagem com muita raz\u00e3o. A sua atitude face \u00e0s leis e tradi\u00e7\u00f5es que subjugavam as pessoas era conhecida e, por vezes, ostensiva. Sendo preciso, transgredia o s\u00e1bado, atendia os proscritos, curava os feridos da vida, mostrava que a pessoa e o respeito \u00e0 sua dignidade \u00e9 o que Deus quer de n\u00f3s, e \u00e9, agora e aqui, a realiza\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do seu reinado de amor, justi\u00e7a e paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus devolve a pergunta, abrindo-a a um novo sentido: \u201cDizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram a Meu respeito?\u201d Jesus n\u00e3o pretende violar o segredo das fontes de informa\u00e7\u00e3o de Pilatos, mas ajud\u00e1-lo a mergulhar na sua consci\u00eancia, a agir por conta pr\u00f3pria e n\u00e3o como marioneta pol\u00edtica coberta com a capa da religi\u00e3o. A sequ\u00eancia mostra Pilatos a afirmar a sua pretensa isen\u00e7\u00e3o e a querer saber dados objectivos da situa\u00e7\u00e3o: \u201cQue fizeste?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa pergunta para Jesus fazer o relato das suas benfeitorias (e n\u00e3o malfeitorias, de que era acusado). Mas Jesus n\u00e3o vai por a\u00ed. Prefere continuar o di\u00e1logo na pergunta inicial e dizer o sentido da sua realeza. E a prova-lo aduz o estar sozinho, sem defesas nem guardas de protec\u00e7\u00e3o, acusado, preso e amarrado. \u201cO Meu reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo\u201d. Pilatos, em jeito de conclus\u00e3o, adianta: \u201cEnt\u00e3o Tu \u00e9s rei?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus confirma que \u00e9 rei. A sua realeza, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 dos poderosos deste mundo, esclarece a B\u00edblia Pastoral. Estes exploram e oprimem o povo enganando-o com um sistema de ideias, para esconder a sua ac\u00e7\u00e3o. \u00c9 o mundo da mentira. Jesus, ao contr\u00e1rio, \u00e9 o Rei que d\u00e1 a vida, trazendo aos homens o conhecimento do verdadeiro Deus e do verdadeiro homem. O seu reino \u00e9 um reino de verdade, onde a explora\u00e7\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 partilha, e a opress\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 fraternidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a verdade feita vida, com rosto humano e lisura de procedimentos. \u00c9 a verdade, reflexo do ser de Deus que se esconde na natureza humana e vai emergindo na consci\u00eancia das pessoas e na sabedoria dos povos, nas culturas e nas religi\u00f5es, com especial relevo para a religi\u00e3o crist\u00e3 configurada na Igreja cat\u00f3lica. \u00c9 a verdade, refer\u00eancia fundamental para aferir a justeza dos valores das declara\u00e7\u00f5es universais e das constitui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. \u00c9 a verdade, guia que ilumina o agir recto ou n\u00e3o da nossa consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A festa de Cristo Rei, hoje celebrada, \u00e9 institu\u00edda, em 1925, por Pio XI num contexto europeu de grande agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Os efeitos ruinosos da 1\u00aa Grande Guerra ainda estavam bem vivos. H\u00e1 sinais alarmantes de descr\u00e9dito dos sistemas em vigor e de forma\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias que pugnam por uma nova ordem. E v\u00e3o surgir ditaduras de grande calibre e dureza. Pio XI ergue a voz e apresenta Jesus Cristo, Rei do Universo, Senhor do Tempo, Pr\u00edncipe da Paz que traz \u00e0 humanidade o Reino de Deus, reino de verdade, amor, justi\u00e7a e paz. Prescreve que esta festa seja celebrada em toda a Igreja e espera que os Estados civis reconhe\u00e7am Cristo como Rei universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs condicionalismos sociais e hist\u00f3ricos modificaram-se por completo, adianta o Missal Popular, e foi ent\u00e3o poss\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o da festa de Cristo Rei no seu verdadeiro contexto lit\u00fargico e teol\u00f3gico. Cristo \u00e9 verdadeiramente Rei, mas numa ordem diferente da temporal, como Ele afirmou. A Igreja liberta-se de compromissos terrenos, a maior parte das vezes contr\u00e1rios \u00e0 sua miss\u00e3o espec\u00edfica de evangeliza\u00e7\u00e3o e defensora dos pobres\u201d. O Papa Francisco n\u00e3o cessa de o proclamar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja quer estar liberta para servir a verdade. Em todas as situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 miss\u00e3o que diz respeito a cada um\/a. Conforme o espa\u00e7o onde habita e o ambiente onde trabalha. A come\u00e7ar pela proximidade na fam\u00edlia e alargando-se a outras lonjuras, pois o mundo \u00e9 a nossa casa e a natureza nossa m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, destaca-se de modo especial a miss\u00e3o dos leigos chamados a impregnar a cidadania com a f\u00e9 crist\u00e3, com a for\u00e7a da verdade e a confian\u00e7a da esperan\u00e7a. Chamados a testemunhar a riqueza das diferen\u00e7as na unidade da comunh\u00e3o. A seguir Jesus Cristo, o Senhor da Verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Festa de Cristo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4881,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4880"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4880\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4882,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4880\/revisions\/4882"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4881"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}