{"id":4876,"date":"2018-12-09T23:50:16","date_gmt":"2018-12-09T23:50:16","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4876"},"modified":"2018-12-08T04:21:07","modified_gmt":"2018-12-08T04:21:07","slug":"70-anos-dudh-o-direito-a-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/70-anos-dudh-o-direito-a-ser-humano\/","title":{"rendered":"70 ANOS DUDH | O Direito a Ser Humano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">70 ANOS DUDH | REFLEX\u00d5ES<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\">O Direito a Ser Humano<\/h1>\n<p style=\"text-align: center;\">Miguel Oliveira Pan\u00e3o*<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que ler a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos \u00e9 uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para nos reconhecermos como parte da mesma fam\u00edlia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Artigo 1 &#8211; Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de raz\u00e3o e de consci\u00eancia, devem agir uns para com os outros em esp\u00edrito de fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, fiquei a pensar se existe dist\u00e2ncia entre \u201cdireitos humanos\u201d e o \u201cdireito a ser humano.\u201d O que nos leva a ser humanos? \u00c9 a raz\u00e3o, a consci\u00eancia, o agir uns para com os outros em esp\u00edrito de fraternidade? E se n\u00e3o existissem mais seres humanos no mundo sen\u00e3o um s\u00f3? Continuaria, esse \u00faltimo ser a ser humano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o momento da sua concep\u00e7\u00e3o que o ser humano possui um patrim\u00f3nio gen\u00e9tico irrepet\u00edvel. Mas os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o apenas \u201cdotados de raz\u00e3o e de consci\u00eancia,\u201d existe algo mais que os distingue e os torna humanos. Digo isto porque ao ver tantos que fazem uso da raz\u00e3o para alimentar o poder que t\u00eam de magoar ou terminar a vida de outros seres humanos, perfeitamente conscientes do genoc\u00eddio que est\u00e3o a fazer, nitidamente n\u00e3o chega. O que vem a seguir naquele Artigo 1 \u00e9 o \u201cdever\u201d de que essa ac\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outros seres humanos seja em \u201cesp\u00edrito de fraternidade.\u201d Tamb\u00e9m aqui n\u00e3o chega. E explico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos todos parte da mesma fam\u00edlia humana. O que nos liga \u00e9 mais do que o patrim\u00f3nio gen\u00e9tico, \u00e9 o facto de existirmos-em-rela\u00e7\u00e3o. Por isso, devemos agir uns para com os outros por sermos irm\u00e3os. \u00c9 um facto, mas os factos n\u00e3o mudam as mentes. S\u00f3 os relacionamentos o podem fazer. Enquanto n\u00e3o fizermos a experi\u00eancia de nos relacionarmos com os outros como sendo parte da mesma fam\u00edlia, dificilmente iremos entender o \u201cdireito a ser humano.\u201d Por\u00e9m, h\u00e1 um perigo \u00e0 espreita que coloca em quest\u00e3o esse direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia vi um excerto de um filme dos anos 70 do s\u00e9culo passado, que mostrava o modo como se podiam controlar os seres humanos. Na altura, a prolifera\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o levava a que as pessoas ficassem com o olhar fixo naquele \u00e9cran e os momentos em fam\u00edlia fossem comprometidos. Assim, o cen\u00e1rio dist\u00f3pico era o de que cada ser humano teria um televisor \u00e0 sua frente. O que acontece hoje? Precisamente esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez n\u00e3o nos demos conta disso, mas a nossa criatividade e aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 \u00e0 nossa volta \u00e9 fortemente influenciada pelo tempo que passamos diante dos pequenos \u00e9crans dos nossos &#8211; ditos &#8211; <em>smartphones<\/em>, de tal modo que nos imergimos no mundo virtual e alienamo-nos do mundo real. E se esta aliena\u00e7\u00e3o \u00e9 preocupante nos jovens, mais preocupante ainda \u00e9 nos adultos. Aqueles que possuem os modelos a apresentar aos jovens e n\u00e3o o fazem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Num artigo recente na revista <em>Scientific American<\/em>, a evolu\u00e7\u00e3o do ser humano ocorre porque esse possui a capacidade de ensinar aquilo que aprende \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. Enquanto outras esp\u00e9cies come\u00e7am sempre, ou quase-sempre do zero, n\u00f3s n\u00e3o. Mas se cada ser humano se volta cada vez mais para si mesmo e o mundo virtual onde vive, como poder\u00e1 transmitir o fasc\u00ednio do mundo real \u00e0 nossa volta que nos ajude a descobrir, atrav\u00e9s dos relacionamentos, o que nos torna \u201crealmente\u201d humanos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prolifera\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio virtual dist\u00f3pico em que todos estamos actualmente imersos, onde a pol\u00edtica se faz com <em>tweets<\/em>, as not\u00edcias podem n\u00e3o ser verdadeiras, o tempo para os relacionamentos esgota-se em horas a fazer <em>scrolling<\/em> nas redes sociais, n\u00e3o \u00e9 uma emin\u00eancia, mas uma realidade. Da\u00ed que o \u201cdireito a ser humano\u201d adquira hoje o seu sentido e significado. Mas h\u00e1 uma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando um Papa escreve um documento t\u00e3o interno como uma Enc\u00edclica, admirado por muitos, incluindo fora da Igreja Cat\u00f3lica, como aconteceu com a <em>Laudato Si\u2019<\/em>, e ao estar atento \u00e0s suas palavras que, sistematicamente, apontam para ver no outro um outro Jesus que tenho oportunidade, e est\u00e1 ao meu alcance amar, h\u00e1 um rasgo de luz no v\u00e9u da escurid\u00e3o desta noite cultural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 esperan\u00e7a de que o ser humano possa de novo erguer o seu olhar. Descubra todo o potencial dentro de si que o relacionamento com o outro revela. Todo o horizonte se sentido e significado que os confins da terra lhe conferem. Toda a dimens\u00e3o espiritual humana que Deus lhe abre quando se empenha a fazer a coisa mais simples e mais complexa deste mundo\u2026 amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">*Professor Universit\u00e1rio e Investigador Cient\u00edfico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>70 ANOS DUDH<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4877,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[107,46,57],"tags":[],"class_list":["post-4876","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-70-anos-dudh-artigos","category-autores","category-miguel-oliveira-panao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4876","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4876"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4876\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5136,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4876\/revisions\/5136"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4877"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4876"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4876"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4876"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}