{"id":4804,"date":"2018-11-07T23:46:03","date_gmt":"2018-11-07T23:46:03","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4804"},"modified":"2018-11-07T23:46:03","modified_gmt":"2018-11-07T23:46:03","slug":"viuva-pobre-elogiada-por-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/viuva-pobre-elogiada-por-jesus\/","title":{"rendered":"Vi\u00fava pobre elogiada por Jesus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>VI\u00daVA\u00a0POBRE ELOGIADA POR JESUS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus encontra-se em Jerusal\u00e9m e vive o conflito decisivo que Marcos narra em epis\u00f3dios sucessivos. Recorre a v\u00e1rios meios para ensinar as pessoas que o acompanham, alertar os disc\u00edpulos e interpelar fortemente os opositores. Por vezes, na sua pedagogia de mestre, chega ao contraste de atitudes para deixar com maior clareza a novidade da sua mensagem. Hoje, os contrastantes s\u00e3o os escribas doutores da Lei e os ricos face a uma vi\u00fava pobre. Hoje, os epis\u00f3dios ocorrem na esplanada e no interior do Templo. Hoje, o olhar de Jesus mostra que sabe ler a vida, ver a verdade das situa\u00e7\u00f5es, ir al\u00e9m das apar\u00eancias e identificar as inten\u00e7\u00f5es. S\u00e3o epis\u00f3dios recheados de ensinamentos que vale a pena saborear. (Mc 12, 38-44).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura que Jesus faz das atitudes dos encarregados oficialmente de explicar a palavra de Deus contida na Lei causa-nos calafrios. \u00c9 perent\u00f3ria e requer cautela. Denota gostos de quem aprecia o exterior e esquece o interior, a simplicidade do cora\u00e7\u00e3o. Tem como sinais: As vestes compridas reluzentes, as sauda\u00e7\u00f5es na pra\u00e7a p\u00fablica, os lugares de honra em locais de culto, nos banquetes e nas festas. Tudo para \u201cencher o olho\u201d.\u00a0\u00a0Tudo a p\u00f4r a claro o sentido de um proceder desviado, de uma vazio existencial. Jesus vai mais longe e diz: \u201cExploram as vi\u00favas e roubam as suas casas, e, para disfar\u00e7ar, fazem longas ora\u00e7\u00f5es\u201d. Que leitura t\u00e3o interpelante! Por isso, exorta os ouvintes a terem cuidado e sentencia a condena\u00e7\u00e3o de quem cultiva tais sentimentos e pratica tais ac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E surge com naturalidade a pergunta: Ter\u00e1 alguma atualidade a leitura da vida feita por Jesus? N\u00e3o haver\u00e1, ainda hoje, quem preze mais as apar\u00eancias do que a verdade da realidade \u201cnua e crua\u201d? Mesmo em n\u00f3s, \u201ca aragem condiz com a carruagem\u201d, dito popular de grande alcance sapiencial? Vale a pena fazermos uma visita \u00e0 nossa consci\u00eancia e passarmos em revista as nossas atitudes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus critica os intelectuais da classe dominante que transformam o saber em poder, aproveitando-se da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o para viverem ricamente \u00e0 custa das camadas mais pobres do povo, afirma a B\u00edblia Pastoral em coment\u00e1rio a esta passagem. Disfar\u00e7ando tal explora\u00e7\u00e3o com ora\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, com motivo religioso, tornam-se ainda mais culpados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contraste com o proceder dos escribas doutores, surge a atitude da vi\u00fava pobre. Marcos descreve a cena com algum requinte: Jesus entra no Templo, senta-se na sala do Tesouro, onde estavam as caixas para as receber para as ofertas, ladeadas por um sacerdote, observa quem se aproxima, d\u00e1 conta de que \u201cmuitos ricos depositavam muito dinheiro\u201d. Era um gesto p\u00fablico facilmente observ\u00e1vel. Jesus v\u00ea chegar uma vi\u00fava pobre e acompanha os seus movimentos: Aproxima-se de uma caixa e deixa a sua oferta, retira-se perdida na multid\u00e3o, an\u00f3nima, sem que algu\u00e9m se apercebesse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Jesus, bom observador dos gestos e fino leitor da consci\u00eancia, d\u00e1 conta e aproveita a ocorr\u00eancia para uma bela catequese aos disc\u00edpulos. Chama-os e diz-lhes: \u201cEu vos garanto: Esta vi\u00fava pobre depositou mais que todos os outros juntos que deitaram moedas no tesouro\u201d. Que ousadia de afirma\u00e7\u00e3o: uma pessoa, mais que todas juntas; umas moedas de pouco valor, mais que a import\u00e2ncia de todos os ricos; uma pobre discreta, mais que todos os \u201cpav\u00f5es\u201d do Templo. Que ousadia! E os disc\u00edpulos ouvem em sil\u00eancio e n\u00e3o pedem explica\u00e7\u00f5es, mas Jesus adianta-as: \u201cPorque todos deitaram do que sobrava. Mas a vi\u00fava, na sua pobreza, depositou tudo o que tinha, tudo o que possu\u00eda para viver\u201d. Que grande impacto emocional lhes ter\u00e1 causado\u201d! E a n\u00f3s, que nos diz este contraste?!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-nos bem mergulhar no tempo e verificar as condi\u00e7\u00f5es da mulher vi\u00fava pobre. Alguns passos do Antigo Testamento podem abrir-nos horizontes: A pobreza e vulnerabilidade da vi\u00fava de Sarepta, hoje lembrada na 1\u00aa leitura; a injusti\u00e7a e o desprezo, apontados por v\u00e1rios profetas encarregados de fazer ressoar a vontade de Deus em favor da justi\u00e7a que lhes deve ser feita; a perda de protec\u00e7\u00e3o legal, ap\u00f3s a morte do marido; o n\u00e3o ter direito de sucess\u00e3o; o ficar sem heran\u00e7a, pois os bens passavam para os filhos ou filhas do falecido. E outros elementos que atestam a sua situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e ajudam a compreender o seu estado de ang\u00fastia permanente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta situa\u00e7\u00e3o ainda se mant\u00e9m no tempo de Jesus. Por isso, \u00e9 muito significativa a aten\u00e7\u00e3o que lhes dedica e o destaque que faz na sua pedagogia de Mestre. Os Actos dos Ap\u00f3stolos narram a discrimina\u00e7\u00e3o que havia na comunidade e o surgir de um novo servi\u00e7o de atendimento que est\u00e1 relacionado com o diaconado. (Act 6, 1- 6). Ao longo da hist\u00f3ria, as pr\u00f3prias vi\u00favas se organizam e criam associa\u00e7\u00f5es de ajuda m\u00fatua. Sirva de refer\u00eancia, entre n\u00f3s, o \u201cMovimento Esperan\u00e7a e Vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contraste deve ter provocado o espanto dos disc\u00edpulos. A pobre vi\u00fava d\u00e1 o que tem para viver \u201c\u00e9 uma pessoa sem cargos, nem poder, nem dignidade, nem saberes, nem nada que n\u00e3o seja um cora\u00e7\u00e3o bom, o que quer dizer uma pessoa em que n\u00e3o h\u00e1 t\u00edtulos, nem dignidades, mas somente humanidade\u201d, afirma J. M. Castillo, La religi\u00f3n de Jes\u00fas, ano b, p. 306. D\u00e1 e confia. As moedas s\u00e3o o s\u00edmbolo da sua doa\u00e7\u00e3o. Ela d\u00e1-se a si mesma. Tal como Jesus far\u00e1 e hoje a 2\u00aa leitura nos recorda: Cristo oferece-se de uma vez por todas em nosso favor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cora\u00e7\u00e3o da vi\u00fava pobre deve ter vibrado de felicidade pois \u201cDeus ama quem d\u00e1 com alegria\u201d (2\u00aa Cor 9, 7). Luciano Manicardi acrescenta a prop\u00f3sito: \u201cDar torna-se assim experi\u00eancia de ser amado por Deus\u2026 Dando entramos no cora\u00e7\u00e3o da vida, na sua din\u00e2mica profunda, que \u00e9 precisamente a din\u00e2mica do dom. E assim conhecemos a alegria, que \u00e9 gratid\u00e3o e sentido de plenitude: \u00abH\u00e1 mais alegria em dar do que em receber\u00bb (Act 20, 35).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oxal\u00e1 a nossa vida possa merecer a garantia que Jesus deu ao gesto da vi\u00fava pobre. Bom domingo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VI\u00daVA\u00a0POBRE ELOGIADA POR<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4805,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4804","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4804","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4804"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4804\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4806,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4804\/revisions\/4806"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4805"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}