{"id":4679,"date":"2018-10-04T15:08:30","date_gmt":"2018-10-04T14:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4679"},"modified":"2018-10-04T15:08:30","modified_gmt":"2018-10-04T14:08:30","slug":"pessoa-notavel-irma-lucia-de-nossa-senhora-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/pessoa-notavel-irma-lucia-de-nossa-senhora-rodrigues\/","title":{"rendered":"Pessoa not\u00e1vel &#8211; IRM\u00c3 L\u00daCIA DE NOSSA SENHORA RODRIGUES\u00a0"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><strong>PESSOA NOT\u00c1VEL<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>IRM\u00c3 L\u00daCIA DE NOSSA SENHORA RODRIGUES<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria J\u00falia Soares Rodrigues \u2013 a Irm\u00e3 L\u00facia na mem\u00f3ria agradecida que lhe dedicamos &#8211; \u00e9 filha de Abel Soares Rodrigues e de Maria Duarte Rodrigues, nasce em Portela, Vila Verde, Braga, a 13 de Outubro de 1916 e nesta cidade vem a falecer, a 16 de Julho de 2000. \u00c9 a pen\u00faltima de uma fam\u00edlia numerosa, quatro meninas e outros tantos rapazes, que muito a acarinham e ajudam a crescer. Fam\u00edlia, modesta de recursos, mas rica de virtudes. O Pai, m\u00e9dico de profiss\u00e3o, era um homem bom. Vivia a profiss\u00e3o como uma voca\u00e7\u00e3o, dedicando uma especial aten\u00e7\u00e3o aos pobres. A M\u00e3e, como boa minhota, detinha o controlo da casa a que dispensava grande cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ambiente caloroso crescia L\u00facia, at\u00e9 que aos seis anos, o Pai tem um acidente mortal. A caminho do servi\u00e7o, vai montado num cavalo e morre de ataque card\u00edaco. \u00c9 domingo, dia especial para os crist\u00e3os. A menina-filha tem um grande choque emocional. Era de facto muito amiga de seu Pai. A M\u00e3e vem a falecer poucos anos mais tarde com uma doen\u00e7a \u201cque n\u00e3o perdoa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem um tio, irm\u00e3o do Pai, licenciado em direito, com quem vai viver e muito a marca. \u201cEra um santo\u201d, diziam todos os vizinhos e amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jovem na Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De feitio alegre e bem-humorado, viva\u00e7a e franca, conhece jovens que a cortejam em amores de adolesc\u00eancia e juventude. Descobre em grupo e cria ra\u00edzes profundas o valor do apostolado pessoal. A Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, ent\u00e3o em franca expans\u00e3o, cativa-lhe o cora\u00e7\u00e3o e abre novos horizontes. Valoriza-a humana e espiritualmente. Proporciona-lhe o ambiente favor\u00e1vel para \u201cdesenhar\u201d o ideal que tomava forma nos seus sonhos. \u201cO apelo a uma vida dedicada aos outros chegou e, segundo dizia, a decis\u00e3o foi tomada junto ao sacr\u00e1rio da Igreja Paroquial de Duas Igrejas, onde vivia a sua irm\u00e3 Beatriz, que ela considerava a sua segunda m\u00e3e\u201d, adianta a Irm\u00e3 Salete, no seu testemunho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Braga, encontra nas Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny\u00a0\u00a0a congrega\u00e7\u00e3o activa que pretende. E nela entra, com 25 anos, como postulante em 1941; vem a fazer a solene profiss\u00e3o religiosa a 13 Mar\u00e7o de 1944. Recebe o nome de Irm\u00e3 L\u00facia de Nossa Senhora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De comunidade em comunidade at\u00e9 \u00e0 Gafanha da Boa Hora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Braga, tira o curso de enfermagem e trabalha no hospital de S. Marcos durante 11 anos. Dedica-se totalmente \u00e0 sua profiss\u00e3o, onde alcan\u00e7a reconhecimento geral. \u201cMuito dedicada aos doentes, era estimada pelos m\u00e9dicos e por todos, pois tratava ricos e pobres da mesma maneira. As prostitutas tinham grande predilec\u00e7\u00e3o pela Irm\u00e3 L\u00facia; dava-lhes carinho, o que levava algumas a mudar de vida. N\u00e3o se importava de andar com elas na rua, fazendo tudo o que pudesse para terem melhor vida, o que ocasionou v\u00e1rias incompreens\u00f5es que a fizeram sofrer muito\u201d, como refere o testemunho citado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Em servi\u00e7o de apoio \u00e0s Irm\u00e3s e de enfermagem em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas passa por Anadia e pelo Funchal e pela comunidade da Nazar\u00e9 onde fica 12 anos. Em 1973 vai para a Comunidade da Sagrada Fam\u00edlia, em Nogueir\u00f3, como doente. Faz tratamentos e reparte o seu tempo entre a comunidade e a fam\u00edlia. E em 1976, a convite do Bispo de Aveiro, feito \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o, vem, cheia de esperan\u00e7a, para a Gafanha da Boa Hora, Vagos, e com outras Irm\u00e3s realiza trabalho pastoral not\u00e1vel. D. Manuel de Almeida Trindade confia-lhes a miss\u00e3o dos servi\u00e7os da par\u00f3quia, apoiando o P. Jos\u00e9 Soares Louren\u00e7o, p\u00e1roco tamb\u00e9m da Gafanha do Carmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O ano de 1976<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este ano tem registos hist\u00f3ricos memor\u00e1veis. A onda revolucion\u00e1ria que perpassa ainda em Portugal e se faz sentir com ocorr\u00eancias lament\u00e1veis em algumas zonas do sul da diocese de Aveiro, tende a entrar na normalidade com a aprova\u00e7\u00e3o pela Assembleia da Rep\u00fablica da nova Constitui\u00e7\u00e3o. E com ela, com as elei\u00e7\u00f5es para os \u00f3rg\u00e3os do poder. Tamb\u00e9m local. O cansa\u00e7o parece em decr\u00e9scimo. O apelo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o soa por toda a parte. \u201cQue todos, pedem os bispos portugueses, vencendo o natural cansa\u00e7o de uma inicia\u00e7\u00e3o laboriosa no exerc\u00edcio da vida democr\u00e1tica, cumpram o dever c\u00edvico de tomar parte nas elei\u00e7\u00f5es que se avizinham\u2026\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D. Manuel de Almeida Trindade manifesta uma grande sensibilidade a esta causa e abertura \u00e0 participa\u00e7\u00e3o org\u00e2nica na Igreja diocesana.\u00a0\u00a0Em actos simples ou solenes. Em 1976, \u00e9 necess\u00e1rio prover a Vigararia Geral e os secretariados da C\u00faria de novos respons\u00e1veis. Por isso, pede ao presbit\u00e9rio a indica\u00e7\u00e3o de nomes que ele aceitar\u00e1 para aqueles \u201ccargos\u201d desde que as pessoas mais \u201cvotadas\u201d tamb\u00e9m o aceitem. \u201cConcordando com a vota\u00e7\u00e3o feita e congratulando-me com a confian\u00e7a que, pelo seu voto, o clero da Diocese manifestou em rela\u00e7\u00e3o aos sacerdotes cujos nomes acima se referem, havemos por bem ratificar os resultados da elei\u00e7\u00e3o feita\u201d. E surge o P. Ant\u00f3nio dos Santos para Vig\u00e1rio Geral, que pouco depois ser\u00e1 nomeado bispo Auxiliar, e o P. Jos\u00e9 Sardo Fidalgo para director do Secretariado dos Jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Irm\u00e3s da Boa Hora chegam \u00e0 par\u00f3quia neste clima familiar de di\u00e1logo e participa\u00e7\u00e3o, apesar de conturbado. E, pela sua vida e ac\u00e7\u00e3o, d\u00e3o um belo testemunho pessoal e comunit\u00e1rio. De que se destaca a Irm\u00e3 L\u00facia Rodrigues, por raz\u00f5es de op\u00e7\u00e3o do autor desta mem\u00f3ria em virtude de estar a chegar a realiza\u00e7\u00e3o da etapa final do S\u00ednodo dos Bispos da Igreja Cat\u00f3lica dedicado aos Jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jovens: A op\u00e7\u00e3o primeira<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo de in\u00edcio manifestou desejo de trabalhar com os Jovens. Come\u00e7ou a contactar os que encontrava e passado pouco tempo j\u00e1 ia rezar o ter\u00e7o com alguns em casa de um ou de outro. Da\u00ed surgiram as reuni\u00f5es na velha sacristia. O grupo aumentou e passou a vir um sacerdote de Aveiro, de vez em quando, para ajudar nas reuni\u00f5es. Foi o in\u00edcio da funda\u00e7\u00e3o do Secretariado da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 da Juventude (mais tarde, da Pastoral Juvenil) de Aveiro. Come\u00e7aram por ajudar no grupo dos cantores na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia dominical, onde n\u00e3o faltava a guitarra! Isto foi novidade: At\u00e9 ent\u00e3o pouca gente ia \u00e0 missa mas, devido \u00e0 mudan\u00e7a, a igreja come\u00e7ou a encher-se e a Ir. L\u00facia a ser conhecida e procurada, mesmo para servi\u00e7o de enfermagem, relata o testemunho referido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Gafanha da Boa Hora, onde viveu vinte e dois anos, encontrou a realiza\u00e7\u00e3o total pelo contacto com gente nova, que ela adorava. S\u00f3 se sentia bem a lidar com os jovens e os problemas e alegrias de cada um eram vividos como se de um familiar se tratasse. Com um esp\u00edrito jovem e uma vida interior muito rica, ia escrevendo o que o cora\u00e7\u00e3o lhe ditava. Adorava a natureza selvagem e agreste que lhe falava de Deus e com a qual parecia identificar-se profundamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Jovem barbeiro pobre<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem ama inventa maneiras. Fiel a si mesma, a Ir. L\u00facia faz todos os sacrif\u00edcios pelos jovens. E mostra saber escolher. Como Jesus, o nosso Mestre. Pensou em lev\u00e1-los a um curso a F\u00e1tima, mas nenhum se disponibilizava, por motivos diversos. Trabalhava pr\u00f3ximo da resid\u00eancia um rapaz muito pobre que exercia o of\u00edcio de barbeiro. A Irm\u00e3 convidou-o para ir a F\u00e1tima, recebendo uma nega imediata por o jovem ter de ganhar o p\u00e3o para a fam\u00edlia. Ela por\u00e9m n\u00e3o desiste e ajudou-o a reflectir. Um dia entrou em sua casa a cantar: &#8220;a decis\u00e3o \u00e9 tua&#8230;&#8221; ao que ele respondeu: Pronto, Irm\u00e3, vou!\u00a0\u00a0E o entusiasmo contagiante irradia. Por\u00e9m, n\u00e3o havia os recursos indispens\u00e1veis. A confian\u00e7a diligente n\u00e3o desarma. E um dia aproxima-se da Irm\u00e3 L\u00facia uma senhora que lhe mete 1.000 escudos na m\u00e3o. Que alegria e gratid\u00e3o! A quem fez a oferta e a Nossa Senhora que em t\u00e3o boa hora a protegeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fala um Jovem: Flashes da vida apost\u00f3lica da Irm\u00e3 L\u00facia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheci a Irm\u00e3 L\u00facia no Col\u00e9gio. Sempre acolhedora e com capacidade de juntar \u00e0 sua volta um grupo enorme de jovens. A sua boa disposi\u00e7\u00e3o e alegria eram contagiantes. Nos encontros promovidos pelo SDPJ, quando chegava, o seu bom dia era entrar de bra\u00e7os abertos (como se abra\u00e7asse o grupo) enquanto cantava \u201cAmar como Jesus amou\u201d e\/ou \u201cO S. Bento da Porta aberta\u201d e logo um grupo de gente a abra\u00e7ava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Vagueira dos anos 70 e 80, sociedade machista em que os homens se juntavam no final da tarde e noite dentro na \u201ctasca\u201d e onde o \u00e1lcool abundava e muitas vezes a pancadaria acontecia, a irm\u00e3 L\u00facia acorria e separava os lutadores que, envergonhados, abandonavam o local. O respeito pela Irm\u00e3 L\u00facia era geral e esses homens rudes e sem medo de nada, do mar, das lutas da viol\u00eancia, apanhados em flagrante,\u00a0\u00a0transformavam-se, com os olhos baixos como meninos que foram apanhados a ir ao a\u00e7ucareiro. Na Vagueira, o seu trabalho de m\u00e3e\u00a0\u00a0daquela terra transformou a juventude, aproximando-a da cultura, da religi\u00e3o, da boa vizinhan\u00e7a e da conviv\u00eancia social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Visitei-a algumas vezes, anos mais tarde, e a sua del\u00edcia era falar dos primeiros grupos que constituiu, bem como mostrar as fotos antigas\u2026 Quase todos tinham emigrado e constitu\u00eddo fam\u00edlia, mas iam escrevendo e mandando fotografias.\u00a0(<em>Eduardo Conde<\/em>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Irm\u00e3 L\u00facia era assim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era capaz de, se algu\u00e9m precisasse de uma injec\u00e7\u00e3o ou servi\u00e7o de enfermagem, pedir a um jovem ou outra pessoa com moto para a levar ao s\u00edtio; e sentava-se na moto, atr\u00e1s do condutor, para acorrer a quem precisava; era de personalidade muito alegre, muito bem disposta, sempre com uma perspectiva optimista da vida e uma vis\u00e3o de Deus como amor e sempre pronto para nos acolher e n\u00e3o como algu\u00e9m que s\u00f3 nos fala do pecado; Jesus, para ela, era algu\u00e9m vivo e bem presente \u2013 e falava do \u201cmeu Deus\u201d e do \u201cmeu Jesus\u201d com veem\u00eancia; era muito pr\u00f3xima dos mais novos; utilizava com frequ\u00eancia a express\u00e3o \u201cmeu(s) querido(s)\u201d para falar com algum jovem ou com um grupo, num tempo em que essa express\u00e3o n\u00e3o tinha sido abastardada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre de h\u00e1bito religioso, acompanhou um pequeno grupo da equipa do Secretariado da Pastoral Juvenil numa viagem a Taiz\u00e9, de carrinha, em regime de acampamento e a dormir no carro quando necess\u00e1rio. Cultivava a boa disposi\u00e7\u00e3o e tentava, quase sempre com sucesso, criar bom ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O envolvimento da Irm\u00e3 L\u00facia muito contribuiu para que, na Gafanha da Boa Hora, se realizasse um Dia diocesano da Juventude. Era a garante da boa organiza\u00e7\u00e3o. O SDPJ confiava na sua capacidade de mobilizar vontades jovens e de provocar a ades\u00e3o. Apesar de ser num extremo da diocese,\u00a0\u00a0\u201cjuntaram-se l\u00e1 mais de mil jovens\u201d,\u00a0\u00a0num tempo em que os transportes n\u00e3o eram f\u00e1ceis.\u00a0\u00a0\u201cCreio que foi mesmo uma das jornadas diocesanas mais concorridas, porque ela atra\u00eda muita gente\u201d atesta Ant\u00f3nio Marujo em testemunho conjunto com S\u00e3o Andril e Jo\u00e3o Paulo Sarabando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A beleza do indiz\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A beleza do indiz\u00edvel \u00e9 a express\u00e3o escolhida por Teresa Grancho para dizer o muito que recebeu da Irm\u00e3 L\u00facia e que ainda hoje lhe d\u00e1 conforto espiritual:\u201cDela trago a alegria permanente e jovem no louvor a Deus: as m\u00e3os erguidas e em movimento ao som e ritmo do c\u00e2ntico que ela tanto dizia com todo o corpo e alma: \u2018Eu louvarei o meu Senhor\u2019. E a sua face, j\u00e1 com o tempo a desenhar os tra\u00e7os da sua passagem nela, sorria, sorria, sorria muito como se nos dissesse que \u00e9 delicioso ser t\u00e3o pr\u00f3xima de um \u2018Deus que dan\u00e7a\u2019 e que nos faz olhar a realidade com uma intelig\u00eancia \u00fanica e terna, qualidades de quem tem o privil\u00e9gio de estar com Ele\u2026 Sabia-me t\u00e3o bem sentir o colo de Deus quando estava com a Ir. L\u00facia, simplesmente estar!&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Irm\u00e3 L\u00facia vista por uma jovem da Gafanha da Boa Hora<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tia L\u00facia, como carinhosamente era tratada por toda a gente, esteve connosco vinte e dois anos da sua vida consagrada e dedicou-nos todo o seu amor, carinho, trabalho e voca\u00e7\u00e3o religiosa. Acompanhou-nos, desde a sua chegada \u00e0 par\u00f3quia e funda\u00e7\u00e3o da comunidade, nos bons e maus momentos: viu-nos crescer, fazer uma caminhada crist\u00e3, casar, constituir fam\u00edlia: incentivou \u00e0 ora\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da funda\u00e7\u00e3o do grupo de ora\u00e7\u00e3o do Renovamento Carism\u00e1tico; acompanhou durante muitos anos os jovens (para quem foi uma segunda m\u00e3e); deu-nos alento e coragem para seguir em frente. Vinte e dois anos n\u00e3o se esquecem facilmente e o seu sorriso meigo, paciente e acolhedor jamais nos sair\u00e1 da mem\u00f3ria e do cora\u00e7\u00e3o. A melhor homenagem que lhe podemos prestar \u00e9, sem d\u00favida, pormos em pr\u00e1tica tudo aquilo que dela recebemos e aprendemos, perpetuando desta maneira o seu esp\u00edrito sempre jovem, j\u00e1 que o corpo foi devolvido ao p\u00f3 da terra. A tia L\u00facia est\u00e1 com certeza junto do Pai, intercedendo por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pe. Jos\u00e9 Fidalgo: Um olhar abrangente da Irm\u00e3 L\u00facia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A irm\u00e3 L\u00facia Rodrigues foi uma Crist\u00e3 consciente da sua dignidade de baptizada. As suas interven\u00e7\u00f5es na pastoral juvenil, durante o tempo em que fui director do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, da diocese de Aveiro, foram marcantes em todas as \u00e1reas que realizaram a forma\u00e7\u00e3o global dos jovens n\u00e3o s\u00f3 da diocese como do pa\u00eds nas ac\u00e7\u00f5es efectuadas nas v\u00e1rias localidades, nas d\u00e9cadas de 70 e 80 do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas dezenas de encontros realizados para a forma\u00e7\u00e3o de jovens, \u201cDespertar da F\u00e9\u201d, \u201cEsperan\u00e7a Ora\u00e7\u00e3o, Compromisso\u201d ou cursos de forma\u00e7\u00e3o de animadores e de cursos \u201cDespertar da Vida\u201d nas d\u00e9cadas de 70 e 80 do s\u00e9culo XX, a presen\u00e7a da irm\u00e3 L\u00facia Rodrigues foi fundamental para a transmiss\u00e3o da mensagem evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o P. Fidalgo lembra um caso singular: tinham projectado ir a Barcelona participar num curso de pastoral juvenil, havia a quantia necess\u00e1ria (10.000$00). A Irm\u00e3 L\u00facia conta o ocorrido a uma fam\u00edlia da par\u00f3quia, cuja casa tinha ardido. Os jovens n\u00e3o hesitam e o grupo, por unanimidade: \u201cDamos o dinheiro para esta fam\u00edlia.\u201d \u201cUma atitude verdadeiramente Crist\u00e3. Era bom que nos tempos de hoje as atitudes das Dioceses e das par\u00f3quias tivessem esta marca Evang\u00e9lica. Demos o dinheiro, e n\u00e3o fomos ao curso, mas a nossa atitude foi Crist\u00e3. Era bom que a comunidade eclesial aprendesse com esta atitude dos jovens do s\u00e9culo XX. Ainda hoje encontro alguns desses jovens j\u00e1 com 40 e 50 anos, mas permanecem verdadeiros crist\u00e3os\u201d. A irm\u00e3 L\u00facia Rodrigues foi simples mas culta, humilde mas verdadeira, din\u00e2mica mas caritativa, humana mas profundamente Evang\u00e9lica, conclui o P. Fidalgo, vinte anos director do Secretariado e que recorda outras iniciativas de grande alcance na Pastoral Juvenil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A abrir horizontes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida da Irm\u00e3 L\u00facia relatada pelas Irm\u00e3s da sua comunidade e colhida em preciosos reflexos de testemunhos amigos abre horizontes de clareza de op\u00e7\u00f5es, de firmeza de atitudes, de simplicidade de modos, de inser\u00e7\u00e3o no meio ambiente, de esp\u00edrito familiar, de alegria de viver e irradiar o valor do dom que se partilha, de paix\u00e3o mission\u00e1ria. Faz ver, sem grande esfor\u00e7o, a mensagem do Papa Francisco na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u201cAlegrai-vos e Exultai\u201d publicada em Abril de 2018. Aponta claramente para a preocupa\u00e7\u00e3o do S\u00ednodo da Igreja sobre os Jovens a realizar em Outubro pr\u00f3ximo para continuar a reflectir e a aprofundar o tema: \u00abJovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional\u00bb. \u201cEu quis que v\u00f3s estiv\u00e9sseis no centro da aten\u00e7\u00e3o, porque vos trago no cora\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o Papa na carta que lhes escreve ao fazer este an\u00fancio jubiloso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o sorriso contagiante da Irm\u00e3 L\u00facia brilhar\u00e1 por muito tempo em muitos rostos a caminho de novos horizontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PESSOA NOT\u00c1VEL &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4680,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,13,50,15],"tags":[],"class_list":["post-4679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares","category-pe-georgino-rocha","category-rostos-de-misericorida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4679"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4682,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4679\/revisions\/4682"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}