{"id":4673,"date":"2018-10-04T15:00:50","date_gmt":"2018-10-04T14:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4673"},"modified":"2018-10-04T15:00:50","modified_gmt":"2018-10-04T14:00:50","slug":"igualdade-a-novidade-a-que-jesus-nos-chama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/igualdade-a-novidade-a-que-jesus-nos-chama\/","title":{"rendered":"Igualdade, a novidade a que Jesus nos chama"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>IGUALDADE, A NOVIDADE A QUE JESUS NOS CHAMA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Pe. Georgino Rocha<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus anda pela Judeia e vai a caminho de Jerusal\u00e9m, cidade do embate final, da morte por crucifix\u00e3o, ante-sala da feliz ressurrei\u00e7\u00e3o. Anda apaixonado pelo an\u00fancio da novidade do Reino de Deus, que desenha uma nova situa\u00e7\u00e3o para todas e cada uma das pessoas, irm\u00e3s em humanidade. Quer aproveitar esta fase final do percurso para deixar claros os valores fundamentais da realiza\u00e7\u00e3o germinal do projecto de salva\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria; valores que contrariam certos princ\u00edpios da ordem estabelecida alicer\u00e7ada em interpreta\u00e7\u00f5es redutoras da Palavra de Deus. (Mc 10, 2-16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos, o evangelista narrador, dedica o cap\u00edtulo 10 a esses valores, designadamente \u00e0 igualdade na dignidade do homem e da mulher, sempre, mas sobretudo quando unidos em casamento por op\u00e7\u00e3o livre; vem depois a igualdade na sociedade, especialmente a partir dos esquecidos e marginalizados como s\u00e3o os que se assemelham a crian\u00e7as no tempo de Jesus. S\u00e3o estes valores que queremos compreender bem, saborear, viver e, dentro do poss\u00edvel, na fam\u00edlia e nos ambientes sociais em que vivemos e constru\u00edmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta dos fariseus sobre a licitude do div\u00f3rcio oferece uma boa oportunidade a Jesus para vincar a novidade de que portador. N\u00e3o responde directamente \u00e0 quest\u00e3o, mas faz remontar a rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher ao sonho original do Criador. E reintrepreta a autoridade de Mois\u00e9s, grande amigo de Deus e chefe do seu povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 solid\u00e3o do homem, corresponde o Criador com a oferta da mulher, e a ambos \u00e9 dada a regra de vida: Crescer em amor e companhia, em rela\u00e7\u00e3o de m\u00fatuo enriquecimento e de fecundidade biol\u00f3gica e educativa, cuidar da terra, jardim da vida em harmonia e beleza, organizar a conviv\u00eancia humana, tendo em conta os ritmos da natureza e apreciando a entrega que lhes faz. E Deus viu que era tudo muito bom e belo, diz o texto das origens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi por causa da dureza do vosso cora\u00e7\u00e3o\u201d, esclarece Jesus. Mois\u00e9s permitiu que se passasse certid\u00e3o de div\u00f3rcio, mas n\u00e3o foi assim no princ\u00edpio da cria\u00e7\u00e3o. E exorta a que se respeite a unidade original. E n\u00e3o diz mais. O seu parecer tem como centro as raz\u00f5es do div\u00f3rcio, a dureza do cora\u00e7\u00e3o que arrasta as outras capacidades humanas, designadamente a raz\u00e3o inteligente e livre. (Conv\u00e9m ter em conta a mentalidade actual e a legisla\u00e7\u00e3o oficial, a par da publicita\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, sobre o div\u00f3rcio e seus pretextos e que contrasta com o ideal das origens e a reinterpreta\u00e7\u00e3o de Jesus).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que \u00e9 essencial, afirma Manicardi no seu coment\u00e1rio ao Evangelho de hoje, p. 142, \u00e9 entender o amor como esfor\u00e7o, como trabalho, como hist\u00f3ria, \u00c9 importante passar do enamoramento ao viver com uma outra pessoa. O amor que juntou os dois deve tornar-se o amor que os dois escolhem tornando memor\u00e1vel o seu encontro: ent\u00e3o o amor transformar-se-\u00e1 em paci\u00eancia, escuta, perd\u00e3o, espera pelos tempos do outro, sacrif\u00edcio, aten\u00e7\u00e3o, capacidade de suportar, reconcilia\u00e7\u00e3o\u2026 Tornar-se-\u00e1 um amor mais inteligente e fiel. Fiel porque inteligente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor conjugal, \u00e9 dele que se trata, reveste-se de uma dignidade original que o Papa Francisco nos lembra na sua Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201cA Alegria do Amor\u201d. Esta exorta\u00e7\u00e3o tem muito do Papa, mas \u00e9 fruto de dois s\u00ednodos sobre a fam\u00edlia, isto \u00e9 envolve a Igreja inteira. \u00c9 caso para nos perguntarmos: Que fizemos destes ensinamentos t\u00e3o preciosos e oportunos, mesmo nos diferentes modos de viver o amor sexuado entre as pessoas? E nas situa\u00e7\u00f5es dos divorciados recasados que querem ser acompanhados e discernir a sua integra\u00e7\u00e3o na comunidade eclesial onde participam na missa dominical? A luz que vem de Jesus ilumina os caminhos a percorrer pelos seus disc\u00edpulos fi\u00e9is mission\u00e1rios. Por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mois\u00e9s, o amigo de Deus e chefe do seu povo, manda que o homem, pelas raz\u00f5es invocadas, d\u00ea a certificado de div\u00f3rcio \u00e0 mulher. \u00c9 uma decis\u00e3o \u201crevolucion\u00e1ria\u201d. De contr\u00e1rio, pelas leis vigentes, a mulher ficava completamente isolada, sozinha, sem dignidade alguma nem possibilidades de sobreviv\u00eancia digna. O marido que a repudiava mantinha o v\u00ednculo do contrato. O pai n\u00e3o a recebia porque j\u00e1 possu\u00eda o dote. Quem casasse com ela incorria em penas pesadas. Os filhos, se os havia, eram perten\u00e7a do homem. Restava-lhe o trabalho servil, a prostitui\u00e7\u00e3o, a desconsidera\u00e7\u00e3o, a a morte lenta. Com o certificado, ficava liberta e podia dispor da sua vida. Grande acto de s\u00e3 humanidade, tendo em conta a dureza de mentes r\u00edgidas e de cora\u00e7\u00f5es insens\u00edveis. Grande gesto de afirma\u00e7\u00e3o da igualdade que Jesus vem refor\u00e7ar e redimensionar: a iniciativa do rep\u00fadio pode ser tomada, em plano de igualdade, pelo homem e pela mulher. N\u00e3o \u00e9 mais privil\u00e9gio masculino. Mas \u00e9 melhor que marido e esposa vivam em unidade de amor, de modo a expressarem que s\u00e3o como que \u201cuma s\u00f3 carne\u201d. Lindo sonho de Deus, a ser realizado no percurso humano de homem e mulher ao longo das suas vidas. Nunca plenamente conseguido, mas sempre prosseguido, pois casam no Senhor, como diz S. Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os disc\u00edpulos estranham a atitude rectil\u00ednea, mas compreensiva, de Jesus e, uma vez em casa, questionam o Mestre sobre este assunto. E Jesus confirma o que disse e recorre \u00e0 for\u00e7a da imagem das crian\u00e7as para facilitar a compreens\u00e3o da novidade dos valores do Reino. Uns acompanhantes do grupo apost\u00f3lico queriam apresentar as crian\u00e7as a Jesus. Pretens\u00e3o mal vista pelos disc\u00edpulos. Ao ver o que estava a acontecer, Jesus indigna-se e \u201cralha\u201d-lhes: \u201cN\u00e3o as estorveis\u201d. E chama as crian\u00e7as, abra\u00e7a-as, aben\u00e7oa-as e imp\u00f5e-lhes as m\u00e3os. Gesto simb\u00f3lico da novidade do Reino, mas estranho \u00e0 mentalidade comum dos judeus, pois a crian\u00e7a ainda n\u00e3o era gente legal, estava no \u00faltimo escal\u00e3o da sociedade, era realmente o s\u00edmbolo dos \u201cnadas\u201d, in\u00fateis, dos totalmente dependentes. Que grande impacto h\u00e1-de ter provocado no cora\u00e7\u00e3o dos pobres disc\u00edpulos! E quanto trabalho vai ainda ter Jesus para lhes abrir aquela \u201ccabecinha\u201d. Teve de lhes enviar o Esp\u00edrito Santo e deixar que o tempo ajudasse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 3 de Outubro de 2018, come\u00e7a o S\u00ednodo da Igreja sobre \u201cos Jovens, a f\u00e9 e o discernimento\u201d. Acompanhemos os participantes, sobretudo o Papa Francisco e os bispos. Que o Senhor abra caminhos a quem alimenta sonhos de felicidade e quer acertar na sua voca\u00e7\u00e3o ao amor de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, ao servi\u00e7o generoso e criativo em prol dos outros, da humanidade, da Igreja mission\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IGUALDADE, A NOVIDADE<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4674,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4673","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4673","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4673"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4673\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4675,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4673\/revisions\/4675"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4674"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4673"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4673"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4673"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}