{"id":4661,"date":"2018-09-25T23:45:23","date_gmt":"2018-09-25T22:45:23","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4661"},"modified":"2018-09-25T23:45:23","modified_gmt":"2018-09-25T22:45:23","slug":"diz-jesus-quem-faz-o-bem-age-em-meu-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/diz-jesus-quem-faz-o-bem-age-em-meu-nome\/","title":{"rendered":"Diz Jesus: &#8216;Quem faz o bem age em meu nome&#8217;"},"content":{"rendered":"<p><b>Diz Jesus:<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>QUEM FAZ O BEM AGE EM MEU NOME<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o, o amigo de Jesus, aproxima-se d\u2019Ele e faz uma declara\u00e7\u00e3o realista seguida de um pedido urgente. De facto, estava queixoso, bem como o grupo de disc\u00edpulos, seus companheiros. No andar pelos caminhos da Galileia, deparam-se com o impens\u00e1vel: Gente estranha e desconhecida a agir em nome de Jesus e a expulsar dem\u00f3nios, Era demais para o seu modo normal de pensar, pois a eles estava confiado tal servi\u00e7o. (Mc, 6, 6-13). Se outros o fizessem, sem andar na escola do Mestre, seriam igualados em tais pr\u00e1ticas e privados daquilo que consideravam seu exclusivo. Por isso, havia que tomar posi\u00e7\u00e3o: nada menos do que uma proibi\u00e7\u00e3o formal, sem apelo nem agravo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos, autor do relato, refere em estilo claro e sem rodeios: \u201cMestre, n\u00f3s vimos um homem a expulsar dem\u00f3nios em teu nome e procur\u00e1mos impedir-lho, porque ele n\u00e3o anda connosco\u201d. (Mc 9, 38-48). Jo\u00e3o recorre a Jesus, porque os disc\u00edpulos n\u00e3o tinham sido capazes de fazer valer a sua pretens\u00e3o e sentiam uma certa frustra\u00e7\u00e3o. Estavam incomodados e tecem coment\u00e1rios. E o exorcista an\u00f3nimo continuava a exercer a sua fun\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica do bem, de liberta\u00e7\u00e3o de males diab\u00f3licos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o desconforto, j\u00e1 not\u00f3rio, como n\u00e3o ter\u00e1 ficado com a resposta de Jesus?! Resposta n\u00e3o de proibi\u00e7\u00e3o ao agir do desconhecido, mas de censura e aconselhamento aos disc\u00edpulos: \u201cN\u00e3o o proibais, porque ningu\u00e9m pode fazer um milagre em Meu nome e depois dizer mal de Mim\u201d. Resposta de reconhecimento pelo bem que outros, sem nome, v\u00e3o fazendo nos caminhos da vida. E sem liga\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e0 religi\u00e3o oficial. Fazem por iniciativa dos impulsos do cora\u00e7\u00e3o compassivo e aten\u00e7\u00e3o a algum pedido recebido ou, talvez, por necessidade de obter ganhos sempre indispens\u00e1veis para viver. Resposta indiciadora da novidade que Jesus anunciava para dizer, de forma clara, quem \u00e9 Deus e qual a abrang\u00eancia do seu Reino na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Resposta que indica com clareza o tipo de relacionamento entre os cuidadores da humanidade: Juntar esfor\u00e7os, dar as m\u00e3os, abrir caminho a uma coopera\u00e7\u00e3o generosa em prol do bem do mundo e sobretudo de quem mais sofre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus acrescenta na sua breve resposta: \u201cQuem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 a nossa favor\u201d, isto \u00e9, a favor da luta que travamos contra as for\u00e7as diab\u00f3licas do mal, contra a divis\u00e3o radical em maus e bons, os de l\u00e1 e os de c\u00e1, pois em cada um h\u00e1 sempre uma semente de bondade, ainda que seja a ruindade a brilhar mais, contra a corrup\u00e7\u00e3o da integridade moral, pois tal como numa nota de dinheiro amarrotada permanece o valor monet\u00e1rio, assim na pessoa espezinhada est\u00e1 sempre viva a sua dignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus d\u00e1 a volta \u00e0 senten\u00e7a popular: \u201cQuem n\u00e3o \u00e9 por n\u00f3s, \u00e9 contra n\u00f3s\u201d. Senten\u00e7a que apregoa a raz\u00e3o de alguns e exige o alinhamento de muitos outros; senten\u00e7a que exclui os restantes, as grandes maiorias, de terem opini\u00e3o e de poderem intervir naquilo que a todos diz respeito; senten\u00e7a que denuncia a pretens\u00e3o de um vanguardismo triunfante. Os disc\u00edpulos ficam com outra senha de actua\u00e7\u00e3o: \u201cQuem n\u00e3o \u00e9 contra n\u00f3s \u00e9 por n\u00f3s\u201d. O ponto de partida \u00e9 a bondade do agir humano, at\u00e9 prova em contr\u00e1rio. N\u00e3o a exclus\u00e3o, mas a inclus\u00e3o. N\u00e3o a reserva de inten\u00e7\u00f5es, mas a confian\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 preciso um novo olhar e uma nova compreens\u00e3o. Gente an\u00f3nima faz muito bem, realiza a solidariedade activa na vizinhan\u00e7a e nas grandes causas da humanidade, especialmente quando se abate a tormenta fustigante. Os disc\u00edpulos, que somos tamb\u00e9m n\u00f3s, est\u00e3o chamados a reconhecer esta onda de generosidade an\u00f3nima e de a promover e iluminar com o sentido de um s\u00e3o humanismo redimensionado pela f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Igreja, pela voz do Conc\u00edlio Vaticano II, declara solenemente: \u201cAs alegrias e as esperan\u00e7as, as tristezas e as ang\u00fastias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e dos que sofrem, s\u00e3o tamb\u00e9m as \u2026 dos disc\u00edpulos de Cristo, e nada existe de verdadeiramente humano que n\u00e3o encontre eco no seu cora\u00e7\u00e3o\u201d. Por isso, proclama a sua solidariedade, respeito e amor por toda a fam\u00edlia humana, quer dialogar com ela e oferecer-lhe a luz esclarecedora do Evangelho e a for\u00e7a salv\u00edfica do seu Senhor. (GS 1 e 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relendo a hist\u00f3ria da Igreja, quantas vezes a boa vontade redundou em desvios gritantes que se fazem ouvir ainda hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pessoas com enfermidades atribu\u00eddas ao dem\u00f3nio, que segundo a cren\u00e7a comum se apoderava delas e as torturava, eram atendidas por gente dotada de poderes especiais que recorre a mezinhas e gestos de exorcismo. Gente, sem nome, mas com um agir muito pr\u00f3ximo de um curandeiro, bruxo, mago ou alquimista, gente que faz o que pode pelo seu pr\u00f3ximo. Ainda hoje. Com os riscos acoplados. Com frequentes zonas escuras a pisar a dignidade humana, a sanidade mental, a distor\u00e7\u00e3o da vontade pessoal, a fazer recair \u201cpesos\u201d ancestrais e press\u00f5es an\u00edmicas sobre a pessoa v\u00edtima indefesa. E como \u00e9 preciso empreender uma ac\u00e7\u00e3o sanadora que liberte consci\u00eancias oprimidas e restitua a sa\u00fade integral a quem padece tais tormentos. Ac\u00e7\u00e3o evangelizadora no seguimento de Jesus que na sua miss\u00e3o destaca esta luta como priorit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos continua o relato dando valor \u00e0 prefer\u00eancia de Jesus por quem age em Seu nome. E menciona dois exemplos emblem\u00e1ticos: Dar de beber um copo de \u00e1gua e acolher um pequenino. Que insignific\u00e2ncia para a bolsa de valores da sociedade de ent\u00e3o. E de hoje, em muitas situa\u00e7\u00f5es. Que import\u00e2ncia tem a gente sem nome que prossegue no quotidiano da vida os gestos de bem-fazer. Jesus reconhece-os como sendo a Si mesmo que s\u00e3o feitos, embora quem os realiza n\u00e3o saiba. Ser\u00e1 tarefa do disc\u00edpulo evangelizador desvendar esta faceta do agir humanit\u00e1rio, da solidariedade c\u00edvica, do voluntariado social, do agir religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcos real\u00e7a a urg\u00eancia de remover todos os obst\u00e1culos \u00e0 pr\u00e1tica do bem com uma imagem\/met\u00e1fora radical: Remover pedras do caminho dos \u201cpequeninos\u201d, seus preferidos; de contr\u00e1rio, seria melhor para quem d\u00e1 esc\u00e2ndalo ser lan\u00e7ado ao mar com um pesada pedra atada ao pesco\u00e7o, isto \u00e9 a morte por afogamento. O contraste \u00e9 claro: Abrir caminhos, facilitar o percurso, acelerar o passo, criar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para que todos se encontrem na verdade e no bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica \u00abA Alegria do Evangelho\u00bb, o Papa Francisco dirigindo-se: \u201cAos crist\u00e3os de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunh\u00e3o fraterna, que se torne fascinante e resplandecente. Que todos possam admirar como vos preocupais uns pelos outros, como mutuamente vos encorajais, animais e ajudais\u2026 Cuidado com a tenta\u00e7\u00e3o da inveja! Estamos no mesmo barco e vamos para o mesmo porto! Pe\u00e7amos a gra\u00e7a de nos alegrarmos com os frutos alheios, que s\u00e3o de todos. (GS 99).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem faz o bem, age em meu nome, diz Jesus. Experimentemos o valor desta mensagem t\u00e3o clara e t\u00e3o inovadora. Acompanhemos o Papa Francisco, sobretudo durante o S\u00ednodo dos Bispos sobre os \u00abJovens, a f\u00e9 e o discernimento vocacional\u00bb que se realiza de 3 a 28 de Outubro de 2018, a iniciar esta semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz Jesus: QUEM<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4662,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4661","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4661","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4661"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4661\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4663,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4661\/revisions\/4663"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4662"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4661"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4661"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4661"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}