{"id":4600,"date":"2018-09-04T16:31:53","date_gmt":"2018-09-04T15:31:53","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4600"},"modified":"2018-09-04T16:31:53","modified_gmt":"2018-09-04T15:31:53","slug":"sentidos-abertos-e-atentos-a-realidade-comunicam-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/sentidos-abertos-e-atentos-a-realidade-comunicam-melhor\/","title":{"rendered":"Sentidos abertos e atentos \u00e0 realidade comunicam melhor"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>SENTIDOS ABERTOS E ATENTOS \u00c0 REALIDADE COMUNICAM MELHOR<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus vem para o mar da Galileia, depois de andar por terras de pag\u00e3os desconsiderados pelos judeus. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a primeira vez. Quer afirmar por atitudes e palavras que a novidade de Deus \u00e9 para todos, a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 universal. Afirma\u00e7\u00e3o que contraria directamente as convic\u00e7\u00f5es mais arreigadas dos fi\u00e9is observantes da lei judaica. E ergue-se logo a quest\u00e3o, tantas vezes repetida ao longo da miss\u00e3o p\u00fablica de Jesus: De que lado est\u00e1 a verdade? Quem interpreta com mais fidelidade a tradi\u00e7\u00e3o das origens e quer reajustar as pr\u00e1ticas actuais \u00e0quele sentido criacional?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caminho, apresentam-lhe um surdo-mudo e fazem-lhe o pedido de impor as m\u00e3os sobre ele. S\u00e3o gente an\u00f3nima, que faz sua a situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria deste homem. S\u00e3o gente que, mesmo ali, se v\u00ea privada da presen\u00e7a de Jesus que se retira com ele para um local pr\u00f3ximo, mas afastado. S\u00e3o gente que, paciente e confiante, aguarda o resultado deste encontro tu-a-tu, de di\u00e1logo pessoal e da poss\u00edvel ac\u00e7\u00e3o curativa. \u00c9 gente que, no regresso de ambos e perante o sucedido, reconhece o alcance do gesto de Jesus, exclamando \u201ccheios de assombro: Tudo o que faz \u00e9 admir\u00e1vel: faz que os surdos oi\u00e7am e os mudos falem\u201d. Quer dizer: v\u00eaem o alcance do benef\u00edcio alcan\u00e7ado por uma pessoa particular e abrem-lhe o horizonte universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que riqueza de mensagem encerra esta narrativa que S\u00e3o Marcos (7, 31-37) faz no cap\u00edtulo dedicado \u00e0 cegueira dos disc\u00edpulos, na sequ\u00eancia de outras cegueiras: a das autoridades e a do mundo. O surdo-mudo visualiza, como s\u00edmbolo, estas cegueiras e outras limita\u00e7\u00f5es humanas. Vamos procurar nesta mensagem alguns pontos nucleares que possam ajudar a nossa vida de crist\u00e3os inseridos na sociedade actual, sociedade que tem enormes ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o e manifesta not\u00f3rias car\u00eancias de rela\u00e7\u00e3o humana e de perspectivas de proximidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus est\u00e1 a caminho, anda de terra em terra, passa em locais onde facilmente pode ser encontrado, sem exig\u00eancias pr\u00e9vias nem marca\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rio. Est\u00e1 a caminho e acolhe quem surge. Por ser procurado ou por ser apresentado, como no epis\u00f3dio de hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus provoca o encontro pessoal. \u00c9 o bem da pessoa que lhe interessa; n\u00e3o o olhar curioso da multid\u00e3o, nem porventura a sua aprova\u00e7\u00e3o. \u00c9 melhor que reconhe\u00e7a e n\u00e3o fique indiferente. \u00c9 melhor que se deixe interpelar e queira compreender o alcance dos sinais que realiza para evidenciar a novidade do amor de Deus Pai. Ele sabe que, sem encontro pessoal, n\u00e3o se d\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o de profundidade que o amor exige e sustenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz-nos bem um mergulho no nosso mundo interior a fim de darmos uma resposta sincera a estas perguntas: como estou no meu encontro pessoal com Jesus? Procuro captar o seu olhar de miseric\u00f3rdia e o seu agir de compaix\u00e3o solid\u00e1ria? E sou coerente no meu proceder?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus desperta os sentidos ao surdo-mudo. De contr\u00e1rio, manter-se-ia na situa\u00e7\u00e3o de incomunica\u00e7\u00e3o, de isolamento, de exclus\u00e3o religiosa e social. Como est\u00e3o tantos dos nossos concidad\u00e3os. Sentidos despertos s\u00e3o janelas do esp\u00edrito, fontes de informa\u00e7\u00e3o que chega e que parte, pontos de encontro e de rela\u00e7\u00e3o da pessoa consigo mesma, com os outros e com o ambiente, com Deus. \u00c9 no espa\u00e7o dos sentidos que Jesus realiza a cura do surdo-mudo, que a Igreja faz a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos de vida nova e de sana\u00e7\u00e3o das feridas do pecado. Educar os sentidos \u00e9 humanizar as rela\u00e7\u00f5es sociais e religiosas e favorecer a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJesus comunica sobretudo com o corpo: o texto fala de m\u00e3os, dedos e tato, de escuta e de ouvidos, de l\u00edngua, saliva e palavra, Se o nosso corpo \u00e9 o nosso modo de estar no mundo e de comunicar com o mundo, Jesus deve acordar a vida corporal deste homem, deve despertar-lhe os sentidos para que possa reencontrar o sentido de viver. O espiritual acontece sempre gra\u00e7as \u00e0 media\u00e7\u00e3o corporal\u201d, afirma Manicardi no seu Coment\u00e1rio \u00e0 Liturgia Dominical e Festiva, ano B, p\u00e1g 134.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cuidado do corpo encontra assim uma perspectiva de grande alcance. Relativiza o culto em voga e humaniza as deprecia\u00e7\u00f5es antigas e, se calhar, ainda persistentes em nichos de pessimismo doentio. O corpo \u00e9 hoje entendido como o todo da pessoa, unidade de diversidades, f\u00edsico e esp\u00edrito, indiv\u00edduo e ser em rela\u00e7\u00e3o, sentimentos e afectos, intelig\u00eancia e vontade e outras fun\u00e7\u00f5es cerebrais, consci\u00eancia e sua abertura a Deus que Jesus Cristo nos d\u00e1 a conhecer como comunh\u00e3o de pessoas divinas. Corpo que se expressa na corporeidade, na corporalidade, termos usados em certos meios eruditos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois sentidos desempenham fun\u00e7\u00f5es de grande relevo: o ouvido e a l\u00edngua. S\u00e3o eles que, de modo especial, facilitam a comunica\u00e7\u00e3o. De contr\u00e1rio, a pessoa fica surda e muda. Ou mesmo ouvindo e falando bem, faz-se surda e muda para certas realidades interpelantes. E campeia a surdez num mundo de ru\u00eddo, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao grito das v\u00edtimas e dos pobres; num mundo que n\u00e3o quer escutar palavras de bom senso, de verdade e de luz; num mundo de muita informa\u00e7\u00e3o e pouca comunica\u00e7\u00e3o. E numa Igreja, tantas vezes surda aos jovens e seus anseios, \u00e0s prioridades do Evangelho e seus apelos de convers\u00e3o. Sem esquecermos que a surdez tamb\u00e9m nos atinge a n\u00f3s e nos impede de ouvir e decifrar os gemidos gritantes de uma sociedade em tr\u00e2nsito em busca de sentido em todos os \u00e2mbitos de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abre-te \u00abEffet\u00e1\u00bb, diz Jesus, depois de meter os dedos nos ouvidos e de tocar na l\u00edngua. E acontece o inaudito: O surdo-mudo come\u00e7ou logo a ouvir e \u201ca falar correctamente\u201d. N\u00e3o por efic\u00e1cia de magia ou qualquer outro truque de prestidigitador. Mas por gra\u00e7a de Deus que Jesus invoca ao erguer \u201cos olhos ao C\u00e9u\u201d. Gesto acompanhado de um suspiro que deixa transparecer o seu estado emocional face \u00e0 cegueira de quem n\u00e3o penetrava no alcance dos sinais\/milagres que realizava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m a n\u00f3s na celebra\u00e7\u00e3o normal do baptismo \u00e9 dito: \u201cAbre-te!\u201d para em breve escutares a Palavra de Deus e a proclamares com alegria e entusiasmo. Para, como exorta o Papa Francisco, sermos disc\u00edpulos mission\u00e1rios. Para abrirmos \u201ca nossa vida a Jesus, os nossos poros \u00e0 sua gra\u00e7a libertadora que desbloqueia as nossas incoer\u00eancias e nos impele a agir no mundo cheios de alegria, serenidade e confian\u00e7a\u201d. Experimenta: sentidos abertos e atentos comunicam melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SENTIDOS ABERTOS E<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4601,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4600","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4600","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4600"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4600\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4602,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4600\/revisions\/4602"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4600"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4600"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4600"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}