{"id":4330,"date":"2018-07-16T12:31:31","date_gmt":"2018-07-16T11:31:31","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4330"},"modified":"2018-07-16T12:31:31","modified_gmt":"2018-07-16T11:31:31","slug":"formar-para-cuidar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/formar-para-cuidar-2\/","title":{"rendered":"Formar para cuidar | 2"},"content":{"rendered":"<h3 align=\"center\"><b>FORMAR PARA CUIDAR | 2<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pessoa fragilizada, sobretudo quando doente em fase avan\u00e7ada, sente-se frequentemente sozinha, com esperan\u00e7as intermitentes e grandes afli\u00e7\u00f5es. \u00c9 normal que o filme da sua vida passe uma e outra vez, que aflorem problemas mal ou n\u00e3o resolvidos, rela\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o refeitas e outras quest\u00f5es que causam inquieta\u00e7\u00f5es de consci\u00eancia. E se est\u00e1 hospitalizada, v\u00ea-se condicionada por regras inibidoras da liberdade de express\u00e3o e da espontaneidade de comunica\u00e7\u00e3o. O mesmo pode acontecer noutros espa\u00e7os como na fam\u00edlia ou em lares. E os seus direitos correm o risco de ficar nas p\u00e1ginas dos livros ou no sil\u00eancio dos corredores e dos blocos de notas. A pretexto de n\u00e3o incomodar ou violentar convic\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O visitador que realmente quer saber cuidar ter\u00e1 de ser muito sens\u00edvel a esta possibilidade e dar-lhe voz sempre que necess\u00e1rio. De forma correcta. Mas verdadeira. Com serenidade activa. E alargar o horizonte a outras situa\u00e7\u00f5es que possam ocorrer, pois \u00e9 a pessoa doente em todas as suas dimens\u00f5es que \u201cest\u00e1 em jogo\u201d; \u00e9 o seu bem integral. Tamb\u00e9m religioso e espiritual. Os \u201cganhos\u201d correm mundo a partir do sucedido ao grupo de jovenzinhos da Tail\u00e2ndia. Por isso, conv\u00e9m destacar as seguintes notas de orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">1. Situar-se no conjunto dos servi\u00e7os prestados, designadamente pela Igreja nas suas modalidades pastorais. Tais como a visita personalizada, o apoio familiar, a rede de pessoas em dor, a ora\u00e7\u00e3o de liberta\u00e7\u00e3o, a leitura da Palavra de Deus, a reconcilia\u00e7\u00e3o sacramental, a un\u00e7\u00e3o das pessoas idosas ou doentes, a comunh\u00e3o eucar\u00edstica como presen\u00e7a de Jesus feito companhia e alimento, e como rela\u00e7\u00e3o com a comunidade crist\u00e3 de que se \u00e9 membro desde o batismo. A pessoa doente tem sempre lugar na assembleia dominical que \u00e9 a grande reuni\u00e3o dos crist\u00e3os. Se n\u00e3o pode estar presente, saiba que tamb\u00e9m \u00e9 lembrada e se reza por ela e, se for o caso, um enviado da comunidade eclesial pode trazer-lhe a comunh\u00e3o e fazer uma breve celebra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">2. Prestar especial aten\u00e7\u00e3o aos momentos cr\u00edticos, sobretudo de agonia e morte. Saber situar esta fase no percurso de uma vida e reconhecer que Deus est\u00e1 sempre presente para ajudar, desde que deixemos, pois respeita a nossa liberdade. Os sacramentos, sendo importantes, n\u00e3o esgotam o amor misericordioso de Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cuidar de forma especial a fam\u00edlia \u201ctraumatizada\u201d pela aproxima\u00e7\u00e3o do desfecho final e pela viv\u00eancia do luto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">3. Dar testemunho da dignidade e do valor de quem \u00e9 doente, ajudando a descobrir a esperan\u00e7a que nasce do amor. E sugerir \u00e1reas dignas de ser amadas que devem merecer o nosso \u201cinteresse\u201d: outras pessoas em situa\u00e7\u00e3o semelhante, os empobrecidos for\u00e7ados, os entristecidos pelo infort\u00fanio, o pessoal m\u00e9dico, os familiares e tantos outros. Amar com o amor que Jesus oferece a quem \u00e9 seu amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o \u00e9 o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor, que cura o ser humano, mas a capacidade de aceitar a tribula\u00e7\u00e3o e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido atrav\u00e9s da uni\u00e3o com Cristo\u201d. Bento XVI, Spe Salvi, n\u00ba 37. A hist\u00f3ria regista nomes ilustres de quem \u201cfez obra\u201d na escola do sofrimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">4. Estabelecer prioridades: Anunciar a boa nova do sofrimento assumido por amor; empenhar-se em reduzir o sofrimento imposto e injusto; promover a auto-estima de quem est\u00e1 doente; fomentar ou criar um relacionamento em rede entre quem sofre e deseja estar acompanhado; propor oportunamente a celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos; reconhecer que, em todas as fases da doen\u00e7a, est\u00e1 discretamente presente Jesus Cristo para ajudar, recorrendo a formas que \u00e0s vezes nos desconcertam; assumir, com seriedade e honradez, express\u00f5es do amor crist\u00e3o, a presta\u00e7\u00e3o de cuidados inclu\u00eddos no servi\u00e7o de voluntariado que nos foi confiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">5. A grandeza da humanidade: A grandeza da humanidade determina-se essencialmente na rela\u00e7\u00e3o com o sofrimento e com quem sofre. Isto vale tanto para o indiv\u00edduo como para a sociedade e a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sofrer com o outro, pelos outros, sofrer por amor da verdade e da justi\u00e7a e para se tornar uma pessoa que ama verdadeiramente: eis os elementos fundamentais da humanidade. Bento XVI, Spe Salvi, n\u00ba 39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">6. A entusiasmante miss\u00e3o de acompanhar<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A visita \u00e0 pessoa fragilizada, sobretudo nas fases mais agudas da crise, abre a porta a um itiner\u00e1rio de acompanhamento rico de humanidade. Em atitude de reciprocidade. Cada um oferece ao outro o que tem de melhor: O enfermo, a precariedade da vida humana, o estado de \u00e2nimo e a sua poss\u00edvel evolu\u00e7\u00e3o espiritual; o visitante, o tempo feito dom, a solicitude respeitosa e a garantia de proximidade atenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Francisco, em mensagem recente, chama a aten\u00e7\u00e3o para a urg\u00eancia de saber estar presente junto de quem vive per\u00edodos de desorienta\u00e7\u00e3o e mesmo de erro; presente para \u201ccom verdade e miseric\u00f3rdia\u201d ajudar a reencontrar o seu rosto aut\u00eantico na verdade e no bem; para redescobrir com confian\u00e7a o amor paterno de Deus e \u201cos caminhos para construir um mundo mais humano\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que bela miss\u00e3o a nossa! Formar para cuidar: a alegria de dar, o prazer de receber. Amor solid\u00e1rio que suaviza dores, alimenta a esperan\u00e7a, irmana na humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FORMAR PARA CUIDAR<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4331,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4330","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4330"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4330\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4332,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4330\/revisions\/4332"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}