{"id":4314,"date":"2018-07-11T10:55:16","date_gmt":"2018-07-11T09:55:16","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4314"},"modified":"2018-07-11T11:11:58","modified_gmt":"2018-07-11T10:11:58","slug":"jesus-comeca-a-enviar-os-discipulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/jesus-comeca-a-enviar-os-discipulos\/","title":{"rendered":"Jesus come\u00e7a a enviar os disc\u00edpulos"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>JESUS COME\u00c7A A ENVIAR OS DISC\u00cdPULOS<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\" align=\"right\"><b>Pe. Georgino Rocha<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o \u201cfracasso\u201d da visita a Nazar\u00e9, terra onde cresceu e aprendeu a arte de ganhar a vida e de se relacionar, Jesus empreende nova iniciativa apost\u00f3lica. Quer partilhar a miss\u00e3o. Parece que a experi\u00eancia o aconselha. Chama os disc\u00edpulos e confia-lhes a sua autoridade. Define, com precis\u00e3o, as regras a observar e envia-os dois a dois. Primeiro ao povo de Israel, depois a todos os povos. E a hist\u00f3ria converte-se em livro aberto da miss\u00e3o universal realizada localmente por homens e mulheres, conforme as tradi\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus com este proceder prolonga o modo de agir de Deus que sempre associa o ser humano \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da sua obra salvadora. Ao primeiro casal, confia o dom da vida, o cuidado da cria\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento integral; a No\u00e9, a Abra\u00e3o, a Jos\u00e9, a Mois\u00e9s e a tantos outros que escolhe para interlocutores, d\u00e1-lhes o encargo de alimentar a esperan\u00e7a e de serem rosto da sua paci\u00eancia e do seu acompanhamento \u00e0 humanidade com quem partilha esta aventura hist\u00f3rica. A Jos\u00e9 e a Maria, de Nazar\u00e9, entrega-lhes o delicado servi\u00e7o de acolher Jesus e de o educar, de modo que prepare a vida p\u00fablica e mostre muito do que viveu em fam\u00edlia, no sil\u00eancio, na ora\u00e7\u00e3o e na conviv\u00eancia de vizinhan\u00e7a. \u00c0 Igreja em comunidade e a cada um de n\u00f3s pessoalmente, deixa a miss\u00e3o de celebrar a sua mem\u00f3ria e ser mission\u00e1rios em todos os ambientes. \u00c9 esta a fase que vivemos. Com alegria e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus tra\u00e7a um quadro preciso da miss\u00e3o a realizar: ir em equipa; levar o imprescind\u00edvel; anunciar o Evangelho que suscita o arrependimento; expulsar os esp\u00edritos impuros, os dem\u00f3nios; ungir com \u00f3leo e curar com ora\u00e7\u00e3o e desvelo os doentes; confiar sem limites porque s\u00e3o enviados, a miss\u00e3o \u00e9 de Deus Pai, \u00e9 Minha, diz Jesus. E eles l\u00e1 foram \u201cpor trancos e barrancos\u201d, agiram de acordo com as regras definidas e com ind\u00edcios de resultados promissores. Diz o texto: \u201cOs Ap\u00f3stolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos dem\u00f3nios, ungiram com \u00f3leo muitos doentes e curaram-nos\u201d. O medo esterilizante de deixar comodidades \u00e9 vencido e cede a vez \u00e0 fecundidade sanante. Que alegria devem ter vivido com a experi\u00eancia feita. A confian\u00e7a \u201cvirou\u201d a \u00eaxito reconhecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos deter-nos em algumas destas indica\u00e7\u00f5es pela sua riqueza simb\u00f3lica e alcance actual, pelo realismo e horizonte de perspectivas, embora em cada \u00e9poca se devam configurar, sempre. Com crit\u00e9rios do Evangelho, claro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de aventureiros nem oportunistas ou agentes isolados. Antes, exige boa prepara\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o de sentimentos com quem envia, companheirismo, reconhecimento de que a roupagem humana n\u00e3o pode encobrir a simplicidade da presen\u00e7a testemunhante nem da mensagem anunciada. Se n\u00e3o, como nas videiras tem de se esparrar as folhas para que as uvas beneficiem do sol e possam amadurecer. A miss\u00e3o deve despir-se de tudo o que oculta a simplicidade do an\u00fancio e a beleza do amor que Deus nos tem. \u201cA mochila\u201d tem pouco espa\u00e7o e precisa de boa arruma\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o imprescind\u00edvel. Nem sup\u00e9rfluo, nem necess\u00e1rio. Apenas cajado e sand\u00e1lias. E ter clara a no\u00e7\u00e3o do tempo. Para ficar ou partir, para n\u00e3o reter nada e sacudir o p\u00f3 dos caminhos e andar com ligeireza. Com esperan\u00e7a de chegar mais longe. Uma terra nova aguarda os enviados. Que gratas mem\u00f3rias de quem os acolhe levar\u00e3o consigo os mensageiros!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO Evangelho n\u00e3o apresenta uma forma extrema e extravagante de viver, afirma J. M. Castillo, La Religi\u00f3n de Jes\u00fas, ciclo b, p. 261. O que o Evangelho oferece \u00e9 uma forma de viver, que n\u00e3o est\u00e1 determinada nem condicionada pelo dinheiro e o bem-estar, mas pelo projecto de aliviar o sofrimento, pela luta contra os agentes de viol\u00eancia, pelo respeito \u00e0 dignidade e aos direitos de todos, pelo empenho em fazer feliz a quem nos rodeia. Isto \u00e9 o que Jesus quer dizer com as proibi\u00e7\u00f5es que imp\u00f5e aos seus disc\u00edpulos. Jesus n\u00e3o apresenta um projecto extravagante, mas um projecto de humanidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No encargo da miss\u00e3o, Jesus destaca o poder sobre os esp\u00edritos impuros. E ordena aos disc\u00edpulos que expulsem os dem\u00f3nios. D\u00e1 a impress\u00e3o que o mundo estava\/\u00e1 empestado, que as for\u00e7as do mal v\u00e3o campeando, que a imund\u00edcie tende a abafar a beleza original da cria\u00e7\u00e3o e a bondade das criaturas, sobretudo humanas, que a corrup\u00e7\u00e3o desintegra a coes\u00e3o e a sanidade da sociedade, que a indiferen\u00e7a se agiganta, que a confus\u00e3o se apoderou da nossa gera\u00e7\u00e3o rica de meios e pobre de sentido existencial. O realismo aconselharia a continuar a ver o terreno a evangelizar. \u00c9 a sa\u00fade integral no tempo aberto \u00e0 eternidade que nos envolve. Mas as indica\u00e7\u00f5es dadas abrem caminho aos disc\u00edpulos mission\u00e1rios, a n\u00f3s crist\u00e3os fi\u00e9is e seguidores de Quem nos envia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO envio em miss\u00e3o, afirma Manicardi, Coment\u00e1rio \u00e0 Liturgia, p. 118, cria testemunhas: os pr\u00f3prios enviados devem fazer reinar sobre si as exig\u00eancias do Evangelho. A sua presen\u00e7a dever\u00e1 ser an\u00fancio e transpar\u00eancia daquele que os enviou. \u2026 o enviado do Senhor n\u00e3o \u00e9 tanto aquele que diz palavras inspiradas, mas, como lembra a Didak\u00e9 XI, 8), aquele que tem os \u00abmodos do Senhor\u00bb\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9todo de Jesus readquire novo vigor na sociedade secular. O envio \u00e9 feito dois a dois. \u201cA presen\u00e7a de pequenos grupos de disc\u00edpulos de Jesus na nossa sociedade, t\u00e3o necessitada de encontro real e de amizade, \u00e9 a ferramenta mais valiosa que pode fazer presente a Boa Not\u00edcia\u201d, garante o comentador da Homil\u00e9tica, Miguel Vicente. Belo ensinamento a ser prosseguido pela nossa pr\u00e1tica di\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JESUS COME\u00c7A A<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4315,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,91,50,14],"tags":[],"class_list":["post-4314","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-olhares-ii","category-pe-georgino-rocha","category-temas-para-debate"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4314","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4314"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4314\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4316,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4314\/revisions\/4316"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4315"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4314"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4314"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4314"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}