{"id":4298,"date":"2018-07-04T13:51:12","date_gmt":"2018-07-04T12:51:12","guid":{"rendered":"http:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/?p=4298"},"modified":"2018-07-04T13:51:12","modified_gmt":"2018-07-04T12:51:12","slug":"aveirense-ilustre-infante-d-pedro-impulsionador-do-desenvolvimento-de-aveiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/aveirense-ilustre-infante-d-pedro-impulsionador-do-desenvolvimento-de-aveiro\/","title":{"rendered":"Aveirense ilustre: Infante D. Pedro. Impulsionador do desenvolvimento de Aveiro"},"content":{"rendered":"<p><em>Aveirense Ilustre<\/em><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Infante D. Pedro. Impulsionador do desenvolvimento de Aveiro<\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Cardoso Ferreira (textos)<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Como Senhor de Aveiro, o Infante D. Pedro foi o primeiro grande impulsionador do desenvolvimento (urbano, econ\u00f3mico, social e tamb\u00e9m religioso) de Aveiro. Deve-se a ele, entre outras coisas, a Feira de Mar\u00e7o.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Infante D. Pedro, filho do rei D. Jo\u00e3o I e da rainha D. Filipa de Lencastre, nasceu em Lisboa, em dezembro de 1392, e morreu na batalha de Alfarrobeira, no dia 20 de maio de 1449. Ficou conhecido como o \u201cPr\u00edncipe das Sete Partidas\u201d, devido \u00e0s longas viagens que efetuou pelos principais reinos da Europa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duque de Coimbra e Senhor de Aveiro e Montemor, ap\u00f3s a morte do seu irm\u00e3o mais velho, o rei D. Duarte, D. Pedro assumiu a reg\u00eancia do reino durante a menoridade do sobrinho e futuro rei D. Afonso V (nas Cortes de 1439), por imposi\u00e7\u00e3o do povo e das cidades, contra a vontade da alta nobreza que apoiava a rainha vi\u00fava D. Leonor de Arag\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como governante, defendeu a progress\u00e3o pac\u00edfica da expans\u00e3o mar\u00edtima e do com\u00e9rcio com os povos aut\u00f3ctones, opondo-se \u00e0 pol\u00edtica de expans\u00e3o nobili\u00e1rquica e guerreira protagonizada pelo seu antecessor. Por isso, em 1443 concedeu ao Infante D. Henrique a posse das terras para al\u00e9m do cabo Bojador e doou os primeiros subs\u00eddios \u00e0s navega\u00e7\u00f5es atl\u00e2nticas, as quais, durante a sua reg\u00eancia, chegaram at\u00e9 terras da Guin\u00e9. Em simult\u00e2neo, impulsionou a coloniza\u00e7\u00e3o dos arquip\u00e9lagos da Madeira e A\u00e7ores, concedendo regalias aos seus habitantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D. Pedro foi um \u201chomem notavelmente instru\u00eddo e culto no seu tempo, convivendo com as principais figuras da cultura e da pol\u00edtica da Europa dessa \u00e9poca. Por esse facto, tem sido nomeado como representante do cosmopolitismo e do Portugal moderno, oposto ao sedentarismo e ao esp\u00edrito mais cavaleiresco de seu irm\u00e3o D. Duarte. Viajante ilustrado pelos mais reputados centros universit\u00e1rios da Europa culta do s\u00e9culo XV, ningu\u00e9m mais do que ele pugnou pela abertura do pa\u00eds \u00e0 din\u00e2mica cultural europeia, sublinhando a cultura como a mais importante fonte da grandeza das na\u00e7\u00f5es. Entre as suas obras mais relevantes contam-se o \u00abLivro da Virtuosa Benfeitoria\u00bb (escrito pelo seu confessor Frei Jo\u00e3o Verba, com base em texto inicial do Infante) e a \u00abCarta de Bruges\u00bb, como se l\u00ea no s\u00edtio do Instituto Cam\u00f5es (http:\/\/cvc.instituto-camoes.pt\/filosofia\/m7.html).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 9 de junho de 1448, data em que Afonso V atingiu a maioridade, D. Pedro entregou a reg\u00eancia de Portugal ao rei, o qual, logo em setembro, anulou todos os \u00e9ditos de D. Pedro. Apesar de D. Pedro ser tio-av\u00f4 e sogro de D. Afonso V, este iniciou uma campanha difamat\u00f3ria contra o ex-regente, que culminou na batalha da Alfarrobeira e na morte do Infante D. Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, o rei D. Jo\u00e3o II, filho de D. Afonso V e neto do infante D. Pedro (do lado da m\u00e3e), reabilitou a imagem do antigo regente do reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infante D. Pedro, <\/strong><strong>av\u00f4 de Santa Joana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O infante D. Pedro casou com D. Isabel de Urgel (Catalunha), filha do conde Jaime II de Urgel e da infanta Isabel de Arag\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a batalha de Alfarrobeira, os filhos var\u00f5es exilaram-se. D. Pedro (1429-1466), em Espanha ficou na hist\u00f3ria como rei de Arag\u00e3o (Pedro V), rei de Val\u00eancia (Pedro III) e Conde de Barcelona (Pedro IV). Tamb\u00e9m D. Jo\u00e3o saiu de Portugal e foi Pr\u00edncipe de Antioquia (1431-1457), tendo-se casado com Carlota de Lusignan, princesa herdeira do Chipre. O mesmo aconteceu a D. Jaime (1434-1459), que apesar de exilado em Roma, foi arcebispo e cardeal de Lisboa, administrando a sua diocese a partir de It\u00e1lia. Quanto \u00e0s filhas, D. Isabel (1432-1455) foi rainha de Portugal pelo seu casamento com D. Afonso V, pelo que foi m\u00e3e do rei D. Jo\u00e3o II e da Princesa D. Joana, a santa padroeira de Aveiro. D. Beatriz (1435-1462) casou com Adolfo de Cleves, senhor de Ravenstein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">D. Filipa (1437-1493), solteira, para al\u00e9m de tia de D. Jo\u00e3o II, foi a sua \u201csegunda m\u00e3e\u201d ap\u00f3s a morte de D. Isabel. Devido a ela, tanto D. Jo\u00e3o II como a Princesa Santa Joana ficaram com grande admira\u00e7\u00e3o pelo av\u00f4, o Infante D. Pedro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Infante D. Pedro <\/strong><strong>com resid\u00eancia em Aveiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do vasto territ\u00f3rio de que dispunha, no qual pontificavam terras como Coimbra, Aveiro, Mira, Montemor-o-Velho, Penela e Tent\u00fagal, o infante D. Pedro foi um senhor pr\u00f3ximo das gentes e das terras sob a sua administra\u00e7\u00e3o, pelo que tinha resid\u00eancias em muitas dessas localidades, promovendo o seu desenvolvimento integrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em Aveiro D. Pedro possu\u00eda resid\u00eancia, n\u00e3o se sabe desde quando e em que local se situaria. No entanto, com a constru\u00e7\u00e3o das muralhas de Aveiro, que se iniciaram no reinado do seu pai, o rei D. Jo\u00e3o I, durante a segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XV, D. Pedro pretendeu erguer uma nova resid\u00eancia com vistas mais desafogadas sobre a ria e a zona da Ribeira (onde funcionava o ent\u00e3o porto de Aveiro), pelo que em 1435, o seu irm\u00e3o e rei D. Duarte autorizou-o a construir umas casas junto \u00e0 muralha e sobre a mesma, desde que elas n\u00e3o impedissem a circula\u00e7\u00e3o dos soldados em caso de defesa da vila.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m desta casa, o Infante tinha umas casas que comprou e que foram do prior de Fermel\u00e3, nas quais \u201cele pousava\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Aveiro, o Infante D. Pedro assinou alguns documentos, nomeadamente duas \u201ccartas de merc\u00ea\u201d ao Conde de Arraiolos, uma com data de 16 de julho de 1445, e outra de 14 de agosto de 1445, bem como um outro documento datado de 16 de agosto desse mesmo ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como refere Saul Ant\u00f3nio Gomes, \u201cposto que D. Pedro nunca tenha deixado de se deslocar \u00e0s terras do seu ducado mondeguino, notamos que no ano de 1445 as suas estadias na zona de Coimbra, Tent\u00fagal e Montemor-o-Velho, estendidas, ainda, a Penela e a Aveiro, foram particularmente alongadas\u201d, e, citando o cronista Rui de Pina, refere que \u201cD. Pedro se desloca ao Norte do pa\u00eds, em 1442, levando consigo D. Afonso, crian\u00e7a de 10 para 11 anos de idade, a fim de que come\u00e7asse a conhecer o reino e algumas das suas cidades e vilas mais industriosas, como Guimar\u00e3es, Porto e Aveiro\u201d. Igualmente, \u201ch\u00e1 not\u00edcia, ainda, de um confessor dominicano do monarca, Frei Dinis de Aveiro, homem de \u00absanta vida\u00bb, sa\u00eddo do c\u00edrculo de influ\u00eancia do duque D. Pedro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de casas, D. Pedro tamb\u00e9m possu\u00eda em Aveiro azenhas que mo\u00edam com \u00e1gua do mar, situadas no rio que \u201cvai para junto da vila de Aveiro\u201d, bem como \u201c\u00e9guas e poldros que andam nas ilhas do termo do dito lugar\u201d. Ap\u00f3s a batalha de Alfarrobeira, todos esses bens foram confiscados por D. Afonso V e concedidos ao Conde de Odemira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos ap\u00f3s a morte do infante D. Pedro, o alem\u00e3o Nicolau Lankmann de Walkensteon realizou uma viagem a Portugal, sobre a qual relatou que nas cercanias de Coimbra havia planta\u00e7\u00f5es de cana de a\u00e7\u00facar, as quais deveriam ter pertencido ao infante D. Pedro, Duque de Coimbra, o que demostra o interesse de D. Pedro tamb\u00e9m pela agricultura nos seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mosteiro, Igreja, Hospital e feira franca<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das muralhas de Aveiro, obra a que o infante D. Pedro deu especial aten\u00e7\u00e3o, o ent\u00e3o senhor de Aveiro foi respons\u00e1vel por duas outras grandes obras, estas de cariz religioso, uma de raiz e a outra possivelmente uma amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira foi a constru\u00e7\u00e3o do Mosteiro de Santa Maria da Miseric\u00f3rdia, que doou \u00e0 ordem de S. Domingos, motivo pelo que ficou conhecido por Mosteiro de S. Domingos, de que ainda resta a igreja (atual S\u00e9 de Aveiro) e uma pequena parte do mosteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda, foi a igreja de S. Miguel, que ent\u00e3o era a matriz de Aveiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma outra obra, referida por Fernando Ferreira Dias, \u00e9 o Hospital de Santa Cruz, que foi fundado pelo Infante D. Pedro, em 1443.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m se deve a D. Pedro a realiza\u00e7\u00e3o de uma feira franca em Aveiro, cuja autoriza\u00e7\u00e3o foi dada pelo rei D. Duarte, em 27 de fevereiro de 1434. Quase seis s\u00e9culos depois, essa feira continua a realizar-se anualmente, agora com a designa\u00e7\u00e3o de \u201cFeira de Mar\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deve-se a D. Pedro a proibi\u00e7\u00e3o dos nobres e outros fidalgos ao passarem por Aveiro aqui permanecerem mais de quatro dias, de modo a evitar os abusos que esses poderosos cometiam nas terras onde se instalavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>\u00a0(A rubrica \u00abAveirenses ilustres\u00bb \u00e9 promovida em parceria com o jornal diocesano\u00a0<a href=\"http:\/\/sites.ecclesia.pt\/cv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Correio do Vouga<\/a>)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aveirense Ilustre Infante<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4299,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46,64,65,13],"tags":[],"class_list":["post-4298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-autores","category-aveirenses-ilustres","category-cardoso-ferreira","category-olhares"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4300,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4298\/revisions\/4300"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4299"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diocese-aveiro.pt\/cultura\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}